Lanzarote Vulcan Walk & Trail, caminhar ou correr entre vulcões

Os adeptos do trekking e o trail running podem estar de parabéns. Acabam de nascer e as travessias Vulcan Walk e Vulcan Trail Lanzarote, duas propostas de itinerários que permitem descobrir os lugares mais surpreendentes e solitários de Lanzarote e A Graciosa, praticando caminhadas e corrida por etapas.

Correndo pela Graciosa.

Mais de um, quando pensa em umas férias em Lanzarote, erroneamente, imagina praia, com espreguiçadeiras, fileiras de turistas avermelhados brandindo paus seja notificado do giba de um camelo, na realidade, são dromedários– e anodinos hotéis com buffet livre e piscinas de água desalada rodeados de guarda-sóis. No entanto, por muito que custe banir os tópicos, a verdade é que a “ilha dos vulcões” estima muito mais que tudo isso.

Eu, as duas vezes que estive em Lanzarote foi para divertir e surpreender a sua variedade de paisagens, de sua natureza mais pura e suculentas jornadas de desporto ao ar livre, andando, correndo, pedalando–, sempre por lugares verdadeiramente virgens e solitários.

Subindo a Montanha Vermelha, durante a terceira etapa da Vulcan Walk Lanzarote, há apenas uma semana.

Trata-Se, portanto, de escolher bem, encontrar lugares autênticos, avituallarse em bares de pescadores à base de receitas locais –as batatas arrugás, o mojo picón, a roupa velha, o peixe fresco, o energético santa cruz de tenerife, o leite e o leite…– e dormir em pequenas propriedades, com encanto, sempre fora das rotas mais “pegadas”.

NO MOUNTAIN BIKE…

Meu primeiro pouso em Lanzarote foi para pedalar –que conste que fizemos a rota integralmente– com tal de gravar uma reportagem sobre Pedais de Lava, travessia que recentemente passou a se chamar Vulcan Bike Lanzarote para se dar a conhecer melhor allende a fronteira linguística dos Pirenéus. Vulcan Bike Lanzarote é uma rota circular por etapas, de 247 km e mais de 3.500 m+ (olho, não entregar-se que o terreno é brincalhão), que se pode fazer confortavelmente em 5 ou 6 dias. Nós a fizemos em 2009, e eu gostaria de voltar algum dia para fazê-la sem câmeras, ou seja, por puro prazer.

… E A PÉ

A segunda ocasião chegou há apenas uma semana, desta vez para fazer um vídeo sobre a Vulcan Walk Lanzarote, uma travessia de pedestres que atravessa a ilha de sul a norte, começando na Praia Branca e terminando no porto de Órzola (acima de tudo, não confundir com o GR-131, cujo traçado, ao contrário do da Vulcan Walk, contém bastantes trechos de asfalto e pistas largas).

Etapa do trekking Vulcan Walk em malpaís de Timanfaya.Primeira etapa da Vulcan Walk Lanzarote, em Ajaches.

Durante 4 dias, avançamos através dos desertos Ajaches, cruzamos o malpaís de Timanfaya (por um caminho que quase ninguém conhece) e A Geria (famosa por seus vinhos, que são realmente ricos), caminhamos nas margens do Atlântico e ultrapassamos os 20 km de falésias do impressionante Risco de Famara. No total, a 86 km de viagem a pé, com 2.900 m+, que se caracteriza por diferentes e agradáveis, que são cada uma das jornadas.

Para que vos torneis uma idéia da dificuldade e os atrativos de cada fase, deixo um breve resumo:

· Dia 1: Praia Branca – Uga (17 km, 900 m+), conservando o deserto e misterioso maciço de Ajaches, as montanhas mais antigas da ilha, de 20 milhões de anos.

· Dia 2: Uga – Tinajo (21 km, 350 m+), primeiro no coração de La Geria, uma zona vitivinícola única no mundo, em que as videiras crescem diretamente sobre o picón, cascalho vulcânica fruto das erupções que, no início do século XVIII mudaram a orografia de boa parte da ilha; depois, pelo malpaís de Timanfaya, um onírico inferno de rochas, caldeiras e campos de lava acessíveis apenas por um caminho exclusivo para pedestres, por que nos perdemos em meio ao caos de lava mais jovem de Lanzarote.

· Dia 3: Tinajo – Caleta de Famara (21 km, 150 m+), primeiro abrupto do litoral, onde o oceano arrebentação ruge entre penhascos e vulcões meio devorados por ondas; depois, por um sector de costa lisa, totalmente virgem, de areia branca, sobre a qual ressaltam rochas negras com incrustações de olivina.

· Dia 4: Caleta de Famara – Órzola (27 km, 1.500 m+), na etapa mais longa e exigente, integralmente, sobre os penhascos do Risco de Famara, que se elevam a mais de 600 metros sobre o Atlântico.

Trekking Vulcan Walk Lanzarote.Trekking Vulcan Walk Lanzarote.Trekking Vulcan Walk Lanzarote.

RELAX NA GRACIOSA

Do outro lado Do Rio, aguarda A Graciosa com suas praias paradisíacas e os seus vulcões de cores. A pequena ilha, de apenas 29 km2 e ainda livre de asfalto, é o refúgio ideal para relaxar e jogar os náufragos durante um par de dias no final da viagem.

· Dia 5: a Partir de Caleta do Sebo, inesquecível rota para caminhar ou correr (apenas 10 km entre ida e volta) até a Montanha Amarela, passando pelas praias de areia branca, a Francesa e A Cozinha, que ficam a salvo dos ventos premominantes e são perfeitas para nadar ou fazer a medusa entre peixes coloridos.

· Dia 6: Se os biorritmos ainda resistem (não esqueça que na Graciosa o tempo parece parar), alugue uma bicicleta de montanha em Caleta do Sebo para ir explorar o norte da ilha, visitando os fotogénicos arcos de basalto de Caletones, e as praias Lambra e As Conchas (aqui muito cuidado com as ondas e as correntes, são praias perigosas).

OPÇÃO TRAIL RUNNER

Como era de se imaginar, enquanto grabábamos as etapas do trekking, nos entraram muitas, muitas vontade de sair correndo (no melhor sentido da expressão). O tipo de terreno, muito variável, exigente, mas sem complicações técnicas, e vivificante, parecia perfeito para a corrida em montanha, e convidou considerar a seguinte pergunta: “será que Esta rota, você pode fazer correndo?”.

Trekking Vulcan Walk Lanzarote.Trekking Vulcan Walk Lanzarote.Trekking Vulcan Walk Lanzarote.

E descobriu-se que Maxi Biela, o criador da Vulcan Walk, já tinha a resposta. Assim que os últimos dois dias de filmagem nos dedicamos a correr entre vulcões, gravando uma nova história, a Vulcan Trail Lanzarote, um “adventure running journey”em toda a regra: correr entre 20 e 30 km diários, através de seus lugares mais virgens e solitários (a rota acrescenta variantes da Walk, para ganhar quilometragem e dificuldade), sem carregar peso (há transporte de bagagens entre hotéis), ao seu ritmo, à sua vontade. Sem aglomerações. Sem pressa. Sem sorteios. Sem listas de espera. Sem horários ou calendários. Assim que… ah quando é que voltamos?!

Comentários Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *