Treinamento Funcional: O Que é e como pode nos ajudar?

Neste post, e os dois seguintes, vou me permitir variar o conteúdo habitual do blog e entrevistar Jorge Garcia (@JorgeGarBas), um…

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Neste post, e os dois seguintes, vou me permitir variar o conteúdo habitual do blog e entrevistar Jorge Garcia (@JorgeGarBas), um dos melhores preparadores físicos do país, Doutor em Ciências da Atividade Física, divulgador e o preparador físico da seleção espanhola de Hóquei sobre a grama feminino, recém-classificada para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, e professor do curso de Treinamento Funcional do INEFC de Barcelona. E eu faço isso porque estou convencido de que pode ajudar em grande medida aos leitores comuns, mas também aqueles que caiam neste blog por acaso. Ao longo dos próximos três artigos que vão tocar temas como treinamento funcional, pseudo-ciência, o esporte e a atividade física, formação, divulgação, diferenças na maneira de compreender o treino em Portugal e no estrangeiro, como evoluiu o treino até chegar à forma atual de entender que se deve treinar um atleta, de quem aprendeu, e que influências teve, para possibilitar esse processo, a importância do trabalho multidisciplinar em equipe, tanto na preparação física de atletas profissionais como em treinamento de pessoal com fãs, ou até mesmo como se orienta a preparação física para enfrentar a mais alta competição internacional em um esporte onde há menor tradição de treinamento de força em Portugal face a outros países rivais. Esta é apenas a primeira entrega de três.

Treinamento funcional

1.- O que é o “Treinamento funcional” para o professor do curso de Treinamento funcional do INEFC?

O conceito é uma das poucas coisas que não mudou em 8 anos que estou dando o curso. É simplesmente um treinamento que se relaciona com um objetivo a alcançar. O que se muda é como obtê-lo. Antes nós basábamos nos movimentos que ocorreram durante a prática esportiva para realizar o projeto e planejamento do treinamento, e agora eu aprendi que cada pessoa é diferente da outra, apesar de praticarem o mesmo esporte. Portanto, antes de projetar um treinamento é imprescindível realizar testes funcionais que nos indiquem graus de mobilidade nas articulações que devem mover-se, e de estabilidade nas articulações que não devem se mover. Uma vez realizados estes testes já podemos começar a ver como se move o atleta, se seus padrões de movimento são corretos. Uma coisa que por exemplo, eu encontrei ao começar a treinar jogadoras de seleção é que são um desastre correndo e mudando de direção, apesar de ser uma das melhores jogadoras em Portugal e levar desde idades muito precoces jogando e competindo. Por último, uma vez corrigimos esses padrões ou intervalos de movimento, já podemos começar em primeiro lugar a aumentar a intensidade dos movimentos que nos interessa trabalhar para prevenir lesões e, em segundo lugar, para melhorar o desempenho.

2.- O curso de treinamento funcional é, possivelmente, um dos mais acessíveis economicamente por hora de aula recebida. Sendo um curso de notável utilidade e muito bom professor, Qual a relação entre o preço e a qualidade de um curso de formação?

O curso é muito baixo custo em comparação com outros curso porque o preço estabelecido pela universidade, em função dos créditos, além disso, não há necessidade de alugar espaço uma vez que o curso é feito na mesma Universidade. Atualmente, qualquer um pode montar um curso, mas em INEFC de Barcelona há uma comissão que escolhe quais cursos são ofertarán. Além disso, uma vez realizado o curso estabelece uma série de varemos com base, por exemplo, na opinião dos alunos em diversos números e o número de alunos inscritos ou em lista de espera. Em relação a outros cursos, que seja muito caro não quer dizer nada. Eu me lembro que quando surgiu o “boom” do Pilates chegavam a pedir cerca de 6000 euros por obter-lhe o título de instrutor, uma autêntica e incompreensível burrada.

3.- É por todo o seu ambiente conhecido seu constante denúncia e luta contra a pseudo-ciência (recomendação com pouca ou nenhuma base científica) no setor da atividade física e da nutrição. Como pode afectar a quem faça caso de recomendações vazias, como podemos identificá-los e que interesses você acha que há por trás da pseudo-ciência, o esporte e a atividade física?

O principal problema que ainda temos em atividade física, é que ainda nos movemos por “tendências” ou “modas”. Você pode imaginar um médico fazendo o mesmo? Não tem nenhum sentido. Nossa ciência ainda é muito jovem e temos muito que aprender, mas já sabemos o suficiente para deixar de fazer ou vender certas coisas que prejudicam mais do que ajudam, e não é que o diga eu, é que o dizem aqueles que o estudaram, e finalmente acabaram sendo publicados em uma revista científica séria. Ainda me lembro de quando saiu da pulserita mágica (Powerbalance), e como muitos treinadores e licenciados em CAFD se a compraram e a levavam, tudo porque tinham ouvido que em surf estava proibido levá-la porque melhorava muito o equilíbrio… Identificar a pseudociência ou promessas vazias costuma ser fácil: Se algo é bom demais para ser verdade, é que realmente não é verdade.

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