Como um peixe na água

Os três esportes que compõem o triatlo, a natação é a que mais respeito –e preguiça– costuma dar; especialmente para os entusiastas que se…

estreito

Os três esportes que compõem o triatlo, a natação é a que mais respeito –e preguiça– costuma dar; especialmente para os entusiastas que se iniciam nesta disciplina sem ter passado boa parte de sua infância entre corcheras. Quantas vezes terei ouvido aquilo de “se você não nadado de pequeno, é muito difícil chegar a aprender a nadar bem”? De acordo:é difícil, mas não impossível. A prova são todos os duatletas que evoluíram para sobrevoar os mares como se tivessem nascido revestidos de escamas, com a barbatana dorsal, respirando por brânquias.

VOLTAR A NADAR

Dez anos sem pisar em uma piscina pode ser que sejam muitos e muitos anos. Mas é o que tem a vida, que vai passando e quando você menos espera, te diz que você tem quarenta paus, e que há mais de uma década que nem corre um triatlo, nem faz uma maratona (nem um, nem meio, nem nada de nada… Assim que eu coloquei as pilhas, e perante as dificuldades dos sóleos e gêmeos que me produz correr, eu decidi que seria melhor alternar atividades –correr, andar, centro de fitness, kayak de mar, nadar, fazer ferratas, o que quer que seja– para fazer exercício todos os dias. Porque pedalar é muito bom, mas como dizem: a variedade é o gosto.

Exista ou não um objetivo definido a médio ou longo prazo, planejar minimamente uma rotina de treinos é sempre aconselhável. De repente, tudo tem lógica. Recupera seus cadernos de exercícios de há anos, as analisar, e vê que todo o quarteirão. Eu corria, e bastante. Mas também nadava. E também andou muito, muito mesmo. E claro, eu era jovem… Bom, melhor deixemos de lado as evidências.

Depois de observar esses padrões e o que eu gostaria de fazer nos próximos meses, decidi incluir a natação nos meus planos um dia da semana (um momento). Acho que me servirá para baixar as pernas, que ao nadar, parece que se esticam, trabalhar o cardio e, de passagem, recordar velhos tempos.

PRIMEIRAS SESSÕES AQUÁTICAS

Para começar, o melhor é ir para a piscina. O mar virá na segunda fase. Em águas calmas, podemos “remar” melhor e ir ganhando técnica, ou “recordando” técnica.

Agora mesmo eu tenho duas sessões, e estou muito feliz: o primeiro dia consegui fazer 2.000 metros mudando de estilo em pouco menos de uma hora, e na segunda sessão, sete dias depois, cerca de 2.500. Pode parecer insignificante, mas para mim, nestes momentos, é uma missão quase heróica, algo inimaginável há apenas um par de semanas. Mais ainda tendo em conta que fui a uma piscina de 50 metros, que sempre me tinha parecido que eram o que começa quando acaba o infinito…

A partir de agora, a minha intenção não é cobrir mais metros. É fazer melhor. Para fazer isso, eu vou continuar a trabalhar no ginásio, ganhando força-resistência, e esta semana vou começar a fazer séries curtas, com alguns sprints, acelerações de 25 metros, certamente.

A verdade é que me parece realmente excitante poder voltar algum dia sentir que nadas sem cansar-te, ao prazer. Mas para isso há um longo caminho em que não faltarão entretenimento de toda a classe. Quão bom é o cruzamento de treinos. Que tudo soma, e que lhe permite mudar de espaço, de paisagem, de empresa…

NOVOS TEMPOS, NOVAS TECNOLOGIAS

Como se de uma viagem no tempo se tratasse, e depois de tantos anos sem pisar em uma piscina, em condições, esses dias tenho percebido sutis, mas notáveis mudanças: de entrada, tenho visto muita gente nadando. E quando eu digo nada, eu quero dizer que nadam. Não vão fazer a medusa, entrando no molho, deixando-se levar pelas correntes e parando meia hora entre um longa e outro. Nadam de verdade. Trazem a sua treinos impressos em papel plastificado. Fazem alongamentos prévios, seu aquecimento, suas séries, seus metros de técnica e seus metros suaves finais. Tudo isso me surpreendeu, a verdade. E para o bem.

a timex

Tenho que dizer que também tenho visto muita tecnologia. Há 15 anos, acho que era o único que nadava com relógio –na piscina do SAF da UAB usava um Timex Indiglo 100 Lap com cinta de velcro, que gravava minhas séries de mil– mas hoje eu sou um dos poucos que chapotea sem relógio. É a grande vantagem de ir a uma piscina com cronos –no plural, um em cada ponta, e sincronizados– os de toda a vida, com suas quatro agulhas, uma verde, outra vermelha, outra amarela e outra azul. “Saímos vermelho acima de 45″, a cada 5 segundos…”.E é que uma piscina sem cronos não é uma piscina.

Também tenho visto pessoas a ouvir música. Eu Me pergunto como eles se concentram. Eu não consigo nem correr com fones de ouvido. Também tenho visto mais tattoos. E os óculos de natação são cada vez maiores. E se multiplicaram os trilhos reservados: pista lento, faixa rápida (como?), trilho de cursillistas, trilho do curso de salvamento de futuros auxiliares de voo, trilho de aposentados, trilho de triatletas…

O que é realmente positivo é a proliferação de aletas, luvas, tubos, tambores de hidratação, etc. Percebo que os treinos já não são avaliados por milhares de metros que nadas, se não pela qualidade dos metros que você faz.

Evidentemente, há coisas que não mudou: continua a haver pessoas com alergia a banho prévio, a ser lançado para a piscina. Eu gostaria de vê-los na Islândia, onde você tem que tomar banho com sabão de 6 pontos “quentes” do corpo, e sem fato de banho, antes de colocar de molho em água de piscina…

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