De Guatemala Nicarágua – Colorado on the road

Etapas: 16/10/2014 Cidade Tecún Uman – Tetalhuleu (72 Km). 17/10/2014 Tetalhuleu – Santa Lúcia Cotzumalguapa (86 Km). 18/10/2014 Santa Lúcia Cotzumalguapa – Chiquimulilla (100 Km)….

Etapas:

16/10/2014 Cidade Tecún Uman – Tetalhuleu (72 Km).

17/10/2014 Tetalhuleu – Santa Lúcia Cotzumalguapa (86 Km).

18/10/2014 Santa Lúcia Cotzumalguapa – Chiquimulilla (100 Km).

19/10/2014 Descanso em Chiquimulilla.

20/10/2014 Descanso em Chiquimulilla.

21/10/2014 Chuiquimulilla – São Julião (93 Km) (Entrada em Salvador).

22/10/2014 Descanso em San Julián.

23/10/2014 San Julián – Santa Tecla (69 Km).

24/10/2014 Santa Tecla – Chamoco (92 Km).

25/10/2014 Chamoco – Da União (101 Km).

26/10/2014 Da União – Santa Rosa de Lima (62 Km).

27/10/2014 Santa Rosa de Lima – Choluteca (103 Km) (Entrada em Honduras).

28/10/2014 Choluteca – Somotillo (55 Km) (Entrada na Nicarágua).

29/10/2014 Somotillo – Chinadega (75 Km).

30/10/2014 Chinadega – Nagarote (84 Km).

31/10/2014 Nagarote – Manágua (43 Km).

01/11/2014 Descanso em Manágua.

02/11/2014 Descanso em Manágua.

03/11/2014 Managua – Nandaime (78 Km).

04/11/2014 Nandaime – Santa Cruz (63 Km).

05/11/2014 Descanso em Santa Cruz.

06/11/2014 Santa Cruz – São João do Sul (58 Km).

07/11/2014 Descanso em San Juan del Sur.

08/11/2014 Descanso em San Juan del Sur.

09/11/2014 Descanso em San Juan del Sur.

10/11/2014 Descanso em San Juan del Sur.

11/11/2014 São João do Sul – Liberia (118 Km) (Entrada em Costa Rica).

Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua

Entrar na américa Central representou um grande avanço na viagem, mas também implicou a enfrentar novos riscos.

O medo de sofrer um assalto esteve muito presente em minha mente os primeiros dias, e a segurança com que contavam a grande maioria de negócios reafirmou o meu sentimento. Postos de gasolina, bancos, pequenos negócios e caminhões de transporte, desde estavam sob o olhar atento dos guardas armados de agências privadas de segurança.

Guatemala sofre mais de 30 assassinatos e vários sequestros diários, e os números para os próximos países da américa central que tinha por diante, eram igualmente desalentadoras. Por isso decidi extremar as precauções e seguir de forma rigorosa, uma série de regras:

  1. Pedalar sozinho de dia e o pôr-do-sol procurar o acampamento antes que chegue a noite.
  2. Acampar sozinho em propriedades privadas, seguras e com a autorização do responsável.
  3. Pedalar pelas estradas principais e mais movimentadas.

Talvez essa angústia que vivi os primeiros momentos e o fato de seguir certas diretrizes de segurança que possa parecer um exagero, mas eu sempre disse a mim mesmo que é melhor pecar cauteloso do que confiante.

Mas meus dias transcorreram com normalidade conhecendo a grandes pessoas de bom coração, desfrutando de sua companhia e a comida local. O único risco de que fui vítima foram as picadas de mosquitos. Os músculos estavam sempre à espreita, ameaçadores e dispostos a extraerte sangue transmitiéndote o Dengue e a febre Chikungunya.

Durante meu terceiro pôr-do-sol na Guatemala, avançando por uma estrada as para o trafego e as obras, ouça uma voz familiar llamándome: “Javieeeeeer”. Gire a cabeça de um lado para o outro, até que vi a Madison furando a cabeça por carrinha de Vanajeros. Pedalei como um raio até que me coloquei a sua altura e lhes tente seguir o ritmo durante vários minutos, mas no final, nós concordamos em nos reunir 20 quilômetros mais adiante para acampar.

Devorou as constantes subidas e descidas de morros guatemaltecas até que encontrei Joel esperando na estrada, para guiar-me ao campo de futebol onde passaria a noite, todos juntos.

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(Colorado On The Road reencontrando com Vanajeros)

Novamente me convidaram para jantar, beber cerveja e me era impossível despegarme o sorriso da cara. Estas correspondências entre amizades criadas ao longo do curso, são uma das mais impressionantes surpresas que a aventura oferece. Pela manhã nos despedimos sob a promessa de se reencontrar no Equador, país em que houve uma paragem de dois meses, dando assim tempo suficiente para chegar pedalando com o pônei.

A geografia da américa Central não deixa lugar para distinguir as diferenças entre os países que a compõem. O terreno montanhoso, os vulcões, o calor, as chuvas e a umidade da selva eram constantes, dia após dia.

Sair da Guatemala foi um procedimento simples, visto que adquiri ao entrar no país, a C-4, tinha validade para El Salvador, Honduras e Nicarágua, o que agilizaba meus passos fronteiriços.

Em meu primeiro estágio em Salvador, escale durante horas de uma colina, a fim de alcançar San Salvador antes que oscureciera. No decorrer da jornada conheci um cicloturista francês, Allan. Decidimos pedalar juntos até Santa Tecla, onde um salvadorenho registrado no couchsurfing, Ever, estava nos esperando para o problema, em sua casa.

Nossa chegada foi pontual e antes que se pusesse o sol já havíamos atingido o final da etapa, mas o nosso anfitrião ainda não tinha deixado de trabalhar na escola onde dá aulas de inglês. Jantar em um pequeno restaurante e passamos um longo tempo falando com os curiosos crianças que brincavam na rua.

Durante a amena espera nos tomamos uma cerveja em frente a uma tiendecita. Não me surpreendeu a forma de pagamento através de uma cabine com barras de ferro e vidro blindado, já tinha me acostumado com as impenetráveis medidas de segurança de cada empresa, mas se chamou muito a minha atenção a uma conversa entre duas salvadorenhos que coincidiram na rua.

Depois de saudar e trocar várias calorosas palavras, se despediram com pressa à medida que se aproximam um do outro, até que um virou-se enquanto eu caminhava e grito: “Oyeeee!!! Salúdame a sua zipo…”

Em Portugal usamos essa palavra que eu não concluída, para se referir de forma vulgar o membro viril. Tenho certeza de que você, de ouvir gritos, a palavra “zipo..” te chamou também a atenção.

Ever não demorou em chegar e dar-nos as boas-vindas ao seu lar, nos convido-a para jantar uns pamonhas de milho e conversamos durante horas em sua sala de estar. Ever-me fora de minhas dúvidas explicándome que aquela palavra que me chamou tanto a atenção era utilizada em Salvador para se referir a crianças, filhos ou crianças, por que o senhor só mando saudações para seus filhos naquela calorosa despedida.

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(Da esquerda para a direita: Allan, Ever e Colorado On The Road)

Ever também nos falou longo tempo sobre a sangrenta e esquecida história de El Salvador, dos problemas de que sofre o seu país por causa das Maras, de como foram feitas com quase todo o controle de certas áreas e a impotência que sofrem seus cidadãos. Seu testemunho acaparo meus pensamentos em etapas futuras.

O dia que deixar para trás San Salvador pedalei até o anoitecer. A noite apenas chega às 17:30 horas, o que me deixa muito pouco espaço para bombear os músculos e avançar, assim que acordar cedo já não é uma opção, mas uma necessidade. Uma das minhas formas preferidas de camping é bem pegadito a uma comissária de polícia. Poderia parecer que a presença de turistas possa incomodarles, mas os policiais sabem melhor do que ninguém os perigos que nos apresentamos ao viajar sozinhos, e agradecem o pedido de passar a noite sob a sua tutela.

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(Colorado On The Road madrugada junto a uma delegacia de polícia)

Minha trânsito por Honduras foi breve e fugaz, apenas cruzei 130 quilômetros para chegar até a Nicarágua. Quanto mais avançava, mais se aumenta o nível de segurança, mas a forma de conduzir nesta zona do mundo me deixou completamente atordoado dia-a-dia. Os loucos motoristas realizavam constantemente ultrapassagens invadindo o estreito trilho contrário, sem importar o que viesse pela frente, e em mais de uma ocasião tive que sair demitido da estrada para evitar ser atingido.

Antes de chegar a Manágua, o sol avançou mais rápido do que eu abandonándome antes que eu pudesse chegar à capital da nicarágua. Para evitar entrar na grande cidade em plena noite acampé o povo de Nagarote, foi uma surpresa descobrir naquele canto escondido, carregado de tradição e boas energias. Seus cidadãos não tardaram em guiar-me à praça da câmara municipal para que acampara nela, sob a atenção da segurança privada.

Em Manágua, nicarágua, pare uns dias simplesmente para descansar e dedicar tempo a trabalhar com o computador, queria repor as forças para uma expedição que me levaria a atravessar o Lago Nicarágua.

Uma vez eu tinha tudo preparado, dirigi-me para São Jorge, para embarcarme em uma Balsa e atingir a ilha de Ometepe, fazendo o terra no Porto Das Brisas. Nada mais tocar o chão firme pergunte em um hotel para me deixar com um mapa de estar sempre à mão, foi quando eu conheci Danny, que me recomendou um parque de campismo de alguns amigos em Santa Cruz.

Durante as primeiras rodadas, eu ficava constantemente pasmado, vendo de perto os dois vulcões que compõem a Ilha: Concepção (1610 m) e Madeiras (1394 m). A causa da névoa não pude apreciar a partir do Ferry a presença imponente do vulcão Concepción, mas agora a partir da sua base era impossível escapar dela.

Em pouco tempo chegar a Sata Cruz nas proximidades do vulcão Madeiras, entrei no restaurante Malinche e Sérgio, amigo de Danny, me recebeu e me faço para atribuir um lugar para instalar o acampamento. Dispuse todo o equipamento com pressa, queria subir ao Miradouro do Futuro antes que anocheciera. Antes de começar a rota de caminhada, deixe avisado que iria subir sozinho e a minha hora prevista de chegada, não queria nenhuma surpresa e Harold, guia local da ilha, me deu preciosas dicas.

Chegado o momento me coloquei em prática e rapidamente chegar ao início da trilha. Comecei a seguir os caminhos marcados pelas pisadas encosta acima, embora muitas vezes se cruzavam uns com os outros e não tarde muito em perder na selva. Continuei a avançar durante duas horas entre a vegetação rasteira, o barro, a água e o som dos animais. Não consegui alcançar o mirante, quando só me restava uma hora de luz, e por isso decidi dar meia volta e retornar ao acampamento. Perder já não era uma opção, e poder seguir meus inigualáveis pegadas na lama me ajudou a chegar a tempo.

À noite contei a minha experiência Harol describiéndole passo-a-passo todos os caminhos que havia tomado. Nós rimos e nós piada durante horas, e fizemos boa amizade. Harol tinha uma ascensão para o topo do vulcão agendada para a manhã seguinte para orientar um casal de britânicos, e eu convido a acompanhá-los sem nenhum custo.

Às 06:00 am, eu saí de um salto da tenda de campanha, tinha fome de vingança e, desta vez, iria com tudo até o topo. Às 07:00 am nos pusemos em marcha e com maior facilidade do que no dia anterior, alcançamos o ponto de vista do Futuro. Depois de um breve descanso, contemplando o vulcão Concepción, continuamos com a escalada. À medida que fomos a inclinação era mais pronunciada, a umidade calaba a roupa, a densa vegetação o abrangia todo cobrindo os raios do sol e, durante uns breves instantes, nos acompanharam bugios e macacos-prego.

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(Mirante do Futuro, de frente para o vulcão Concepción)

A Cada etapa, nos aproximava mais ao topo, mas também pesava cada vez mais e mais. O barro, árvores caídas e as pedras escorregadias era dificultada pelas ascensão, uma vez que a parte mais emocionante. Quando alcançamos os 1304 m, entrávamos dentro da cratera descendo 200 metros no interior do vulcão, onde se encontra um lago coberto pela névoa.

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(Colorado, On The Road, em o lago da cratera do vulcão Madeiras)

Descansamos durante 30 minutos, repuse forças com um bocata e me altere a camisa totalmente tragada por uma seca. Tínhamos concluído a primeira parte do caminho, mas agora ficava a mais perigosa, a descida. Depois de 6 horas escalando a encosta, com as pernas irá ressentir-se perdendo força e precisão, e quando o terreno é uma acentuada inclinação entre lama e rochas, os acidentes acontecem constantemente. Pouco a pouco, sem pressa, mas sem pausa, descemos até voltar de novo ao acampamento e comemorar com uma boa cerveja das 10 horas de caminho para o vulcão Madeiras.

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(Colorado, On The Road, descendo o vulcão)

A aventura na ilha vulcânica superou todas as minhas expectativas, e já era hora de sair. Desde o porto de Moyogalpa pegue a Balsa até a de São Jorge, de onde pedalei até San Juan del Sur, na costa do Pacífico da nicarágua, para seguir a recomendação de um amigo e relaxar no Naked Tiger Hostel. Durante todo um fim de semana saí de festa, a primeira desde que coincidí com um amigo espanhol em San Francisco, e por isso não é de admirar que a coloquei com vontade.

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(Colorado On The Road em The Naked Tiger Hostel)

Se alguma vez visita a Nicarágua há duas claras recomendações que sempre hare. Primeiro visitar a ilha de Ometepe, e segundo se hospedar no The Naked Tiger. Muito importante seguir a ordem, porque, se credes que subir o vulcão Madeiras é intenso, testar a desmadraros um fim-de-semana em San Juan del Sur.

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“Quanto mais duro for o caminho, maior será a recompensa”

Vídeo da Ilha Ometepe:

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De Girona a Nice – Colorado on the road

O caminho Colorado on the road continua em sua segunda etapa com a minha primeira parada fora de Portugal, Perpignan, já em território francês. Para mim…

DSCN0110O caminho Colorado on the road continua em sua segunda etapa com a minha primeira parada fora de Portugal, Perpignan, já em território francês. Para minha surpresa, ao fazer uma consulta no meu inglês enferrujado o homem encarregado da segurança, ele responde em um fluido português. Encontro um prado fora da cidade e passo lá a minha primeira noite da viagem fora de Portugal. Os franceses têm me tratado em todo momento com muita educação e gentileza.

Amanezco em Perpignan, retomo o caminho para a costa azul e me desvio da estrada principal para contemplar o mar Mediterrâneo. O caminho através dos povos de Pia e Bompas entre outros, até chegar ao porto de Bacarés. De Frente para o mar, aproveito para fazer uma pausa e retomar forças desfrutando de chocolate que me deu a mãe do meu cunhado em minha passagem por Barcelona. Obrigado Menchu!!!

O destino me leva a compartilhar vários quilômetros do dia com outro cicloturista, Max. Um senhor francês, que apesar dos seus 72 anos de idade, está em uma ótima forma física, a qual me levou no começo a pensar que tinha na frente um homem de apenas 50 anos de idade. Pelo caminho você me conta histórias de suas viagens pela Europa e fazemos uma parada em um café, onde, muito gentilmente me convido para um café e pudemos continuar compartilhando experiências vividas.

No final do dia, eu chego em Narbonne, onde faço acampamento no alto de uma colina nos arredores da cidade e apreciar um grande pôr-do-sol depois de ter superado meus primeiros 1000 km da viagem. Quando sai o sol e me preparo para uma nova etapa, me percato de algo que era inevitável que acontecesse mais cedo ou mais tarde, o primeiro pneu furado. Tenho de reconhecer que eu esperava que chegasse muitos quilômetros mais tarde para poder se gabar de fazer isso no futuro.

Decidido a chegar a Nice, o mais cedo possível, me embarcou nos dias posteriores em uma exaustiva rotina de pedalar contínuo. Os quilómetros são longos e as horas mais ainda, os portos de montanha me curten as pernas até chegar um ponto em que um tremendo tração muscular obriga-me a parar para descansar e esticar longos minutos. Desde o início da viagem, minha dieta é baseada principalmente em lentilhas e ravioli cozidos, sucos de frutas, bananas, ovos, latas de atum e todo o tipo de doces que devoro durante as minhas pedaladas. Por não ser uma dieta variada, decidi incluir arroz, frango e um pouco de legumes, com o fim de nutrir o melhor possível para o meu corpo, e substituiu as guloseimas por um bom bocata de embutimento.

Por fim, o caminho me leva a Cannes e, posteriormente, a Nice, onde a queda da escuridão não me resta mais opção do que passar uma horrível noite no aeroporto, que, rapidamente, se eu me esquecer de que, ao sair o sol. Pedalando pela beira-mar de Nice, o sol brilha e não há sinal de nenhuma das nuvens que dias anteriores me castigavam com a intensa chuva. Gosto da beleza de suas ruas e monumentos, até encontrar um albergue da juventude onde me cadastro para usufruir de um dia de descanso, conhecer pessoas de todas as partes da Europa e compartilhar histórias da viagem. Acabei de concluir a segunda etapa de Colorado, on the road.

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Dos EUA para o México (e III)

Javier Colorado prossegue a sua viagem ao redor do mundo, dentro de seu projeto Colorado World Tour. A sua última etapa cruzou os Estados Unidos de norte a sul.

Etapas:

06/07/2014 San Francisco – San Jose (105 Km).

07/07/2014 São José – Casa de Frutas (119 Km).

08/07/2014 Casa de Frutas – Kerman (160 Km).

09/07/2014 Kerman – Fresno (30 Km).

10/07/2014 Descanso em Fresno.

11/07/2014 Fresno – Woodlake (125 Km).

12/07/2014 Woodlake – Pinewood (70 Km) (Entrada em Sequoia National Park).

13/07/2014 Pinewood – Lindsay (110 Km).

14/07/2014 Lindsay – Edison (121 Km).

15/07/2014 Edison – Ricardo Campground (121 Km).

16/07/2014 Ricardo Campground – Estrada 190 (124 Km).

17/07/2014 Estrada 190 – Stovepipe Wells Village (108 Km) (Entrada em Death Valley National Park).

18/07/2014 Stovepipe Wells Village – Amargosa Valley (100 Km) (Entrada em Nevada).

19/07/2014 Amargosa Valley – Indian Springs (97 Km).

20/07/2014 Indian Springs – Las Vegas (95 Km).

21/07/2014 Descanso em Las Vegas.

22/07/2014 Descanso em Las Vegas.

23/07/2014 Descanso em Las Vegas.

24/07/2014 Las Vegas – Glendale (92 Km).

25/07/2014 Glendale – Beaver Dam (75 Km).

26/07/2014 Beaver Dam – Hurracane (83 Km) (Entrada em Utah).

27/07/2014 Hurracane – Salt Lake City (109 Km).

28/07/2014 Kanab – Page (128 Km) (Entrada em Arizona).

29/07/2014 Page – Cameron (135 Km).

30/07/2014 Cameron – Grand Canyon National Park (95 Km).

31/07/2014 Grand Canyon National Park – Williams (100 Km).

01/08/2014 Williams – Via de Serviço I40 (159 Km).

02/08/2014 Via de Serviço I40 – Needless (125 Km) (Entrada na Califórnia).

03/08/2014 Descanso em Needless.

04/08/2014 Descanso em Needless.

05/08/2014 Needless – Amboy (125 Km).

06/08/2014 Amboy – Barstow (125 Km).

07/08/2014 Barstow – Victorville (55 Km).

08/08/2014 Victorville – Los Angeles (165 Km).

09/08/2014 Descanso em Los Angeles.

10/08/2014 Descanso em Los Angeles.

11/08/2014 Descanso em Los Angeles.

12/08/2014 Los Angeles – Old Pacific Highway (126 Km).

13/08/2014 Old Pacific Highway – Tijuana (126 Km) (Entrada no México).

Estados Unidos: Montana, Wyoming, Utah, Nevada e Califórnia

Depois de visitar a Golden Gate com meus amigos do Grupo Imagine, eu volto para atravessar todo o São Francisco para sair pela ponte sul e alcançar assim o San José.

Agora me tocava iniciar o segundo grande trecho de meu caminho por Estados Unidos, o que me levaria a atravessar as montanhas Rochosas, pela terceira e quarta vez, e encarar uma das provas mais difíceis da viagem.

Depois de pedalar 5 etapas chegar à entrada do Parque Nacional das Sequoias. A partir da base da montanha contemple um dos portos de montanha mais complicados que eu tenho enfrentado. Mas comecei a subir com toda a claridade do dia, as cansativas subidas ralentizaron tanto o meu passo que a noite me alcançou quando eu me embrenhava no imenso bosque de sequoias.

Ao igual que na maioria dos parques nacionais que tenho visitado nos Estados Unidos, a presença da vida selvagem não é algo para ser piada, e um automóvel que vinha em sentido contrário, se paro para avisar-me de que tinha visto atravessar a estrada a um urso preto 4 quilômetros de estrada acima. Não sou o tipo de pessoa que se dá por vencido a primeira de mudança, para que responda o simpático motorista em inglês cada vez mais depurado: “Calma, eu vou ficar bem”

Ursos negros, pumas e os veados eram os animais mais comuns de grande porte na floresta. Com a escuridão da noite e apenas um rastro de luz por parte da lua, avançava camuflado pela intransitada estrada com a esperança de chegar o mais rápido possível ao primeiro campground.

Cada ruído me exaltava cada vez mais, até que um deles o ouvi tão perto que me fez descer da bicicleta, colocando de barreira entre o ruído que cada vez se aproximava mais e mais para mim por um lado da estrada, e desenfundar minha faca. Olhando para a parede escura que se erguia entre os troncos das grandes sequoias. Simplesmente mantinha a minha posição enquanto eu repetia uma e outra vez: “Só uma presa foge”. Não era o momento de mostrar fraqueza ou tentar adivinhar qual era o animal que se aproximou de mim, o único que sabia que a maneira de ranger os ramos do solo, era um grande.

Eu tenho vergonha de admitir diretamente que foi o que eu comecei a gritar para espantar o animal, produzir mais adrenalina possível e levar até as revoluções enquanto agarrava com força a faca, mas se disser que as tire de um filme cujo título é o resultado de multiplicar 6×50. Finalmente, apenas escute o barulho de galhos se afastava de mim. Nunca saberei se o que eu tinha diante foi um veado ou um urso preto. Por sorte, chegue à zona de acampamento saudável e seguro, pude descansar depois de uma merecida jantar e acordar cedo para visitar a árvore mais grande do mundo, o General Sherman.

Com 11 metros de diâmetro e 84 metros de altura, o General Sherman tem se especializado em dar dor de garganta ao tentar apreciar a sua bebida, e a fazer-nos sentir como umas hormiguitas ao seu lado.

Um

(Colorado On The Road no banco do General Sherman)

Vivi momentos muito emocionantes na floresta de sequoias gigantes, mas era hora de descer para o porto de montanha e continuar até o meu próximo objetivo, atravessar o Death Valley.

Com a luz do dia e descendo a ladeira, me deu folga do exuberante floresta para dirigir-me para a caldeira de Estados Unidos. A inacessibilidade da cordilheira montanhosa, me levaria a fazer um desvio de 500 quilômetros, levando-me primeiro para o sul para cruzar pela terceira vez, as montanhas Rochosas e voltar em seguida para o norte, para alcançar a estrada que me levaria para o deserto.

À medida que avançava em direção ao meu objetivo, o deserto da Califórnia, não se fez rogar, e pouco a pouco, a temperatura ia subindo até atingir os 45 ºC. A primeira medida para suportar o calor e que não ralentizara meu avanço, foi cubrirme o corpo inteiro. Manga longa, luvas, cullote longo, chapéu e a cara tapada. Quanto menos pele expusiera os fortes raios do sol, estaria mais protegido.

Dois

(Colorado On The Road”, a ponto de atravessar as montanhas rochosas, pela terceira vez)

Uma manhã, o despertador tocou às 06:00 da manhã como de costume, acordei e saí da loja, tinha acampado do lado da estrada no meio do deserto, parecia um dia normal, mas não era, hoje tocava entrar em Death Valley. Um pequeno-almoço rápido e sem perder tempo comecei a pedalar, a temperatura superava os 30 ° C às 10:00 am, e em quanto desça a montanha para entrar no vale da temperatura do disparo. Minha primeira parada para reabastecerme de água e comida foi Panamint Springs.

Três

(Colorado, On The Road, na entrada para o Death Valley)

Com 9 litros de água e mais de 50 ° C de temperatura, encare um passo de montanha de 1511 metros de altura. Não era o momento para fazer sobreesfuerzos e esquecer onde estava, tinha que ser paciente e pedalar devagar, mas seguro. Quando atingir o topo havia gasto quase 4 horas para percorrer apenas 21 quilômetros, mas o tinha conseguido. Descer a encosta não foi como qualquer outra, o ar estava tão quente que ele começou a me queimar a cara, as mãos e a asarme vivo.

Uma vez que você entrar Stovepipe Wells Village, procure uma forma de acampar, apesar de que minhas intenções no início do dia eram as de avançar 40 quilômetros mais, mas estava esgotado. Vendo o sol pôr-se no horizonte não significou que o calor de fora para relaxar, um forte vento arrastava todo o calor que a rocha acumulo durante todo o dia. Fechando os olhos às 23:00 a temperatura era de 40 ° C, eu estava dormindo no próprio inferno.

Ao amanhecer, o objetivo do dia estava claro, sair daquele forno e deixar de derretirme como um pedaço de manteiga em uma frigideira. Minha primeira parada foi alcançar Furnace Creek, com uma elevação de -60 metros sobre o nível do mar, e onde todo o calor do sol se concentrava. Uma vez carregada a bicicleta com litros e litros de água, saí da pequena vila com o sol batendo de frente a 55 ° C, a maior temperatura a que me tenho confrontado na minha vida.

Quatro

(Colorado On The Road”, passando pelo Death Valley)

Passar horas e horas sob o objetivo do calor passa factura, mas me chamou muito a atenção ao parar periodicamente em busca de um pedaço de sombra, sempre encontrar um pequeno arbusto de folhas verdes totalmente adaptado ao clima extremo. Ao fim e ao cabo, a vida sempre encontra o seu caminho.

Entrar e sair do Death Valley, no lombo do meu cavalo em pleno mês de Julho, foi um triunfo digno de uma recompensa, mas ainda devia ser paciente, já que esta me esperaria em Las Vegas. Por fim chegar à mítica cidade do estado de Nevada, com apenas 200 km mais de esforço, onde me esperava um orçamento albergue, casa de banho, dormir em cama envolvido entre lençóis limpos sob o frescor do ar condicionado e, como não, uma cerveja da vitória bem fria.

Cinco

(Colorado, On The Road, chegando a Las Vegas)

Gostaria de contar mais sobre a minha passagem por Las Vegas, mas como diz a frase: “O que acontece em Vegas, fica em Las Vegas”, mas se eu gostaria de sublinhar que, depois de ter viajado por áreas de extrema pobreza, de ter compartilhado e recebido com o que menos tem e de ter passado tanto fome em algumas partes do percurso, para ver uma cidade que sem dúvida alguma é um claro sinônimo de o desproporcionado, o exagero, o desperdício e do capitalismo extremo, me fez pensar que opinariam qualquer um dos amigos que fiz na Índia se visitar Las Vegas.

Depois de quatro merecida noite de descanso e com um novo furo em seu bolso, por ter sido tão irrealista pensar que com 50 dólares iria estourar a banca do Bellagio, foi hora de entrar de novo em marcha.

Por diante teria que sair de Nevada em meu caminho para o oeste, entrar temporariamente em Utah e, finalmente, no Arizona, para ver concluído um dos principais objetivos do projeto Colorado On The Road, visitar o Canyon do Colorado. No meu quinto dia em que eu saí de Las Vegas, chegar à cidade de Page e pude contemplar pela primeira vez na minha vida o rio Colorado.

Seis

(Colorado, On The Road, junto ao rio Colorado)

Quando avançava, subindo o porto de montanha que me levaria até a entrada do Grand Canyon National Park, me traga uma surpresa que jamais pensaria que teria. O motociclista com quem coincidí na Índia indo a caminho da cidade de Agra, para visitar o Taj Mahal, estava descendo a costa que eu subia. Eu olho, você olhe e ato seguido nos reconhecemos ao mesmo tempo. Desde logo, há que reconhecer que o mundo é um lenço, depois de 6 meses e mais de 12.000 quilômetros mais nos pedais, o destino nos torna a encontrar.

Sete

(Colorado On The Road ao lado de um motorista alemão. Na imagem à esquerda, na Índia e na imagem da direita, no Arizona (eua)

Algo que costuma acontecer muito os viajantes é que, quando um vai para o norte e outro ao sul, os encontros são muito breves, mas mesmo assim foi um momento digno de lembrar, e sobre tudo de imortalizar.

Finalmente, quando o sol estava perto de desaparecer e me deixar sem a minha primeira impressão do grand Canyon, depois de todo o dia, subindo a colina, cheguei ao meu grande parada, com os últimos raios de luz. Antes de tirar a primeira fotografia, tinha claro o que o meu coração me pedia. Apoie a bicicleta, me aproximar um de saída da encosta, com as melhores vistas que já fica notado, me pus de joelhos, eu peguei ar enquanto levantava os braços e grite a pleno pulmão:”¡¡¡Victoryyyy!!!” .Foi maravilhoso ouvir o eco de minha voz.

Oito

(Colorado On The Road no Grande Canyon do Colorado)

Quando me preparar para dormir no campground, eu coloquei um alarme bem cedo, mas desta vez não para pedalar, mas para tirar o meu tempo para o café da manhã tranquilamente, apreciando as vistas. De todos os modos, era o único que podia fazer, já que nem de brincadeira podia me permitir nenhuma das excursões que me ofereciam no parque, mas para mim valeu.

Chegado a este ponto, só restava voltar de novo para a costa, deixar para trás Arizona e entrar de novo na Califórnia, para chegar a Los Angeles, levando assim a minha última grande fase, mas, isso sim, faria, ao mais puro estilo americano, pedalando na histórica Rota 66.

Nove

(Colorado, On The Road, atravessando a histórica Rota 66)

O mal de realizar tantas etapas seguidas já não é só o desgaste físico e mental, nem a falta de higiene ao entrar, dia após dia, a mesma pegajosa roupa sem poder ducharme, o pior são as consequências que o anterior tem. As irritações e feridas no bumbum e nas jóias da coroa de todo homem que se preze, me fazem tremer de calafrios cada noite ao despegarme o culotte. Mas é melhor não pensar nas dificuldades do caminho, e manter a moral elevada com as recompensas que aguardam o final deste. A minha me esperava em Los Angeles, onde a irmã de um amigo me pessoa a visualizar esta estalagem em sua casa, me receberia como se tem que receber um espanhol de cabelo no peito, com uma cerveja e um bom prato de presunto serrano, esses sim, após a urgente chuveiro.

Dez

(Recebimento para o Colorado On The Road em Los Angeles)

Em Los Angeles, principalmente, pude relaxar e liberar parte do trabalho que se acumula com cada pedalada que dou. Mesmo assim, a Mariana, minha herpes, junto da prima Paty, que estava de visita, deram-me um tour por toda a cidade, visitando o porto de Santa Monica, o final da Rota 66, o ginásio treino de Arnold Schwarzenegger, a casa em que rodo os foras de série, O Príncipe de Bel Air, o passeio da fama, o Teatro Chinês, as escadas de Oscar e o mítico cartaz de Hollywood.

Na hora de pôr a caminho da fronteira com Tijuana e entrar no México, estava me despedindo de um país em que tinha vivido quase tudo. Desde que entre em Estado Unidos havia percorrido todos os estados da costa oeste descontando Oregon, havia pedaleado por Washington, Idaho, Montana, Utah, Wyoming, Nevada, Califórnia e Arizona, havia atravessado os Parques Nacionais de Yellowstone e Grand Teton, Tahoe, Sequoia, Death Valley, Grand Canyon. Tinha visto a partir das densas florestas do norte até as planícies desérticas do sul, tinha vivido um festival tão selvagem como é o Sasquatch Music Festival, eu tinha chegado um pouco mais a Kurt Cobain, em Seattle, e conhecido um pouco mais sobre mim ao pedalar a 55 ° C em Death Valley. Já havia visitado a árvore mais alta do mundo vivido, o 4 de Julho em San Francisco, pedaleado qual motociclista pela Rota 66 e eu tinha acordo de colaboração de comida lixo. Havia cruzado quatro vezes, as montanhas rochosas, ciclismo, perdi 50 dólares deixado levar pela cobiça na mesa de Black Jack do Bellagio, e atravesse a fronteira para o México com o visto expirado por dois dias…..tinha vivido toda a espécie de aventuras, mas agora tocava começar uma nova.

O dia antes de entrar de novo em marcha, tome a decisão de desistir na minha persistente trabalho de encontrar um patrocinador que se envolverá em despesas que tenho que suportar o desenvolvimento de tão ambicioso projeto. De nada serve que entregar toda a minha paixão na estrada, mas eu tenho dinheiro para carregar o meu corpo de combustível. Por isso decidi criar uma campanha de Crowdfunding para tentar levantar os 7000 € com os que poderia encerrar a viagem, antes que meu dinheiro se esgotem.

“Com a vossa força e apoio, você pode seguir respondiéndoos com toda a minha coragem e coração.”

Onze

(Colorado On The Road)

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Dos EUA para o México (II)

Javier Colorado prossegue a sua viagem ao redor do mundo, dentro de seu projeto Colorado World Tour. A sua última etapa cruzou os Estados Unidos de norte a sul.

Etapas:

01/06/2014 Superior – Clinton (139 Km).

02/06/2014 Clinton – Gregson (161 Km).

03/06/2014 Gregson – Norris (136 Km).

04/06/2014 Descanso no Norris.

05/06/2014 Descanso no Norris.

06/06/2014 Norris – West Yellowstone (133 Km).

07/06/2014 West Yellowstone – Yellowstone National Park, o Canyon Village (70 Km) (Entrada em Wyoming).

08/06/2014 Yellowstone National Park, O Canyon Village (118 Km).

09/06/2014 Canyon Village – Grand Teton National Park, Flagg Ranch (108 Km).

10/06/2014 Flagg Ranch – Jackson (94 Km).

11/06/2014 Jackson – Smoot (137 Km).

12/06/2014 Smoot – Garden City (116 Km) (Entrada em Utah).

13/06/2014 Garden City – Ogden (149 Km).

14/06/2014 Ogden – Farmington (29 Km).

15/06/2014 Descanso Farmington.

16/06/2014 Farmington – Salt Lake City (33 Km).

17/06/2014 Descanso em Salt Lake City.

18/06/2014 Descanso em Salt Lake City.

19/06/2014 Salt Lake City – Grassy Mountain West Rest Area (119 Km).

20/06/2014 Grassy Mountain West Rest Area – Oasis (153 Km).

21/06/2014 Oásis – Ryndon (110 Km) (Entrada em Nevada).

22/06/2014 Ryndon – Rest Area I80 (98 Km).

23/06/2014 Rest Area I80 – Winnemucca (147 Km).

24/06/2014 Winnemucca – Lovelock (123 Km).

25/06/2014 Lovelock – Fernley (103 Km).

26/06/2014 Fernley – Truckee (121 Km) (Entrada na Califórnia).

27/06/2014 Truckee – Strawberry (97 Km).

28/06/2014 Strawberry – Sacramento (155 Km).

29/06/2014 Sacramento – San Francisco (203 Km).

30/06/2014 Descanso em San Francisco (14 Km).

01/07/2014 Descanso em San Francisco (60 Km).

02/07/2014 Descanso em San Francisco.

03/07/2014 Descanso em San Francisco (15 Km).

04/07/2014 Descanso em San Francisco (15 Km).

05/07/2014 Descanso em San Francisco.

Estados Unidos: Califórnia, Nevada, Utah e Arizona

Nada mais entrar em Montana, a recompensa por ter escalado um porto de montanha foi instantâneo, uma longa descida entre os frondosos bosques.

O fato de ter cruzado as montanhas significava que entrava em um novo ecossistema em que o Urso é o rei. Tudo o que Darren tinha me ensinado em minha passagem pelo Canadá era hora de colocá-lo em prática, durante os três primeiros dias de acampamento. Fui adquirindo o costume de deixar sempre a 30 metros do acampamento alforges da comida pendurado no galho de uma árvore, a revisar sempre antes de dormir que nada com um rastro de cheiro de comida estivesse dentro da loja, nem sequer a pasta de dentes. Dormir com a faca perto como última medida de segurança estava se tornando um hábito que já nunca perderia.

Para os lados da estrada, os cervos selvagens pastavam tranquilamente, mas também algum descuidado cruzava a estrada ao pleno galope, e o trágico resultado algumas vezes se dava, e terminavam mortos para o lado da estrada.

O tempo estava úmido, os pastos verdes e as florestas parecem não ter fim. Atravessar o estado de Montana, na primavera foi, sem dúvida, uma escolha acertada. Chegando à cidade Norris no meio da noite e sob forte chuva, parei no único hotel que havia aberto para pedir um lugar seguro para acampar. Foi então que conheci Josh e Penélope, um casal que tinha uma fazenda a poucos quilômetros e que me ofereceram passar alguns dias em sua casa para descansar, e continuar com toda a energia possível para o meu caminho para Yellowstone.

Situada às margens de um grande lago, a casa tinha uma paisagem com a assinatura “Made in Montana”, com as vacas que pastam nos prados, montanhas com o topo coberto por neve e o poder lago reflejándolas na superfície da água. Sem dúvida alguma, o melhor cenário para encontrar a paz e a calma.

Um

(Colorado, On The Road, ao lado de Josh e Penélope em Montana)

Durante um par de dias, me alimentaram como um legionário, tive tempo de pensar, refletir e avaliar não só da experiência, mas todas e cada uma das que tinha vivido ao longo da viagem. Josh se preocupo muito com a logística, que utilizava para documentar mim, dia-a-dia, e me ajudou melhorando-a com cores de vôo. Me deu uma nova caixa à prova d’água para a Gopro, já que a minha estava totalmente esmagada, me deu uma nova bateria de reserva, uma micro SD, um sistema autônomo para carregar baterias e até mesmo um adaptador wireless para poder se conectar à internet em qualquer parte dos Estados Unidos, e falar assim diária com minha família.

Quando retomar a viagem, só me separavam de 130 quilômetros, até a cidade de West Yellowstone, e a entrada oeste do parque nacional. Passe a noite a periferia da cidade para poder acordar, entrar no Parque e chegar até o campground que estava localizado no centro do parque, o Canyon Village.

Dois

(Colorado, On The Road, entrando em Yellowstone National Park)

Nada mais pagar as taxas de entrada, poucos pedais di para cruzarme com o primeiro cervo de muitos que veria o meu passo. A estrada era estreita, e passava uma área de floresta, até que consegui chegar a uma imensa pradaria, e contemplar os primeiros búfalos a partir de uma respeitável distância.

Três

(Colorado, On The Road, observando os búfalos)

Uma das primeiras coisas que se note nada mais entrar no supervolcan maior do continente e considerado em atividade, que conta com seu próprio clima. Apesar de estar em plena primavera, o ar corria frio e havia restos de neve nas montanhas. O Parque Nacional de Yellowstone é coberto pela neve dez meses e meio por ano, mais uma vez sentiu que havia escolhido a época ideal para visitar.

Meus novos companheiros seriam o lobo-cinzento, o lince, o urso grizzly e o urso preto, bisontes, pumas, alces e veados. Quando chegar ao campground me pus mãos à obra, monte a barraca de campanha, apanhei madeira suficiente para calentarme à noite e, pela primeira vez, acendi a fogueira usando a minha rocha. Pare tudo o que tivesse um cheiro atraente para os ursos em caixas metálicas chamadas Bearbox, e manter-me a salvo para a noite. Me prepare o jantar, veja longo tempo as estrelas junto ao fogo e fui logo dormir para acordar com mais energia.

Quatro

(Acampamento no Canyon Village)

No meu segundo dia em Yellowstone comecei a fazer um tour de 113 quilômetros, mas, desta vez, deixando todo o equipamento na loja para pedalar com mais leveza por toda a região montanhosa que compreende um dos supervolcanes mais grandes do mundo.

Do Canyon Village fui até Tower Roosevelt, atravessando o Dunraven Pass com 8859 pés de altura, a maior que eu pedaleado até o momento. Pude contemplar as cachoeiras de defesa de Queda e superar e sair ileso do atropelo de marcha-atrás de um gigante todo-o-terreno, quando parei para fazer uma foto de uma puñetera cabra.

Desde Tower Roosevelt pedalei ao lado da presença de búfalos e cervos até Mammoth Hot Springs, onde pode admirar o colorido das fontes termais, produto de alta atividade geotérmica do parque. Inicie a volta ao acampamento, passando por Norris e, finalmente, chegando ao Canyon Village.

Cinco

(Colorado On The Road em Mammoth Hot Springs)

Durante toda a minha estadia em parque nacional, a presença de animais herbívoros foi constante, mas não tive a oportunidade de observar nenhum predador durante o dia, e a sorte de não vê-los em frente à minha loja à noite. A elevada atividade geotérmica do parque era um dos atrativos turísticos, constante mente via as caldeiras, fontes quentes e geiseres. Mas para mim a ideia de dormir dentro de um supervolcan ativo me roubava muito sono, e já era hora de continuar.

Minha última jornada me levaria a visitar o Yellowstone Lake e a sair do Parque Nacional, para chegar até o Grande Teton National Park. Pedalando pela estrada solitária, mais uma vez, vi como o destino seria de minha parte. Um enorme árvore caiu em frente de mim cortando a estrada, alguns segundos antes, e eu teria sido esmagado. Os carros começaram a se acumular e, em poucos minutos tínhamos formado um grupo de 30 homens, para tentar liberar a estrada à base de puro músculo. Finalmente, um dos carris ficou nublado e o tráfego é reanudo enquanto chegavam os Rangers do parque para concluir o trabalho.

Seis

(A árvore caída cortando a estrada)

Meu avanço para Salt Lake City não foi tarefa fácil, o vento contra de Wyoming, parecia que não queria que ele continuasse com a viagem e os portos de montanha não cessavam. Os dias iam passando, mas sempre iniciava com força e tinha acabado completamente esgotado. Quando entre em Utah e alcance Salt Lake City, pude relaxar depois de umas jornadas exaustivas cavalgando sem parar com o meu cavalo.

Mas o fato de que, no início de cada jornal específico, o itinerário que eu segui e que em vários dias coloque “Descanso…”, na verdade, é quando mais trabalho eu tenho para documentar a viagem. Meus pés repousam mas meus afazeres aumentam. Hospedado em uma pousada da cidade, libero minha mente de pressão de encontrar acampamento, mantenha-me a salvo dos perigos da estrada, da vida selvagem e das condições climatéricas, para substituir essa pressão por intermináveis, mas ociosas horas em frente ao computador.

Escrever diários, editar fotos, vídeos, atualizações GPS, atualizações do meu site, Facebook, Twitter, Canal do Youtube e Vimeo, escrever e responder e-mails de imprensa, entrevistas, mensagens de meus queridos seguidores e encontrar esses preciosos minutitos para falar com a minha família. Os dias dos termino consertando buracos, limpar e fazer a manutenção do meu cavalo, escolhendo a roupa e caindo na tentação da comida rápida para o jantar, e para não atrasar mais a incrível recompensa de dormir entre lençóis limpos, coberto e protegido.

Mas amasse esta aventura como eu a amo, mas disfrutase tanto documentándola e compartiéndola com meus followers, mas se me encogiera o coração com cada mensagem de apoio e admiração que me enviáis…obviamente não encontraria forças para continuar a trabalhar desta forma.

Em Salt Lake City para levar-me em frente ao televisor e protegido com a minha bandeira espanhola, a mesma desilusão que todos nós levamos, ao ver como o Chile pulverizaba nossas esperanças de voltar a ser campeões ao vencer a nossa Seleção. Mas apesar do fracasso desportivo de nossos internacionais mais queridos e admirados, o sentimento de gratidão por estes seis maravilhosos anos do melhor futebol com a empresa espanhola, é claro, e que me enche de orgulho patriótico.

Não era o momento para lamentações, uma vez limpa a minha agenda de deveres e com as pernas dançando ao som do pisa, era o momento de embarcarme em outra grande etapa para percorrer 1430 quilómetros até chegar a San Francisco, sem fazer nenhum dia de descanso para poder passar mais tempo nesta cidade californiana.

À tarde, no meio de um deserto de sal em Utah e, antes de atravessar a Nevada, às 00:00 horas de acordo com a faixa de horário espanhola, no km 19.195, completei 28 anos de idade. Naquela noite, o passe no meio do deserto de Nevada, só, sem parentes nem amigos e sem cerveja, não tinha ninguém com quem brindar. Mesmo assim, foi um momento especial sob as estrelas, rodeado pela tranquilidade do deserto.

Sete

(Colorado On The Road do deserto de Utah)

O norte de Nevada é puro deserto, com vários quilômetros sem nada mais que areia, arbustos e cascavéis. As retas são infinitas e as colinas pareciam não ter fim, de vez em quando, as montanhas estavam em meu caminho e sob o sol escaldante das superava tentando poupar o suor.

Cada noite, na hora de acampar, acender um pequeno fogo e disperso das cinzas ao redor do meu acampamento, com a esperança de evitar que as cascavéis encontrem debaixo da minha loja um pequeno buraco quente, em que dormir. Cada dia ao acordar eu saio da loja com cuidado e levanto do chão com mais cuidado ainda, para o caso de algum réptil decidiu dormir sob o meu acampamento. Apesar de que, felizmente, não me leve nenhuma surpresa matinal, se eu tive ao longo do caminho.

Oito

(Uma das muitas cascavéis que vi no deserto)

Quando levo etapas de tão longa distância entre duas grandes cidades, cada dia é importante manter a moral alta. Estar mais de dez dias de caminho, sem tomar banho, dormindo na loja e pondo-me a cada manhã a mesma roupa, os pequenos prazeres ou pequenas recompensas são fundamentais para não se sentir desmotivado. Por isso, uma vez atravessado o duro deserto do norte de Nevada, depois de ter deixado as infinitas planícies e os ventos fortes, depois de conseguir entrar na Califórnia e suas florestas verdes, de atravessar, pela segunda vez, as Rochosas, de atravessar o lago Tahoe e depois de ter cumprido 20.000 quilômetros, encontrar um momento de paz ao lado da fogueira com uma cerveja gelada, é um privilégio que nunca deixarei de lado.

Nove

(Colorado On The Road ao lado do fogo na Califórnia)

Quando atingir Sacramento, já só me restavam 203 quilômetros para alcançar San Francisco, assim, nem curto nem preguiçoso, execute a etapa mais longa até o momento em que o continente americano depois de 10 dias de caminho…Ole!!!

No bairro de Palo Alto, no sul de San Francisco estava me esperando Fernando, um follower que eu convido-o a passar dias em uma Hacker House, uma casa que aluga quartos por pessoas que vêm a São Francisco em busca de financiamento para desenvolver uma ideia tecnológica. Fernando também me ensinou a sede do Google, Facebook e Twitter, enquanto me explicava que em San Francisco se passa praticamente o mundo tecnológico que hoje em dia conhecemos.

Dez

(Colorado On The Road”, junto com Fernando)

Mais uma vez a minha mensagem de Facebook pedindo ajuda para encontrar uma casa, tinha-me deixado várias sublimes convites para ser hospedado. Depois de atravessar a cidade até chegar à zona norte, me hospedando vários dias na casa de Bárbara, irmã mais velha de uma boa amiga, em madrid, e consegui os Javier, um amigo de Madrid, que eu conheci na minha Erasmus em Itália quando chegou a visitar um colega.

Onze

(Colorado On The Road ao lado reunidas Javier)

Vivi o 4 de Julho, o dia mais importante para os americanos no dia do aniversário da independência, mas tenho de reconhecer que para um português acostumado com os fogos de artifício valencianos, não me soube a muito. A manhã que voltei para preparar a moto para voltar de novo à estrada, tive uma reunião com o Grupo Imagine para fazer-lhes uma exposição do meu projeto, e transmitir-lhes que não há nada mais bonito do que lutar por um sonho, para depois cruzar com ele na bicicleta, o Golden Gate.

Usava mais da metade de minha rota por Estados Unidos, mas ainda me restava das etapas mais duras não só do país, mas também da viagem.

“A única maneira de alcançar seus objetivos, é a base de esforço e trabalho.”

Doze

(Colorado On The Road”, junto ao Grupo Imagine visitar a Golden Gate)

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