Do Chile a Argentina – Colorado on the road

Etapas 18/04/2015 Ollagüe – Ascotan Velho (70 Km). 19/04/2015 Ascotan Velho – Calama (137 Km). 20/04/2015 Descanso em Calama. 21/04/2015 Calama – Alto Carmen (84…

Etapas

18/04/2015 Ollagüe – Ascotan Velho (70 Km).

19/04/2015 Ascotan Velho – Calama (137 Km).

20/04/2015 Descanso em Calama.

21/04/2015 Calama – Alto Carmen (84 Km).

22/04/2015 Alto Carmen – Antofagasta (117 Km).

23/04/2015 Descanso em Antofagasta.

24/04/2015 Descanso em Antofagasta.

25/04/2015 Descanso em Antofagasta.

26/04/2015 Antofagasta – Deserto do Atacama (113 Km).

27/04/2015 Deserto de Atacama – Taltal (132 Km).

28/04/2015 Taltal – Deserto do Atacama (85 Km).

29/04/2015 Deserto de Atacama – Chañaral (64 Km).

30/04/2015 Chañaral – Caldeira (99 Km).

01/05/2015 Caldeira – Copiapó (100 Km).

02/05/2015 Copiapó – Vallenar (126 Km).

03/05/2015 Vallenar – Domeyko (52 Km).

04/05/2015 Domeyco – Inchawasi (43 Km).

05/05/2015 Inchawasi – La Serena (109 Km).

06/05/2015 La Serena – Socos (101 Km).

07/05/2015 Socos – Huentelauquén (114 Km).

08/05/2015 Huentelauquén – Pichidangui (74 Km).

09/05/2015 Pichidangui – Catapilco (67 Km).

10/05/2015 Catapilco – O Moinho (48 Km).

11/05/2015 O Moinho – Santiago (Chile) (29 Km).

12-26/05/2015 Descanso em Santiago.

27/05/2015 Santiago – Rancagua (109 Km).

28/05/2015 Rancagua – Petrópolis (103 Km).

29/05/2015 Curicó – Linares (113 Km).

30/05/2015 Linares – Chillán (104 Km).

31/05/2015 Chillán – Monte Águia (73 Km).

01/06/2015 Monte Águia – Los Angeles (64 Km).

02/06/2015 Dos Anjos – Custa Da Esperança (42 Km).

03/06/2015 Custa Da Esperança – Lautaro (92 Km).

04/06/2015 Lautaro – Loncoche (110 Km).

05/06/2015 Loncoche – Os Lagos (89 Km).

06/06/2015 Dos Lagos – Da União (60 Km).

07/06/2015 Da União – Água Boa (60 Km).

08/06/2015 Água Boa – Entre Lagos (35 Km).

09/06/2015 Entre Lagos – Passo de Samoré (62 Km).

10/06/2015 Passo de Samoré – Villa Angostura (Entrada na Argentina) (45 Km).

Chile

Consegui chegar ao ponto de passagem da fronteira de Ollagüe com a fraca luz do por do sol, e entrei no Chile com o frio e a escuridão da noite. Eu andei pelas desertas ruas da cidade procurando alterar o pouco dinheiro boliviano que me restava e um pouco de comida que comprar. Encontro uma loja, com o câmbio de moeda e os preços elevados chilenos em comparação com os bolivianos, me dá para umas bolachas e um litro de leite.

Um

(Entrada no Chile pelo Passo de Ollagüe)

O dono da loja me oferece acampar em um galpão de sua casa, mais protegido do vento, o frio e as geadas noturnas das montanhas andinas. Recebi o convite como um raio de esperança. A 3660 metros de altitude, as noites de inverno conseguem dormir feito uma bola dentro da minha loja.

Pela manhã caliento meus entorpecido músculos e me coloco em prática. Procuro um caixa inexistente, que esperava encontrar, e sem caixa não há dinheiro, sem dinheiro não há comida. Por diante 200 quilômetros inhabitados através das montanhas até chegar a caldas novas, onde resolveria este problema. Eu recomendo que me deixe rebocar por um caminhão, mas não conseguem convencer-me, sou assim de cabezón.

Começo a pedalar com o estômago chegar de esperanças e ilusões, coloquei um cartaz atrás da bicicleta, e o que escrevo: Sem Comida. Avanço de 50 km e encontro uma empresa de mineração onde a cantina tem muito movimento, é a hora da comida e me aproximo para ver se consigo algo. Quando eu fico na porta da cozinha, esta se abre antes que chegue a tocá-la saindo um mineiro tocar o estômago totalmente cheio de comida deliciosa. O cumprimento, me apresento e vou diretamente ao ponto: “o que Vos sobra alguma coisa de comer?” Chamam o cozinheiro e só consegui dizer: “Colega, eu tenho mais fome do que o cão de um cego.” Todos riem, dois deles me tiram do ombro… “Entra amigo, aqui temos comida de sobra para todos”. Acabei comendo dois pratos de arroz, salada, sopa, peixe, carne, um litro de suco e bananas para o caminho, quase me como até a toalha de mesa!!!

Despeço-Me com um terno e grato abraço para continuar pedalando. O vento começa a soprar com muita força, o frio que arrasta me congela a cara e as mãos, à medida que impacta o meu corpo, avanço lento e as horas de luz são curtas. A cada minuto, a idéia de dormir em um abrigo, e de conseguir jantar desaparece, mas os últimos esforços da jornada levam-me a encontrar outra mineira. Muitos diriam que foi um golpe de sorte, e eu concordo. A sorte é de todos, mas a boa sorte é só do que segue em frente, do que a procura e que luta para encontrá-la.

Me aproxime da cantina onde me deram de jantar, acampé ao abrigo do vento entre os muros de uma igreja fechada e eu dormi com o estômago cheio de comida quentinha.

Com o amanhecer, ponho-me em pé e equipe a Bucéfalo, o mais cedo possível, o vento tem a sua hora e eu tenho que usá-lo a meu favor. Desde o amanhecer até às 12:00 do meio-dia, sopra em direção Oeste, para onde vai o meu caminho, mas passada essa faixa de horário muda drasticamente de sentido para soprar em direção a Este.

Dois

(Colorado On The Road caminho para Calama)

Quando estou a apenas 50 km de Calama as energias voltam a fallarme. Desde A Paz não parei de seguir em frente e atravessar o Salar de Uyuni foi uma dura prova. Eu paro para descansar, mas simplesmente sentir o vento me desanima, é como pedalar contra um muro. Desfrute o último banana que me resta da cantina, e uma carrinha pára, me cumprimenta enquanto puxa um saco pela janela. Eu aproximo-Me correndo, converso com eles, enquanto eu abro a bolsa e a vejo cheia de comida. É que me adiantaram duas horas atrás, leram o cartaz de “Sem Comida” da bicicleta, e quando voltavam da cidade esperavam-me para regalarme da bolsa.

O litro do suco, biscoitos e maçãs alimentaram o meu corpo, mas esse ato solidário foi o que me cheio de ânimo. Consegui chegar a caldas novas, tire parte do dinheiro que me restava e procurar um hostel. Durante dois dias comi, dormi, voltava a comer e voltava a dormir, estava esgotado.

Antes de retomar a marcha tinha que cuidar de Bucéfalo, o pobre também precisava de cuidados. Comecei limpiándolo cuidadosamente para tirar todo o sal e o barro que tinha acumulado. Mas fazendo a manutenção encontrei uma fissura no aro da roda traseira. Não tinha muito boa pinta.

A roda que eu comprei em Washington para já 22.000 quilômetros. As pistas de terra e rochas atravessando Os Andes Centrais, a tinham levado para o seu fim. A solução mais lógica teria sido comprar uma nova, mas só em Santiago do Chile encontraria a reposição necessária. Enquanto continuava examinando a fissura só consegui susurrarla: “Aguenta guerreira, destaca-1600 quilômetros mais”.

Volto para a estrada um pouco mais descansado, eu preciso ver o mar e mudar de paisagem por alguns dias. O trajeto até a cidade costeira de Antofagasta foi bastante tenso em muitos trechos, a estrada era muito estreita e não havia espaço para o ciclista. Os caminhões que transportavam ácido sulfúrico para a indústria de mineração, em vários de seus numerosos ultrapassagens estiveram a ponto de me levar por diante. Não paravam, não se desviaram nem um milímetro, simplesmente lhes dava igual.

Finalmente consigo chegar a Antofagasta e me instalo de uma localização tranquila num parque de campismo na zona Sul da cidade, onde me preparo para passar uns dias dormindo com o som das ondas, relajándome com a brisa marinha e trabalhando com o computador.

Três

(Chegada a Antofagasta)

Vejo um sinal em repetidas ocasiões e que desperta a minha preocupação: “Perigo de Tsunami”. Com o acampamento já em ordem, eu aproximo-me a uma loja para comprar o jantar, perguntou ao gerente e me dá as instruções precisas no caso de haver um tremor de terra. As sirenes de emergência começar a soar, há uma margem de 20 minutos para deixar tudo e subir a colina mais próxima para sobreviver ao iminente onda que arrasaría da costa.

Naquela mesma noite, enquanto ele dormia, senti a terra mover-se violentamente, abanar o meu corpo deitado sobre a areia da praia, enquanto ouvia a terra ranger. Abri os olhos, exaltado saí da tenda e vi a tranquilidade da noite. Foi um pesadelo me disse, de ter sido real estaria ouvindo as sereias. Bufff!!!! Resople enquanto olhava para o céu, olí o mar, ouvir as gaivotas e voltei a dormir.

Depois de vários dias descansado e as visitas à universidade para utilizar sua internet, chegou a hora de enfrentar o seguinte assalto Atacama.

Carregado de comida e água para dois dias, achigã da colina que separa a costa do deserto, para voltar para a rota 5, que atravessa a infinita planície. Para minha surpresa passo em frente de uma penitenciária, era o dia de visitas, e havia um posto de sanduíches, então fiel aos meus regras de viajante continuei a de número #5. “Não perca nunca a oportunidade de abastecerte”.

Eu parei de comprar dois sanduíches, um para o momento e outro para o caminho. Foi então que um ciclista colombiano chegou perguntando por uma estação de caminhoneiros, chamada de Preta, para pegar carona até Santiago do Chile. Estava a 12 km e compartilhávamos endereço assim que ofereci-lhe que o acompanhasse. Pedaleamos juntos conversando tranquilamente, em poucos minutos eu me pergunto se tinha maconha, “Não”, eu disse. Continuamos conversando até que chegamos A Negra insistiu 7 vezes mais, tem a Certeza de que você não tem maconha? Repetia constantemente. Quando chegamos perguntei-lhe se tinha fome e se havia desayunado, não lhe fez falta responder, tinha visto essa expressão dezenas de vezes na minha. Venha vem comigo, disse eu, te convido a tomar o pequeno-almoço.

Enquanto degustaba meu terceiro café da manhã, encarado como o meu companheiro de gostar dele. Fez-Me muito feliz em poder ajudá-lo, eu tinha passado por isso mesmo milhares de vezes. Enquanto levou o café me contou que não estava muito bem do estômago para vários dias, entendia perfeitamente. Eu lhe disse que duraria, que lhe acabaria acontecendo.

Na hora de despedir-me pediu que lhe deixasse ir. A idéia não me para nenhuma graça, faltava muito para o pobre rapaz para poder me seguir o ritmo, mas queria ajudá-lo, por isso, fui totalmente sincero: “Não está preparado amigo, me tenho cruzado desertos muito duros nessa viagem, e não estas. Não é por que você está desesperado por fumar maconha, ou porque esteja mal do estômago, é porque a primeira coisa que me disseste ao conhecê-lo é onde se encontra a estação de caminhões para que se remolquen até Santiago de compostela. Antes de começar já estava vencido, nunca quis se envolver neste deserto. Embora seja ignore os primeiros 500 quilômetros, que são os mais rígidos e se concordamos novamente pela rota, pedalearemos juntos, mas por zonas mais fáceis”. Nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Os primeiros quilômetros pedalando para o Deserto de Atacama, não pude evitar lembrar-me de Luto, o ciclista colombiano com quem eu compartilhei o caminho a partir de Trujillo ao Lima. Juntos atravessamos o deserto mais duro de toda a américa do Sul. Se o que era um guerreiro, um irmão, um lutador, um valente!!!

Antes que a noite cai eu me interno no deserto, abandonando a estrada, instalo o meu acampamento, cocino jantar com meu fogão feito com meia lata de Coca-Cola e álcool de queimar, eu olho para as estrelas e fecho os olhos até que o sol voltou a sair no horizonte.

Pela manhã eu racionalizo a água chegar até Paposo, e nos últimos 30 quilômetros até o litoral, eu esperava uma tremenda descida que desço a 88 km/h, meu novo recorde de velocidade.

Quatro

(A descida do deserto até a costa)

Contorne a 50 km da costa, para chegar a Taltal, onde passei a noite na praia, junto a uma fogueira escrevendo meu diário. No deserto, os dias são quentes e ensolarados, mas as noites são frias. Após a dura jornada do dia seguinte, escrevi uma nova folha em meu diário:

“Valeu a pena… acordar em Taltal, carregar a bicicleta com comida e 7 litros de água, pedalar 20 km de subida para entrar novamente no deserto, lutar contra o calor, o sol e o vento, até o pôr-do-sol, deixando a estrada para aprofundar a 500 metros nas areias do deserto de Atacama, caminhar durante uma hora na beira do asfalto pegando pedaços de madeira para calentarme à noite, preparar o jantar, instalar o acampamento…depois de todo o esforço e de não parar o dia todo, por fim, sinto-me junto ao fogo sob a lua e as estrelas, rodeado de escuridão e calma. Não é fácil construir estes momentos e o trabalho que leva é muito duro, mas vale a pena”.

Cinco

(Colorado On The Road do Deserto de Atacama)

Amanezco no deserto, continuo lidando com as encostas de 20 km e chegou a Chañaral. Assim que entrou na cidade pergunto a praia para acampar, mas já não há praia. Poucas semanas antes, caiu uma enchente depois de décadas sem chover, arrasando a cidade e mudando totalmente a geografia. Eu aproximo-Me para a zona zero e vejo a destruição total. Casas demolidas, vans telhados, escombros por todos os lados e a praia substituída por um buraco cheio de restos a catástrofe.

Terremotos, inundações, vulcões, sequias, dilúvios, o Chile é um país de extremos e é justamente por isso que são tão duros para os chilenos, e tão solidários. Termo acampando com os voluntários que vieram de todo o país para ajudar seus compatriotas, compartilham comigo a sua comida e suas experiências. Se sentiam frustrados porque já não tinha tanta ajuda. No Sul do Chile, o vulcão Chalbuco havia entrado em erupção e toda a atenção da imprensa, que estava focada nele. Pela manhã, me despedi de todos os voluntários e cruzei de novo a zona zero da cidade.

Seis

(Destruição em Chañaral)

Continuo minha viagem pelo deserto pedalando como uma besta, os dias passam tranquilos e estou cada vez mais perto da capital. Mas a roda traseira vai pior, e a fissura é maior. A manhã que amanezco na pequena cidade de Domeyco, volto a analisar o seu estado e decido tomar medidas, mas não conseguíssemos. Procuro uma oficina de carros e peço-lhes que me deixem usar algumas ferramentas e remexer em uma montanha de metais inservíveis. Acessam o prazer e encontro uma velha corrente, curto um elo e o deformo até dar-lhe forma de pinça, com a medida perfeita da jante. A invenção é, mas aos poucos quilômetros da mola é solta, a roda se abre, e a roda explode.

Avanço um pouco mais até chegar ao próximo povo e instalo o acampamento. Trabalho para fazer uma nova adaptação para o meu abrigo e que a jante vigor até Santiago de compostela. Fixo um rádio extra para reafirmar a fixação, fabricação canas com uma garrafa de plástico para cobrir a fissura pelo interior, e suavizar o contato com a câmera.

Sete

(Estado e reparação da roda traseira)

Amanhece e a hora de colocar à prova o apaño havia chegado. A Cada 15 minutos me parava para rever a roda, mas estava sempre bem. Continuei avançando até que cheguei a uma descida de vários quilômetros. Sob lento, queimando as pastilhas de freio até que eu digo: “Que foda!!!” Deixei de travar e comecei a tomar velocidade, até que eu comecei a 60 km/h durante vários minutos. A pinça o aguento no entanto, e o mais importante, resistiu 600 quilômetros até Santiago de compostela.

Depois de uma semana eu vejo a capital e as suas portas, aparece uma nova fissura na jante. Tentativa de corrigi-la para que agüente com um pino de mola, mas acabei empurrando a Bucéfalo. Com a roda de trás esmaga me recebe em sua casa de Jaime, um grande amigo português. Estava rendido e esgotado, mas eu espabilé em que me começou a dar presunto serrano. Jaime também já viajou por todo o mundo e sempre foi uma inspiração para levar a cabo a minha aventura. Os dias em Santiago me fez sentir em família, junto com seu companheiro e seus companheiros de casa.

Oito

(Grandes momentos em Santiago do Chile)

Me restavam 20 euros e Bucéfalo estava destruído. Tentei que alguma loja chilena de ciclismo me apoiasse, mas nada. Não podia esperar que a nova jante viesse a mim, eu tinha que sair lá fora a lutar para encontrá-la. Projete 10 postais e invertí tudo o que me restava em imprimir 10 de cada uma. Minha estratégia era simples, procurar ajuda os cidadãos a pé.

Durante 8 horas, estive na Praça de Armas com todo o meu equipamento, um pequeno mapa com toda a minha rota, as 100 postais em um álbum e um cartaz em que escrevi: “Volta ao Mundo”. Eu não tinha idéia do que ia acontecer, mas pouco a pouco fui atraindo a atenção dos chilenos que se aproximavam em pequenos grupos.

Primeiro lhes expunha em que consiste o meu projecto, o caminho que havia levado até o momento e que eu ficava por diante. Ensinava os postais e conta a divertida história que havia por trás de cada uma, depois sempre me perguntavam por seu preço, eu simplesmente dizia que as regalava a colaboração de todos para poder corrigir a Bucéfalo. Na minha opinião, eu acho que houve dois fatores que determinaram o sucesso da campanha: 1º A solidariedade chilena. 2º Uma explicação de minha forma de ver a viagem que eu saía do coração: “eu não me importo de passar frio, calor, que me faça chuva ou neve, a suportar a fome, atravessar montanhas, florestas ou desertos, pedalar contra o vento, dormir durante semanas na loja de campanha e prescindir de higiene pessoal, que implica a viagem, desde que possa acordar pela manhã e seguir pedalando, continuar a lutar por este sonho. Veja bem a Bucéfalo, está me matando”.

Nove

(Na Praça de Armas distribuindo cartões postais)

A resposta dos chilenos foi excepcional. No dia seguinte, voltei ao mesmo lugar e recolhe o dobro do que o primeiro dia. Conheci Carlos Carvalho, proprietário da Oficina Chiclete, e me deu o último empurrão que eu precisava: Peças de primeira qualidade a preço de custo e mão-de-obra gratuita. Durante dois dias Carlos dedicou-se a Bucéfalo, trocou os dois pneus, o eixo dianteiro e voltou a enradiar as duas rodas, colocamos pneus e câmaras novas, cadeia, jogo de rodas dentadas, sistema de cabeamento e freios novos. Meu Potro tinha voltado!!!

Depois estive a trabalhar com o computador na casa de Jaime. Cada vez que eu me levantava para esticar as pernas, ia ao estábulo para ver a minha Mesa, eu ficava encantado observando-os. É simplesmente único em sua espécie.

Dez

(Colorado, On The Road, levantando a Bucéfalo totalmente reparado na Oficina Chiclete)

O resto do tempo em Santiago o dedique a divertir-se ociosamente, os Andrea Carvalho (Projeto Sul é o Norte), com os meus colegas espanhóis Jaime e Henry, conhecendo outros viajantes, rindo, brincando, curtindo o momento de alívio e paz.

Antes de continuar e me despedir da cidade, a cadeia de televisão Chile Visão me fez uma reportagem que gravamos durante um dia e meio, em que uma mensagem que eu queria deixar claro: “Graças Chile, estais sendo o meu preferido!!!

O momento de seguir em frente sempre chega, mesmo que havia feito a parada mais longa de toda a viagem, 14 dias. Tinha as pernas que me pedaleaban sonámbulas as noites, os músculos pidiéndome guerra e Bucéfalo inquieto por devorar quilômetros. Era hora de voltar para a aventura.

Segui rumo ao Sul para chegar até Osorno, daí viraría para o Leste para alcançar o Passo de Samoré e entrar na Argentina. Os primeiros dias foram fáceis, a paisagem mudou do deserto, florestas e prados. Dormia nas vias de serviço COPEC, eram como um hotel 5 estrelas que estava gramado para acampar, luz, segurança, banheiros, chuveiros, água e tranquilidade. Todos os dias eu parava gente na estrada, eu tinha me tornado o famoso ciclista português que havia saído no Chile Visão. Nos sacábamos fotos, me dava presentes, me convidou a comer e assinava postais.

O clima de mudança e a chuva começou leve, mas à medida que continuava meu caminho para o Sul era cada vez mais intensa. Acabou derivando no tempestades enormes, a opção de acampar em campo aberto, deixou de ser viável. Vários dias me hospedaram, outros acampava em galpões ou áreas cobertas para me proteger da chuva, para secar a roupa e despreocuparme de inundações. A Cada noite, sempre tive alguém que me ajudava a encontrar refúgio.

O clima não colocá-lo fácil, mas finalmente cheguei ao Passo de Samoré. Era o momento de me despedir de Chile e me concentrar na Argentina. Os policiais de fronteira estavam à espera que chegasse para tirar uma foto comigo, um país encantador, desde o início até o final.

O Passo de Samoré é um caminho de 40 quilômetros através Dos Andes, que conecta os dois países vizinhos. Um passo de montanha de 1305 m que há dois dias estava coberto pela neve. O frio era intenso e o sol estava perto de ir embora, mas eu decidi pedalar 15 quilômetros e dormir na passagem entre os dois países. A neve começou fraco, mas à medida que escalaba ganhou muito mais força. Consegui chegar com o último raio de luz aos carpones onde guardam as máquinas limpa-neve, e passei a noite em seu interior. Acendi um pequeno fogo com madeira molhada que marcou a diferença entre o desespero e a ilusão. Foi uma noite muito autentica.

Dez

(Dormindo na Etapa de Samoré)

Pela manhã, o operador de neve, antes de começar o seu turno, me deixo um termo de 1,5 litros, cheio de café quente ao lado da loja. Enquanto ouvia seus passos afastar-se, à medida que eu acordava eu acho que eu podia gritar “Obrigado” umas 20 vezes.

Com o corpo cheio de cafeína me pus em marcha, o último assalto com a cordilheira Dos Andes estava pronto. Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e, agora, para atravessar para a Argentina. Com esta impressionante cordilheira vivi mil e uma batalhas. Era hora de enfrentar a última.

Nevou durante a noite toda e que pedalar não era possível subida, só podia empurrar. Em muitas ocasiões, por cada 3 passos recuado 2, resbalándome no gelo. Os caminhões ficaram presos, os carros paravam para colocar as correntes, minha roupa ficou molhada e se eu parava me congelava, se eu me mudei entrava em calor. Só parei duas vezes para ajudá-lo a colocar as cordas para dois veículos.

Onze

(A última batalha com a cordilheira Dos Andes)

A última batalha a melhor!!!!!! Eu repetia constantemente quando coroné topo do Paso Samoré. Então desci até a fronteira e entrei na Argentina.

Você nunca sabe o que vai encontrar, o que vai acontecer ou que problemas você terá que superar. O que sempre me moveu, nos momentos difíceis, é:

“As soluções não estão ficando parado ou olhando para trás.

A resposta é sempre esta a frente, nunca se deve deixar de avançar”.

Doze

Vídeo do percurso no Sul do Chile até o Paso Samoré:

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Do Canadá para os EUA – Colorado on the road

Preparada e pronta a bicicleta, saí do Guest House Bangkok às 03:00 da manhã para pedalar meus últimos quilômetros na Ásia até o aeroporto,…

Preparada e pronta a bicicleta, saí do Guest House Bangkok às 03:00 da manhã para pedalar meus últimos quilômetros na Ásia até o aeroporto, e chegar a tempo para embalar a minha mesa e pegar o avião às 08:00 da manhã com destino ao continente americano.

Às 06:00 da manhã já estava no balcão para despachar a bagagem, mas algo não estava bem. Um problema com a venda do bilhete que me deixou sem assento no avião, e uma estúpida política da companhia aérea me impedia de comprar um novo nesse momento. Ao que parece, não podiam me vender um bilhete de avião, sem ter uma carta de convite por parte da embaixada Canadense, que ridiculez, o único que precisa de um cidadão espanhol para conseguir o visto de turista, no Canadá, é ter o passaporte em regra e nada mais, mas apesar de minhas insistências o avião despego sem o meu.

Durante toda a manhã chutei o aeroporto em busca de um novo bilhete de avião com outra empresa diferente, e finalmente eu consegui e ao mesmo preço que o original, mas a hora da saída me levava para passar mandado para o aeroporto, um total de 42 horas desde a minha tenra chegada.

Sem mais coisas em que pensar mais do que descansar, procurei um banco no terminal e dormi 12 horas, interrompido constantemente pelos contínuos ruídos do intenso movimento de passageiros.

Imagem(Colorado On The Road no aeroporto de Bangkok com toda a bagagem embalado)

Sem pressa mas sem pausa, fui recolhendo caixas de papelão em todos os comércios para, posteriormente, desmontar e embalar a minha poderosa suma soma poupanças. Uma vez registada a bagagem, fui um dos primeiros a entrar no avião, abrocharme o cinto de segurança e esperar impaciente, olhando pela janela o pássaro se existe do solo e poder, agora, se você voar com a imaginação e pensar em todas as novas aventuras que me muitos nesta segunda etapa da viagem.

Depois de uma escala de 11 horas em Seul (República da Coreia), fui de novo 10 horas, fiz a terra em Vancouver (Canadá), estampé sem problemas, o novo visto em meu passaporte, montei de novo a bicicleta e dirigi-me como um raio no ferry que me levava a Ilha Victoria, onde me esperava o convite de um follower para conhecer esse grande paisagem natural, Darren.

Darren e seu amigo Emil, vieram em suas bicicletas para me pegar no porto e pedaleamos juntos até a casa de Darren, onde saboreé a primeira cerveja do novo continente, enquanto compartilhávamos anedotas, mas o momento de descansar e fazer-me à nova faixa de horário chegou cedo, já que nos esperava, um dia muito intenso.

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(Colorado On The Road ao lado de Darren e Emil)

Acordamos às 06:30 am, nos metemos entre peito e costas um pequeno-almoço de legionários para carregar o corpo com energia, e às 08:00 da manhã já estávamos na praia preparados para uma excursão marina, eu a bordo de um Caiaque e Darren de uma prancha de Paddle Surf.

Minutos antes de se atirar à água, Darren e eu mantivemos uma conversa em português que me explicou as regras de segurança do Caiaque, e me disse que as chances de avistar focas, baleias, águias e até mesmo de ver um lobo que vive solitário em uma pequena ilha.

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(Colorado On The Road ao lado de Darren antes do passeio em Caiaque)

O momento de remar não se fez esperar e uma calma corrente favorecia o nosso avanço. As águias nos sobrevoavam, que a brisa do mar era tranquila e acolhedora vez, era um momento ideal para desfrutar de uma manhã ensolarada, fazendo esporte e carregar os pulmões de ar fresco. As curiosas focas não se fizeram rogar, e nos acompanharam em todos os momentos, mantendo uma pequena distância, a caridade para poder observar com toda a clareza.

Tanto remar deu o seu fruto, e não fizemos da terra em uma pequena ilha em que vivia um lobo solitário, o qual havia chegado nadando em direção a alguns anos e se tornou a maior curiosidade de todos os canadenses, já que poucos eram aqueles que tinham visto.

Antes de entrar na ilha, Darren me deu uma série de instruções sobre o comportamento que devemos ter no caso de, de repente, o rei da ilha.

“Fala-lhe alto, com voz grave, com segurança, tenta aparentar ser maior do que você é, abre os braços, recua lentamente, mas nunca tente fugir correndo e aconteça o que acontecer, não perca o contato visual e olhe o seu bebé sempre os olhos, caso contrário, um olhar baixa daria a entender que você se sente vencido e o ataque seria iminente”, disse Darren. “Se isso não dava resultado, não restava outra opção que tirar a faca e lutar por sua vida”. Esta lição me valeria também para o caso de cruzarnos com um urso, mas naquele momento só conseguia pensar em o lobo.

Começamos a entrar na pequena ilha, a contemplar a natureza intacta do lugar, até que chegamos a uma área de camping, onde a entidade de conservação canadense tinha deixado umas caixas de metal para que os campistas guardassem toda a comida, produtos de higiene pessoal, ou qualquer coisa que possa ter um cheiro interessante para um animal selvagem, e, assim, evitar que este se aproxime sua loja enquanto você dorme.

De novo nos fizemos ao mar e felizmente não tivemos nenhum desagradável discussões com um animal, mas uma fortuna maior estava para vir. Contornando a ilha e sem aviso prévio, apareceu sobre o topo de uma imensa rocha. Mostrando a sua brilhante pelagem acinzentada e esbranquiçada nos miro, se sentou sobre suas patas traseiras, como se uma corrente canino se tratasse, ladeo a cabeça e em seguida se deitou, sem deixar de olhar fixamente. Em poucos segundos ela se levantou e entrou novamente na floresta. Não dávamos crédito, tínhamos visto mãos do lobo, tão difícil de ver que muitos achavam que era uma mera lenda, e o melhor de tudo é que eu tinha gravado com a minha câmera.

O tempo nos é feito em cima e uma forte corrente nos fez lutar cada conjunto para subtrair metros e chegar à praia. Por sorte, alguns pescadores nos pegou e nos levou a águas mais calmas. De novo em terra firme, pegou a Emil e fomos à cidade para recarregar as energias com um bom almoço e uma cerveja.

A cidade era tranquila, com pouco tráfego, sem ruídos massacrante, prédios baixos, ruas limpas e o ar puro proveniente da densa floresta que a rodeava. Curtindo o sol da tarde e saboreando uma cerveja no terraço, Emil, de origens dominicanos manteve uma conversa em português com Darren, a quem lhe contou o interessante vídeo que tinha visto recentemente na rede sobre umas baleias perseguindo umas focas. Rapidamente, pergunte, o Baleias?O perseguindo focas?O que?, para comérselas me respondeu Darren, Mas se as baleias não comem focas? Pergunte de novo. Emil saco de seu telefone e me mostrou o impressionante vídeo sobre algumas orcas… espera um momento, isso são orcas assassinas baleias não, Não me diga que o que íamos ver hoje com o caiaque eram orcas assassinas?, perguntei a Darren, pois se me respondeu ele.

O momento nos valeu para rir durante vários minutos, mas tenho de reconhecer que de ter visto a enorme barbatana dorsal de uma orca assassina assomando à superfície da água, pelo menos eu tivesse queda do Kayak do susto.

Após a longa e proveitosa jornada, voltamos para casa para descansar e acordar cedo na manhã seguinte. Antes de ir trabalhar, Darren eu tinha organizado uma manhã de natureza e ar puro. Primeiro subimos a pé topo de uma pequena montanha, atravessando uma floresta de imensas árvores, era a primeira vez que vi um cenário natural tão impressionante. O respeito e o cuidado que os canadenses depositam em seus meios naturais estava me deixando sem palavras.

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(Colorado On The Road ao lado de Darren no topo da montanha)

Antes de me deixar na balsa e um novo começo, visitamos duas de suas praias favoritas. Cada vez que Darren compartilhava qualquer aspecto de sua mentalidade comigo, não deixava de asombrarme e de me identificar com ele, uma mentalidade que era uma declaração de amor à vida mesma. Deite-se logo e acorda bem cedo todos os dias me dizia, em um mesmo dia que você pode ir trabalhar, estar com a mulher, com os amigos, desfrutar de uma bicicleta e fazer esportes ao ar livre, tudo que você precisa fazer é acordar cedo, organizar e carregar o corpo com uma alimentação saudável.

Desde logo, o início da minha segunda grande etapa da viagem estava sendo totalmente reveladora, para não dizer da mudança de contraste de passar de um continente a outro.

Depois de um grande abraço e dar-lhe o meu mais sincero agradecimento a Darren por ter me dado a oportunidade de conhecer a Ilha Victoria, navegou de volta para o ferry de volta a Vancouver, para entrar de novo na bicicleta e pedalar até Downtown, onde me esperava o convite de um follower português, Jorge.

Já no portal do prédio e, antes de tocar o telefonillo, Jorge saiu pela janela e gritou: “Espera macho que agora baixo”. Para uma pessoa como eu, que leva tanto tempo a viajar, ouvir essas palavras da parte de outro espanhol, e me fizeram sentir como em casa.

Após a pequena ajuda para subir a bicicleta pelo elevador, Jorge me apresentou a Marta, e a sua namorada e companheira de apartamento. Este casal de arquitetos em madri, veio há um mês em Vancouver, em busca de uma oportunidade de trabalho e poder abrir caminho em sua vida profissional.

Aparentemente, Jorge e eu tínhamos mais coisas em comum do que a paixão pela bicicleta. Ele também fez Erasmus em Itália e no mesmo ano que eu, e, além disso, seu companheiro de escola era um grande amigo meu do Catering em que trabalhei para pagar meus estudos e este grande viagem, o Senhor Costa.

Naquela mesma noite, saímos para jantar uma boa hambúrguer em Granville, e o que mais me chamou a atenção, naquele momento, era o grande número de pessoas sem-abrigo na rua. Jorge me disse que o clima de Vancouver foi o mais suave de todo o Canadá, e as pessoas que não tinham onde viver vêm a esta cidade para poder superar os duros invernos.

Na manhã seguinte, me olhe no espelho e me dei conta de que a horrível pinta que ele tinha com essa longa e barba malfeita e abarrotada cabeleira, era hora de investir algum dinheiro em cuidar um pouco a imagem e pagar um salão de cabeleireiro.

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(Antes e depois de Colorado, On The Road, ao passar por um salão de cabeleireiro em Vancouver)

A tarde fiquei com Thor, um amigo de minha irmã mais velha, que veio há um mês, coincidentemente no mesmo avião que o Jorge e Marta, e a quem a minha irmã lhe tinha metido na mala uma série de presentes para mim, entre outras coisas, um novo computador, para poder trabalhar melhor.

No meu último dia em Vancouver, Marta, Jorge e eu, saímos para dar um passeio pelo Stanley Park em bicicleta. A meio da manhã eles voltaram para casa para continuar mandando currículos, e eu continuei a minha visita indo até o Lynn Canyon Park, para atravessar um enorme ponte pênsil e pedalar por trilhas de terra da floresta.

Bangkok_Canadá_Vuelta ao mundo_Bicicleta_Colorado On The Road_Vancouver_Isla Vitória (6)(Colorado, On The Road, juntamente com Marta e João no Stanley Park)

Em apenas 40 minutos, estava rodeado de natureza e ar puro, pode parecer exagero, mas depois de ter atravessado a Índia, Tailândia, Laos, Vietnã e Camboja, de haver suportado o calor úmido da selva, de saturar os meus pulmões com a poluição mais densa, que jamais tenha visto e de suportar o aglomerado de lixo, a experiência de conhecer um lugar natural tão impressionante e cuidado como o Canadense, estava me deixando maravilhado.

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(Colorado On The Road no Lynn Canyon Park)

Naquela mesma tarde aproveitamos para jogar um jogo de Vôlei na praia, e assim me despedir dessa cidade e de minhas novas amizades com um pôr do sol perfeito.

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(Pôr-do-sol na praia de Vancouver enquanto jogávamos um jogo de Voleibol)

Na manhã seguinte, os abraços e as palavras não foram suficientes para agradecer, não só a hospitalidade do casal de moradores, mas pelo que me fizeram sentir ao estar de novo junto aos espanhóis.

Pedalando para a fronteira norte-americano, a classificação de minhas primeiras experiências com o novo continente eram claras. Escolher viver em Vancouver foi escolher viver em uma cidade que incita à vida saudável, ao esporte, onde uma bicicleta não é uma formiga na estrada, mas um veículo mais, onde a mistura de nacionalidades te faz descobrir o mundo sem ter que sair de um mesmo ponto, onde a 40 minutos da cidade, você pode encontrar parques naturais onde poder desconectar-se, e se isso não é suficiente, em um barco de uma hora destas na Ilha Victoria. Não há falta que reconheça o que cativou, me deixo Vancouver.

Na fronteira com os Estados Unidos di obrigado por ter corrigido a minha descuidada imagem perante a infinidade de perguntas que eu tive que responder. Pela primeira vez em uma fronteira registraram a minha moto, mas antes de isso lhes mais de duas facas que usava nos meus alforjes, e de uma tangerina que eu guardava no alforje do guiador. As facas não pareceram se importar com o facto, mas a tangerina me foi confiscada e meu lanche desta vez tinha ficado sem Vitamina C, mas não me importou, meu visto já estava estampado em meu passaporte e na frente tinha três meses para conhecer toda a costa oeste… nos Estados Unidos! Here we go!!!

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(Bem-vindo aos Estados Unidos)

Desde que eu conheci o Darren eu tenho pensado muito sobre a passagem do tempo, sobre como aproveita o seu máximo, sobre quantas vezes eu tenho reclamado e eu ouvi queixar-se às pessoas a rapidez com que avança o tempo. Há apenas uma coisa que você pode dizer sobre a minha mudança de mentalidade:

“Se o tempo avança depressa, avança o seu mais rápido do que ele”

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(Colorado On The Road ao lado de Darren em uma praia de Ilha de Vitória)

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De Camboja Canadá – Colorado on the road

Minha primeira etapa no Camboja não teve nada que ver com as que estava acostumado a levar a cabo no Vietnã. A estrada era plana,…

Minha primeira etapa no Camboja não teve nada que ver com as que estava acostumado a levar a cabo no Vietnã. A estrada era plana, sem pó, um leve tráfego me acompanhava e o vento soprava uma brisa suave. Consegui chegar em Phnom Penh suficientemente cedo para encontrar um orçamento Guest House, mas não o tempo suficiente para encontrar o que estava registrado Diego Morodo. Assim, pela manhã, eu mudei de hospedagem e voltei a ver de novo um velho amigo português, que aproveitou a saída da Tailândia para renovar o visto e para dar um tempo de férias junto com seu companheiro.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta ao mundo (1)(Colorado On The Road ao lado de Diego Morodo e Maria, seu par)

Aproveitamos o seu último dia em Phnom Pehn para sair para jantar e terminar a noite com umas cervejas no terraço do Guest House. Na manhã seguinte madrugué para ter um longo dia de visita histórica na capital Cambojana, e saber mais sobre o terrível genocídio que viveram os cambojanos.

Entre os anos de 1967-1975, Camboja viveu uma guerra civil que acabei deixando em poder dos guerrilheiros comunistas do Khmer Vermelho (“Khmer” é uma etnia, e “Vermelhos” porque é a cor do comunismo), sob o poder de Pol Pot.

Pol Pot instaurou a partir do ano 1975, um regime ultra comunista que obrigava a todos os cidadãos a abandonar as cidades e ir para os campos de cultivo trabalhar, deixando-Phnom Penh e seus arredores totalmente vazios. Além disso, perseguiu, prendeu, torturou e matou todos os que considerava que punham em perigo o regime e que seu único crime foi ter estudos, falar outro idioma ou usar óculos de ver.

No centro de Phnom Penh estava na prisão S-21, que originalmente foi uma escola secundária e hoje em dia é o Museu Genocida Tuol Sleng. Os prisioneiros eram mantidos durante vários meses e submetidos a brutais torturas, como amputações de dedos e mamilos, ahogamientos e chicotes com banhos de água salgada, entre outras práticas brutais, para os obrigar a assinar falsas confissões de culpa.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta o mundo (2)(Imagem de um prisioneiro na prisão S-21)

Depois de 6 ou 7 meses, passando dia e noite amarrado a uma cama, se sobreviviam à tortura, eram transportados em caminhões para os campos de extermínio sob o engano de que estavam sendo transferido para umas novas instalações, para evitar que os 30 minutos que durou o trajeto desde a prisão, os presos deram qualquer tipo de problema ou se alzaran em uma revolta.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta ao mundo (3)(Colorado On The Road no campo de extermínio ouvindo o áudio-guia)

Uma vez chegados ao campo de extermínio, os Khmer Vermelhos tinham pendurado nos galhos de uma grande árvore, uns potentes alto-falantes alimentados por um gerador diesel, para que o hino do regime ocultara os gritos das vítimas, enquanto eram executadas.

Como uma bala era muito cara, utilizavam-se de qualquer objeto, de modo a acabar com a vida dos inimigos do regime. Qualquer ferramenta afiada destinada para a agricultura, martelos, facões, facas e até mesmo o talo da palma-de-açúcar era ideal para o corte de uma garganta.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta ao mundo (4)(bordas dentadas do caule da palma da mão-de-açúcar, utilizado para cortar o pescoço para os prisioneiros)

Quando uma pessoa era acusada de traição, os Khmer Vermelhos tinham acabado com a vida de toda sua família para evitar uma futura vingança. Em uma fossa comum foram encontrados os corpos de 100 vítimas entre mulheres e crianças. Ao lado, ainda permanece a árvore que foi utilizado para acabar com a vida de crianças, sendo estes agarrados pelos tornozelos para bater a sua cabeça contra o grosso tronco.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta o mundo (5)(Árvore de extermínio)

Muitas pessoas morreram em campos de trabalho. Comiam apenas duas sopas de arroz por dia e trabalhavam jornadas de entre 12 e 15 horas, basicamente trabalhavam até a morte. O objetivo era produzir arroz e vender as colheitas para países estrangeiros, principalmente a China, para comprar armas e suprimentos.

O regime de Pol Pot, durou quatro anos e terminou com a vida de 3.000.000 de pessoas, de uma população total de 8.000.000 de cambojanos. No centro do campo de extermínio, hoje chamado Centro do Genocídio de Choueng Ek, ergue-se uma stupa comemorativa com 17 níveis. Nos 10 primeiros há mais de 10.000 caveiras e os outros 7 níveis superiores, os restos de ossos maiores.

São 17 níveis, já que foi a 17 de Abril de 1975, quando Pol Pot entrou em Phnom Penh. Em toda Camboja, houve um total de 300 campos de extermínio, que não foram fechados até 1979.

A longa jornada de visita histórica deixou-me claramente afetado, e na volta ao Guest House tinha várias imagens que não podia tirar da cabeça. Mas devia seguir em frente.

Pela manhã eu subi de novo para a bicicleta. Não demorou muito para sair da cidade grande e toparme com uma estrada cheia de pedras e areia, com numerosa maquinaria levando a cabo os trabalhos de construção de um novo pavimento até Siem Reap.

As tampas que comprei na Tailândia não eram da qualidade que esperava, e a roda traseira começou a me dar problemas ao final do estágio. A sucessão de furos não cessou até que cheguei a altas horas da noite ao longo da estrada Kampong Thnor, onde notei a bicicleta e passei a noite. Mas a etapa futura, foi um completo desastre, a pena de 10 quilômetros na estrada da roda de trás rebentou sem me deixar mais opção que empurrar durante toda a manhã, até que uma família de cambojanos me pegou em sua kombi Pick Up e me aproximou de 20 quilômetros ao longo da estrada Kampong Thom, onde comprei os sobressalentes necessários e passei a tarde descansando desse dia difícil.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta ao mundo (6)(Colorado, On The Road, com roda traseira da bicicleta avariada)

Mas a etapa seguinte, eu guardava uma surpresa. Johannes, um cicloturista alemão de 27 anos, tinha parado para fazer uma fotografia, tempo suficiente para que o mesmo acontecesse com a bicicleta, desse mesmo lugar e fizemos amizade rapidamente. Almoçamos juntos e decidimos ir ao uníssono até Siem Reap. Nossa chegada a esta cidade nos reservou outra surpresa sobre duas rodas. Uma turista holandesa e outro norte-americano, nos alcançaram em bicicletas que se alugam para conhecer os arredores, nos guiaram até um baixo custo restaurante do centro da cidade e almoçamos os quatro juntos. Antes de Johannes e eu começarmos a procurar um Guest House, decidimos ficar todos na mesma noite para sair e tomar uma cerveja.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta o mundo (7)(Colorado On The Road ao lado Johannes, cumprindo os seus 8.000 Km de viagem)

As avarias da bicicleta me fizeram suar mais do que a conta, mas talvez só me estavam diminuindo para que coincidisse e aproveite a companhia de outros viajantes. Sem dúvida alguma foi uma noite especial em que desfrute de cada momento, mas com a saída do sol me despedi de Johannes e fui visitar o Angkor Wat, antes de colocar rumo à fronteira tailandesa.

Angkor Wat, dedicado inicialmente ao deus Vishnu, foi construído entre os séculos IX e XV, durante o esplendor do império Khmer. A visita à maior estrutura religiosa jamais construída, e um dos tesouros arqueológicos mais importantes do mundo, levou-me o dia inteiro, e terminou quando chegou a noite, e uma tempestade pegou forma no céu.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta ao mundo (8)(Colorado On The Road visitando o Angkor Wat)

Deixe Siem Reap, mas não por muitos quilômetro, a chuva deu o término da etapa. No meu último dia em Camboja alcance dos 16.000 quilômetros pedaleados desde que iniciei a viagem, e cruzei a fronteira voltando-se para a Tailândia.

Para dar por concluído este grande Roadtrip pelo Sudeste Asiático, avancei até Bangkok e me hospedei no mesmo Guest House, em que dormi 58 dias atrás, e 4.570 quilômetros depois meu estômago me pedia uma cerveja para comemorar o encerramento desta primeira fase, e dar o salto para o continente Americano voando até Vancouver (Canadá).

Um novo amigo me esperava no Joe s Guest House, Pier, um jovem holandês que tinha vivido os últimos 3 anos em Singapura. Johannes não tardou a chegar de ônibus em Siem Reap, por isso que os meus últimos dias em Bangkok tive a sorte de ter com quem brindar.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta ao mundo (9)(Pier provando a bicicleta de Colorado On The Road no corredor do Guest House)

Hoje eu olho para trás e sinto que há uma década que deixe para trás o meu lar, a cada mês de viagem vivo tantas experiências novas que me dá a sensação de que passam como anos. Eu não sou ainda muito consciente dos grandes mudanças que sofri, eu sei que há alguns óbvios, tais como longa juba, a barba e que agora, apesar de 5 quilos a menos, mas eu me refiro a mudanças emocionais e de forma de ser, a minha visão da vida, a minha mentalidade perante o mundo, a esta procura incessante da felicidade. Eu gostaria de compartilhar com vosotr@s as seguintes frases que escrevi no meu diário:

“Seguir e alcançar os seus objectivos, te leva à auto-realização”.

“Perseguir um sonho, vivê-lo e vê-lo em realidade, leva à felicidade.”

“Poder de tomar suas próprias decisões sem que seus medos intervir nelas, dá-lhe a liberdade”.

“Ser humanista é uma responsabilidade do ser humano desde que nasce, e você nunca pode dar tanto, como o que recebe em troca: constantes lições de humildade”.

“Viver com amor, é a única riqueza que vai fazer que não morrer pobre”.

Follow yours dreams by Colorado, On The Road.

Colorado On The Road_Camboya_Siem Reap_Phnom Penh_Angkor Wat_Angkor Vat_Vuelta o mundo (10) (Colorado On The Road)

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De Botsuana Zimbaue – Colorado on the road

Etapas: 13/02/2016 Tsootsha – Sul (129 Km). 14/02/2016 Sul – Kuke (113 Km). 15/02/2016 Kuke – Sehithwa (80 Km). 16/02/2016 Sehithwa – Maun (102 Km)….

Etapas:

13/02/2016 Tsootsha – Sul (129 Km).

14/02/2016 Sul – Kuke (113 Km).

15/02/2016 Kuke – Sehithwa (80 Km).

16/02/2016 Sehithwa – Maun (102 Km).

17-19/02/2016 Descanso em Maun.

20/02/2016 Maun – Makgadikgadi Pans National Park (106 Km).

21/02/2016 Makgadikgadi Pans National Park – Gwetta (115 Km).

22/02/2016 Gwetta – Creme De Leite (100 Km).

23/02/2016 Creme De Leite – Mosetse (78 Km).

24/02/2016 Mosetse – Francistown (110 Km).

25/02/2016 Descanso em Francistown.

26/02/2016 Francistown – Tsamaya (46 Km).

27/02/2016 Tsamaya – Marula (Entrada em Zimbabwe) (91 Km).

Botswana: Em busca da fauna selvagem

A minha entrada no Botswana eu me aproximava, mais do que nunca a savana africana. Ansioso para observar a vida selvagem avancei pela planície para chegar a Maun. Pedalando pelas intermináveis retas de asfalto eu me sentia como um intruso. A estrada é cercada por grama, mas apenas alguns metros, depois começa o domínio da vegetação, árvores e mato baixo que não se permitem ver com profundidade, que é o que de fato ao seu redor.

Dava-Me bastante tranquilidade a presença de vacas, cavalos e burros selvagens na beira da estrada, onde se concentra o capim mais tenro. Digo tranquilidade porque pelo menos eu me sentia como o bocado, menos suculento. Apesar de ser pouco provável topar com um predador por essa área, é impossível não sentir aquele comichão na boca do estômago quando você ouve um som à sua volta.

A primeira noite no meu trigésimo sétimo país de minha volta ao mundo, dormi camuflado junto a uma árvore, a poucos metros da estrada. Foi uma noite inquietante, em que uma terrível pesadelo interrompeu minha agradável sonho. Acordei tão agitado e desorientado, que não sabia que estava em Botswana, só sabia que era noite e que eu estava dentro da loja. Amanecí fatigado e depois do pequeno-almoço, comecei a fazer a profilaxia da malária. Há uma semana comecei a medicarme para combater tão temível doença. Curiosamente durante essa semana, não havia bem descansado nenhuma noite, acordando-me exausto depois de dormir 8 horas e pedalando não me sentia 100%. A inquieta noite que passei foi a última porque decidi parar de tomar Malarone. Os efeitos colaterais estavam me destruindo.

Me pus em marcha, sem desfrutar de um banho matinal e massa no meu suor, como de costume. Coincidência, acaso ou acerto, pedalei com um desempenho melhor do que em qualquer dia da semana anterior. Parece que a profilaxia da malária estava me roubando a energia, e só me resta bater na madeira para não recolhê-la. Mas se esse fatídico mosquito vem a mim, tomarei medidas para superar o obstáculo, como sempre tenho feito. Até então, simplesmente vou aproveitar restringindo as precauções para que não me manter de morder.

Encerrando a jornada em uma pequena aldeia, onde acampo junto às cabanas de barro e palha. Pela manhã me dá os bons dias com um céu claro e azul, mas a época de chuvas está começando e clima na África é difícil de prever. À tarde eu pegar uma tempestade, não chove de forma constante, se ia deslocando para o Sul e o céu descarrega água a cada 5 minutos de forma intermitente. Gloriosa ducha natural que me dá uma pausa e limpa a sujeira da minha roupa.

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(Acampando em uma pequena aldeia de Botsuana)

No quarto dia, em Botswana alcançou Maun. Na embaixada espanhola de Windhoek deram-me o contacto de João, cônsul honorária. Há 20 anos, criou uma agência de safaris para visitar o Delta do Okavango. João me recebe com os braços abertos e me deixa ocupar a sua casa de hóspedes. Me paquerando durante vários dias dormindo na cama, com uma casa de banho privada, cebándome de boa comida e pela primeira vez desde que deixei para trás Cape Town, lavo a roupa na máquina de lavar.

Seu marido é um guia profissional de safaris e me dá um valioso conselho. Durante suas expedições, sempre leva um punhado de areia fina no bolso, para interromper o ataque de um leão lanzándosela os olhos. Espero nunca ter que colocá-lo em prática.

A segunda noite em Maun, João organiza um jantar para a reduzida comunidade de espanhóis. Foi quando conheci o Marcus, piloto de aviões, que se ofereceu para acompanhá-lo em um voo para pegar a 11 clientes de uma loja dentro do Delta do Okavango. Pela manhã despegamos e do ar, vemos crocodilos e hipopótamos, pousou na pista de terra dentro do Parque Nacional e se sobem todos a bordo. Na decolagem, mais digna de um rali, observamos uma manada de elefantes andando pela imensa planície. Uma experiência única!

Diário Botswana 2

(Com Marcus dentro do Delta do Okavango)

Depois de repor as forças e decidiu continuar a aventura, eu organizo tudo para continuar a marcha, mas pela primeira vez na África não ia a pedalar sozinho. Frank, um dos guias de safaris de João e amante da bicicleta, decide ir até a cidade de Creme de leite, a 300 quilômetros ao Leste.

Diário Botswana 3

(Junto com João, seu marido e Frank)

O primeiro dia voar com o vento a favor, e alcançamos a entrada do Makgadikgadi Pans National Park. Com o pôr-do-sol acima, montamos o acampamento junto a uma árvore, e preparamos a fogueira para manter os predadores afastados durante toda a noite. Ao nosso redor podem-se apreciar as zonas de passagem de animais de um lado para o outro da estrada, como imensos buracos entre os arbustos que só um animal de grande porte podia fazer. Enquanto ela estava recolhendo lenha com os últimos raios de luz, tive a bela oportunidade de ver um elefante passar a 200 metros do acampamento. Foi uma surpresa porque eu não esperava isso, passou andando como se nada, como se não existiéramos. Foi a primeira vez na minha vida que parecia um elefante selvagem de tão perto.

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(Distante foto que eu tirei ao elefante que passou pelo nosso acampamento)

Acendi o fogo com um sorriso estampado no rosto, tudo me parecia tão emocionante. Frank estava como se nada, afinal de contas cresceu rodeado de esta fauna selvagem, mas eu estava entusiasmado.

Antes de dormir Frank me avisa: Nada de comida dentro da barraca. Se você tem qualquer alimento com cheiro a carne, as hienas e os leões hão de por ti, se você tem fruta pode atrair os elefantes. O fogo nos proteger durante toda a noite, mas as hienas não o temem, é provável que venham a cheirar e inspecionar este novo arbusto de seu território, ou seja, a barraca. Você deve estar calmo e não agitarte, elas virão, olerán, inspeccionaran e, finalmente, se alejaran.

Naquela noite, fechei os olhos com a esperança de acordar pela manhã e ver as pegadas, as hienas ao redor do meu acampamento, mas ao sair o sol só tinha um rastro de milhares de insetos que se abrigaram sob a minha loja.

Chegamos ao primeiro povo com o fresco da manhã, onde tomamos café da manhã feijão com Fat Cakes, uns bolinhos carregados de energia. Frank faz de intérprete e simplesmente me deixo levar apegando-te a ter para onde quer que vá.

Atravessamos dois Parques nacionais, que são separados pela estrada. Ao Norte, temos o Nxai Pão National Park com menos concentração de água, e ao Sul o Makgadikgadi Pans National Park com o Rio Boteti e o Lago Nwetwe, em que se concentra a maior parte da vida selvagem do lugar, devido à abundância do precioso elemento.

Enquanto pedaleamos, constantemente contamos com a presença dos Emas. Na estrada Frank reconhece as fezes de uma hiena, são recentes me diz, menos de dois dias. As fezes de lobo começam a blanquearse passadas 24 horas, devido ao excesso de cálcio proveniente dos ossos que comem. Estava ansioso por ver alguma.

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(Fezes de uma hiena)

Durante o caminho, meu guia pessoal me conta como há dois anos, um motociclista alemão, morreu nesta mesma estrada às mãos de um elefante. O animal se lhe atravessou a estrada, o motociclista para espantá-lo revolucionou o motor ao máximo para assustá-lo com o poderoso som, mas a resposta do elefante foi envestirlo até a morte.

Em uma de suas últimas expedições como guia de safáris, Frank levou a um pequeno grupo de turistas a pé. Ele estava a 20 metros à frente, quando um elefante começou a andar em direção a eles, Frank se escondeu atrás de um arbusto à espera da reação do animal, enquanto o grupo se ocultava-se junto a uma árvore. Quando teve de frente para ele, decidiu mostrar-se com os braços levantados para parecer maior e intimidá-lo. O elefante duvido, e perante a dúvida sempre envisten. Frank recebeu um trompazo na virilha e esteve a ponto de perder as jóias da coroa. Finalmente, o grupo espantou o animal gritando e levantando as mãos.

Esses relatos não fazem mais que aumentar a minha curiosidade sobre a atitude de cada animal, e qual seria o correto comportamento diante da situação de tê-los frente a frente. Bombardeio a Frank com milhares de perguntas, eu abro os ouvidos e eu decoro todos e cada um de seus conselhos. É uma mina de informação que, provavelmente, no futuro, ter que colocar em prática.

Com a chegada Gwetta, deixamos para trás os parques nacionais, e onde nos esperava uma recompensa, com a assinatura de João. Antes de sair de Maun nos deixou paga uma noite no parque de campismo de Baobab Planet, com jantar e café da manhã incluído. Nas proximidades do acampamento se concentram os enormes Baobá, majestosas árvores que chegam a medir 30 metros de altura e 11 metros de diâmetro, em seus mais de 1000 anos de vida.

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(Bucéfalo ao lado de um Baobá)

O buffet do café da manhã, nos deixou fora de combate por duas horas enquanto fazíamos a digestão, e nós começamos a pedalar ao meio-dia em nossa última jornada juntos. Antes de chegar a Nata tivemos que procurar abrigo em uma fazenda próxima da estrada, onde passamos a tempestade que tivemos logo acima.

Esperamos uma hora em que a chuva cesara dentro de uma cabana de barro e palha. Aproveitamos para falar do comportamento dos elefantes, unidos que estão com os seus grupos, os sentimentos que se processam, a memória que os caracteriza e um dos comportamentos mais incríveis, como os despedem antes de abandonar o rebanho para fugir e morrer na solidão, para, em seguida, rendirles uma particular homenagem póstuma quando se encontram com os seus restos mortais, tocando com suas trompas e cascos dos enormes ossos.

(Refletindo junto a Frank na cabana de barro e palha)

Creme de leite por último, é o povo que acampo com Frank. Pela manhã, despeço-me do melhor guia de safáris que conheci e continuo minha viagem solo.

Francistown é a última grande cidade que visito em Botswana antes de chegar à fronteira com o Zimbábue. Foi uma parada de um dia para trabalhar com o computador usando o wifi do aeroporto. A primeira noite, quando me preparava para dormir na sala de espera, um dos operários conhecido por seus colegas como Mr T, oferece-me acampar no jardim de sua casa. Os trabalhadores do aeroporto vivem em uma pequena área residencial construída a menos de 500 metros, e era uma área segura para dormir. A segunda noite, um dos companheiros de Mr T diretamente para me oferecer uma cama em sua casa. Em Botsuana há longas extensões de terreno selvagem e não há muita população, mas as poucas pessoas com que me cruzei no caminho, foram simplesmente maravilhosas comigo.

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(Colorado On The Road ao lado de Mr T)

Com 30 dólares em dinheiro no bolso para pagar as taxas de minha próxima fronteira, coloquei rumo ao Zimbábue sob a chuva. Não fiquei muito tempo pedalando e os 50 km, parei em uma pequena cidade, para buscar refúgio em uma área coberta de delegacia de polícia. Pude secar a roupa e os agentes deram-me o jantar. Finalmente fiz a noite lá, porque a tempestade não cessava.

Cruzei o posto de fronteira com o Zimbabué com fome de mais. Eu gostaria de fazer um Safari selvagem para o Delta do Okavango, mas claro está, os elevados preços deixam-me fora de toda a expedição. A bicicleta te limita muito, mas foi a que me deu asas. Se não fosse por ela, nunca havia compartilhado essa experiência ao lado de Frank, e acima de tudo, jamais teria aprendido tanto dele. Há uma frase que me disse que me ficou gravada na memória:

“Se você se sente como um intruso em um ambiente selvagem, é porque você é”