Crioterapia e outras técnicas de recuperação

O futebolista do Real Madrid, Cristiano Ronaldo tornou moda a crioterapia. Mas, você sabe em que consiste a crioterapia e para que serve?

crioterapiaHá alguns dias, com motivo da apresentação da notícia que informava sobre a recente aquisição de uma máquina de crioterapia por Cristiano Ronaldo, recebi vários tweets perguntando até que ponto este tipo de tecnologia era eficaz e se poderia ajudá-los a melhorar seus resultados. O que a priori parecia uma anedota tornou-se evento curioso quando recebi uma ligação de uma importante cadeia de televisão dizendo que iam fazer uma reportagem sobre este tipo de técnicas e novas tecnologias aplicadas à recuperação e à melhoria do desempenho. Ocorrido isso, e devido à impossibilidade de dar uma boa resposta sobre a crioterapia através dos 120 caracteres que me exige Twitter decidi escrever este post.

Em primeiro lugar, deveríamos nos perguntar para que servem as técnicas de recuperação, como a crioterapia. Estas técnicas podem ajudar-nos a recuperar do desgaste físico provocado pelo treino ou competição restaurando o equilíbrio necessário no organismo, chamado de homeostase, que nos permite produzir a máxima quantidade de energia possível, assim como restaurar os depósitos das diferentes fontes de energia, basicamente glicogênio, e reparar os tecidos danificados. Graças a isso, podemos voltar a treinar antes para o nível máximo, ou garantir o máximo desempenho em uma determinada data, como pode ser o dia de uma competição.

É fundamental ressaltar que não é uma boa ideia abusar deste tipo de técnicas, por duas razões: Em primeiro lugar, porque o processo de recuperação em si mesmo é parte da adaptação a um estímulo, se eliminarmos sistematicamente este processo estaremos lastrando nossa evolução. Um caso claro seria a aplicação de frio ou de qualquer outra técnica, medicamento ou tratamento que tem o objetivo de evitar uma suposta inflamação que deve acontecer se quisermos que nosso organismo envie os nutrientes e oxigênio necessário para reparar as estruturas danificadas. Não obstante, devido à própria natureza da alta competição, onde impera a necessidade de estar recuperado entre dias de competição sobre outras variáveis, e a natureza pouco de sacrifício de muitos atletas amadores que preferem não sentir dor, nem sequer umas ligeiras dores, se com um comprimido podem ajudá-lo, esta classe de técnicas continuarão a ser habituais. A outra razão pela qual não seria interessante utilizar este tipo de técnicas, ou pelo menos não usar sempre a mesma, é que também com o tempo o corpo se adapta a esses estímulos e, pouco a pouco vão perdendo eficácia.

Tal como disse antes, toda a recuperação passa pela reposição dos substratos energéticos, a reparação das estruturas ou tecidos danificados e a recuperação do equilíbrio perdido, ameaçando a homeostase necessária para que o organismo possa trabalhar a pleno rendimento. Ao final, tal como diz Joel Jamieson, é tudo uma questão de energia e, portanto, a recuperação não é mais do que devolver ao organismo a capacidade para produzir a máxima quantidade de energia.

Parte deste equilíbrio, além de recuperar o intervalo adequado de tensão arterial, pH sanguíneo, hidratação, glicemia e temperatura fora do qual o corpo não seria capaz de produzir energia ou pelo menos não a nível ideal, nos encontraríamos o desequilíbrio produzido entre os diferentes sistemas do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), sobretudo entre o sistema simpático e parassimpático. A partir de um ponto de vista bastante simplista, o primeiro estaria mais associado com atividades relacionadas com a geração de energia , enquanto que o segundo com o armazenamento e a conservação da mesma. O primeiro produz adrenalina e noradrenalina, e o segundo acetilcolina, três neurotransmissores fundamentais se queremos melhorar o nosso desempenho. Pois bem, todo estímulo que é susceptível de diminuir nosso desempenho e exigir uma prévia de recuperação antes de que o nosso organismo possa voltar a ser capaz de produzir uma óptima quantidade de energia provoca um desequilíbrio entre esses dois sistemas que fará com que a secreção de alguma/s destes neurotransmissores seja comprometida a afetar o desempenho. É, pois, objetivo prioritário de toda a ação de recuperação restabelecer o equilíbrio perdido, estimulando o sistema que está deprimido. Daí que nem todas as técnicas de recuperação adequadas para sempre, nem mesmo a crioterapia, já que se estamos certos e nós usamos uma técnica com efeito estimulante do sistema que está sobreestimulado estaremos, longe de facilitar a recuperação, provocando o efeito contrário.

Dentro das técnicas de recuperação de estimulantes do sistema nervoso simpático encontramos, principalmente, a redução do volume de treinamento, terapia intensiva de tecido profundo (fisioterapia), crioterapia, banho de água fria ou contrastes de temperatura. No caso de estarmos em um estádio dominante do sistema simpático, onde o mesmo se encontra deprimido, as melhores técnicas para estimulá-lo seria tudo aquilo que gera relaxamento como a meditação ou relaxamento miofascial, assim como qualquer terapia de tecido mole, sauna, hidromassagem ou banhos com água quente. Também seria interessante eliminar todos os estimulantes como a cafeína e aumentar as horas de sono e/ou aumentar o cochilos. Neste caso, ao contrário do que aconteceria no outro cenário, seria mais importante para reduzir a intensidade que o volume a ser esta variável do treinamento, o principal estimulante do sistema simpático.

Como você pode ver não é tão simples como comprar uma máquina e passar frio durante alguns minutos. Lembro-me que ao dizer isso mesmo no twitter, me disseram que um atleta profissional ou CR7 saberia usá-la para o que eu respondi que não duvidava disso, mas que acostumamos a dar a devida importância para os atletas profissionais e ao seu ambiente. Muitos vos vão puxando as mãos à cabeça, mas vou dar um exemplo. Conheço o caso de vários clubes de ponta que através de terapias de calor e frio não as utilizam, porque dizem que não funcionam. Paradoxalmente outros clubes de igual importância e concorrentes diretos, por não falar dos clubes mais importantes da NFL, NBA, MBL ou NHL a utilizam como parte fundamental de seu trabalho de recuperação. Além disso, é comum encontrar dentro dos clubes que têm vários responsáveis da parcela médica, como, por exemplo, primeiro computador e pedreira, têm opiniões diferentes a respeito, para não falar dos casos em que o médico e o preparador físico pensam de forma diferente. Desta forma, verifica-se que um mesmo computador de um ano tem sessões de contrastes de temperatura o dia posterior ao jogo, após este, ou após os treinos mais duros, e no ano seguinte os tem proibidos, porque o novo preparador físico ou médico responsável considera que, longe de ajudar, pode prejudicar.

E agora a pergunta do milhão… Como posso saber em que estado me encontro? A melhor maneira é através dos novos sistemas de medição da variabilidade do pulso, também chamado de HRV (Heart Rate Variability). A marca mais conhecida é Omegawave, um sistema que leva usando equipamentos como o Barcelona desde há anos para medir a recuperação de seus jogadores. O problema desta marca é que o sistema profissional tem um preço de 17.000€, enquanto que o amador, que excede ligeiramente os 100€ 80€ anuais, não tem em conta o stress neuromuscular, sendo interessante para esportes de resistência, mas não de força, ou naqueles onde a mudança de ritmo é uma vantagem competitiva. Outra opção interessante é o BioForce HRV (cerca de r $200), mas que não requer inscrição nem pagamento periódico. Além disso, este último permite observar em que estado se encontra (chave do sistema simpático ou parassimpático), escolher a técnica de recuperação que mais interessante se for, e observar como os sistemas vão se equilibrando.

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Crescer como treinador pessoal – O blog de fitness

Se bem que o artigo anterior tratava como devia formar-se um treinador em caso de querer viver disso, neste post vou falar…

Se bem que o artigo anterior tratava como devia formar-se um treinador em caso de querer viver disso, neste post vou falar do caminho que, a meu entender, seria o adequado para crescer, se firmar no setor, e acabar dispondo de uma posição bastante confortável para viver isso com uma relativa segurança.

Este processo não tem por que ser iniciado uma vez concluída a formação teórico prática que todos os pormenores no último post, mas que o mais indicado seria levá-la a cabo paralelamente, aprendendo e adaptando-se à experiência de cada um.

Em treinamento de pessoal, as estatísticas e a experiência de outros treinadores não nos servem. Se tivermos em conta que uma grande quantidade de clientes, para não dizer a maioria, conseguiremos graças ao boca-a-boca, podemos dizer que a melhor estratégia de captação de clientes é uma adequada estratégia de fidelização. Quanto mais satisfeitos estão os nossos clientes mais facilmente falam de nós para seus amigos. As estatísticas e tudo o que nos fale de ações concretas de promoção profissional não serão úteis devido a que esses 20 clientes que poderemos chegar a tratar pessoalmente não têm por que se assemelham em nada aos outros 20 de outro colega de profissão, pelo que as acções que lhe serviram a um não tem por que ter o mesmo efeito em outro treinador.

Então, Como posso saber o que fazer para crescer como treinador? A resposta é fácil, esquecer as experiências de outros treinadores e o que este ou o outro fizeram para ganhar uma posição no setor. Em seu lugar, ouça os seus clientes, não achar nunca que sabe melhor do que eles o que lhes convém, e trata de identificar e satisfazer todas e cada uma de suas necessidades.

ABRINDO CAMINHO

Tal e como eu disse anteriormente, a chave para captar clientes reside em que estes ajam livremente como prescritores. Nada é mais eficaz do que a recomendação de alguém em quem confia. Se tivermos em conta que ao começar a trabalhar, não tem esta possibilidade por não ter quem fale de ti o primeiro objetivo, portanto, será conseguir os primeiros clientes para que possam atender e deslumbrar com a sua enorme capacidade profissional. Neste sentido, não me ocorre melhor forma de captar os primeiros clientes que trabalhando em uma instalação desportiva onde se ofereça este serviço.

Hoje em dia, a maioria das academias de ginástica oferecem esta possibilidade. Os monitores começam a trabalhar como professores de sala obtendo a possibilidade de chamar a atenção de parceiros, de forma que estes possam contratar seus serviços exclusivos. Evidentemente, isso só seria o ponto de partida já que, uma vez disser suficientes comentários pessoais, deixaria alguém de trabalhar como instrutor de sala dedicándote a eles exclusivamente.

Chegado a este ponto, e quando você não pode atender mais clientes, é possível que você quer continuar a crescer. No caso de haver tratado corretamente aos seus clientes, estes serão sempre mais fiéis ao treinador que a instalação, uma vez que é com você com quem terão mais confiança ao ter solidificado uma relação pessoal e ser responsável direto de seu estado de forma. É por isso que, caso queira mudar de instalação em outro lugar para melhorar a sua experiência, o mais provável é que todos, ou uma grande maioria, te seguirem. Evidentemente, no caso de que o serviços de instalação lhes provoque um dano superior ao lucro obtido por continuar a trabalhar contigo é possível que não te seguirem, assim que certifique-se de que, como mínimo, a mudança não os prejudique.

CRESCENDO COMO TREINADOR

Uma vez contar com uma carteira ampla e sólida de clientes, o seu poder de negociação frente às instalações será maior. Isto irá ajudá-lo a obter melhores condições para você e seus clientes se em um momento você decide mudar de instalação.

Existem centros onde, em vez de cobrar a instalação para o cliente a quantidade determinada pelo serviço de personal trainer, e estes, por sua vez, distribuirá o percentual acordado com o treinador, é este que lembra uma franquia ou um pagamento fixo no conceito de “exploração” ou uso da instalação com os seus clientes, de forma que seria o treinador que cobrar o valor que desejar para cada cliente, ganhando em liberdade e autonomia. Os clientes já não seriam de instalação, mas próprios do treinador. Isso, é claro, já pressupõe-se um grande passo no desenvolvimento profissional de qualquer pessoa desde que significaria passar a gerir a sua própria carteira de clientes, tornando-se, de alguma forma, em empresário.

AFIANZÁNDOSE COMO TREINADOR

Se entendemos a maturidade de todo profissional como a segurança dele na hora de manter um fluxo constante de trabalho, dispor de um ambiente e de uma metodologia clara que lhe permita manter a satisfação dos clientes, e com o tempo ganhar mais do que os que se perdem, é determinante.

Pessoalmente, eu tenho um local que me serviu como um farol na escuridão. Tentar superar constantemente as expectativas dos clientes me serviu de guia em todos os momentos, até atingir o ponto em que me encontro atualmente como personal trainer em Valência. Mas para fazer isso em uma instalação convencional, há muitos aspectos que afetam diretamente a experiência do cliente e que escapam ao controle do treinador. O que você vai fazer quando um cliente reclamar de que há calor ou frio?Ou, se se diz que os banheiros estão sujos? Tenho certeza que todos nos acontecem uma grande quantidade de situações que não podemos controlar e que podem deitar por terra todos os nossos esforços para fazer com que o cliente se sinta plenamente satisfeito. É por isso que o controle da instalação é tudo em busca da plena realização do cliente e, de passagem, do treinador.

Cada vez vejo mais treinadores que decidem criar uma pequena instalação onde treinar seus próprios clientes. Alguns o fazem na sua própria casa, em um escritório ou em um modesto sob comercial, outros alugam um espaço para uma instalação maior, e outros diretamente decidem dirigir-se ao domicílio de cada cliente. Em todos os casos anteriores, exceto no segundo, a flexibilidade e capacidade de adaptação aos gostos e necessidades do cliente seria superior do que em qualquer centro esportivo. Isso se, não devemos esquecer que nem todos os clientes de personal training buscam conforto e privacidade que este tipo de soluções lhes trará. Há aqueles que preferem desfrutar do resto de serviços e oportunidades que uma escola convencional lhes oferece. Tudo isso me leva a premissa com a qual iniciava este post. Analisar e identificar as necessidades de cada cliente, esquecer o que fazem ou lhes deu bom resultado para os outros, e tentar atender a cada uma delas. Só assim conseguiremos uma carteira sólida de clientes, que nos permita viver e alcançar a realização profissional que todos nós buscamos.

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Corre, anda… rebenta – Titãs do Deserto

Alternar a corrida ou a corrida com o passo leve é um método simples e eficaz de treinamento aeróbico que nos permite ganhar resistência e…

Alternar a corrida ou a corrida com o passo leve é um método simples e eficaz de treinamento aeróbico que nos permite ganhar resistência e melhorar a nossa condição física desde o primeiro treino.

Alternar a corrida e a caminhada em função do terreno permite manter mais estável da frequência cardíaca. Foto: Sergio Fernández Tolosa

Na verdade não tem muito segredo. É um ato reflexo, uma reação natural: correr alguns minutos, se ficar cansado, aminoras o ritmo um pouco, você anda uns minutos, se recupera, volta a correr alguns minutos, se ficar cansado, aminoras o ritmo um pouco, você anda uns minutos… E assim vai progredindo, de forma que os minutos correndo cada vez mais, e os minutos andando, menos.

CAMINHAR OU CORRER: O QUE É MELHOR?

Algo semelhante acontece quando você começa a correr pela montanha, onde os fortes desníveis de alguns caminhos te obrigam a baixar o ritmo e passar a correr, a caminhar em alguns setores, para voltar a correr alguns metros mais longe. Esta manobra, no jargão trail runner, é conhecido como CACO, que é um acrônimo de Andar e COrrer –em inglês chamam – Run & Walk– e embora possa parecer uma invenção fruto do atual crescimento do trail running, é que este conceito é utilizado desde há pelo menos duas décadas (a primeira vez que ouvi foi na boca de Mònica Aguilera, vencedora de diversos raids de esportes de montanha, no final da década de 90).

Há passos que deverá diminuir o ritmo. Foto: Alberto Domínguez Gago.

Para mim, os CACO’s são algo básico em todas as minhas saídas de “trail-troting”. Não me acompleja em absoluto caminhar. Ao contrário. Eu amo. Posso dar passos mais longos e tenho a sensação de avançar mais, com menor esforço, mantendo as teclas pressionadas mais controladas, de forma que depois posso me concentrar mais e correr com maior fluidez e segurança nas zonas planas e as descidas técnicas.

Para mim, um indicador objetivo de quando devo começar a caminhar ou voltar a correr é o ritmo cardíaco. Quando passo de 165 batimentos, sob o ritmo até que descem até as 150, que é onde eu me sinto confortável e “ágil de mente”. Normalmente não me faz falta olhar para o monitor de freqüência cardíaca. Me dizem as pernas e os pulmões. Na verdade, me dita todo o corpo.

VAMOS FAZER UM ESTUDO CIENTÍFICO

É a pergunta de um milhão de neurônios: quando a inclinação for acionado, você vai mais rápido, correndo ou caminhando?

Embora a maioria dos corredores de a pé, já o tínhamos bem claro, para lançar alguma luz sobre isso, há poucas semanas, foi publicado um estudo realizado na University of Colorado, Boulder, em que os pesquisadores, inspirados nas corridas de Quilômetro Vertical, se levantavam um enigma, desses que só eles sabem resolver com números, testes e demais provas: qual é a melhor rota para chegar a um topo determinada a partir de um mesmo ponto de origem? A mais longa, mas com inclinações mais suaves –em que se pode correr–, a mais curta, mas com brincos mais duras –que não corre nem Kilian Brasil– ou a que tem pendentes intermédias, em que os mais fortes correm e o resto dos mortais caminhamos ou vamos alternando?

Há altos que mesmo andando para chegar ao limiar anaeróbio. Foto: Alberto Domínguez Gago.

Imagine a situação: estamos aos pés de uma montanha, a 2.000 metros de altura, e tem que subir a uma crista, situada a 3.000 metros. Todos os caminhos são ou íngremes ou muito íngremes. Um deles tem uma média de 17% e 5’8 km de comprimento; outro tem uma inclinação média de 50%, e apenas 2 km de comprimento; e o terceiro, de 62% e 1,6 km de comprimento. Qual é o melhor? Qual é o mais rápido? O que nos cansaremos menos?

UMA FITA DE CORRER FALSA

Para realizar o estudopersonalizaram uma fita de correr e convenceram a 15 atletas de montanha para fazer o hamster em uma ascensão artificial em que a fita se inclinava gradualmente, passando de 9.4°, 15.8°, 20.4°, 24.8°, 30.0°, 35.0° e até os ¡¡¡¡¡39.2°!!!!!, sempre a uma velocidade vertical estável de 0’35 metros por segundo, de forma que a fita avançava mais lentamente à medida que crescia o grau de inclinação.

O veredicto do estudo foi que o melhor caminho teria sido o segundo –o de 30º, ou seja, de uma pendente média de 50%–, em que andar tão rápido quanto possível dentro de nossa capacidade aeróbica é a maneira mais rápida e eficiente de alcançar o cume.

Nos setores mais técnicos deverão ter o pulso controlado. Foto: Sergio Fernández Tolosa.

Além disso, as conclusões (que você pode ver neste link), defendem que, tendo em conta que ao caminhar, a frequência e o comprimento do passo é 28% menor e maior, respectivamente, que ao correr. Por isso, consideram que a partir de inclinações superiores a 15’8º (25-30%), pode-se reduzir o gasto de energia de caminhar em vez de correr e obtendo o mesmo resultado em tempo. Que bom. Já posso andar tranquilo.

>> As fotos deste post são de uma de nossas saídas por Montserrat, no domingo passado, com os infatigables Isma e Alberto. Nós a chamamos de Monk Trail e dá a volta a todo o maciço. Se você estiver interessado, deixo o track para GPS no link de Wikiloc.

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Coração e esporte

Coração e esporte

Cardiologia e esporte

“A saúde não é tudo, mas sem ela, todo o resto é nada”. (Schopenhauer)

Como treinador pessoal sou consciente de que a saúde, na sua globalidade, abrange muitos conhecimentos na teoria e na prática, e não se pode saber tudo. Por isso, reivindico o trabalho em grupo multidisciplinar para fornecer todos os recursos para as pessoas, para que estas possam treinar com total segurança e possam aumentar o seu desempenho físico, mental e social. Um personal trainer deve estar formado, informado sobre os últimos avanços e deve agir e enriquecer o trabalho em grupo multidisciplinar, com fisioterapeutas, osteópatas, psicólogos, nutricionistas e médicos de diferentes especialidades (endócrinos, cardiologistas,…). A raiz de uma aula do Dr Fernando Pons (Cardiologista) em “Fitt Balmes” sobre cardiologia e esporte, que não me deixou indiferente, senti a necessidade de fazer uma consulta com ele para aprofundar algumas perguntas que me ficaram na gaveta. A palestra foi fantástica e decidimos, a partir desse ponto, começamos a trabalhar juntos. Então, aproveitando que a produtora de TV “Padi Productions”, tem contato comigo para filmar o documentário “Barcelona Fit” sobre o treinamento de pessoal, cite a ambas as partes para gravar a entrevista sobre cardiologia e esporte. Sendo conscientes de que este é um blog de divulgação e não de ciência pura e dura faço-vos um excerto de as respostas que obtive que, embora simples, fantásticas e de grande utilidade para vós.

O Dr. Pons, simplificando muito as coisas, propõe que o exercício físico regular e saudável aumenta a eficiência do sistema cardiovascular. Isso se consegue não apenas com um melhor aproveitamento do oxigênio a nível periférico, mas também melhorando múltiplas funções cardíacas, como seu sistema elétrico, renal e sua vascularização.

Testes para verificar o estado cardíaco.

São simples e seguras, por isso, podem ser aplicados tanto para adultos como para a população pediátrica. São elas:

1. Uma visita médica: a) História Clínica: antecedentes familiares, antecedentes pessoais, consumo de tabaco e de álcool, história ocupacional, sonolência diurna, tosse, expectoração, falta de ar, rouquidão, dor torácica, entre outros. b) Exame físico: inspeção, palpação, percussão, auscultação e análise dos sinais vitais.

2. Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração. É usado para medir o ritmo e a regularidade dos batimentos, bem como o tamanho e a posição das aurículas e ventrículos.

3. Ecocardiograma: Se o cardiologista julgar necessário, depois de ver os resultados do ECG. O ecocardiograma apresenta uma imagem em movimento do coração. Através de ultra-som, a ecocardiografia fornece informações sobre a forma, tamanho, função, força do coração, o movimento e a espessura de suas paredes e o funcionamento de suas válvulas. Além disso, pode contribuir com informações da circulação pulmonar e suas pressões,

4. Teste de esforço: Os objetivos de uma PE são o diagnóstico de saúde e a avaliação da capacidade funcional do atleta. Obtêm-Se dados que permitem determinar as intensidades de exercício recomendados para a melhoria do desempenho desportivo.

O Dr. Pons acrescenta que um atleta amador de meia-idade e sem problemas de saúde deve verificar o seu estado cardiovascular, uma vez por ano, no mínimo. No caso de atletas de elite necessitam de um acompanhamento contínuo e estreito, realizando as provas necessárias sempre que se considere oportuno. Mas tudo depende do caso concreto.

Fatores de risco para sofrer qualquer tipo de patologia cardíaca.

São vários, a maioria deles derivados de um estilo de vida desequilibrado. O Dr. Pons cita os de maior peso: hipertensão arterial, níveis elevados de colesterol, alteração do metabolismo da glicose, sedentarismo, obesidade, tabagismo, estresse sociolaboral e nutrição desequilibrada.

Disfunção ventricular direita e esporte.

O Dr. Pons comenta: “Levar o coração ao limite, pode levar a riscos, como, por exemplo, que o coração direito dilatação (aumentar de tamanho) ou se enfraqueça por sobrecarga de trabalho. Ainda assim não me atreveria a relacionar esta disfunção ventricular e o esporte de forma tão direta, sem esclarecer e investigar exatamente quais as circunstâncias que levam a esta patologia, e se esta se traduz em um aumento de mortalidade. O esporte tem tantos benefícios que você tem que ir com cuidado com mensagens que lançamos para a população em geral para não criar um alarme desnecessário”.

O que é morte súbita?

Este é um tema de tamanha extensão que responder de forma breve seguro que nos leva a dar mensagens incompletas e, pelo menos parcialmente errados. Portanto, e de modo muito geral, o Dr. Pons expõe:

  1. A morte súbita é considerada uma morte por causas naturais do que acontece quase sem sintomas que permitam anticiparlo.
  2. É principalmente de origem cardíaca, e suas causas dependem da idade do sujeito.
  3. Em pessoas jovens, a causa costuma ser uma doença não diagnosticada. Em adultos de meia-idade em diante, a aterosclerose coronariana é o fator fundamental (enfarte do miocárdio).
  4. A maior parte de mortes súbitas acontecem na população geral, sendo os casos em atletas de elite anedóticos, mas sim, muito dramáticos e mediáticos por o inesperado.
  5. Uma completa revisão médica apoiada em exames complementares simples é capaz de detectar a maioria das pessoas em risco. Um percentual pequeno de doenças requer um alto grau de suspeita e de provas mais complexas para a sua detecção”.

A dia de hoje, eu fiz cinco vezes, todas as provas complementares, com exceção da ultra-sonografia, onde a equipe médica correspondente acreditou-se necessário uma das cinco vezes. Posso dizer que é um hábito quase que adquiriu fazer um check-up completo cada ano, sem esquecer de uma análise de sangue e um teste a cada certo tempo, para refletir sobre o meu estilo de vida e melhorá-lo, e, se necessário, com os novos estudos científicos relevantes que vão saindo para a luz. Te convido à reflexão sobre estes pontos, e mais, se você fizer desporto ao seu livre arbítrio.