Do Equador ao Peru – Colorado on the road

Etapas: 11/01/2015 Ipiales – Ambuqui (Entrada no Equador) (94 Km). 12/01/2015 Ambuqui – Otovalo (70 Km). 13/01/2015 Otovalo – Quito (85 Km). 14/01/2015 Quito –…

Etapas:

11/01/2015 Ipiales – Ambuqui (Entrada no Equador) (94 Km).

12/01/2015 Ambuqui – Otovalo (70 Km).

13/01/2015 Otovalo – Quito (85 Km).

14/01/2015 Quito – Hotéis (58 Km).

15/01/2015 Descanso em Hotéis.

16/01/2015 Descanso em Hotéis.

17/01/2015 Descanso em Hotéis.

18/01/2015 Descanso em Hotéis.

19/01/2015 Descanso em Hotéis.

20/01/2015 Descanso em Hotéis.

21/01/2015 Hotéis – Alluriquín (134 Km).

22/01/2015 Alluriquín – Crespa (92 Km).

23/01/2015 A Crespa – Tosagua (95 Km).

24/01/2015 Tosagua – San Lorenzo (104 Km).

25/01/2015 San Lorenzo – Ayampe (89 Km).

26/01/2015 Descanso em Ayampe.

27/01/2015 Descanso em Ayampe.

28/01/2015 Descanso em Ayampe (38 Km).

29/01/2015 Ayampe – estrada da Costa (86 Km).

30/01/2015 estrada da Costa – Tronco da Costa (162 Km).

31/01/2015 Tronco da Costa – Grama Boa (59 Km).

01/02/2015 Grama Boa – Bacia (84 Km).

02/02/2015 Descanso na Bacia.

03/02/2015 Descanso na Bacia.

04/02/2015 Bacia – Passagem (142 Km).

05/02/2015 Passagem – Tumbes (Peru) (104 Km).

Equador

Pela primeira vez, a passar uma fronteira acompanhado. Luis Chamorro que eu estava hospedando meus últimos dias na Colômbia, pedalearía ao meu lado, até chegar ao povo equatoriano de Ambuqui, onde dormiríamos em sua casa de férias.

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(Entrada em Equador)

À medida que nós avançamos por meu país, número 28, desde que iniciei esta grande aventura, as montanhas e as eternas brincos faziam-me pensar que não havia cruzado essa linha imaginária, mas não demorou muito tempo para mudar o cenário, deixar para trás as verdejantes colinas substituídas por um terreno mais árido e quase sem vegetação.

Constantemente Luis me deixa para trás, meu marcha não era tão rápida como a sua, mas terminamos a jornada com uma tremenda descida que nos levaria ao nosso destino.

Na minha primeira impressão do Equador, a descida de segurança nas estradas fez com que me cheio de energia pedalando em um país mais tranquilo, sem constantes controlos policiais ou retentores militares.

Ao amanhecer chegou a mulher de Luis com seu filho e um amigo. Enquanto eles desfrutavam da piscina nós pedaleamos até Ibarra, onde ficamos para almoçar na Lagoa Yahuarcocha, e me deram a provar os famosos sorvetes caseiros de Paila. A despedida não foi confortável, sempre estreito laços muito rápido com as pessoas que me recebem em sua casa, e sem dúvida alguma lançarei de menos, Luis e sua família. Pedalando com a luz do pôr-do-sol cheguei até Otovalo para fazer noite e me preparar para minha chegada a Quito.

As estradas equatorianas estão em constante expansão, criando umas estradas que, sem dúvida, fortalecer a economia do país. O presidente da república, incita a todos os cidadãos com cartazes de publicidade para ajudar o brasil se tornar uma potência turística, e a resposta de seus cidadãos acompanha a iniciativa de receber os estrangeiros, com os braços abertos.

Pedalar até a capital foi uma tortura pelas eternas pendentes, especialmente a última, antes de chegar à cidade. Mas eis onde esta a beleza da bicicleta, para manter o caminho duro em uma simbiose entre o músculo e o metal, para, finalmente, atingir a meta.

Com o objetivo de visitar o Monumento da Metade do Mundo localizado ao norte de Quito, passei a noite em um albergue de Carcelén. Não ficava longe assim que cheguei em muito boa hora, mas o primeiro com o que me amortecedor foram cerca de tornos. Devia pagar 3 dólares e não conseguia acessar com a minha bicicleta. Bucéfalo e eu somos um, assim, a idéia de participar de ele não me agradou nem um só segundo. Tente falar com algum gerente para ver se poderia entrar mesmo que sejam apenas 5 minutos para tirar a fotografia com o meu pônei, mas não houve jeito. Desde os tornos faça várias fotos e tire a minha câmera de vídeo para grabarme e apresentar um artigo que estava se preparando para os leitores de uma revista espanhola de ciclismo. Minhas primeiras palavras foram: “eu Estou no Meio do Mundo, no Equador, eu gostaria de mostrároslo mais de perto, mas infelizmente não me deixam entrar com a bicicleta e o meu pônei e eu somos um…”. Quanto fui gravar a segunda toma-se aproximo de mim, uma encarregada da segurança do Monumento, abriu-me os tornos e me disse: “Vem, e deixo gravar mais de perto”. Aparentemente, a solução me deu a minha câmera de vídeo e, além disso, não pague nem um centavo. Feito o trabalho pedalei até Hotéis, localizado no Leste da cidade para chegar à Casa de Ciclismo de Santiago, uma das mais visitadas em todo o Brasil.

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(Colorado On The Road no Monumento da Metade do Mundo)

Santiago leva mais de 20 anos para receber a cicloviajeros em sua casa, e firme em seu quarto livro de visitas sendo eu o número 463, e o terceiro viajante que chegava em 2015. Santiago oferece um lugar tranquilo e seguro para dormir com a tenda, a oportunidade de aprender mecânica em sua oficina de bicicletas e de compartilhar experiências com outros viajantes. Durante vários dias, eu compartilhei momentos com um Colombiano, um Francês e um Argentino. Foram uns dias muito tranquilos em que o dever me chamava. Tinha muito que trabalhar com o computador para atualizar todo o material documental da viagem e preparar o artigo para a revista espanhola.

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(Colorado On The Road ao lado Santiago)

Muitas horas acoplado ao notebook me deixavam a cara régua, mas passava bons momentos com os meus companheiros, que me deram ânimo e me arrancavam sempre um sorriso. A má notícia foi que tanto o vídeo que grava o Monumento da Metade do Mundo, como o artigo e as foto que enviei junto a vários de meus documentários, não interessava a revista por que decidiram não comprar todas essas horas de trabalho, uma porta mais fechado no nariz.

Apesar de estar junto a uma grande empresa, o clima de montanha não é o meu. Reanudé a marcha direto para a costa pedalando montanha para baixo através da névoa, a chuva e o frio junto ao bosque úmido seguindo o leito do rio. A primeira noite acampé sobre o barro, e sob a chuva ao lado de um guarda da polícia, cozinhando o jantar de uma forma que nunca havia usado. Diante da dificuldade de encontrar equipamentos para a minha camping gás, segui o manual de uma página de internet para fabricar um fogão com uma lata de Coca-Cola utilizando álcool como combustível. A invenção deu resultado, a água leva mais tempo para ferver, mas o resultado são espaguete para o jantar.

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(Descendo os Andes caminho da costa)

Durante as duas etapas seguintes, me deparei com muitas colinas de pequena altura que não me deixaram margem para avançar com velocidade. A chuva cada dia era menos abundante e o calor da costa cada vez chegava com mais força.

O final de minha terceira etapa de Quito instalei o acampamento no gramado próximo a um posto de gasolina, cené o pouco que tinha e fui logo dormir. Aos 20 minutos de estar dentro do envelope alguém veio a minha “porta”, abri o zíper e saboreie a cabeça, vi um homem parado em frente a minha, com um prato de comida e um copo de suco. Pensava que eu ia dormir com o estômago quase vazio, mas em vez disso, descansaría com uma refeição completa. Pela manhã, o generoso vizinho chamado Javier, eu convido a tomar o pequeno-almoço em sua casa e conhecer sua família.

Passei um par de horas com sua mulher, sua sogra e suas três filhas, desfrutando de um buffet de pequeno-almoço, eram uma família humilde. Enquanto me alimentava, me disseram algo que andei ouvindo por meio mundo: “Nós passamos por momentos difíceis, e nós sabemos o que é passar mal. Agora que nos vão melhor as coisas sempre tentamos ajudar com o que temos, mesmo que não seja muito”.

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(Colorado On The Road com a família do (a)

Minha infância foi muito boa, nunca me faltou nada e sempre quis ter a oportunidade de trabalhar e estudar, tive-o. Nesta viagem estou a enfrentar os momentos mais difíceis da minha vida e eu compreendo perfeitamente a posição desta família, o que me fez valorizar muito mais o seu grande gesto.

Deixe para trás a linda família de Xavier e pedalei os últimos quilómetros até Cobertor, alcançando assim a costa equatoriana, o calor, o bom tempo e cumprindo os 33.000 quilômetros. Apuré o dia ao San Lorenzo, onde acampé na praia junto a brisa do mar e o som das ondas.

A etapa seguinte percorreu a costa, sentido Sul, até chegar ao povo de Ayampe, onde tinha ficado com me encontrar com um amigo aventureiro. Cheguei aos alojamentos da primeira linha de praia, antes que o sol se põe. Sem telefone para chamar simplesmente fiquei de pé, rodeado de surfistas esperando toparme com o meu colega, e em poucos minutos escute o meu nome ao longe. Saindo do mar, com uma prancha de surf em uma mão e levantando a outra acenando para mim, enquanto eu caminhava em direção a minha com um sorriso no rosto, estava Parker.

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(Colorado On The Road ao lado Parker)

Meus amigos de Vanajeros tinham tido um problema com o seu veículo ao entrar no Equador, o motor de seu fiel veículo havia gripagem. Joel já estava de volta nos Estados Unidos, Aidan e Madison haviam ficado na Bacia, seguindo os seus planos iniciais de se instalar na cidade e trabalhar durante alguns meses, e Parker contínuo de mochila de algumas semanas a mais percorrendo o Equador antes de voltar para casa. Corresponder-se no caminho com ele, foi a melhor notícia que eu tive em semanas.

Durante vários dias, eu estava curtindo a paz e a calma de uma costa dedicada ao esporte. A Cada dia o pôr-do-sol era simplesmente perfeita, e todas as noites bebendo cerveja às margens do mar com outros viajantes. Uma noite, iluminado pela luz da lua me dei um banho nas agitadas águas, e o mar guiou o meu caminho envolviéndome com o plâncton. Foi um breve descanso que valeu mil vezes mais a pena do que ter pedaleado 20 quilômetros mais ao Montañita, a cidade da folia absurda da costa equatoriana.

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(Pôr-do-sol em Ayampe)

O percurso continua e cada vez é mais complicado de não olhar para trás, mas justamente tudo o que vou deixando o caminho é o que mais me dá forças para seguir em frente, cada vez são mais as pessoas que apoiam o meu projecto, e que querem ver-me, completando-o com sucesso.

Com um forte abraço, me despedi de Parker e de todas as novas amizades que fiz em minha estadia em Ayampe. Eu coloquei um ponto e, além disso, com Vanajeros, já que o meu próximo destino seria Bacia. Aidan e Madison já estavam pendentes de minha chegada, agora só me restava a minha cumprir e subir a montanha para chegar a uma das cidades mais bonitas da américa Latina.

Com apenas dois dias cheguei a dormir no sopé da montanha, a poucos metros sobre o nível do mar. Meu objetivo era escalar o Parque Nacional Caixas para coroar, em dois dias, seu topo pedalando até os 4166 metros.

A pouco que se insere na montanha, o clima muda radicalmente, adeus ao calor e adeus ao sol. Em poucas horas já estava envolto pela névoa, pedalando sob a chuva, e o frio pouco a pouco tempo era cada vez mais intenso. A vegetação abundante, que não deixava que fugisse nem um pingo de umidade do ambiente e os rios corriam para baixo do morro.

Depois de 60 km só de subida consegui chegar no meio da escuridão a pequena cidade de Erva Boa, onde um restaurante ainda estava aberto. Converse com dois equatorianos de Bacia hidrográfica, Patrício e Francisco, que me deu seu telefone para qualquer necessidade que tivesse em sua cidade, e falaram com o responsável do local para que me oferecerão um lugar onde dormir naquela noite, protegido do frio e da chuva. Exausto e quase sem forças, arrumei todo o meu material em um quarto que me deram para que descansou. Entrei no saco de dormir com roupa seca e algo quente no estômago, fechei os olhos e dormi profundamente até o amanhecer.

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(Colorado, On The Road, subindo o Parque Nacional Caixas)

Bem cedo eu continuei com a minha luta por superar os Andes equatorianos. Novamente envolto pela névoa continuei subindo lentamente. A jornada foi longa e dura, e apesar de ter a beleza andina de vitrine, minha mente estava a preocupação de conquistar o topo com a escuridão da noite, por isso que, à medida que passavam as horas acelerava minha marcha.

Finalmente, os últimos 10 minutos de luz do dia eu fiz com o passo de Caixas. Escalara 4166 metros em apenas dois dias, começando desde o nível do mar, conseguindo o meu objetivo no aniversário de minha saída de Madrid. Estava comemorando meus 16 meses de viagem batendo meu recorde de altura. Apesar da euforia do momento, não restava muito tempo para despistes. Me despir-se sob o olhar atento dos motoristas que trafegavam na estrada, tire a roupa seca dos meus alforjes e me preparei para descer a montanha. Me faça um gesto a grande velocidade em silêncio até que o barulho da cidade, me envolveu de novo.

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(Colorado On The Road”, no topo do Parque Nacional Caixas)

Não há dinheiro para pagar a pensão, já não. Tentei me hospedaran na estação de bombeiros, mas ninguém respondeu à porta. Passada a meia-noite eu fui para a estação de ônibus, sentei-me em um banco, já que a segurança da estação não deixava ninguém ficar, até o pônei a minha perna e eu dormi por algumas horas.

Pela manhã, chamar Francisco, o equatoriano, que conheci na Grama Boa e eu convido você para dormir em sua casa, mas devia esperar até a tarde para deixar de trabalhar. Aidan e Madison começaram a sua estadia na Bacia alugando um apartamento próprio, mas as dificuldades económicas que sempre atravessamos os viajantes lhes levou a se mudar para a casa de uns senhores Ingleses, que lhes acolheram sem custo algum, mas sem a possibilidade de receber qualquer outro viajante.

A boa notícia é que na estação não era de todo mal, tinha boa temperatura, tomada para ligar o computador e um bom sinal de wi-fi, assim que me pus mãos à obra e aproveitei o dia atualizando o meu site. Francisco me chamou quando saiu do trabalho e fui para casa, jantamos, como alguns legionários e falamos um par de horas, até que chegou o momento de dormir e envolvi-me nos lençóis sobre uma cama macia, agradecidísimo de não voltar a passar a noite na estação de ônibus.

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(Trabalhando na estação de ônibus de Bacia)

No dia seguinte, Francisco voltou a trabalhar e eu voltei com meus afazeres. Primeiro fui de novo para a estação para rever o meu e-mail, aí eu conheci um senhor que usava um albergue e depois de conversarmos um pouco ofereceu-se para ir a sua casa para lavar a roupa e me convidar para comer. À tarde me aproximar do escritório de Francisco, onde ofereceram-me colocar algumas adesivos de sua empresa na minha bicicleta, a mudança de me dar uma pequena ajuda para a alimentação de alguns dias você seja bem-vinda!! Leilão a jornada indo visitar minha colegas de Vanajeros. Durante um par de horas, foi como se não tivesse passado o tempo, sempre que você vê um rosto conhecido na viagem é um momento único, e me encanto verificar como cada vez vão as coisas melhor.

Terminei o dia subindo com Francisco e Patrick para o alto de um mirante para observar a cidade iluminada, enquanto quando uns goles de Canelazo, uma calorosa bebida com álcool típica do Equador.

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(Colorado On The Road ao lado de Francisco)

Tinha visitado uma cidade considerada um dos melhores destinos para se viver do mundo, e praticamente não fiz turismo por não dizer nada, o que não me fez sentir mal, já que é a vida do viajante. Cada parada é fundamental para realizar todos os recados necessários e afinações para continuar com a viagem. Minha turismo é o que a natureza me oferece e o que a estrada me concede.

Em Cuenca me despedi de novas e antigas amizades, e para pôr fim a minha travessia pelo Equador avanço 142 quilômetros descendo a montanha, embora os Andes novamente me quiseram presentear meus últimos trechos antes de chegar a Machala. Desci por uma estrada que descia a 300 metros e em seguida subia a 150 mais. Mas, ao anoitecer, eu consegui dormir perto da fronteira com o Peru.

Sempre costumo fazer uma avaliação de minhas experiências no final de cada jornal, mas agora eu me pergunto classificação que fariam de mim todas as pessoas que me vão conhecendo pelo caminho. Equador tem sido um país generoso, cordial e gentil, e estou quase certo de que a impressão que eu deixei a minha passagem é quase inapreciável, mas:

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“O que sempre se lembra de quando em movimento, são as pessoas que você conhece o caminho, e a impressão que deixam em ti”.

Documentário de Quito até a costa:

Documentário do Parque Nacional Caixas:

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