Corre, anda… rebenta – Titãs do Deserto

Alternar a corrida ou a corrida com o passo leve é um método simples e eficaz de treinamento aeróbico que nos permite ganhar resistência e…

Alternar a corrida ou a corrida com o passo leve é um método simples e eficaz de treinamento aeróbico que nos permite ganhar resistência e melhorar a nossa condição física desde o primeiro treino.

Alternar a corrida e a caminhada em função do terreno permite manter mais estável da frequência cardíaca. Foto: Sergio Fernández Tolosa

Na verdade não tem muito segredo. É um ato reflexo, uma reação natural: correr alguns minutos, se ficar cansado, aminoras o ritmo um pouco, você anda uns minutos, se recupera, volta a correr alguns minutos, se ficar cansado, aminoras o ritmo um pouco, você anda uns minutos… E assim vai progredindo, de forma que os minutos correndo cada vez mais, e os minutos andando, menos.

CAMINHAR OU CORRER: O QUE É MELHOR?

Algo semelhante acontece quando você começa a correr pela montanha, onde os fortes desníveis de alguns caminhos te obrigam a baixar o ritmo e passar a correr, a caminhar em alguns setores, para voltar a correr alguns metros mais longe. Esta manobra, no jargão trail runner, é conhecido como CACO, que é um acrônimo de Andar e COrrer –em inglês chamam – Run & Walk– e embora possa parecer uma invenção fruto do atual crescimento do trail running, é que este conceito é utilizado desde há pelo menos duas décadas (a primeira vez que ouvi foi na boca de Mònica Aguilera, vencedora de diversos raids de esportes de montanha, no final da década de 90).

Há passos que deverá diminuir o ritmo. Foto: Alberto Domínguez Gago.

Para mim, os CACO’s são algo básico em todas as minhas saídas de “trail-troting”. Não me acompleja em absoluto caminhar. Ao contrário. Eu amo. Posso dar passos mais longos e tenho a sensação de avançar mais, com menor esforço, mantendo as teclas pressionadas mais controladas, de forma que depois posso me concentrar mais e correr com maior fluidez e segurança nas zonas planas e as descidas técnicas.

Para mim, um indicador objetivo de quando devo começar a caminhar ou voltar a correr é o ritmo cardíaco. Quando passo de 165 batimentos, sob o ritmo até que descem até as 150, que é onde eu me sinto confortável e “ágil de mente”. Normalmente não me faz falta olhar para o monitor de freqüência cardíaca. Me dizem as pernas e os pulmões. Na verdade, me dita todo o corpo.

VAMOS FAZER UM ESTUDO CIENTÍFICO

É a pergunta de um milhão de neurônios: quando a inclinação for acionado, você vai mais rápido, correndo ou caminhando?

Embora a maioria dos corredores de a pé, já o tínhamos bem claro, para lançar alguma luz sobre isso, há poucas semanas, foi publicado um estudo realizado na University of Colorado, Boulder, em que os pesquisadores, inspirados nas corridas de Quilômetro Vertical, se levantavam um enigma, desses que só eles sabem resolver com números, testes e demais provas: qual é a melhor rota para chegar a um topo determinada a partir de um mesmo ponto de origem? A mais longa, mas com inclinações mais suaves –em que se pode correr–, a mais curta, mas com brincos mais duras –que não corre nem Kilian Brasil– ou a que tem pendentes intermédias, em que os mais fortes correm e o resto dos mortais caminhamos ou vamos alternando?

Há altos que mesmo andando para chegar ao limiar anaeróbio. Foto: Alberto Domínguez Gago.

Imagine a situação: estamos aos pés de uma montanha, a 2.000 metros de altura, e tem que subir a uma crista, situada a 3.000 metros. Todos os caminhos são ou íngremes ou muito íngremes. Um deles tem uma média de 17% e 5’8 km de comprimento; outro tem uma inclinação média de 50%, e apenas 2 km de comprimento; e o terceiro, de 62% e 1,6 km de comprimento. Qual é o melhor? Qual é o mais rápido? O que nos cansaremos menos?

UMA FITA DE CORRER FALSA

Para realizar o estudopersonalizaram uma fita de correr e convenceram a 15 atletas de montanha para fazer o hamster em uma ascensão artificial em que a fita se inclinava gradualmente, passando de 9.4°, 15.8°, 20.4°, 24.8°, 30.0°, 35.0° e até os ¡¡¡¡¡39.2°!!!!!, sempre a uma velocidade vertical estável de 0’35 metros por segundo, de forma que a fita avançava mais lentamente à medida que crescia o grau de inclinação.

O veredicto do estudo foi que o melhor caminho teria sido o segundo –o de 30º, ou seja, de uma pendente média de 50%–, em que andar tão rápido quanto possível dentro de nossa capacidade aeróbica é a maneira mais rápida e eficiente de alcançar o cume.

Nos setores mais técnicos deverão ter o pulso controlado. Foto: Sergio Fernández Tolosa.

Além disso, as conclusões (que você pode ver neste link), defendem que, tendo em conta que ao caminhar, a frequência e o comprimento do passo é 28% menor e maior, respectivamente, que ao correr. Por isso, consideram que a partir de inclinações superiores a 15’8º (25-30%), pode-se reduzir o gasto de energia de caminhar em vez de correr e obtendo o mesmo resultado em tempo. Que bom. Já posso andar tranquilo.

>> As fotos deste post são de uma de nossas saídas por Montserrat, no domingo passado, com os infatigables Isma e Alberto. Nós a chamamos de Monk Trail e dá a volta a todo o maciço. Se você estiver interessado, deixo o track para GPS no link de Wikiloc.

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