Compressão e rendimento desportivo: Realidade ou ficção?

O material compressivo no esporte é um grande avanço: otimiza a eficiência muscular, melhora o desempenho atlético e acelera a recuperaicón.

compressãoHá alguns meses fui convidado para a apresentação de uma marca de roupa esportiva compressiva espanhola (Hoko). Em primeiro lugar fui porque tinha algumas dúvidas a respeito da compressão e rendimento desportivo e, em segundo lugar, porque é uma marca de nosso país, que tinha ótimas referências. A citação fui com a minha colega de trabalho em vários projetos profissionais, o Dr Fernando Pons (Cardiologista), para reunir-me com o meu companheiro de profissão Xavi Méndez (Personal Trainer com uma vasta experiência e promotor desta iniciativa Hoko) e Cristina Leão (Bióloga e Responsável de Marketing de Hoko). O certo é que o encontro prometia, somos pessoas apaixonadas por nosso escopo de cada uma de nossas ciências, que compartilhamos e nos enriquecemos nosso domínio. Assim, sem mais delongas, vou contar o que surgiu, de forma espontânea, essa conversa intensa e cheia de conteúdo.

Origem das roupas compressivas:

Há já muitos anos, cerca de um século, que existem este tipo de vestuário. Se utilizavam um início (também) na europa como tratamento para as varizes e as complicações decorrentes (edemas e trombose). Assim como a melhora da circulação sangüínea pós-operatórios. Não foi até os anos 90, quando este tipo de peças começaram a ser usados no desporto profissional. Underarmour foi a primeira marca norte-americana que comercializou para o grande público, em 1996, este tipo de vestuário. Hoje, como eu disse antes, me faz difícil de sair para correr e não cruzarme com alguém que não leve este material.

Compressão e rendimento desportivo:

1. Aumenta a potência muscular em atividades sustentadas (The Journal of Strength and Conditional Research, 1996).

Minha opinião: O estudo que achei revela que, utilizando malhas/calças de compressão melhora a potência para o salto vertical. Nada que dizer. Há evidências científicas. Aqui poderíamos entrar em detalhes do estudo como na amostra, o tipo de amostra, que acontece em outras situações onde também se precisa de potência. Se o estudo foi feito no salto, como se pode fazer a afirmação geral e categórica do que vos escrevo ao princípio. Vos entendo, que cada um pense o que quiser. Nem é preciso dizer, que há mais estudos a favor da afirmação de parcerias de investigação sérias, mas não posso fazer esse tipo de revisão bibliográfica para este post.

2. Atraso do aparecimento da dor muscular (Britis Journal of Sports Medicine, 2007).

Minha opinião: Quando a afirmação foi feita uma associação do prestígio e investigação científica, como a que cito neste ponto, nada a dizer. De todas formas, sempre farei uma chamada à reflexão. Para saber mais sobre um estudo, deveis sempre a olhar em profundidade e não quedaros com apenas, com a conclusão final mais atraente. Vede se o estudo foi feito com pessoas ou animais (ratos por norma geral), que mostra participou no estudo (número de pessoas pesquisadas, que tinham características dessas pessoas, idade,…), e fazer-vos todas as perguntas tolas que quiser, como faria uma criança. Para este caso, lembre-se que a dor é algo intangível, e que o limiar de dor em cada pessoa é diferente. Portanto, para “tangibilizar” algo que não se pode medir, há que enumerar algumas variáveis que justifiquem a posterior conclusão. Se quiser saber mais, leia os estudos por completo e extrair suas próprias conclusões também, relacionar a informação com especialistas, além de testar os efeitos em vós mesmos, se nos vos vai a saúde na tentativa.

3. Acelera a recuperação muscular pós-exercício (British Journal of Sports Medicine, 2006).

Minha opinião: Há inúmeros estudos que demonstram, com evidências científicas, esta afirmação. É algo fisiológico, tangível.

4. Conduzida durante a atividade reduz o trauma pós-exercício e a percepção de dor muscular (Jornal os Sports Sciences, 2007).

Minha opinião: Esta conclusão vem de um estudo testado com homens ativos que praticam esporte regularmente. O certo é que os homens que levavam as meias de compressão perceberão menos a dor muscular durante e depois do exercício. Talvez eu não me tornaria as meias para correr 10 km em minha condição: parto de um estado de saúde músculo-articular. Mas sim, se fosse para correr uma distância mais longa. Eu testei essas meias e, se a pressão é a mais adequada para um, se notas mais protegido.

5. Melhora a circulação durante a prática esportiva (Retorno venoso).

Neste ponto eu comentei a opinião do Dr. Fernando Pons (cardiologista) que, para este tema, é muito mais interessante que a minha. O Dr. Pons diz: Tenho de confessar que me custa a entender, à luz dos fundamentos em que se baseia a fisiologia cardíaca, como uma pressão contínua pode favorecer o retorno venoso nas pernas saudáveis. Dos muitos fatores que determinam que o sangue volte para o coração das pontas (sucção da bomba cardíaca, tônus vascular e contração muscular), apenas o tônus vascular (tensão da parede venosa) pode ser aumentado de forma artificial por este tipo de roupa. Ainda assim, este efeito só teria influência em pessoas com um tom vascular deteriorado (com mal funcionamento secundário de suas válvulas venosas), o que no jargão médico é conhecido como insuficiência venosa crônica. Em atletas jovens (e até mesmo de meia-idade) esta condição é rara. Reconheço que eu gostaria de conhecer a opinião de um especialista na matéria, como um cirurgião vascular, para acabar de me formar uma opinião certa sobre o tema. Até então, eu preferiria confiar o meu retorno venoso para um bom estado de minha musculatura, tanto esqueleto como cardíaca. O que sim me parece lógico é que se consiga um alívio na sensação de peso nas pernas durante o exercício físico, já que a compressão diminui o volume total de sangue nas extremidades (desde o momento em que nos colocamos, já que diminui o tamanho venoso), reduzindo assim o edema muscular. Em poucas palavras: não é que a roupa compressiva ajude a bombear mais, mas que reduz o volume total de sangue venoso para segurar as pontas. De novo a opinião de um especialista pode esclarecer as coisas.

6. Tem efeitos positivos na oxigenação muscular da panturrilha e reduz a estagnação venoso em posições de repouso (Cardiovascular Haemodynamic Unit, University Department of Surgery, Royal Free and University College Medical School).

Minha opinião: Amplamente demonstrado no campo da medicina, sobretudo em pacientes com insuficiência venosa.

Um servidor prestes a sair para correr com roupas compressivas Hoko.

Outros benefícios da roupa compressiva que vêm dados por outras características técnicas deste material, e não pela própria compressão:

– Mantém a temperatura quente e expulsa o suor, por ser um material respirável.

Não quero chegar a conclusões este post sem antes aportaros a opinião de Xavi Méndez, personal trainer de pilotos da GP (Jorge Lorenzo), Dakar (Jordi Viladoms) e de corredores profissionais, na disciplina do running:

Xavi defende a utilização das roupas compressivas porque, em geral aumentam os níveis de propriocepção (percepção do corpo no espaço) na hora de executar movimentos. Dado que grande parte da conversa que tivemos na sede Hoko focado nas pantorrilleras compressivas, onde se abriu o debate, Méndez, por sua experiência vasta experiência em corridas de montanha, comenta que as normalmente usado em corridas onde preveja um tempo maior aos 75′ por estresse, que vai receber a musculatura. É uma ferramenta que ajuda a alongar a eficiência muscular. Estas afirmações são feitas a partir da experiência pessoal e os resultados nele obtidos e com seus clientes. Xavi diz-nos, também, que tenhamos em conta a medida que vamos usar, e perante a dúvida, escolha o tamanho maior, já que um excesso de pressão pode resultar em lesão. Lembremos o princípio ativo destas peças de vestuário, aumenta a pressão de fora para dentro, portanto, o diâmetro interno dos vasos é menor, por isso o fluxo sanguíneo é menor também.

Xavi Méndez, correindo com Pedro Hidalgo, outro grande corredor. Neste caso, com roupas Hoko.

CONCLUSÕES:

É provável que, como eu, ouviu mil maravilhas e benefícios sobre a roupa esportiva compressiva. Quando saio para correr, é difícil não cruzarme com pessoas que não levem umas malhas compressivas, ou meias curtas ou compridas, compressão apenas para os gêmeos, etc., O certo é que alguns pontos quanto à compressão e rendimento desportivo não são claros e, por isso, se está investigando. Como dizia Einstein, “Se soubesse o que estou fazendo, não lhe chamaria de investigação”.

Depois de ter em conta todos os aspectos acima citados e de experimentar o material (no meu caso, que comprei de Hoko), posso concluir que o material compressivo no esporte é um grande avanço. Otimizará a eficiência muscular, se recuperará antes dos treinos e estará mais fresco o seguinte, a recuperação será mais agradável e, se você levar o grau de compactação adequado (muito importante este ponto), vai sentir-se mais compacto e seguro.

Presta atenção, por isso, as etiquetas das peças de roupa, qual o material que são feitas?, talvez a sensação de compressão, mas você está habituado, te incomoda, ou faça-a sentir desconfortável (é uma questão pessoal). Lávalas com água fria (é importante que não se encolha nem varie o grau de compressão) e, sobretudo, escolha muito bem a peça, o grau de compressão que tenha sempre a comprar. E, por último, eu recomendo que você compre uma cor clara para o verão (repelir os raios ultravioletas) e cores escuras para o inverno (atraem os raios ultravioletas). Se quiser saber mais sobre materiais e ergonomia do esporte, leia este post que escrevi há algum tempo: Ergonomia no esporte.

Talvez haja pontos que lhe tenham confundido mais do que ajudar, bem-vindo para as ciências da atividade física e do esporte. Extrai suas próprias conclusões, eu te tenho exposto grande parte do que sei.

Lembre-se que antes de usar qualquer material, creme ou suplementação nutricional, unte bem a sua própria máquina (corpo), treinando em progressão, alimentándote de forma correta e tendo hábitos de vida saudáveis.

Mil graças a Xavi Méndez, Cristina Leão e a Hoko, que me abriram as portas de sua casa, com um profissional, um conhecimento profundo sobre o que vendem e um tratamento excelentes, mas entende-se que em todas as marcas deveria ser assim, nem sempre ocorre e se anseia. ¡Bem vai! Hoko é interessante hoje em dia, para uma multidão de atletas profissionais e amadores. E é o que ouvir, ver e agir em consequência não custa nada. Parabéns! Se você quiser ver como trabalham vede este vídeo do minuto 7 ao 11, do documentário Be Fit Barcelona Fit: http://www.youtube.com/watch?v=Wd5-O1nkUA8.

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