Treinamento, desenvolvimento e trabalho em equipe

Nesta terceira e última parte da entrevista com o preparador olímpico João Garcia, falamos sobre a evolução do treinamento nos últimos anos,…

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Nesta terceira e última parte da entrevista com o preparador olímpico João Garcia, falamos sobre a evolução do treinamento nos últimos anos, do processo de aprendizagem que leva a todo treinador, por necessidade, a questionar suas crenças e, graças à experiência e o contínuo estudo, evoluir na forma de aplicar os seus conhecimentos, a importância do trabalho multidisciplinar, onde o treinador se cercar de bons profissionais especialistas e não seja um “cara para tudo”, e de seus projetos de divulgação futuros.

Quais são as principais influências que levaram a entender o treino no ponto em que você se encontra atualmente? Você mudou muito desde que você começou? Como você acha que pode evoluir no futuro?

Primeiro, eu acho que, como quase todos, comecei a treinar tipo fisiculturista, com o método Weider. Depois, comecei a ter muito bons professores na minha escola. Meus principais professores foram pessoas como Gerard Amoras, Manolo Montoya, Javier Jorge, Joan Rodrigues, Julho Tous ou o meu mais que o estimado Josep Maria Padullés. Todos eles têm um componente científico (todos são doutores), mas também são treinados para atletas de alto nível. Para ser um bom preparador físico não basta ler Pubmed, há que viver os treinos. Outra pessoa que também me ajudou, sobretudo, no treinamento integrado é Paco Seirul·. Só por seus anos de experiência, uma conversa com ele pode fazer você ver coisas que depois lhe serão de grande utilidade. Fora de Portugal, em resistência adoro o trabalho de David Bishop; no que respeita ao trabalho postural e de core Stuart McGill ou Shirley Sahrmann; e controle e treinamento de força poderia falar de Gray Cook, Eric Cressey, Mike Boyle, Mike Robertson, Mike Reinold (principalmente do ombro), Mark Verstegen, Yuri Verkoshansky, etc… mas acima de tudo, não posso esquecer do meu grande ídolo Carmelo Bosco, já falecido, o qual eu acho que revolucionou a preparação física da força.

Em relação à última pergunta, eu mudei totalmente. Eu Me lembro quando fazia exercícios de músculos isolados, press e jalón atrás da nuca, sit ups, crunches e diversas jurídico brasileiro que me levaram a ter dor em muitas partes do meu corpo. Quando tinha 20 anos, pensava que sabia tudo. Agora, depois dos 30, eu penso o contrário. Como te disse uma vez, acho que dentro de 10 anos me lançarei as mãos à cabeça pensando em alguma das coisas que eu faço hoje.

Ao contrário do treino de pessoal, no alto desempenho é habitual o trabalho multidisciplinar ou em equipe entre especialistas que trabalham em conjunto e de forma holística. Você acha importante que em atividade física e esporte amador oriente desta mesma forma? Como poderia melhorar o serviço que recebem os clientes de treinamento pessoal?

O personal trainer não pode ser um cara para tudo. Antes de começar a treinar com alguém, é importante passar por um exame médico. Também seria recomendável que procure um bom nutricionista, que tenha estudado a carreira de nutrição humana e dietética. No esporte também há muita pseudo-ciência nutricional, que se dietas do pH, que, se o glúten é ruim, que se desintoxicar, etc… Um bom nutricionista ou endócrino será aquele que siga as recomendações da OMS.

Em como você poderia melhorar o serviço que recebem os clientes de treinamento pessoal, eu acho que é necessário um maior conhecimento sobre a anatomia e a fisiologia individual do cliente na hora de planejar os treinos. Você só tem que ficar ao lado de outra pessoa para ver o que cada parte do nosso corpo é diferente, que a nossa maneira de mover-se é diferente. Em relação ao fisiológico, você pode fazer uma analítica e cada pessoa terá resultados diferentes. Há muitos anos, treinando “blinds” e temos que começar a deixar de fazê-lo. Acho que em Portugal há falta a figura do físiólogo e/ou biomecánico desportivo que se ocupar de tais análises.

Por último, tendo em conta que, como preparador físico de uma equipe nacional olímpico duramente os atletas amadores poderão ser capaz de contratá-lo como treinador, você tem algum projeto de divulgação, onde estes últimos possam se beneficiar como você vem fazendo ultimamente?

Bom, além dos cursos que costumo fazer, você pode me seguir no Twitter (@jorgegarbas) onde a cada dia (excepto sábado e domingo), coloquei um exercício que deve ser evitado e outro pelo qual se deve substituir com o hashtag #dejadehacerlos. Além disso, tenho um grupo de Facebook para treinadores (Treino e alimentação funcional INEFC BCN) onde costumo colocar coisas que eu recomendo e até mesmo debatimos sobre nutrição e treinamento. Uma vez por mês eu trabalho com o programa Ser Saudável (Cadena SER Valência), e também escrevo sobre o que me apetecer (já que me deixam) na Jogada Financeira.

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