Do México à Guatemala (II)

Etapas: 01/09/2014 Chegada a Mazatlán (9 Km). 02/09/2014 Descanso em Mazatlan. 03/09/2014 Descanso em Mazatlan. 04/09/2014 Descanso em Mazatlan. 05/09/2014 Descanso em Mazatlan. 06/09/2014 Mazatlán…

Etapas:

01/09/2014 Chegada a Mazatlán (9 Km).

02/09/2014 Descanso em Mazatlan.

03/09/2014 Descanso em Mazatlan.

04/09/2014 Descanso em Mazatlan.

05/09/2014 Descanso em Mazatlan.

06/09/2014 Mazatlán – O Rosário (73 Km).

07/09/2014 O Rosário –Acaponeta (91 Km).

08/09/2014 Acaponeta – Tepic (95 Km).

09/09/2014 Descanso em Tepic.

10/09/2014 Tepic – Ixtlán do Rio (80 Km).

11/09/2014 Ixtlán do Rio – Guadalajara (125 Km).

12/09/2014 Descanso em Guadalajara.

13/09/2014 Descanso em Guadalajara.

14/09/2014 Descanso em Guadalajara.

15/09/2014 Descanso em Guadalajara.

16/09/2014 Descanso em Guadalajara.

17/09/2014 Descanso em Guadalajara.

18/09/2014 Guadalajara – A Barca (110 Km).

19/09/2014 Da Barca – Penindicuaro (100 Km).

20/09/2014 Penindicuaro – Araró (104 Km).

21/09/2014 Araró – Via de Serviço (70 Km).

22/09/2014 Via de Serviço – Toluca (113 Km).

23/09/2014 Toluca – México DF (50 Km).

24/09/2014 Descanso México DF.

25/09/2014 México DF – Planície Grande (80 Km).

26/09/2014 Planície Grande – Puebla (78 Km).

27/09/2014 Descanso em Puebla.

28/09/2014 Puebla – México Central (126 Km).

29/09/2014 Tehuacán – Tepelmené (83 Km).

30/09/2014 Tepelmené – Oaxaca (124 Km).

01/10/2014 Oaxaca – Vado (75 Km).

02/10/2014 Vado – San Pedro de Juchatengo (73 Km).

03/10/2014 San Pedro de Juchatengo – Puerto Escondido (110 Km).

04/10/2014 Descanso em Puerto Escondido.

05/10/2014 Descanso em Puerto Escondido.

06/10/2014 Descanso em Puerto Escondido.

07/10/2014 Descanso em Puerto Escondido.

08/10/2014 Puerto Escondido – Zipolite (79 Km).

09/10/2014 Zipolite – Morro Ayuntla (96 Km).

10/10/2014 Morro Ayuntla – Tehuantepec (114 Km).

11/10/2014 Tehuantepec – Zanatepec (106 Km).

12/10/2014 Zanatepec – Toada (95 Km).

13/10/2014 Toada – Criollo (134 Km).

14/10/2014 Criollo – Huixtla (63 Km).

15/10/2014 Huixtla – Cidade Tecún Uman (81 Km) (Entrada na Guatemala).

O México (De Mazatlán a Guatemala)

Já estava cansado do deserto e queria sair o quanto antes da Baixa Califórnia para me livrar da ameaça do Furacão Marie. Felizmente, a companhia Baixa Ferries decidiu apoiar o meu projeto patrocinándome o bilhete, o transporte da bicicleta com a bagagem e concediéndome uma cabine com uma cama confortável e casa de banho.

Durante o trajeto, pude desfrutar do terraço, jantar com calma, dormir tranquilo e pequeno-almoço como um campeão. Além disso, convidaram-me a subir à ponte de comando para conhecer o capitão, e sentir por alguns instantes, o poder, o que significa estar no mais alto do navio. Durante a viagem, conheci três jovens franceses que viajavam desde o Canadá até o Brasil, fazendo carona, que se fazem chamar Thesharingbros.

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(Esquerda: Colorado On The Road na ponte de comando o capitão. Direita: Colorado On The Road ao lado Thesahingbros.com)

Ao meio-dia chegamos a Mazatlán onde me esperava Marchi, a filha de um follower mexicano que me ofereceu uma pequena casa que tinha na venda para que me hospedando lá o tempo que quisesse. Marchi me guiou até a casa, me deu as chaves e o seu telefone por se precisava de ajuda em algum momento, era o lugar ideal para abrir o computador e trabalhar durante vários dias. A primeira noite me escreveram Vanajeros para que eu passasse pela sua pousada para tomar umas cervejas. Não hesite e eu subi na bicicleta sem perder nem um instante. Apesar de o meu primeiro grande dia em Mazatlan, o segundo não me deixo muito boas recordações, é mais, apago todos os que tinha da viagem até o momento.

Depois de uma jornada, pondo-me no dia escrevendo sem parar, deixe o computador no chão da desamueblada quarto com a câmera, o celular e a minha segunda GoPro ligados para que se levarem toda a noite. Às 23:00 horas começou a chover enquanto eu me regodeaba na cama ouvindo o cair da chuva, desfrutando de não estar na loja de campanha, mas sob o teto.

A chuva foi constante durante toda a noite e fez com que crescesse muito um córrego próximo ao que se desbordo, inundando as ruas e a casa em que me hospedava. Às 05:00 da manhã eu acordei para ir ao banheiro e não dava crédito, a água me chegava acima dos tornozelos e meu laptop flutuava pela sala.

Tarde várias horas para digerir a grande perda enquanto achicaba a água de toda a casa. O portátil, que tinha toda a informação da viagem até o momento, com imagens e vídeos inéditos que não tinha publicado, juntamente com o meu telemóvel, câmara fotográfica e de vídeo, haviam se perdido no naufrágio.

Mantenha o seu computador portátil para tentar recuperar e salvar no disco rígido, a GoPro porque deu algum cintilação de luz, e minha querida câmera de fotos que, sem mais rodeios, digo claramente que era cojonuda, conserve porque ainda pode levar a cabo a última grande missão. Sempre a levar em alforges em um espaço de acesso rápido me escoltando em todo momento, para se chegado o caso de sofrer um violento assalto, entregar o texto traduzido para saciar o terceiro e salvar a situação. Este objeto inerte que um dia fez umas fotos cojonudas por meio mundo, a partir de hoje, passou a chamar-se, “A câmera do Titanic”.

Durante a viagem há que aguentar momentos difíceis, mas isso não significa que seja uma desculpa para deixar de olhar para a frente. Durante vários dias, eu estava trabalhando em um café próximo ao que eu tinha tudo preparado para se pôr em marcha e chegar a Guadalajara.

Começar a pedalar foi fantástico, tinha deixado para trás o deserto e à medida que saía de Mazatlán só via frondosa vegetação, tudo era verde e tinha árvores, você Árvores! Levava semanas sem ver uma árvore na beira da estrada com o que esconder do sol alguns segundos, e beber água ao abrigo da sua sombra.

Pouco a pouco fui adentrando na estreita estrada livre, tão estreita que não havia veículo que me adelantara sem cortar o cabelo. Por isso, na manhã seguinte, fui convencido de que a estrada de cota, mais ampla e com bermas, pensando que teria que montar uma cena para que me deixassem passar, mas em vez disso me levantaram da barreira, me deixaram passar sem pagar nem um peso e me desejaram bom dia… isso é ter autêntico bom rolo com os turistas.

A um dia chegar a Guadalajara fiz uma parada em Niterói, onde me receberam de Paulo e Pedro, dois motociclistas inscritos em Warmshower para apoiar a qualquer viajante. No dia seguinte apareceram André e Danilo, a dupla brasileira que conheci em San Ignacio (Baixa Califórnia), parece que eles tomaram o Ferry para um par de dias depois do que eu. O Furacão Marie finalmente se para dentro do oceano e perdeu força, mas outro de mesma categoria que é confirmado dias depois, o Furacão Odile, agitando o mar e propinándoles aos meus colegas brasileiros o pior viagem de barco de suas vidas. Dias mais tarde, o furacão fez sua Baixa Califórnia Sul e a devasto.

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(Colorado On The Road ao lado Gabriela, André e Karla)

Finalmente respirar tranquilo quando chegar a Guadalajara, era o momento de fazer uma longa, produtiva e confortável parada na casa do ciclista. Há anos que hospedam a cicloviajeros de todo o mundo, oferecendo um lugar onde dormir, cozinha, banheiro e todas as ferramentas que podemos imaginar. André e Danilo, não demorou muito para chegar, e durante vários dias formamos uma grande família, juntamente com os mecânicos da oficina.

A campanha de crowdfunding que monte em Los Angeles estava no auge, e dezenas de followers contribuíam com suas doações diariamente. Graças a isso, pude comprar uma nova câmera de fotos para continuar documentando a viagem, e uma follower mexicana me enviou um portátil em perfeitas condições para assim poder continuar trabalhando em cada uma de minhas publicações.

O mais importante foi poder substituir as esmagadas tampas das duas rodas por algumas totalmente novas. Em um humilde gesto de agradecimento escrevi os nomes de todas as pessoas que fizeram uma doação em as tampas novas, e documente em um emotivo vídeo.

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(Esquerda: Casa do ciclista. Direita: Recebendo as tampas novas)

Nos dias que se passe em Guadalajara, tive a oportunidade de me encontrar com uma velha amiga mexicana, a qual, para quase 6 anos que não via, Karen. Aproveite a vida noturna da cidade e viva a festa do Grito de Dolores, que se comemora a independência do México, e tive a oportunidade de conhecer Salvador e Lorenzo Vermelho, dois viajantes espanhóis com anos de trajetória por todo o mundo.

Mas para alcançar o México DF e maravilhoso com meu grande amigo Gerardo Arche tinha que atravessar a região de Michoacán. Durante anos, os cartéis da droga têm mantido uma sangrenta guerra com o méxico, e a minha única possibilidade para atravessar Michoacán era fazê-lo por militarizada estrada de cota.

A Cada 30 minutos, um comboio de militares me adiantava na estrada 15D e em cada controle de pagamento havia um forte retentor da polícia federal. Cada noite, pedia permissão para os federais para acampar nas imediações dos controles, os lugares que eles estabelecido mais seguros para o meu. Finalmente cheguei à capital, o qual marco de uma nova marca em minha viagem ao superar o Porto das Cruzes, com 3035 metros.

Meu amigo Gerardo Arche, a quem não via há anos estava me esperando para me receber. Durante 3 noites eu apreciei acomodações de 5 estrelas que a família Arche me deu e antes de partir Raúl Arche, pai de Camila, me brinde com umas botas novas, um quilo de barras de energia e um antiestaminico para picadas de alacranes. Você nunca sabe o que vai encontrar no caminho, então é melhor ir preparado.

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(Esquerda: Gerardo Arche, Colorado On The Road e Sergio Arche. Direita: Calçando botas novas)

Na hora de atravessar a capital sofri durante horas um trânsito horrível, em muitos momentos, pensei que não sairia do vale até o pôr-do-sol, mas, finalmente, cubra Liso Grande e dormi ao fresco a mais de 3000 m de altura. Com a calma da manhã, desça a montanha e chegar ao meio-dia a Puebla, onde me esperava uma amiga da família, Fernanda. Em momentos como o que estou tendo agora, escrevendo essas palavras, deu-me conta de quão impressionante, que é que tantas pessoas me terão as portas de sua casa e me tratem como um convidado de honra. Durante esses dias em Puebla prove a tortilha de batata e presunto serrano, experimentei o inhame, o mole poblano e doces típicos mexicanos, visite catedrais, capelas e conheci o que é na minha opinião uma das cidades mais bonitas do México.

Depois de tantas comodidades o corpo me pedia uma boa batalha. Para chegar às praias de Puerto Escondido escolhi encarar as montanhas de cheio. Em três duras etapas alcance Oaxaca, isso foi a parte mais fácil, daí em diante, tinha 240 quilômetros de um labirinto de curvas, atravessando a montanha, estava na frente do desafio de cruzar a estrada 131 no aniversário de minha saída da Porta do Sol. Tinha atingido os 365 dias de viagem e tinha que comemorar, escalando uma montanha.

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(Colorado, On The Road, iniciando-se a caminho pela estrada 131)

Durante três etapas pedalei pela estrada estreita, sem bermas, sem barreiras protetoras em muitos trechos, beirando precipícios sob a chuva, atravessando áreas de deslizamentos de terra, atingindo picos de até 2.000 metros, dormindo cada dia em as margens da floresta e compartilhando o meu acampamento com tarântulas.

Na ultima jornada pedalei 110 quilômetros passando as últimas horas tem que descer a montanha no meio da noite. A escuridão era total e só se atrapalhava com os poucos veículos que transitavam, a floresta praticamente devorava o asfalto, deixando paredes de vegetação em ambos os lados. Pouco a pouco comecei a apreciar flashes fluorescentes provenientes das margens da estrada, o número de brilho foi aumentando lenta, mas constantemente, até chegar um ponto que decidi encerrar minha lanterna, e deixar-me guiar por vaga-lumes que me mostravam o caminho para o mar.

Quanto mais sofrido é o caminho, maior é a recompensa, chegar a partir de Puebla até Puerto Escondido foi um desafio exigente. A recompensa para tal sofrido caminho foi chegar à casa de Carlos, follower e crowdfunder. Ribeiro, diretor do Hotel Escondido e um surfista nato, me ensinou a sensação de chegar à praia pela manhã, antes que saia o primeiro raio de sol, e mergulhar na água em busca de ondas. Cada tarde lhe acompanhava o hotel que regentaba onde, com toda a calma do mundo passava o dia a trabalhar com o computador, e a relaxar na piscina.

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(Colorado, On The Road, o Hotel Escondido)

Quanto mais eu fico em um lugar mais me custa me afastar. Me despedir de Leandro e de Puerto Escondido não foi nada fácil, mas tenho de reconhecer que esses primeiros minutos pedalando com todo o equipamento, no lombo do potro, com a incerteza de que me deparara o caminho, é uma sensação viciante.

Cada vez estava mais perto da fronteira com a Guatemala, e durante uma luta com o vento atravessando um parque de moinhos eólicos, conheci o Professor Roro. Me deu seu número de telefone para que ao final do dia dormiria em sua casa de família de Zanatepec. Na manhã seguinte, antes de partir, deu-me o contacto do seu amigo Noé para que me hospedando na minha próxima parada, Criollo.

Há certas correspondência da viagem que me faz pensar que o mundo é muito pequeno, e uma delas estava prestes a ocorrer. Quando chegar a casa de Noé, eu não era o único convidado, outro cicloturista português tinha chegado um dia antes, tratava-se de João Sisto (http://www.fisterrabicicleta.com/). Usava mantendo o contato para meses com este companheiro, mas há semanas não tínhamos falado. Sempre dizíamos que tínhamos que ficar no caminho, compartilhar experiências e, justamente, o caminho foi o que nos uniu em uma tremenda coincidência. Compartilhamos histórias durante horas e seguimos pela manhã até que a viagem nos chamaram a continuar, o seu para o Norte e para o meu, para o Sul.

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(Colorado On The Road ao lado de Juan Sisto)

Pedalando caminho para a fronteira com a Guatemala, em plena época de chuvas, faça uma avaliação de todas as experiências que tinha vivido no México, como todas as pessoas que eu atravesse o caminho se preocupou por me fazer sentir seguro, me fazer sentir confortável, me fazer sentir bem-vindo.

As tempestades se estavam acontecendo cada vez com mais força e frequência, a visibilidade na estrada era praticamente nula. Houve um dia em que pedalei sob a chuva durante 4 horas, caía água tanto que me era difícil diferenciar as luzes dos carros, por isso tinha certeza de que nenhum veículo se percataría de mim me antecedência. Quando chegar ao povo de Huixtla fui direto para pedir ajuda na estação de bombeiros, a idéia de acampar era inviável. Não me colocaram nenhuma cola e me deixaram um lugar seguro para acomodar a bicicleta. Aos 10 minutos de minha chegada, receberam uma chamada de emergência, várias casas estão a ponto de inundar-se. Enquanto se preparavam e organizavam o computador lance uma pergunta no ar, Posso ajudar? Se olharam por alguns segundos e, enquanto ele pensava, fale novamente dizendo: “eu Quero ajudar”.

Em poucos segundos estava com um macacão de brigada comunitária, subido na van e de caminho para auxiliar a casas em perigo. Quando chegamos à zona afectada a rua estava totalmente alagada, a água me chegava pelos joelhos e os drenos estavam totalmente desabaram. Abriram a carrinha, começaram a distribuir os picaretas e pás para abrir um sulco e liberar a água para uma área despovoada. Durante um par de horas, trabalhamos lado a lado, até que a água começou a fluir, permitindo respirar tranquilos para todos os vizinhos.

Ao longo da jornada vimos um par de chamadas mais e de volta para a estação de bombeiros, todos bromeaban comigo. Dormimos juntos em um quarto colocados com colchões no chão, e ficaram alerta a noite toda, por se produzia uma nova chamada. Na manhã seguinte me despedi de todos e de cada um deles, estavam muito felizes de ter me conhecido, e eu de tê-los ajudado. Antes de partir me reconheceram que eu fui o primeiro viajante que passava por ali, que decidiu apoiá-los em seu trabalho.

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(Colorado On The Road ao lado dos bombeiros de Huixtla)

Quando cruzei Tijuana eu me senti como um frango perdido, e dois meses depois eu estava a 80 quilômetros da Guatemala a ponto de me despedir do México, como um bombeiro voluntário.

Chegar à Cidade de Hidalgo e me despedi de minha aventura pela América do norte, para atravessar o rio Cabuz e dar boas-vindas a uma nova etapa, com a américa Central. Desde que inicie o desafio de atravessar o continente americano tive bons e maus momentos, e de ambos soube aproveitar, já que considero que:

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“Se não existissem momentos difíceis na vida, não saberíamos valorizar os felizes”

Video Baixa Ferries:

Crowdfunders Guadalajara:

Video Estrada 131:

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