“Bodybuilding Method” e pessoas normais

Existe um ditado no mundo do fisiculturismo, que diz algo como que os melhores físicos não nascem, mas que se fazem. É…

Existe um ditado no mundo do fisiculturismo, que diz algo como que os melhores físicos não nascem, mas que se fazem. É a cultura do “no pain, no gain” que tanta frustração cria aqueles que a abraçam, como se de uma religião se tratasse, com a esperança de obter os resultados que vêem nas revistas de musculação. Se olharmos para os editores dessas revistas, veremos como, na maioria dos casos, são os mesmos que distribuem os produtos de suplementação anunciados em suas páginas.

Se analisarmos o problema em profundidade, veremos não só é uma questão de metodologia de treinamento totalmente desaconselhavel para a maioria das pessoas, mas que o verdadeiro problema que encontramos nas expectativas surrealistas, que se oferecem em troca de treinar com esses sistemas e gastar uma soma de dinheiro mais do que considerável, sobretudo a essas idades, em produtos de suplementação. É o mesmo problema que leva à frustração e a que tanta gente acabar experimentando com substâncias que, certamente, lhes acabarão passando factura de uma maneira irreversível. Se você olhar, Quantos fisiculturistas da época de Arnold estão vivos?

Para falar sobre o porquê de tais sistemas de treinamento não são eficazes para a maioria das pessoas, há que diferenciar entre o que nos EUA se chama um EASYGAINER (Menos de 1% de pessoas que treinam com pesos regularmente e que têm uma grande facilidade para desenvolver massa muscular e suportar grandes volumes de treinamento), e os HARDGAINERS (O resto de pessoas que vão ao ginásio procurando esses resultados que nunca chegam a atingir). Absolutamente todos os fisiculturistas profissionais neste mundo, além de ser EASYGAINERS, têm contato constante com esteróides e outras substâncias de caráter anabólico, porque, de outra forma, nunca conseguiriam nesse desenvolvimento muscular. Os EASYGAINERS contam com cerca de condicionantes naturais que os tornam capazes de tolerar e adaptar-se às rotinas das que eu falo, enquanto que todos os outros, se seguíssemos, estaríamos tão acima de nosso nível de tolerância que antes aparecia a lesão que a adaptação. Isso Significa que não podemos conseguir resultados? Claro que não. Significa que nós temos que entender o nosso organismo e colocar um sistema de treinamento adaptado à nossa própria natureza, não tão geneticamente superdotada, e ter expectativas reais para, assim, evitar a frustração.

Então, o que nos diferenciamos essas pessoas talentosas e por que não podemos seguir os seus próprios sistemas de treinamento? É um cálculo de pontos que passo a detalhar e que fazem com que, embora não todos os easygainers dispõem de um 10 em cada um deles, se que, ao final, acrescida de uma quantidade superior ao resto.

  • Somatotipo: Existem vários tipos de estruturas genéticas que determinam a facilidade para ganhar e perder tanto gordura quanto músculo. Em grande medida, esta classificação vem determinada pela estrutura óssea, pois parte da idéia de que uma estrutura superior será sempre capaz de suportar maiores músculos sem colocar em risco o sistema. O Mesomorfo é aquele que conta com um grande desenvolvimento muscular, sem sequer treinar para isso. Costumam ter ossos densos e grandes, visível tanto em suas ações como tornozelos, mais largos do que a média. Endomorph, é aquele que conta com uma grande acumulação de gordura subcutânea em quase todo o seu corpo e cuja figura é governada quase em sua totalidade por linhas curvas. Esta pessoa tem uma facilidade média para ganhar massa muscular, mas uma grande facilidade para ganhar gordura, o que faz com que tente destruí-la é mais difícil do que o habitual. Então, por último, temos o Ectomorfo, caracterizado por um sistema ósseo mais débil, aprecia-se em pulsos e tornozelos mais finos e mais dificuldade para ganhar o máximo de massa muscular e gordura.
  • Pontos de Inserção. Normalmente as pessoas tem pontos de inserção dos músculos próximos à articulação que vão mover. Contra mais longe da articulação mais eficaz é o braço de alavanca e, portanto, mais peso são capazes de mover. Um exemplo seria a inserção do bíceps no braço. Contra mais longe do cotovelo esteja mais capacidade para gerar força terá. Esta característica, obviamente, é algo que não podemos alterar e que, portanto, vem de série quando nascemos.
  • Eficiência Neuromuscular. É a capacidade que tem o organismo para recrutar fibras musculares, através de sinais elétricos provenientes do sistema nervoso. Contra maior eficiência, maior capacidade de recrutar fibras musculares e, portanto, mais força, maior resposta hormonal, ergo maior desenvolvimento.
  • Comprimento do músculo. Os músculos estão ligados ao osso através de tecido conjuntivo chamado tendões. Fique com os tendões e se é o corpo do músculo. Tendões mais pequenos dão lugar a corpos do músculo maiores, o que implica maiores estruturas contráteis, ergo maior força, ergo maior tamanho muscular. Isso determina em grande medida a forma que têm os nossos músculos quando desenvolvemos por isso, é impossível ter os bíceps do utilizador do google embora entrenemos como ele, porque vai ser complicado que nossa anatomia combinar neste aspecto.
  • Tipo de fibras e número. No nosso organismo, temos três tipos de fibras. Costumam-Se chamar I, Ii, IIx. As fibras tipo II são as encarregadas de gerar força, isto é, as que utilizamos nos treinos de musculação, mas também são susceptíveis de aumentar de tamanho. De acordo com a nossa genética, podemos ter mais ou menos essas fibras, de forma que, um indivíduo com maior número terá maior capacidade para gerar força e desenvolvimento muscular.
  • Sistema Hormonal. Um Easygainer costuma ter um sistema hormonal mais capacitado para se recuperar de sessões tão duras de treinamento e provocar a adaptação, além de um sistema digestivo mais eficiente, que lhes permite absorver maior quantidade de nutrientes, o que vai de a mão do primeiro e, por isso, o coloco no mesmo ponto.

Como vereis nada podemos fazer contra isso que acabo de detalhar mais do que aceitar a genética que herdamos e agir em consequência. Com isso refiro-me a encontrar um sistema de treinamento que possamos tolerar e do que nos possamos recuperar entre treinamentos para, assim, facilitar a adaptação e abraçá-la uma vez produzida, dar-lhe todos os nutrientes que possamos assimilar necessários para a recuperação, e comparar sempre com a nossa própria pessoa, apenas algumas semanas antes de cada vez, nunca com o outro. Infelizmente o homem tem, instintivamente, a necessidade de comparar-se sempre com o outro, mas, a não ser que estejamos pensando em competir, isso é um erro que quase sempre leva à frustração.

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