De Peru, a Bolívia – Colorado on the road

Etapas 06/02/2015 Tumbes – Zorritos (35 Km). 07/02/2015 Descanso em Zorritos. 08/02/2015 Descanso em Zorritos. 09/02/2015 Descanso em Zorritos. 10/02/2015 Descanso em Zorritos. 11/02/2015 Zorritos no…

06/02/2015 Tumbes – Zorritos (35 Km).

07/02/2015 Descanso em Zorritos.

08/02/2015 Descanso em Zorritos.

09/02/2015 Descanso em Zorritos.

10/02/2015 Descanso em Zorritos.

11/02/2015 Zorritos – Alto (97 Km).

12/02/2015 O Alto – Sullana (118 Km).

13/02/2015 Sullana – Km 912 da 1N (119 Km).

14/02/2015 Km 912 da 1N – Mórrope (94 Km).

15/02/2015 Mórrope – Pacanguilla (91 Km).

16/02/2015 Pacanguilla – Paiján (104 Km).

17/02/2015 Paiján – Trujillo (52 Km).

18/02/2015 Descanso em Trujillo.

19/02/2015 Descanso em Trujillo.

20/02/2015 Descanso em Trujillo.

21/02/2015 Trujillo – Santa (121 Km).

22/02/2015 Santa – Km 347 da 1N (105 Km).

23/02/2015 Km 347 da 1N – Huarmey (61 Km).

24/02/2015 Huarmey – Km 250 da 1N (47 Km).

25/02/2015 Km 250 da 1N – Huancho (104 Km).

26/02/2015 Huancho – Chácara e Mar (80 Km).

27/02/2015 Chácara e Mar – Lima (82 Km).

28/02/2015 Descanso em Lima.

01/03/2015 Descanso em Lima.

02/03/2015 Descanso em Lima.

03/03/2015 Descanso em Lima.

04/03/2015 Descanso em Lima.

05/03/2015 Descanso em Lima.

06/03/2015 Lima – Trevo (158 Km).

07/03/2015 Trevo – Paracas (85 Km).

08/03/2015 Paracas – Santiago (96 Km).

09/03/2015 Santiago – O Engenho (88 Km).

10/03/2015 O Engenho – Nazca (39 Km).

11/03/2015 Nazca – Villatambo (40 Km).

12/03/2015 Villatambo – Puquio (100 Km).

13/03/2015 Puquio – Km 190 (34 Km).

14/03/2015 Km 190 – Negro Maio (41 Km).

15/03/2015 Preto Maio – Promessa (80 Km).

16/03/2015 Promessa – Santa Rosa (80 Km).

17/03/2015 Santa Rosa – Cusco (50 Km).

18/03/2015 Cusco – Cuzco (Rebocado) (200 Km).

19/03/2015 Descanso em Cusco.

20/03/2015 Descanso em Cusco.

21/03/2015 Descanso em Cusco.

22/03/2015 Descanso em Cusco.

23/03/2015 Descanso em Cusco.

24/03/2015 Caminho mochila até Águas Calientes.

25/03/2015 Visita ao Santuário Histórico de Machu Picchu.

26/03/2015 Descanso em Cusco.

27/03/2015 Cusco – Cusipata (85 Km).

28/03/2015 Cusipata – Marangani (89 Km).

29/03/2015 Marangani – Pukara (117 Km).

30/03/2015 Pukara – Juliaca (67 Km).

31/03/2015 Descanso em Juliaca.

01/04/2015 Juliaca – Ilave (102 Km).

02/04/2015 Ilave – Copacabana (Entrada na Bolívia) (91 Km).

Peru

Meus últimos metros no Equador, que me levou até a ponte da Paz e, com isso, a entrada de fronteira peruana. Peru passa a ser o país 29º nesta grande aventura, e eu ia deparar várias das experiências mais duras que tenho vivido desde que eu subi na bicicleta em Portugal.

Minha primeira noite acampé em Tumbes, pendente de uma ligação que levava semanas esperando a realizar. Com a saída do sol, fui a uma cabine telefônica, disque um número peruano e quanto responderam saiu de minha boca: o Que acontece Nachooo!!!

Várias semanas atrás estávamos cuadrando esta reunião, o meu caminho para o Sul me levou a reunir-me com um viajante português que ia para o Norte, Nacho Dean. Ambos coincidíamos em um mesmo objetivo, dar a volta ao mundo, mas Nacho estava levando a cabo a pé e tinha mais de 25.000 km

Pedalei 35 quilômetros até Zorritos onde ficamos de nos encontrar. Depois de um forte abraço almoçamos e resolvemos acampar no Hostel Ecológico de alguns espanhóis, Grilo Três Pontas. Em nenhum momento pudemos deixar de contar todas as nossas experiências, até o momento, foi como falar com um espelho em que ambos nos víamos refletidos.

Pela manhã Nacho deveria continuar para o Equador e que eu ficaria uns dias mais, aceitando o convite de Ana e Leão, os proprietários do Hostel, de ficar sempre descansar sem custo algum. Em pouco tempo, Nacho e eu construímos uma amizade que normalmente demoraria meses para ser criado. Com um grande abraço nos despedimos e o acompanhe até a porta para dar-lhe o último adeus.

Um

(Nacho Dean & Colorado On The Road)

Durante vários dias, pude descansar e trabalhar com o computador. Cada manhã eu acordava na praia e estava começando o dia com um banho de mar. Comecei a trabalhar em um projeto que me propôs a Editora Santillana e dei asas à minha criatividade. Cada noite em que fui relaxando com o som das ondas do mar, contemplando o pôr-do-sol, enquanto me aquecia com uma pequena fogueira e dormia com um sono ininterrupto.

Durante os meus dias na praia de Zorritos fiz boas relações com outro português, Marc. Um jovem catalão, que depois de trabalhar durante um ano e meio em Lima, decidiu largar tudo para viajar pela américa Latina. Geralmente costumo fazer minhas paradas de descanso durante o tempo suficiente para repor as forças e conhecer o lugar, mas não suficientemente longa para criar raízes e que a despedida seja mais dura do que o necessário. Desta vez me lasque minha norma.

Dois

(Primeiras etapas no Peru)

Passada uma semana, deixe Zorritos e continuei minha marcha, sem um centavo no bolso, poderia ter esperado receber um dinheiro que tinha pendente de cobrança por um artigo que eu escrevi, mas o corpo pedia-me para voltar para a estrada. O primeiro dia me alimente com 4 bananas e 2 cupcakes. Consegui chegar ao povo de Alto após passar o meu primeiro choque com o vento do deserto peruano. Instalei a minha loja de campanha em um posto de gasolina e a assistente de loja eu me pergunto o que se havia jantado, antes de terminar de responder eu já estava me tirando um prato de peixe com arroz. Já havia assumido que dormiría com o estômago vazio.

Continuando o meu caminho para a cidade de Trujillo, eu sobrevivi com alguns sacos de batatas fritas que eu encontrei na estrada, junto a 8 latas de leite evaporado. Em um restaurante e fui perguntar se me podiam encher as garrafas com água da torneira e me acabaram oferecendo um almoço. Na estrada passei junto a um caminhão despejo cheio de cebolas, nem desaproveché a oportunidade e encha meus alforjes com 5 delas. Em um pedágio parei para ir ao banheiro e o guarda me ofereceu novamente refeição, enquanto me dizia: Estas muito magro filho!!!!! No final do dia, cheguei a Sullana, onde acampa e pude aproveitar o dinheiro que já havia recebido. Foi uma sorte, já que precisava atravessar o deserto de Sechura, e ter um pouco de dinheiro me ajudou a fazê-lo com os necessários seguir-te.

Depois de atravessar a cidade de Piura comecei a entrar no deserto. Enquanto abandonava a cidade, uma senhora que vendia refrigerantes para os veículos, me parou para avisar-me de que um moto-táxis estava me seguindo. Vão assaltar me dizia, em quanto se adentres no deserto esperam por si. Cheguei às cabines do pedágio e fui a um polícia a dizer-lhe o que tinha me acontecido. Em 5 minutos eu tinha um carro de polícia para escoltarme os primeiros 20 quilômetros.

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(Entrando no deserto de Sechura escoltado pela polícia)

Concluída a escolta me adentre no solo na planície desértica inundada pelas dunas. O dia foi longo e o vento o prolongou mais do que o necessário. Lutando contra a corrente, eu consegui chegar a um pequeno restaurante no meio do nada, onde me deixaram dormir no chão. Ainda tinha 94 quilômetros através do deserto para chegar ao Distrito de Mórrope, e o meu maior inimigo foi mais uma vez o vento. Depois de 10 horas de batalha e terminando o dia com uma pletórica jantar, escrevi em meu diário:

Quando o sol seca a sua pele,

a sede cola seus lábios,

e o vento empurra-o para trás.

Só o seu coração se mantém de pé,

para lutar para a frente.

Quatro

(Atravessando o deserto de Sechura)

Durante dois estágios, mas acrescentei um novo inimigo na frente, os mosquitos. Cada noite devorou o repelente e o mínimo que entrasse e saísse de minha barraca, eles estavam esperando para invadirla. Apesar de que muito do que eu falo sobre os obstáculos do caminho, curti cada instante, porque sabia que no final teria minha vitória, e não há nada que saiba melhor do que uma sofrida vitória.

A minha última noite antes de chegar a Trujillo dormi junto a uma delegacia de polícia, bem protegido e cuidado. Pela manhã, se despediram de mim fazendo-me um presente original, uma sandia de 5 quilos. Habilite o assento rebatível disponibilizado para poder portarla e cheguei à casa de ciclismo de Trujillo, uma das mais importantes de toda a américa Latina, onde Lucho me recebeu e me deu uma excelente cama. Antes da necessária chuveiro, tinha mais necessidade de terminar a história da sandia, compartiéndola com todos os cicloviajeros que havia na casa. Era uma boa sandia, com um delicioso sabor e escondia um toque especial… o sabor da sofrida vitória.

Passei meus dias em Trujillo com Luis Carlos, um ciclista colombiano, e três ciclistas franceses. Aproveito o tempo a trabalhar com o computador e realização finalizar o projeto para a Editora Santillana no que edité um vídeo motivacional para seus vendedores. As tardes passaram tranquilos ao lado Luto, sua mulher Ana e seus filhos, o hiperativo Lance e sua adorável filha Ângela.

Luis Carlos e eu fizemos boa amizade, é costume que, em vez de chamá-lo pelo seu nome lhe chamasse Colômbia, e o que me chamava a minha Portugal. Todas as manhãs, ia tomar café da manhã juntos para o mesmo posto de bocatas onde llenábamos papo por apenas um dólar, e por noite cenábamos um menu no mercado e voltávamos para casa rolando. Se algo posso dizer da comida peruana, é que é boa, farta e barata. No último dia, enquanto ayudábamos a Esforçou-se para fazer a mudança da sua casa, Colômbia e eu decidimos compartilhar pedaladas até Lima.

Cinco

(Casa ciclista de Trujillo)

Na manhã seguinte partimos, a Colômbia tem muito boa perna para a bicicleta e avançamos 121 quilômetros bastante tranquilos. Acampamos e jantar espaguete antes de aniquilar os mil e um mosquito que se enfiaram em nossas tendas. A segunda jornada foi muito mais intensa, lutando contra as tempestades de areia e a percorrer as colinas eternas. Cansados, paramos de pedalar no km 347 da 1N, onde encontramos um restaurante fechado e dormimos ao relento em suas portas.

Com a luz do sol acordou-nos uma simpática voz, era Dom Clemente, o proprietário do restaurante. Passar amigos, por favor, coloquem-se confortáveis nos disse. Nos convido para um café da manhã que nos devolveu a vida, enquanto nos ensinava um livro de visitas de todos os viajantes que passaram pelo local, e para os quais havia ajudado. Foi uma honra assinar e fazer parte. Ao despedir-produtos da fauna, dando a cada um 20 soles (moeda peruana, 3 soles = 1 dólares) para que comemos o resto do dia. São momentos em que eu sei, que o melhor desta viagem são as pessoas que eu conheço o caminho e suas emocionantes histórias.

Despidiéndonos da generosidade do Dom Clemente começamos a terceira etapa em nossa viagem até Lima. Colômbia gozava de uma formidável condição física e, sobretudo, a indestrutível motivação do que iniciar uma nova jornada. Eu, em troca sentia as pernas mais cansadas por milhares de pedaladas acumuladas. Novamente o deserto nos esmagou e Huarmey minhas baterias se acabaram, apenas eram as 16:00, mas meu corpo disse basta. Passamos a noite na igreja do povo e pude repor algo de forças.

Seis

(Colorado On The Road pedalando junto com Luis Carlos, Colômbia)

Acordei com boas vibrações e entre brincadeiras dizia a Colômbia: Hoje nós damos-lhe todo no deserto!!! Mas o deserto sempre tem a última palavra. Avançamos o que o deserto nos deixa avançar, e provavelmente esse foi um dos dias mais duros que passe pedalando no Peru.

Assim que deixamos para trás Huarmey, o vento nos deu os bons dias. A areia se levantava e nos batia por todo o corpo, em mais de uma ocasião, só podíamos andar empurrando as bicicletas lutando para não ser derrubados. Em uma parada de descanso junto a umas rochas que nos protegiam-se, em parte, de choques de areia, eu disse a Colômbia, enquanto quando a água: Se algum dia eu caso estas convidado para o casamento do meu irmão, e se alguém te pergunta que me conhece, deve-se dizer que nós nos conhecemos quando atravessamos juntos o inferno!!!

Foram palavras que nos fizeram rir e brincar, quando esquecíamos momentaneamente a batalha que estamos travando e que em breve nos permitiria retomar. Acabamos chegando a um pequeno restaurante no meio do nada, onde pudemos jantar algo e recuperar o sorriso. Colômbia esgotado adormeceu em seus braços apoiando na mesa. Foi um alívio saber que era humano e que também estava cansado, porque até o momento havia pedaleado como um animal. Pergunte ao proprietário do estabelecimento se nos deixava dormir no chão e nos acabei deixando um galpão. Vamos Colômbia, vamo-nos a dormir, lhe dizia levantándole da mesa.

Ao longo de toda essa jornada só tínhamos avançado 47 quilômetros, caímos rendidos no saco de dormir, às 20:00 pm e não nos movemos em 10 horas. Essa noite eu só podia descrever a sensação de lutar contra a nada, escrevendo no meu diário: Hoje o vento era tão forte que tivemos que pedalar até para ir ladeira abaixo, em campinas sentimos que pedaleábamos para cima, e avançar para cima, era o inferno.

Sete

(Madrugada no meio do deserto)

Para economizar dinheiro, Colômbia, e eu quando a água da torneira, o que nos provocava certos desconfortos que para que nossas necessidades matinais chegaram pontualmente. Às 06:00 da manhã eu acordei para ir correndo ao deserto para dar uma boa libertação de peso, quando terminar a tapé com areia com os pés, e a Colômbia tomou o seu lugar. Quando regresso, perguntei-lhe: Você já tapado seu cocô com areia como se fosse um gato? Sim, eu respondo.

Nossas brincadeiras matinais parece que também puseram de bom humor para o deserto e nos deu uma trégua. Com boas energias pedaleamos até cumprir dois dias de 104 e 80 quilômetros. A colômbia sempre ia na frente meu e eu tirava boa distância. Quando parava comprava biscoitos e refrigerantes, tirava-se a um lado da estrada, esperando que chegasse para que descansáramos juntos.

O último dia antes de chegar a Lima conhecemos um Veda que nos ofereceu dormir sob o teto de um devoto do Hare Krishna. Era uma casa feita de adobe e barro, sem água corrente nem electricidade. Nos deram um quarto para nós sozinhos e nos ensinaram a usar um banheiro seco. Basicamente é um banheiro que não funciona com água e que tem serragem no fundo, você faz suas necessidades, você limpa o traseiro com água e frotándote com a mão, e no final dar mais serragem sobre seus resíduos. Quando este cheio a serragem com tudo o que vem se enterra e serve como adubo. Colômbia estava muito surpreso e foi o primeiro a usá-lo, mas a nossa pontual diarreia chamou os dois de uma vez. Enquanto esperava na porta, ouvia a Colômbia por outro lado, dizer o estranho e inusitado que lhe parecia. A minha realmente me dava igual em países muçulmanos e na Índia fiz o mesmo só que sem a serragem, e nesse momento só queria que a Colômbia terminasse rápido.

Mais aliviados fomos com o nosso anfitrião para dar um passeio pela praia e praticar sandboard nas dunas. Depois passamos uma boa noite matando mosquitos e madrugamos para, por fim, coroar Lima.

A 10 quilômetros de chegar à capital peruana nos separamos, Colômbia ia para a casa de uma voluntária da ONG Teto com que colaborava há anos, e eu ia direto para a casa de um espanhol que estava me esperando para me receber, André. Nos demos enorme abraço para nos despedir e com a promessa de voltar a coincidir. A dureza das etapas nos haviam unido como irmãos, e juntos fomos mais fortes.

Oito

(Últimas pedaladas para chegar a Lima)

O tráfego na capital me fez passar momentos muito perigosos e em um momento um caminhão quase me leva por diante. O tráfego era muito agressivo e não havia lugar para uma bicicleta. Chegar ao centro foi duro eu fiz uma parada para comer um ceviche em um posto da rua. A amável senhora não me deixo pagar os 5 soles e me convido para o almoço. Uma vez, perto do bairro de Miraflores, a situação é calmo e os trilhos para bicicletas apareceram.

Quando cheguei à casa de André, senti que as portas do céu se abriam. Gostei de um banho longo, a gloriosa jantar, as cervecitas que nos pegamos rindo enquanto compartilhávamos histórias, para depois me envolver nas suaves lençóis e dormir como um bebê. Eu gostaria de dizer que tive um agradável acordar, mas o ceviche que eu tomei, chegando ao centro de Lima me produziu uma das mais terríveis diarréia de toda a viagem, deixando-me fora de combate durante dois dias.

Passada a tempestade e as constantes idas ao banheiro, conheci o centro histórico da cidade, passear por suas ruas, visitei uma exposição de fotografias da Índia e caminhei pelo calçadão. Lute por criar uma nova relação com uma revista peruana e resolver meus problemas económicos, mas o navio não chegou a nenhum porto. Durante uma semana, me alimentar como um legionário devorando a despensa de Andrés, e repostas as energias era o momento de continuar.

Nove

(Despidiéndome de André Lima)

Tão prolongado descanso deu os seus frutos marcándome uma etapa de 158 quilómetros, alimentándome apenas à base de bananas. Pelo caminho, encontrei 5 soles e os invertí em alguns pacotes de macarrão para completar o segundo dia. O sol apertam forte no meu avanço em direção a Nazca, mas as noites eram frias. Acampando no meio do deserto eu dormi descoberta e acalorado, o sonho foi tão profundo que não me dei conta de abaixamento de temperatura e acordei de madrugada, tremendo de frio. Um erro que pagaria muito em breve.

O terceiro amanhecer eu decidi colocar na parte traseira da bicicleta um cartaz em que escrevi Sem Prata, com a esperança de que alguém me oferecendo um pouco de comida. A meio da manhã eu encontrei uma chave inglesa e uma chave de fenda entre a areia do deserto, estavam em bom estado, assim que os guarde e, alguns quilômetros mais adiante os troque por algo de comer em uma oficina mecânica. Com a barriga cheia para chegar a um pedágio, onde o meu cartaz, o que chamou a atenção para os operários e deu-me um saco de comida, e um encanto de mulher me deu 10 soles. O dia parecia que estava mal, mas a ajuda dos peruanos se fez notar. Acabei acampando em um posto de gasolina de um pequeno povo chamado Santiago, cozinhe o espaguete que pude comprar com o dinheiro que me deram e antes de ir dormir dois carros ficaram fora do ar na estação de serviço. Havia ocorrido um roubo em uma casa, os ladrões deram-se em fuga, mas os proprietários dispostos a impor a sua própria justiça haviam saído para a sua captura, interceptándolos no posto de gasolina onde estava descansando. A única coisa que impediu que se liaran a tiros foi o aparecimento, quase instantânea de um carro de polícia, colocando novamente para os criminosos em fuga.

Eu vi que move todo o meu acampamento para outro lugar por se voltavam, mas as forças me abandonaram, e a gélida noite anterior venia para trazer sua fatura. Entre tremores entrei na minha loja, eu coloquei o termômetro e depois de alguns minutos eu li 38,5 ºC. Nesse momento a única coisa que me importava era entrar no meu saco de dormir, tomar o antibiótico e descansar.

Pela manhã, a febre cedeu o terreno e o calor do sol fez com que sentisse de novo a força de meus músculos. Carregue o potro de água, tome o pequeno-almoço umas bolachas e voltei a me internar no deserto. Quanto mais calor, para melhor me sentia, a temperatura subiu até os 43ºC e avançar a bom ritmo. Concentrado em meus pensamentos e na estrada, não me conhecimento de que dois ciclistas que estavam levando a cabo o seu treino se aproximavam de mim pelas minhas costas. Não me dei conta até que se puseram ao lado meu, e um deles disse: Colorado on the road!!!

Acontece que era um follower do meu projeto, e depois de compartilhar algumas palavras, encontramos-nos em um restaurante próximo. Foi bom fazer o intervalo com dois colegas. Me ofereceram bebidas, comida e deu a configuração do meu cartaz de Sem Prata, me deram 20 soles para continuar. Um deles me pergunto o que se estava tão mal, porque ainda continuava a minha resposta não foi preparada, apenas saiu da minha: Faça frio ou calor, se neva ou chove, ter ou não dinheiro, mesmo com 38,5 ° C de febre sempre seguirei em frente. Se paro desisto, se eu corro eu continuo lutando, esse é o meu conceito.

Dez

(Pedalando pelo deserto com 38,5 ° C de febre)

Ao final do dia acampé perto de Nazca e dormi com apenas alguns décimos de segundo, parecia como se o calor fosse de molde a febre, mas ainda não estava 100%. Antes de chegar a Nazca contemplei duas linhas a partir de um mirante, As Mãos e A Árvore. O gerente me deixo subir grátis, aí não saberia diferenciar-se por admiração ao meu projecto ou por pena.

Nazca é uma cidade repleta de turistas que vêm de todas as partes do mundo para sobrevoar as antigas Linhas de Nazca. Não tinha suficiente prata para me dar qualquer um dos luxos que me ofereciam, assim que saí da cidade e acampe no início da estrada que me levaria para escalar as montanhas andinas até chegar a Cuzco. Aproveite meu último dia de ar seco, pois assim que começar a subida o tempo começaria a castigarme de novo.

Tanto tempo pedalando pelo deserto incentiva você a mudar de paisagem e conhecer algo novo, mas sabia que o desafio que me vinha em cima ia ser difícil. O início foi leve, até confortável, pode-se dizer, muito pouca inclinação e agradável, até que comecei a pedalar por uma interminável cobra asfaltada que reptaba pela encosta Dos Andes. Tudo um dia espremendo minhas forças para avançar apenas 40 quilômetros, mas mais de 2000 metros para o alto, um bom começo. Em Villatambo comecei a dormir na fria e úmida montanha, e conversando com um motorista de caminhão, teve o grande gesto de me convidar para um jantar quente. Tive meu vista pôr em Puquio mas 100 kilómetrazos que me iam colocar muito duro, no topo da montanha estava a Pampa, uma verde planície onde as Chamas pastavam, e passado o alto cheguei à descida para o vale onde a cidade de Puquio me esperava.

Onze

(Subindo Os Andes a partir de Nazca)

O desgaste do dia anterior não me favoreceu para escalar de novo e sair do vale, mas finalmente fui promovida a 4000 metros de altitude, onde me deixaram dormir no chão de um restaurante ao abrigo da chuva e da névoa. Não foi uma boa noite, o frio me atravessava o corpo, mas, mesmo assim, ao sair o sol, retome com motivação minha escalada. As pedaladas eram longas e acabar empurrando um bom trecho, até que alcance a Pampa, a autêntica Pampa a 4541 metros. O oxigênio era escasso e cada pouco que tinha que parar para descansar para respirar por muito ligeira que fosse a subida. As Chamas me ignoravam enquanto alimentavam-se em bandos de centenas, mas as Vicunhas eram diferentes, mas sempre desconfiadas tornou a catapulta obsoleta um grito ao longe para avisar suas amigas de minha presença.

Estava totalmente esgotado e entorpecida pelo frio quando chegar ao quase desabitado povo Negro Maio. Uma tempestade deixou cair bem justo quando entrava em um restaurante, para comprar um pouco de comida e pedir se me deixavam um canto para dormir. Muito gentilmente me deu um galpão com uma série de grossas mantas, era um milhão de vezes melhor do que estar lá fora, lutando com a minha loja de campanha contra a tempestade.

Doze

(Pedalando a 4541 metros, na Argentina, peruana)

À uma da madrugada acordei com uma forte dor de cabeça, e a altura, estava me dando um aviso, o qual não pude deixar de ouvir, até que saiu o sol e me ofereceram na casa de um chá de folha de coca. Não foi um remédio milagroso, mas eu alívio. Tinha claro que não queria passar outra noite, mas na altura andina, assim que decidiu me subi para o meu pônei com as montanhas nevadas de vitrine. Em teoria seja Pampa refere-se a uma planície, mas isso não é exatamente assim. Por mais fácil que pareça subir uma colina ao nível do mar, a 4541 m é como escalar uma montanha. Foi um dia especialmente exigente e enigmática. O desejado descida chegou roçando o anoitecer e eu pude dormir a 3600 metros de altitude, esquecendo o desagradável dor de cabeça.

Nos dias seguintes me deslizar pela estrada que atravessa o cânion formado pelo rio Pachachaca. Foram momentos tranquilos em que o risco de queda não alterou a minha calma, nem mesmo quando a rocha cobria a estrada e tinha que escalar os montes para chegar ao outro lado. A cidade de Abancay estava cada vez mais perto e com ela a promessa de diminuir a distância até Cusco.

Mas havia algo que se perturbo meus dias, e que agitaría meus mais temidos medos. Pedalando com total normalidade e concentrado em meus pensamentos, um bocinazo de um ônibus que estava a ponto de rebasarme me despertou de meu parcimônia. Me desvie de sua trajetória arrimándome quanto pude à beira do asfalto, então foi quando um tranquilo, cão preto, resolveu atravessar a estrada, inconsciente do perigo que se avizinhava. Não se inmuto até que o motorista voltou a dar um novo aviso com a buzina, o canino desorientada começou a correr para a frente, eu comecei a travar e o ônibus me rebaso, mas o cão só corria para a frente. O pânico me fez gritar com todas as minhas forças, eu aparta-te!, mas o motorista não fez nem sequer uma finta de parar ou virar, simplesmente passo por cima, a poucos metros de mim. Vi como o smash, como se lhe saíam as tripas, ouvi o barulho de todos os seus ossos quebrando e como o descuartizaba entre as rodas. Parei junto ao pobre animal, enquanto estende a única perna que lhe restava em seu site, contorcia o pescoço de dor e morreu.

Muito tempo que não chorava, a última vez foi em Washington, quando eu falei com minha irmã depois de dar à luz. Mas desta vez não chorei de alegria, chorei de raiva, enquanto deixava para trás o ainda quente cadáver do cão. Não conseguia parar de pensar em partirle rosto do motorista, me ferveu o sangue, e durante 30 minutos retumbo por todo o canyon um grito que não pode parar: HIJODEP***!!!!!

Consegui parar de gritar, consegui me a acalmar-me, mas nunca vou conseguir esquecer o que vi. Sentia-Me identificado com o pobre cão, e reconheço que tenho medo de sofrer o mesmo fim, mas esse medo não pode escolher como vai terminar esta viagem, porque eu já o tenho escolhido, voltar para casa são e salvo.

À medida que eu me aproximava Abancay comecei a toparme com pedras na estrada, mas que não pareciam ter caído da montanha, mas postas pelo homem. Em minha breve desconectar-se do mundo, parece que em Abancay e Esta se havia irrompido uma batalha campal contra as excessivas faturas de energia elétrica. As cidades eram uma zona de batalha.

Tarde pouco tempo para chegar a uma barricada a 30 quilômetros de Cusco, onde a caravana de ônibus, carros e caminhões permanecia imóvel há 2 dias. Milhares de pessoas se agolpaban para conseguir um pouco de comida e o desespero se apoderava de todos. Muitos vigias faziam guarda no alto da montanha para lançar pedras a qualquer um que se atrevesse a caminhar ao longo da estrada. Não havia mais opção do que sentar e esperar.

Treze

(Esquerda: Barricada entrando em Abancay. Direita: Vigias na montanha)

Ao lado da barricada conheci dois irmãos turcos que viajavam em uma van até Cusco, com a ilusão de montar um posto de Kebabs. Nos tornamos amigos muito rapidamente e lhes contei um sem fim de histórias que vivi no seu país, eram boa gente.

Felizmente, o problema das revoltas foi exposto no parlamento e chegaram a um acordo, dando por terminado o cerco da cidade. Levantaram a barricada e deixaram que os veículos avançarem. Meus novos amigos turcos me ofereceram para me levar até Abancay, e não duvide, nem por um só instante, tinha que me afastar o mais rápido possível de lá. Quando chegamos à cidade, novamente, os manifestantes impediram a passagem queimando pneus para cortar a estrada. Isso ainda não havia terminado.

Durante uma hora, esperamos que a revolta final, e felizmente assim foi. Os turcos e eu acampamos em um posto de gasolina, e certificamos a tarefa bebiéndonos uns goles de rum que tinham escondido em outro lugar. Afinal de contas, tínhamos motivos para comemorar.

Catorze

(Em Abancay junto com meus amigos turcos)

Pela manhã, acordou ao som da chuva e a incerteza de que as revoltas pudesse começar, assim que quando os meus novos amigos me ofereceram para me levar até Cusco não hesite, carregar todo o equipamento e a olhar para a frente. Enquanto estava na parte de trás da Volkswagen, que não deixava de pensar que estava cometendo um erro, mas em situações difíceis, há que tomar decisões difíceis.

Tudo aponta para o fato de que seria um trajeto tranquilo, mas em uma curva e traição de uma das rodas dianteiras explodiu. Meus amigos turcos haviam comprado o carro no Peru, e até que a roda falhou não se deram conta de que a carrinha não contava com roda de reposição, nem gato, nem ferramentas. Lançados a um lado da estrada e analisando o problema, eu me dei conta de que havia uma câmera no interior do pneu. É a mesma idéia que a minha bicicleta, mas em maior escala. Eu só podia dizer uma coisa para mim mesmo, eu aceito o desafio.

Primeiro parei o carro para pedir-lhe emprestado o gato, elevei a van e a segurei com várias rochas. Não pudemos tirar a roda inteira porque as ferramentas do carro não eram da mesma medida. Com muita paciência consegui tirar a câmera pelo pequeno espaço que ficava entre a jante e o pneu. Uma vez tive-o em minha mão, fui fazendo carona até um povo com um dos turcos, enquanto o outro ficava vigiando. Já em frente ao oficina foi fácil encontrar peças de reposição com as mesmas medidas, e voltar novamente até a camionete fazendo carona. Agora vem o complicado. Trouxe a nova câmera de internet de algumas ferramentas de minha bicicleta, para ir empurrando-a pacientemente até a sua posição. Uma vez instalada comecei a inflarla com o hinchador de meu pônei, e 30 minutos depois estou bem o suficiente para chegar ao próximo posto de gasolina e terminar de hincharla. Justo quando comecei a parar novamente um carro para usar seu gato e voltar a descer da van, um guindaste parou e ajudou a terminar a tarefa, sem custo algum.

Quinze

(Enchendo a roda com o inflador de minha bicicleta)

Acabamos chegando de noite em Cusco, mas chegamos!!!. Uma amiga estava me esperando para me receber, e também convidou os meus novos colegas a passar a noite em casa. No dia seguinte nos despedimos e foi visitar um amigo no centro da cidade. Colômbia havia chegado um dia depois que eu e foi uma grata surpresa poder abraçar de novo meu companheiro.

Mas tinha que deixar de lado todas as complicações que ultrapasse para chegar a Cusco, a partir de Lima, era o momento de concentrar-se no presente objetivo, ir a Machu Picchu. Com timidez concordei em minha conta bancária do computador, para verificar se eu havia chegado o pagamento da Editora Santillana, mas em vez disso encontrei um presente de minhas primas para que ele continuasse lutando por este grande sonho. O presente foi suficiente para cobrir as despesas do transporte, a entrada e a alimentação até Machu Picchu.

Ir de bicicleta até o santuário histórico era um desafio que não oferecia viabilidade, não estava no meu caminho e tinha a complicação de que, em vez de poupar dinheiro, a excursão eu ia sair mais caro. A melhor opção era deixar a bicicleta em Cusco e fazer a rota como um mochileiro, e, assim, dar um bom descanso Bucéfalo.

Contrate por 80 soles os serviços de uma agência, que me levaria em ônibus até a hidrelétrica e me traria de volta. Desde a hidrelétrica iria fazer uma caminhada de 14 km, até a cidade de Aguascalientes, situado na base da montanha onde se encontra o Machu Picchu.

Com a minha bolsa tiracolo já preparado subi em um microônibus às 08:00 am para me deixar levar durante 7 horas. A viagem foi muito mais divertido do que pensava, graças à companhia de uma velha colombiana chamada Andrea, e também porque as duas últimas horas das fizemos cruzando rios e beirando precipícios por estradas de terra. Quanto as minhas botas tocaram de novo a terra, pus-me em marcha junto a outros viajantes para caminhar até Aguascalientes.

Dezesseis

(Chegando à Hidrelétrica beirando penhascos)

O caminho consiste em seguir uma via de trem paralelas ao rio Vilcanota, evitando assim pagar 12 dólares pela passagem. A maioria dos guias dizem que é apenas um passeio, e compartilhar, afinal de contas eu tenho 28 anos e umas pernas de aço. Mas o caminho é mais difícil do que parece.

Enquanto caminhávamos serpenteando o canhão, maravilhados com a força do rio, abrigados do sol, as montanhas e a natureza, deparamo-nos com uma senhora que viajava com sua filha, e que estava tendo dificuldades, devido à fadiga. Um grupo de israelenses chegou antes de nós e carregavam nos braços. A senhora não podia respirar bem, ele estava com dificuldade de andar e tinha a tensão muito baixa. Caminhamos alguns metros, mas precisávamos de ajuda para transportar a senhora em um veículo a qualquer centro de saúde próximo. Conseguimos levá-la até uma estação de trem, onde os israelenses deixaram no chão para descansar. Aguascalientes estava a 2 km, a presté meu moletom e pedi-lhes que me esperassem, iria correndo para Aguascalientes a procurar um carro. Foi uma boa trotada, que me levou às portas da cidade, onde eu topo com uma patrulha de polícia nada, mas, antes que terminasse de explicar a situação para eles me disseram que já sabiam. Enquanto eu corria um peruano que passava pela área, conseguiu entrar em contato com a delegacia e pedir ajuda. Passei alguns minutos esperando, até que os trouxeram a todos, procurei um hostel por 20 soles, comprei a entrada por 45 dólares e fui logo dormir para repor as forças, ia precisar.

Dezessete

(Iniciando o caminho para Aguascalientes ao lado de Andrea, viajante colombiana)

Tinha que fazer o esforço de subir até Machu Picchu, a partir de Águas Quentes, há um sem fim de escadas para chegar à entrada, e não foi pelo trabalho de pagar 12 dólares por ônibus. Levantei-Me às 03:45 am e a das 04:30 da manhã já estava saindo do hostel sob a chuva e cercado pela névoa. Indo para o primeiro controle de acesso-me cruzei com dois chilenos com os que terminaria compartilhando a escalada. Carregava todo o peso do bolsa tiracolo costas, já que ao finalizar a visita iria diretamente para a hidrelétrica para voltar a Cusco. Os primeiros passos foram fáceis e empolgantes, mas aos 30 minutos o cansaço apareceu. Vários foram os que tentaram parar algum ônibus, arrependidos de não ter subido em um primeiro momento, mas todos estavam completamente cheios. Pouco a pouco, passo a passo, fomos subindo lentamente. Quanto saiu o sol, a chuva é calmo e a névoa era cada vez menos densa. Quando estávamos a poucos metros de coroar-me virei e disse a um dos chilenos, Isso é de nível militar. Foi um grande momento de finalizar a escalada de mais de 1000 metros na vertical.

Dezoito

(Em cima, depois de subir todas as escadas até a entrada)

Já no topo deixamos os macutos em cerca de armários, entramos com vontade de ver a maravilha do mundo, mas a névoa não nos permitiu ter a primeira impressão que procurávamos. Decidimos subir a um ponto situado a uma maior altitude. A melhor opção é subir a montanha de Huayna Picchu, mas a entrada é mais cara. Depois de uma hora chegamos ao miradouro situado junto a um templo, a névoa ainda estava presente, mas alguns minutos mais de espera e, por fim, veio a claridade. Foi uma sensação única, parecia que brilhava o Santuário Histórico de Machu Picchu. São momentos em que você avalia todo o esforço de ter chegado até esse momento. Nossa próxima decisão foi para baixo para percorrer as suas ruas e conhecê-lo mais de perto. Situado a uma altitude média de 2500 metros de altitude, o Santuário foi construído no ano de 1450, sob o governo do Inca Pachacuti, para que fosse o centro religioso, político e administrativo da região. Caminhar entre as suas pedras centenárias foi como tomar um banho de história.

Dezenove

Vinte

(Colorado On The Road no Santuário histórico de Machu Picchu)

Mas o relógio não perdoa e a agência de transportes que tinham nos deixado uma margem muito pequena. Tínhamos que voltar para a Hidrelétrica antes das 14:00 horas para voltar a Cusco. Pela frente tínhamos 1 hora descendo as escadas escorregadias, 14 quilômetros de caminhada e 7 horas de ônibus. Quando voltava valoré toda a experiência que tinha vivido, e sem dúvida alguma o que mais me agradou, foi a aventura de chegar ao topo.

De volta a Cusco não houve ninguém que pudesse me mexer da cama durante todo um dia, tinha que descansar. Voltei a encontrar-me com a Colômbia, comemos juntos e ficamos de nos ver em Paz. Repare a sola de meus sapatos, organize todo o meu computador, atualize o meu site e quando voltei a consultar o saldo de minha conta, tive a alegria de já ter recebido o pagamento de Santillana. Com dinheiro suficiente para viver dois meses, mas pisa, comecei a continuar e colocar rumo à fronteira com a Bolívia.

Bucéfalo e eu voltávamos para o anel, só que esta foi uma das estranhas ocasiões em que pedalou com dores musculares. As jornadas foram agradáveis, calmas e acima de tudo sentia a profunda tranquilidade de ter um pouco de dinheiro na conta. Um dia apure as pedaladas até altas horas da noite, a estrada estava pouco movimentada e meu potro conta com muitas luzes de posição. Um caminhão me queria adiantar, assim que eu dê a um lado, eu parei e me rebaso com muita segurança. Teria sido algo monótono e mesmo rotineiro, mas nada mais me adiantou vi como um motociclista bêbado avançando em direção contrária. O caminhoneiro tentativa esquivarle enquanto frenaba ao mesmo tempo, mas o motociclista se estampo de cheio contra.

Eu fiquei imóvel, não queria passar por lá, não queria vê-lo, mas tinha que fazê-lo. Me aproxime e eu vi o homem deitado no chão com as duas pernas quebradas, fui para deixar a bicicleta para ajudar no que pudesse, mas um carro de polícia chegou nesse momento e decidi deixar o lugar.

Avanço lento, afetado pelo o que eu tinha vivido, avançando como um espectro. Mais tarde, me cruzamento com uma matilha de cães que andavam pela estrada, eu estava tranquilo e eles também, eles pareciam bons meninos. Nós cruzamos o olhar e cada um seguiu seu rumo, todos menos um. Aos 30 segundos passo de um carro que não lhe deu valor a suas vidas e atropelo a um deles. Foda-já estava até os ovos.

Terminar meus últimos dias no Peru escalando até o passo de Abrir a Listra (4338 m) e entrando no Altiplano Dos Andes Centrais. Minha última refeição antes de cruzar a fronteira foi uma truta do lago Titicaca. Era o momento de começar um novo desafio, buscar novos objetivos, conhecer o meu país, número 30 e continuar o meu caminho para o Sul.

A felicidade reside na liberdade,

e a liberdade se alcança com a coragem.

Vinte e um

Vídeo Nacho Dean:

Deserto de Sechura:

Desde o Nascer até Cusco:

Machu Picchu:

Vídeo para Santillana:

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