Treinamento, divulgação e Jogos Olímpicos

Segunda parte da entrevista com o preparador olímpico e professor do curso de treinamento funcional do INEFC, Jorge Garcia (@JorgeGarBas), recentemente classificado para os jogos…

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Segunda parte da entrevista com o preparador olímpico e professor do curso de treinamento funcional do INEFC, Jorge Garcia (@JorgeGarBas), recentemente classificado para os jogos do Rio 2016 com a seleção Espanhola de Hóquei feminino. Nesta parte da entrevista, vamos falar de seu trabalho de divulgação no Twitter e no seu grupo de discussão no Facebook, de como se orienta a preparação física de um computador olímpico com muito menor tradição de treinamento de força que seus rivais, ou as diferenças na maneira de compreender o treino em Portugal em comparação com outros países, principalmente Estados Unidos.

Recentemente você iniciou uma ação no Twitter e o grupo de Facebook “Treinamento funcional e alimentação INEFC” onde a cada dia, amostras de um exercício contra-indicado habitualmente realizado em instalações desportivas e uma alternativa mais recomendável. O que é que te bases para decidir quando um exercício é pouco recomendável e qual seria a opção mais inteligente?

Em primeiro lugar eu me baseio em minha própria experiência, não só como treinador, mas como um atleta. Ou seja, eu mesmo já fiz ou mandei esses mesmos exercícios que agora eu não recomendo. Além disso, nenhuma das recomendações é apenas a minha opinião, baseada nas descobertas de cientistas como Stuart McGill ou Shirley Sahrmann, e técnicos ou preparadores físicos a nível nacional como Julho Tous ou Jose Maria Padullés, e estrangeiros, como Eric Cressey, Mike Boyle, Mike Reinold, Mark Verstegen, Mike Robertson, etc..

Alguns exemplos de exercícios pouco recomendáveis, bem como as alternativas que João Garcia de suspensão no Twitter e seu grupo de discussão no Facebook, sob a hashtag #dejadehacerlos

Como preparador da seleção Espanhola de Hóquei feminino, recentemente classificada para os jogos OLÍMPICOS do Rio, como se orienta a preparação para enfrentar outros países onde, além de mais tradição e ofício também se lhe dá mais importância à alta preparação física?

Bom, quando comecei a trabalhar com o técnico Adrian Lock, a primeira coisa que me disse foi que em meninas foi superimportante da preparação física, muito mais do que em meninos. Ady (como gosta que o chamem) é o inglês e talvez por isso já sabia desta importância. Em qualquer caso, devo reconhecer que tudo mudou realmente o dia em que jogamos na Liga Mundial, contra a Austrália. Eu vinha de ter ficado subcampeonas o Europeu sub21 e não pensei que a coisa fosse tão exigente. As Australianas pareciam aviões e só de olhar o seu corpo se notava-se claramente que faziam habitualmente treinamento de força. Nós estávamos muito longe de seu nível. A partir daí, começamos um trabalho diário de treinamento de todas as qualidades. Cada menina tem seu programa de força e resistência que deve fazer e é controlado entre outras coisas, por um GPS. Devo dizer que adoro trabalhar com as meninas, porque são muito organizadas e responsáveis, e não é fácil quando mais de 50% do tempo, você tem que treinar por sua conta. A nível de resultados, em nossa primeira Liga Mundial ficamos no posto 12, na segunda, que nos deu acesso aos jogos olímpicos do Rio, inserimos no posto 6 e não ficamos em melhor posição, pois não ganhamos nos pênaltis contra a Alemanha.

Quais são, em seu entender as principais diferenças entre a profissão de preparador físico de desempenho e o do personal trainer?

O personal trainer deve ser mais detalhista que o preparador físico, mais que nada porque treina a uma única pessoa. Se o preparador físico treina a uma única pessoa, para mim, seria também personal trainer, embora dedicado ao desempenho esportivo. Em princípio, o personal trainer é geralmente dedicar mais à saúde, e sua prioridade deve ser que a pessoa se encontre o melhor possível. O objetivo do preparador físico é de que os atletas estejam nas melhores condições possíveis para competir.

Que diferenças você observa entre a maneira de entender o treino na Espanha e em outros países como, por exemplo, nos EUA, por parte de seus profissionais? Quais são as vantagens acha que nós temos em relação a outros países e quais as desvantagens?

Vantagens que nós somos muito competitivos e, talvez, dominam melhor o treinamento integrado (físico com o jogo) do que em outros países. A principal desvantagem é que temos muitos menos atletas, e nossa cultura esportiva é diferente. Nos EUA, o esporte não é apenas uma opção de lazer. Para muitas crianças é uma opção de futuro, não para chegar a ser atletas profissionais, mas como um meio para chegar a estudar em uma boa universidade. Há alguns verões, eu estava em Stanford, e aquilo era como os Centros de Alto Rendimento de Barcelona e Madrid juntos ou até mesmo, talvez, mais grande. Estudar lá pode representar cerca de 50.000 Euros por ano, mas se você tem uma bolsa pode custar a metade ou nada. Você deve treinar para ir a um bom instituto onde destaques, e, em seguida, continuar treinando para poder ir para uma boa Universidade. Se, em seguida, você é muito bom, você continuará treinando para fazer profissional. Aqui em Portugal, sobretudo em crianças, houve, e ainda há, muito misticismo em relação à preparação física. É muito importante que as crianças façam uma preparação física adequada para quando chegar a maiores sofrer menos lesões e ter menos coisas que corrigir. Na Alemanha e nos EUA há muitos anos que se deram conta de que o melhor quando se é pequeno é fazer vários esportes e não se especializar apenas em um, mais ou menos, até que você tem 14 anos. Em Portugal, as crianças fazem cada vez menos esporte. É imprescindível que as escolas e institutos assegure, no mínimo, uma hora de desporto ao dia, dirigida por um bacharel em CAFD. A diferença do resto de disciplinas do colégio ou instituto, desde antes de nascer até que perishes sempre nos movemos.

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