Hipertrofia sarcoplasmática e sarcomérica – Máximo desempenho

Hipertrofia sarcoplasmática (estética) vs hipertrofia sarcomérica (funcional):

hipertrofia

Para entender qual é a diferença entre a hipertrofia sarcomérica (funcional) e sarcoplasmática (estética), antes, você deve ter claros alguns conceitos.

O MÚSCULO AO NÍVEL ESTRUTURAL

O músculo, de forma geral, é um tipo de tecido mole do corpo que gera movimento ao contrair-se. Os músculos estão ligados aos ossos, usando o tecido conjuntivo (tendões e ligamentos). Se não existir este, como se não poderiam mover o esqueleto para andar ou mover um peso na direção que quer? Existem três tipos de músculos:

  1. Músculo esquelético: Os que movem o esqueleto ao contrair-se, graças aos impulsos do sistema nervoso central. Por exemplo, o quadríceps (coxa).
  2. Músculo cardíaco: Exclusivo do coração, permite empurrar o sangue” mais uma vez se encheu.
  3. Músculo liso: Presente no estômago e no tubo digestivo, brônquios, os próprios vasos sanguíneos e bexiga, entre outras partes do corpo.

Evidentemente, para o tema que estamos tratado, me vou referir, sempre, a musculatura esquelética.

estrutura muscularTecido conjuntivo

Como eu disse antes, uma das principais funções do músculo é mover os ossos. O músculo está ligado ao osso por intermédio do tecido conjuntivo. O tecido conjuntivo fibroso que envolve o músculo e, que, por sua vez, conecta-se e funde-se com o tecido que recobre o osso (periosteum), é chamado fáscia. Fáscia é um nome genérico que se atribui ao tipo de tecido fibroso que reveste muitos órgãos e partes do corpo, como os ossos e os músculos. Os tendões são tão robustos e resistentes, que não se podem rasgar com facilidade. Por sua vez, as fibras musculares são formadas por uma membrana denominada endomisio. Um grupo de fibras musculares (fascículos) são mantidos juntos com outra bainha de tecido conjuntivo, o perimisio. Por último, o músculo está envolvido por outra camada de tecido conjuntivo, o epimisio. As fibras musculares, graças a essas três estruturas têm uma continuação com os tecidos fibrosos que unem os músculos aos ossos, estão bem sujeitas às estruturas de que puxam.

Tecido muscular

Dentro de um músculo, encontramos os grupos de fibras (fascículos); dentro dos fascículos encontramos as fibras musculares; dentro das fibras encontramos as miofibrillas; e dentro das miofibrillas encontramos os miofilamentos.

Como um conceito isolado, eu gostaria de lembrá-lo de que a hiperplasia (novas fibras musculares) não existe como tal; hoje em dia,não há evidências científicas claras a respeito. O número de fibras musculares é dado por nascimento (herança), não pelo trabalho muscular que você faça. Quero dizer, que se você tiver a má sorte de que te morda um tubarão, não voltará a ter um novo gêmeo por muito que trabajeos. As adaptações de seu corpo ao treino, nunca será a criação de novas fibras musculares, se alterar a sua estrutura e criar novas microestruturas, mas sempre dentro das fibras que já tem.

O MÚSCULO AO NÍVEL FISIOLÓGICO

ligação actina-miosina Como funciona a excitação e contração e, posteriormente, o relaxamento do músculo?

A explicação, talvez, seja algo complicado, mas vou tentar discuti-lo da forma mais simples possível. Decidi acompanhar, com imagens, as diferentes explicações tanto na estrutura como na fisiologia do músculo. Ajudarão a compreender melhor o tema. Por ordem:

Excitação e contração:

1.Um impulso nervoso chega ao extremo de um neurônio motor, em seguida, é liberado o neurotransmissor responsável pela contração muscular (acetilcolina).

2.A acetilcolina chega aos receptores acetilcolínicos, localizados na placa motora da fibra muscular.

3.Quando os receptores acetilcolínicos são estimulados, eles iniciam um impulso para o sarcolema (membrana que reveste as células musculares), através dos túbulos T (Extensões do músculo cardíaco em forma de tubos que se metem para dentro da célula muscular), até os sacos do retículo sarcoplasmático (RS, rede de tubos e sacos presentes nas células musculares).

4.O RS libera íons de cálcio para o sarcoplasma (fluido para dentro das células musculares com diversos componentes que não citá-lo-ei para não complicar mais o assunto). Lugar onde estes iões de cálcio ligam-se às moléculas de troponina (Proteína que actua na ligação actina-miosina), deixando descobertos os pontos ativos da actina (proteína que forma os miofilamentos finos, essenciais para que ocorra a contração muscular, quando se acoplam com os “pilões” de miosina).

5.As moléculas de tropomiosina (proteína que bloqueia os pontos ativos da actina) deslizam até deixar descobertos os pontos ativos da actina.

6.A miosina (proteína contrátil, que se liga à actina para realizar a contração muscular), carregada de energia (ATP), atravessa as pontes cruzadas e se conecta com a actina e, destes, utilizam a energia para puxá-los. Você deve imaginar que há uns ganchos (actina), que se acoplam, valha a redundância, a cerca de “pilões” de miosina. Graças a este fato, existe a contração muscular e, portanto, existe o movimento dos músculos sobre o esqueleto humano. Você vai ver melhor a imagem que tenho proposto neste ponto.

7.No momento em que os miofilamentos finos vão mais longe que os miofilamentos grossos, a fibra muscular se reduz (contrai).

Relaxamento:

  1. Quando o estímulo chega ao fim, o retículo sarcoplasmático bombeia os íons de cálcio para os sacos que contém.
  2. No momento que os íons de cálcio são separados da troponina, tropomiosina volta a bloquear os pontos ativos da actina.
  3. As pontes cruzadas da miosina não podem contratar os da actina, de modo que já não pode haver contração.

Diferença entre hipertrofia sarcoplasmática (estética) e sarcomérica (funcional):

Agora que eu expliquei a estrutura e o funcionamento do músculo, você vai entender muito melhor a diferença entre estes dois tipos de hipertrofia; que geram adaptações diferentes e em lugares do músculo. Por conseguinte, a sua imagem exterior, será uma ou outra. Definamos o que são o sarcoplasma e o sarcómero, porque daí vem o nome dos dois tipos de hipertrofia:

– Sarcómero: É a unidade funcional da contração muscular. Uma mesma fibra muscular tem vários sarcómeros, um atrás do outro. É onde se produz a contração muscular, quando se ligam à actina com a miosina.

– Sarcoplasma: É o citoplasma das células musculares, o que só muda o nome. Imagine um fluido onde há minerais, uma rede de túbulos, mitocôndrias, entre outros).

Características da hipertrofia sarcoplasmática (estética):

As adaptações que o seu músculo experimenta este tipo de hipertrofia são:

– Aumento do número e volume das proteínas não contráteis do músculo.

– Aumento do plasma (fluido) entre as fibras musculares.

– Em outras palavras, este tipo de hipertrofia tem adaptações boas, porque não, mas, principalmente, o que farás é hincharte de água. O músculo irá captar mais água. Você estará inchado, mas não tão duro, você estará mais descoordinado mas você transferir este trabalho a um esporte “x” ou outras atividades físicas. Em suma, este tipo de hipertrofia, como extremo, servirá para preencher as t-shirts e pouco mais, se você só se dedica a treinar da forma em que te explicarei a seguir e esquecer o treinamento de todos os sistemas de seu corpo. Como eu digo, eu coloquei um caso extremo, evidentemente, é muito saudável levar a cabo um trabalho deste tipo de hipertrofia, juntamente com um bom trabalho aeróbico ou outras atividades que envolvam todos os seus sistemas. Por outro lado, você estará mais saudável a nível articular e a nível muscular entre muitos outros. Sempre e quando realizar os exercícios corretamente.

Exemplo tipo um treinamento para este tipo de hipertrofia:

Trava a intensidades submáximas (80-85% de sua força máxima), entre 6 e 15 RM (Repetições máximas) em cada grupo muscular típico (bíceps, tríceps, ombros, peitoral, dorsal, quadríceps, isquiotibiais, adductores e gêmeos). Costuma-Se trabalhar de forma analítica, grupo por grupo. Dias diferentes para cada grupo muscular. Um mínimo de 12 séries por grupo muscular em cada sessão de treino e com intervalos entre as séries curtas, 45″ aprox. Se interessa a congestionamento, não levantar muito peso.

Características da hipertrofia sarcomérica:

Gera as adaptações seguintes:

Aumento do número e tamanho das proteínas contráteis situadas no sarcómero. Você terá a sensação de estar mais robusto quando contraes o músculo, não quando você está em repouso. Você estará absolutamente rígido ao toque se você tem um percentual de gordura baixo. Você terá a coordenação intramuscular e intermuscular. Costuma-Se levar a cabo, por exemplo, em um trabalho de força máxima (por debaixo das 6RM), com um intervalo entre as séries longo (de 3 a 5′). Costuma treinar em movimentos globais. Não estarás tão inchado em comparação com um trabalho do outro tipo de hipertrofia, mas serás forte de verdade. Tenha em conta, por isso, levantar um peso elevado exige um treinamento muito progressivo e, fora do esporte de elite, há que ter cuidado com o desgaste articular.

Exemplo de treino:

O exemplo mais claro deste tipo de hipertrofia é o treino que faz um atleta de levantamento de peso.

Conclusões: Para estudar a fisiologia (funcionamento) do corpo, se isolam conceitos, mas todos eles funciona vez, com predominância de uns ou de outros, em função dos estímulos (exercícios) que apliquemos. O que quero dizer, é que é impossível levar a cabo um trabalho puro de um tipo ou outro de hipertrofia. Por sorte, o corpo não funciona bem e gera adaptações dos dois tipos, predominando um ou outro, em função de seu treinamento. Eu, como sempre, uma chamada para compreender o corpo como um todo. O corpo é um conjunto de muitos sistemas que operam simultaneamente. Para acabar te proponho um exemplo geral e claro. Se você leu este post a partir de um tablet, em seu corpo tenha ocorrido o seguinte:

Seus músculos, ossos e tecido conjuntivo foram coordenada para manter o tablet em suas mãos, para que tenha sido capaz de manter sua postura sentado ou em outra posição e, para manter a posição da cabeça e os olhos para o texto. Seu cérebro e seus nervos têm feito o possível para que você possa processar as imagens e palavras através dos olhos. Outros órgãos te forneceu energia (por intermédio dos diferentes nutrientes que geram ATP). Talvez tenha interrompido a leitura para ir ao banheiro, pois seu sistema urinário, eliminou os resíduos produzidos pelos alimentos que lhe deram energia. E assim poderíamos continuar com uma infinidade de inúmeras coisas. O treinamento acontece o mesmo, igual que em mil domínios. Então, por favor, não deixe de pensar que o corpo sempre é um tudo, por muito que leia conceitos isolados que, à primeira vista, parecem claras e fáceis de compreender. Desculpar-me se este post foi resultado de algo mais complexo, mas tento divulgar a todos os níveis. Como você sabe o que eu faço de todas as formas que posso. Muito obrigado por seu acompanhamento e até o próximo post.

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