Do Chile a Argentina – Colorado on the road

Etapas 18/04/2015 Ollagüe – Ascotan Velho (70 Km). 19/04/2015 Ascotan Velho – Calama (137 Km). 20/04/2015 Descanso em Calama. 21/04/2015 Calama – Alto Carmen (84…

Etapas

18/04/2015 Ollagüe – Ascotan Velho (70 Km).

19/04/2015 Ascotan Velho – Calama (137 Km).

20/04/2015 Descanso em Calama.

21/04/2015 Calama – Alto Carmen (84 Km).

22/04/2015 Alto Carmen – Antofagasta (117 Km).

23/04/2015 Descanso em Antofagasta.

24/04/2015 Descanso em Antofagasta.

25/04/2015 Descanso em Antofagasta.

26/04/2015 Antofagasta – Deserto do Atacama (113 Km).

27/04/2015 Deserto de Atacama – Taltal (132 Km).

28/04/2015 Taltal – Deserto do Atacama (85 Km).

29/04/2015 Deserto de Atacama – Chañaral (64 Km).

30/04/2015 Chañaral – Caldeira (99 Km).

01/05/2015 Caldeira – Copiapó (100 Km).

02/05/2015 Copiapó – Vallenar (126 Km).

03/05/2015 Vallenar – Domeyko (52 Km).

04/05/2015 Domeyco – Inchawasi (43 Km).

05/05/2015 Inchawasi – La Serena (109 Km).

06/05/2015 La Serena – Socos (101 Km).

07/05/2015 Socos – Huentelauquén (114 Km).

08/05/2015 Huentelauquén – Pichidangui (74 Km).

09/05/2015 Pichidangui – Catapilco (67 Km).

10/05/2015 Catapilco – O Moinho (48 Km).

11/05/2015 O Moinho – Santiago (Chile) (29 Km).

12-26/05/2015 Descanso em Santiago.

27/05/2015 Santiago – Rancagua (109 Km).

28/05/2015 Rancagua – Petrópolis (103 Km).

29/05/2015 Curicó – Linares (113 Km).

30/05/2015 Linares – Chillán (104 Km).

31/05/2015 Chillán – Monte Águia (73 Km).

01/06/2015 Monte Águia – Los Angeles (64 Km).

02/06/2015 Dos Anjos – Custa Da Esperança (42 Km).

03/06/2015 Custa Da Esperança – Lautaro (92 Km).

04/06/2015 Lautaro – Loncoche (110 Km).

05/06/2015 Loncoche – Os Lagos (89 Km).

06/06/2015 Dos Lagos – Da União (60 Km).

07/06/2015 Da União – Água Boa (60 Km).

08/06/2015 Água Boa – Entre Lagos (35 Km).

09/06/2015 Entre Lagos – Passo de Samoré (62 Km).

10/06/2015 Passo de Samoré – Villa Angostura (Entrada na Argentina) (45 Km).

Chile

Consegui chegar ao ponto de passagem da fronteira de Ollagüe com a fraca luz do por do sol, e entrei no Chile com o frio e a escuridão da noite. Eu andei pelas desertas ruas da cidade procurando alterar o pouco dinheiro boliviano que me restava e um pouco de comida que comprar. Encontro uma loja, com o câmbio de moeda e os preços elevados chilenos em comparação com os bolivianos, me dá para umas bolachas e um litro de leite.

Um

(Entrada no Chile pelo Passo de Ollagüe)

O dono da loja me oferece acampar em um galpão de sua casa, mais protegido do vento, o frio e as geadas noturnas das montanhas andinas. Recebi o convite como um raio de esperança. A 3660 metros de altitude, as noites de inverno conseguem dormir feito uma bola dentro da minha loja.

Pela manhã caliento meus entorpecido músculos e me coloco em prática. Procuro um caixa inexistente, que esperava encontrar, e sem caixa não há dinheiro, sem dinheiro não há comida. Por diante 200 quilômetros inhabitados através das montanhas até chegar a caldas novas, onde resolveria este problema. Eu recomendo que me deixe rebocar por um caminhão, mas não conseguem convencer-me, sou assim de cabezón.

Começo a pedalar com o estômago chegar de esperanças e ilusões, coloquei um cartaz atrás da bicicleta, e o que escrevo: Sem Comida. Avanço de 50 km e encontro uma empresa de mineração onde a cantina tem muito movimento, é a hora da comida e me aproximo para ver se consigo algo. Quando eu fico na porta da cozinha, esta se abre antes que chegue a tocá-la saindo um mineiro tocar o estômago totalmente cheio de comida deliciosa. O cumprimento, me apresento e vou diretamente ao ponto: “o que Vos sobra alguma coisa de comer?” Chamam o cozinheiro e só consegui dizer: “Colega, eu tenho mais fome do que o cão de um cego.” Todos riem, dois deles me tiram do ombro… “Entra amigo, aqui temos comida de sobra para todos”. Acabei comendo dois pratos de arroz, salada, sopa, peixe, carne, um litro de suco e bananas para o caminho, quase me como até a toalha de mesa!!!

Despeço-Me com um terno e grato abraço para continuar pedalando. O vento começa a soprar com muita força, o frio que arrasta me congela a cara e as mãos, à medida que impacta o meu corpo, avanço lento e as horas de luz são curtas. A cada minuto, a idéia de dormir em um abrigo, e de conseguir jantar desaparece, mas os últimos esforços da jornada levam-me a encontrar outra mineira. Muitos diriam que foi um golpe de sorte, e eu concordo. A sorte é de todos, mas a boa sorte é só do que segue em frente, do que a procura e que luta para encontrá-la.

Me aproxime da cantina onde me deram de jantar, acampé ao abrigo do vento entre os muros de uma igreja fechada e eu dormi com o estômago cheio de comida quentinha.

Com o amanhecer, ponho-me em pé e equipe a Bucéfalo, o mais cedo possível, o vento tem a sua hora e eu tenho que usá-lo a meu favor. Desde o amanhecer até às 12:00 do meio-dia, sopra em direção Oeste, para onde vai o meu caminho, mas passada essa faixa de horário muda drasticamente de sentido para soprar em direção a Este.

Dois

(Colorado On The Road caminho para Calama)

Quando estou a apenas 50 km de Calama as energias voltam a fallarme. Desde A Paz não parei de seguir em frente e atravessar o Salar de Uyuni foi uma dura prova. Eu paro para descansar, mas simplesmente sentir o vento me desanima, é como pedalar contra um muro. Desfrute o último banana que me resta da cantina, e uma carrinha pára, me cumprimenta enquanto puxa um saco pela janela. Eu aproximo-Me correndo, converso com eles, enquanto eu abro a bolsa e a vejo cheia de comida. É que me adiantaram duas horas atrás, leram o cartaz de “Sem Comida” da bicicleta, e quando voltavam da cidade esperavam-me para regalarme da bolsa.

O litro do suco, biscoitos e maçãs alimentaram o meu corpo, mas esse ato solidário foi o que me cheio de ânimo. Consegui chegar a caldas novas, tire parte do dinheiro que me restava e procurar um hostel. Durante dois dias comi, dormi, voltava a comer e voltava a dormir, estava esgotado.

Antes de retomar a marcha tinha que cuidar de Bucéfalo, o pobre também precisava de cuidados. Comecei limpiándolo cuidadosamente para tirar todo o sal e o barro que tinha acumulado. Mas fazendo a manutenção encontrei uma fissura no aro da roda traseira. Não tinha muito boa pinta.

A roda que eu comprei em Washington para já 22.000 quilômetros. As pistas de terra e rochas atravessando Os Andes Centrais, a tinham levado para o seu fim. A solução mais lógica teria sido comprar uma nova, mas só em Santiago do Chile encontraria a reposição necessária. Enquanto continuava examinando a fissura só consegui susurrarla: “Aguenta guerreira, destaca-1600 quilômetros mais”.

Volto para a estrada um pouco mais descansado, eu preciso ver o mar e mudar de paisagem por alguns dias. O trajeto até a cidade costeira de Antofagasta foi bastante tenso em muitos trechos, a estrada era muito estreita e não havia espaço para o ciclista. Os caminhões que transportavam ácido sulfúrico para a indústria de mineração, em vários de seus numerosos ultrapassagens estiveram a ponto de me levar por diante. Não paravam, não se desviaram nem um milímetro, simplesmente lhes dava igual.

Finalmente consigo chegar a Antofagasta e me instalo de uma localização tranquila num parque de campismo na zona Sul da cidade, onde me preparo para passar uns dias dormindo com o som das ondas, relajándome com a brisa marinha e trabalhando com o computador.

Três

(Chegada a Antofagasta)

Vejo um sinal em repetidas ocasiões e que desperta a minha preocupação: “Perigo de Tsunami”. Com o acampamento já em ordem, eu aproximo-me a uma loja para comprar o jantar, perguntou ao gerente e me dá as instruções precisas no caso de haver um tremor de terra. As sirenes de emergência começar a soar, há uma margem de 20 minutos para deixar tudo e subir a colina mais próxima para sobreviver ao iminente onda que arrasaría da costa.

Naquela mesma noite, enquanto ele dormia, senti a terra mover-se violentamente, abanar o meu corpo deitado sobre a areia da praia, enquanto ouvia a terra ranger. Abri os olhos, exaltado saí da tenda e vi a tranquilidade da noite. Foi um pesadelo me disse, de ter sido real estaria ouvindo as sereias. Bufff!!!! Resople enquanto olhava para o céu, olí o mar, ouvir as gaivotas e voltei a dormir.

Depois de vários dias descansado e as visitas à universidade para utilizar sua internet, chegou a hora de enfrentar o seguinte assalto Atacama.

Carregado de comida e água para dois dias, achigã da colina que separa a costa do deserto, para voltar para a rota 5, que atravessa a infinita planície. Para minha surpresa passo em frente de uma penitenciária, era o dia de visitas, e havia um posto de sanduíches, então fiel aos meus regras de viajante continuei a de número #5. “Não perca nunca a oportunidade de abastecerte”.

Eu parei de comprar dois sanduíches, um para o momento e outro para o caminho. Foi então que um ciclista colombiano chegou perguntando por uma estação de caminhoneiros, chamada de Preta, para pegar carona até Santiago do Chile. Estava a 12 km e compartilhávamos endereço assim que ofereci-lhe que o acompanhasse. Pedaleamos juntos conversando tranquilamente, em poucos minutos eu me pergunto se tinha maconha, “Não”, eu disse. Continuamos conversando até que chegamos A Negra insistiu 7 vezes mais, tem a Certeza de que você não tem maconha? Repetia constantemente. Quando chegamos perguntei-lhe se tinha fome e se havia desayunado, não lhe fez falta responder, tinha visto essa expressão dezenas de vezes na minha. Venha vem comigo, disse eu, te convido a tomar o pequeno-almoço.

Enquanto degustaba meu terceiro café da manhã, encarado como o meu companheiro de gostar dele. Fez-Me muito feliz em poder ajudá-lo, eu tinha passado por isso mesmo milhares de vezes. Enquanto levou o café me contou que não estava muito bem do estômago para vários dias, entendia perfeitamente. Eu lhe disse que duraria, que lhe acabaria acontecendo.

Na hora de despedir-me pediu que lhe deixasse ir. A idéia não me para nenhuma graça, faltava muito para o pobre rapaz para poder me seguir o ritmo, mas queria ajudá-lo, por isso, fui totalmente sincero: “Não está preparado amigo, me tenho cruzado desertos muito duros nessa viagem, e não estas. Não é por que você está desesperado por fumar maconha, ou porque esteja mal do estômago, é porque a primeira coisa que me disseste ao conhecê-lo é onde se encontra a estação de caminhões para que se remolquen até Santiago de compostela. Antes de começar já estava vencido, nunca quis se envolver neste deserto. Embora seja ignore os primeiros 500 quilômetros, que são os mais rígidos e se concordamos novamente pela rota, pedalearemos juntos, mas por zonas mais fáceis”. Nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Os primeiros quilômetros pedalando para o Deserto de Atacama, não pude evitar lembrar-me de Luto, o ciclista colombiano com quem eu compartilhei o caminho a partir de Trujillo ao Lima. Juntos atravessamos o deserto mais duro de toda a américa do Sul. Se o que era um guerreiro, um irmão, um lutador, um valente!!!

Antes que a noite cai eu me interno no deserto, abandonando a estrada, instalo o meu acampamento, cocino jantar com meu fogão feito com meia lata de Coca-Cola e álcool de queimar, eu olho para as estrelas e fecho os olhos até que o sol voltou a sair no horizonte.

Pela manhã eu racionalizo a água chegar até Paposo, e nos últimos 30 quilômetros até o litoral, eu esperava uma tremenda descida que desço a 88 km/h, meu novo recorde de velocidade.

Quatro

(A descida do deserto até a costa)

Contorne a 50 km da costa, para chegar a Taltal, onde passei a noite na praia, junto a uma fogueira escrevendo meu diário. No deserto, os dias são quentes e ensolarados, mas as noites são frias. Após a dura jornada do dia seguinte, escrevi uma nova folha em meu diário:

“Valeu a pena… acordar em Taltal, carregar a bicicleta com comida e 7 litros de água, pedalar 20 km de subida para entrar novamente no deserto, lutar contra o calor, o sol e o vento, até o pôr-do-sol, deixando a estrada para aprofundar a 500 metros nas areias do deserto de Atacama, caminhar durante uma hora na beira do asfalto pegando pedaços de madeira para calentarme à noite, preparar o jantar, instalar o acampamento…depois de todo o esforço e de não parar o dia todo, por fim, sinto-me junto ao fogo sob a lua e as estrelas, rodeado de escuridão e calma. Não é fácil construir estes momentos e o trabalho que leva é muito duro, mas vale a pena”.

Cinco

(Colorado On The Road do Deserto de Atacama)

Amanezco no deserto, continuo lidando com as encostas de 20 km e chegou a Chañaral. Assim que entrou na cidade pergunto a praia para acampar, mas já não há praia. Poucas semanas antes, caiu uma enchente depois de décadas sem chover, arrasando a cidade e mudando totalmente a geografia. Eu aproximo-Me para a zona zero e vejo a destruição total. Casas demolidas, vans telhados, escombros por todos os lados e a praia substituída por um buraco cheio de restos a catástrofe.

Terremotos, inundações, vulcões, sequias, dilúvios, o Chile é um país de extremos e é justamente por isso que são tão duros para os chilenos, e tão solidários. Termo acampando com os voluntários que vieram de todo o país para ajudar seus compatriotas, compartilham comigo a sua comida e suas experiências. Se sentiam frustrados porque já não tinha tanta ajuda. No Sul do Chile, o vulcão Chalbuco havia entrado em erupção e toda a atenção da imprensa, que estava focada nele. Pela manhã, me despedi de todos os voluntários e cruzei de novo a zona zero da cidade.

Seis

(Destruição em Chañaral)

Continuo minha viagem pelo deserto pedalando como uma besta, os dias passam tranquilos e estou cada vez mais perto da capital. Mas a roda traseira vai pior, e a fissura é maior. A manhã que amanezco na pequena cidade de Domeyco, volto a analisar o seu estado e decido tomar medidas, mas não conseguíssemos. Procuro uma oficina de carros e peço-lhes que me deixem usar algumas ferramentas e remexer em uma montanha de metais inservíveis. Acessam o prazer e encontro uma velha corrente, curto um elo e o deformo até dar-lhe forma de pinça, com a medida perfeita da jante. A invenção é, mas aos poucos quilômetros da mola é solta, a roda se abre, e a roda explode.

Avanço um pouco mais até chegar ao próximo povo e instalo o acampamento. Trabalho para fazer uma nova adaptação para o meu abrigo e que a jante vigor até Santiago de compostela. Fixo um rádio extra para reafirmar a fixação, fabricação canas com uma garrafa de plástico para cobrir a fissura pelo interior, e suavizar o contato com a câmera.

Sete

(Estado e reparação da roda traseira)

Amanhece e a hora de colocar à prova o apaño havia chegado. A Cada 15 minutos me parava para rever a roda, mas estava sempre bem. Continuei avançando até que cheguei a uma descida de vários quilômetros. Sob lento, queimando as pastilhas de freio até que eu digo: “Que foda!!!” Deixei de travar e comecei a tomar velocidade, até que eu comecei a 60 km/h durante vários minutos. A pinça o aguento no entanto, e o mais importante, resistiu 600 quilômetros até Santiago de compostela.

Depois de uma semana eu vejo a capital e as suas portas, aparece uma nova fissura na jante. Tentativa de corrigi-la para que agüente com um pino de mola, mas acabei empurrando a Bucéfalo. Com a roda de trás esmaga me recebe em sua casa de Jaime, um grande amigo português. Estava rendido e esgotado, mas eu espabilé em que me começou a dar presunto serrano. Jaime também já viajou por todo o mundo e sempre foi uma inspiração para levar a cabo a minha aventura. Os dias em Santiago me fez sentir em família, junto com seu companheiro e seus companheiros de casa.

Oito

(Grandes momentos em Santiago do Chile)

Me restavam 20 euros e Bucéfalo estava destruído. Tentei que alguma loja chilena de ciclismo me apoiasse, mas nada. Não podia esperar que a nova jante viesse a mim, eu tinha que sair lá fora a lutar para encontrá-la. Projete 10 postais e invertí tudo o que me restava em imprimir 10 de cada uma. Minha estratégia era simples, procurar ajuda os cidadãos a pé.

Durante 8 horas, estive na Praça de Armas com todo o meu equipamento, um pequeno mapa com toda a minha rota, as 100 postais em um álbum e um cartaz em que escrevi: “Volta ao Mundo”. Eu não tinha idéia do que ia acontecer, mas pouco a pouco fui atraindo a atenção dos chilenos que se aproximavam em pequenos grupos.

Primeiro lhes expunha em que consiste o meu projecto, o caminho que havia levado até o momento e que eu ficava por diante. Ensinava os postais e conta a divertida história que havia por trás de cada uma, depois sempre me perguntavam por seu preço, eu simplesmente dizia que as regalava a colaboração de todos para poder corrigir a Bucéfalo. Na minha opinião, eu acho que houve dois fatores que determinaram o sucesso da campanha: 1º A solidariedade chilena. 2º Uma explicação de minha forma de ver a viagem que eu saía do coração: “eu não me importo de passar frio, calor, que me faça chuva ou neve, a suportar a fome, atravessar montanhas, florestas ou desertos, pedalar contra o vento, dormir durante semanas na loja de campanha e prescindir de higiene pessoal, que implica a viagem, desde que possa acordar pela manhã e seguir pedalando, continuar a lutar por este sonho. Veja bem a Bucéfalo, está me matando”.

Nove

(Na Praça de Armas distribuindo cartões postais)

A resposta dos chilenos foi excepcional. No dia seguinte, voltei ao mesmo lugar e recolhe o dobro do que o primeiro dia. Conheci Carlos Carvalho, proprietário da Oficina Chiclete, e me deu o último empurrão que eu precisava: Peças de primeira qualidade a preço de custo e mão-de-obra gratuita. Durante dois dias Carlos dedicou-se a Bucéfalo, trocou os dois pneus, o eixo dianteiro e voltou a enradiar as duas rodas, colocamos pneus e câmaras novas, cadeia, jogo de rodas dentadas, sistema de cabeamento e freios novos. Meu Potro tinha voltado!!!

Depois estive a trabalhar com o computador na casa de Jaime. Cada vez que eu me levantava para esticar as pernas, ia ao estábulo para ver a minha Mesa, eu ficava encantado observando-os. É simplesmente único em sua espécie.

Dez

(Colorado, On The Road, levantando a Bucéfalo totalmente reparado na Oficina Chiclete)

O resto do tempo em Santiago o dedique a divertir-se ociosamente, os Andrea Carvalho (Projeto Sul é o Norte), com os meus colegas espanhóis Jaime e Henry, conhecendo outros viajantes, rindo, brincando, curtindo o momento de alívio e paz.

Antes de continuar e me despedir da cidade, a cadeia de televisão Chile Visão me fez uma reportagem que gravamos durante um dia e meio, em que uma mensagem que eu queria deixar claro: “Graças Chile, estais sendo o meu preferido!!!

O momento de seguir em frente sempre chega, mesmo que havia feito a parada mais longa de toda a viagem, 14 dias. Tinha as pernas que me pedaleaban sonámbulas as noites, os músculos pidiéndome guerra e Bucéfalo inquieto por devorar quilômetros. Era hora de voltar para a aventura.

Segui rumo ao Sul para chegar até Osorno, daí viraría para o Leste para alcançar o Passo de Samoré e entrar na Argentina. Os primeiros dias foram fáceis, a paisagem mudou do deserto, florestas e prados. Dormia nas vias de serviço COPEC, eram como um hotel 5 estrelas que estava gramado para acampar, luz, segurança, banheiros, chuveiros, água e tranquilidade. Todos os dias eu parava gente na estrada, eu tinha me tornado o famoso ciclista português que havia saído no Chile Visão. Nos sacábamos fotos, me dava presentes, me convidou a comer e assinava postais.

O clima de mudança e a chuva começou leve, mas à medida que continuava meu caminho para o Sul era cada vez mais intensa. Acabou derivando no tempestades enormes, a opção de acampar em campo aberto, deixou de ser viável. Vários dias me hospedaram, outros acampava em galpões ou áreas cobertas para me proteger da chuva, para secar a roupa e despreocuparme de inundações. A Cada noite, sempre tive alguém que me ajudava a encontrar refúgio.

O clima não colocá-lo fácil, mas finalmente cheguei ao Passo de Samoré. Era o momento de me despedir de Chile e me concentrar na Argentina. Os policiais de fronteira estavam à espera que chegasse para tirar uma foto comigo, um país encantador, desde o início até o final.

O Passo de Samoré é um caminho de 40 quilômetros através Dos Andes, que conecta os dois países vizinhos. Um passo de montanha de 1305 m que há dois dias estava coberto pela neve. O frio era intenso e o sol estava perto de ir embora, mas eu decidi pedalar 15 quilômetros e dormir na passagem entre os dois países. A neve começou fraco, mas à medida que escalaba ganhou muito mais força. Consegui chegar com o último raio de luz aos carpones onde guardam as máquinas limpa-neve, e passei a noite em seu interior. Acendi um pequeno fogo com madeira molhada que marcou a diferença entre o desespero e a ilusão. Foi uma noite muito autentica.

Dez

(Dormindo na Etapa de Samoré)

Pela manhã, o operador de neve, antes de começar o seu turno, me deixo um termo de 1,5 litros, cheio de café quente ao lado da loja. Enquanto ouvia seus passos afastar-se, à medida que eu acordava eu acho que eu podia gritar “Obrigado” umas 20 vezes.

Com o corpo cheio de cafeína me pus em marcha, o último assalto com a cordilheira Dos Andes estava pronto. Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e, agora, para atravessar para a Argentina. Com esta impressionante cordilheira vivi mil e uma batalhas. Era hora de enfrentar a última.

Nevou durante a noite toda e que pedalar não era possível subida, só podia empurrar. Em muitas ocasiões, por cada 3 passos recuado 2, resbalándome no gelo. Os caminhões ficaram presos, os carros paravam para colocar as correntes, minha roupa ficou molhada e se eu parava me congelava, se eu me mudei entrava em calor. Só parei duas vezes para ajudá-lo a colocar as cordas para dois veículos.

Onze

(A última batalha com a cordilheira Dos Andes)

A última batalha a melhor!!!!!! Eu repetia constantemente quando coroné topo do Paso Samoré. Então desci até a fronteira e entrei na Argentina.

Você nunca sabe o que vai encontrar, o que vai acontecer ou que problemas você terá que superar. O que sempre me moveu, nos momentos difíceis, é:

“As soluções não estão ficando parado ou olhando para trás.

A resposta é sempre esta a frente, nunca se deve deixar de avançar”.

Doze

Vídeo do percurso no Sul do Chile até o Paso Samoré:

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