Feliz (e sem six-pack!) – O blog do dire

Prova científica válida apenas para os espanhóis. ATENÇÃO!: O que está errado em-se o seguinte diálogo entre dois personagens que se encontram em um canto qualquer deste nosso país? “Eu Hombreeeee! Mas quanto tempo! Que tal tudo?”. “Pois olha, perfeitamente. Eu tenho dormido muito legal, não me dói nada, o ótimo trabalho, com meu parceiro super, a minha equipa a subir… Feliz, vá”. EFECTIVAMENTE: o que falha é a nacionalidade do segundo sujeito. Como um cara TÃO demasiadamente feliz NÃO pode ser português! Deve ser um tontolaba estrangeiro, ou, se me apresse-se, um compatriota medicado até as sobrancelhas… Mas português, nem.. Em Portugal, como…

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Prova científica válida apenas para os espanhóis. ATENÇÃO!: O que está errado em-se o seguinte diálogo entre dois personagens que se encontram em um canto qualquer deste nosso país? “Eu Hombreeeee! Mas quanto tempo! Que tal tudo?”. “Pois olha, perfeitamente. Eu tenho dormido muito legal, não me dói nada, o ótimo trabalho, com meu parceiro super, a minha equipa a subir… Feliz, vá”. EFECTIVAMENTE: o que falha é a nacionalidade do segundo sujeito. Como um cara TÃO demasiadamente feliz NÃO pode ser português! Deve ser um tontolaba estrangeiro, ou, se me apresse-se, um compatriota medicado até as sobrancelhas… Mas português, nem.. Em Portugal, como sabe de sobra até um dos melhores psiquiatras do mundo, o doutor Luis Rojas Marcos, levamos incorporado no DNA desse emoticon com a boca para baixo. “Aqui, o instrumento mais comum na hora de comunicar é a queixa. Está muito mal visto dizer que você é otimista ou feliz…”, afirma Rojas Marcos, queixando-se, por sua vez, de nosso comportamento e demonstrando que ele também é português até as trancas…

No fim, queiramos ou não, vivemos em um país em que os pátios do colégio está cheio, a transbordar de discussões sobre quem foi feito a pupa é maior, e os ambulatórios de avós imersos em uma escalada do terror para decidir quem leva mais operações acima ou quem tem que devorar mais comprimidos por dia. E entre a escola e o asilo, milhares, milhões de queixas. Reclamações por um trabalho que não nos faz felizes, por noites de insônia, por ter parceiro ou por não tê-la, a programação da tv, sem classes classe política, por Movistar, por Renfe, pela Endesa e da mãe que os deu à luz a todos… Por ter, existem reclamações por não ter six-pack, não te digo mais.

“Entendo que vivem de vender culto ao corpo, mas é algo que me gera enorme rejeição. Em que ponto nos tornamos uma sociedade em que não ter um six-pack te faz infeliz?”, eu deixo à queima-roupa um chorão no outro dia pelo Twitter. E olha, não. Não costumo entrar no pano, mas por aí não. Eles não me pagam o suficiente para sentir-se responsável pela felicidade ou a infelicidade de ninguém… Depois de um bom cruzamento de mensagens –Eu: “Essa pressão se você TU. Eu não tenho six-pack e sou plenamente feliz”. O chorão: “desculpe, mas não compro a ideia. É o seu caso, mas tem gente infeliz por não tê-lo”–, afilé as espadas e zanjé o tema, oferecendo-lhe uma receita mágica: “Aponta: discrição, moderação e senso comum, em partes iguais, e uma boa dose de maturidade e de responsabilidade para deixar de reclamar e não falar, sempre a culpa de TUDO (incluindo a sua infelicidade) a um agente externo, seja revista, chefe ou a empresa de telefones”.

Em fim, que tal isto, que cada um coloque a sua infelicidade, onde e contra quem lhe apraz. Eu aprendi há muito tempo que o único responsável pela minha felicidade sou eu mesmo. E que, tenha ou não tenha six-pack, o segredo está em reclamar menos e jogar mais. Em que me encha o Insta de hashtags felizes, e a boca de dentes e de vontade de dizer que sim, que eu sou feliz dentro de uma ordem. E agora você está indo e você o chama mindfulness (se você tem nariz…).

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