O Dakar com um carro elétrico

Entrevista com Albert Bosch sobre seu novo desafio: fazer a corrida de motor mais dura do mundo, o Dakar, com um carro elétrico.

Cruzou a Antártida sem assistência, escalado as montanhas mais altas de cada continente, corrido inúmeras Ultra Maratonas, e participado em oito 8 Dakar. Este ano, além disso, Albert Bosch foi proposto um desafio muito especial: fazer seu nono Dakar sem usar nem uma única gota de combustível, ou seja, com um carro elétrico desenhado para a ocasião. Tenho a imensa sorte de ajudar Albert, no tópico nutricional, o que me permitiu viver quase em primeira pessoa, todas as suas aventuras. Aproveitando este novo desafio, lhe fiz uma breve entrevista que vos transcribo aqui.

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– Por que você acha que os fracassos são importantes?

Os fracassos fazem parte da formação e da experiência de uma pessoa. Uma pessoa que nunca teve um fracasso pode ser duas coisas: ou é um mentiroso ou não, há coisas realmente interessantes e ambiciosas. Se quiser tomar decisões importantes em sua vida e é impossível não ter falha alguma vez. E isso me aplico a mim mesmo. Antes não o fazia, mas pensei, se realmente eu poderia ter todos estes sucessos é porque eu tentei muitas vezes e, se eu tentei muitas vezes, é que inevitavelmente em algumas falhei e por isso digo, bem-vindos sejam os fracassos ou o erro positivo, como eu prefiro chamar, que não são mais do que passos necessários para o sucesso.

– Por que você criou uma plataforma para promover projectos no domínio da energia e o meio ambiente?

Isso foi uma conscientização sobre os problemas ambientais que existem e que surgiram a partir de minhas aventuras. Eu não tinha esse grau de compromisso ou de consciência, mas a raiz do projeto 7 cumes (escalar as montanhas mais altas de cada continente), dei-me conta de que me amava a natureza e gostava dela, mas nunca tinha feito nada por ela. Esta consciência da tornei uma responsabilidade e compromisso, e por isso dirigi, portanto, a minha actividade profissional e minhas aventuras, fazia o respeito pelo meio ambiente.

– Como surgiu a idéia de competir no Dakar com um carro elétrico?

Não voltaria ao Dakar se fora da forma convencional, isto é, com um carro normal e simplesmente por correr, já que não seria consequente esse compromisso com o meio ambiente que eu marquei. Eu faz tempo que sonho em fazer um Dakar 100% elétrico, porque nunca foi feito, mas também para mostrar que as coisas podem fazer com outros valores e com um compromisso de melhoria. Será complicado e temos muitos número de falhar porque nós estamos inventando algo novo, mas isso são os riscos de inovar.

– Que mensagem você quer transmitir com este desafio?

Neste caso, para mim é mais importante, os valores e a mensagem que não a corrida. A mensagem é que nós podemos desfrutar de nossos passatempos, mas de uma forma mais responsável. Temos de refletir e ver que, atualmente, temos uma grande capacidade de impacto sobre a sociedade e o meio ambiente, seja positiva ou negativa.

– Como você controla a sua dieta durante a prova?

Normalmente eu tenho mais controlada a alimentação em testes mais exigentes fisicamente. Nesta prova você pode pensar que a parte física é secundária em relação a outros desafios, mas de todas as formas, há muita desidratação, muitas horas sem dormir, muita tensão, etc. Ao princípio ia como um animal comendo um pouco quando podia, mas cada vez vi mais claro que o desempenho, mesmo lá, era mais alto se tinha em conta uma boa alimentação e hidratação. Também é muito importante o planejamento porque lá comemos tranquilos no café da manhã e quando chegou a tarde ou de madrugada, tudo o resto são coisas que vai surgindo no carro e que vai dando o co-piloto.

– Diga-me três coisas que você aprendeu com seus desafios e que recomendo a todo o mundo.

Primeiro: comande sua vida. Isso é algo que não pode delegar e que considero um grande erro. É responsável de cada um dos projetos de sua vida, seja para continuar, desistir, perseverar, o que quer que seja, mas lidera. Não delegues as decisões em outros.

Segundo: luta pelas coisas em que você acredita. Se quiser fazer um projeto importante na sua vida tem que ser algo que você saia de dentro, não pode ser algo superficial, porque terá de dedicar muito tempo e esforço que tirarás de outras coisas. Não se pode permitir lutar por projetos que realmente não se importam.

Terceiro: se positivo, mais do que otimista. Acredita em ti, mas não seja irrealista. Você deve avaliar os riscos. Hás de crer, ver as oportunidades, confiar, ter fé no seu projeto e no sucesso, mas sempre de uma forma realista. Mas vai passar de gerenciar riscos a fazer temeridades.

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