Bikepacking, minimalismo sobre duas rodas

Qual é a bicicleta ideal para viajar? O Mountain bike? O Híbrida? O estrada? O desporto? O alumínio? O De aço? Com alforges? Com reboque? Me fizeram essas perguntas…

Qual é a bicicleta ideal para viajar? O Mountain bike? O Híbrida? O estrada? O desporto? O alumínio? O De aço? Com alforges? Com reboque? Me fizeram essas perguntas algumas vezes, e sempre respondo o mesmo: a bicicleta ideal para viajar é a SUA BICICLETA.

Não importa o que você tenha. Sempre que cumpra mínimos, te servirá. Outra questão é quando você já tem um tempo viajando de bicicleta. Então, já pode afinar mais e compreender que tipo de bicicleta se adéqua mais ao tipo de viagem que tu fazes. E aí começa a especialização.

No entanto, para uma primeira experiência, o importante é sair e dar pedais. Se perder, de ver o mundo, fundir-se com a natureza, explorar o ritmo da pedalada da realidade que nos rodeia. Depois, com a prática, porque hás de ir limando detalhes, corrigindo erros, melhorando materiais, e em função do tipo de saídas, passeios ou viagens que fizer, poderá escolher o tipo de bicicleta que mais se adapta às suas necessidades. E é que não existe uma fórmula matemática, ou uma definição concreta, pois existem tantas maneiras de entender o cicloturismo como cicloturistas há.

Rodar por estradas estreitas e caminhos agrícolas é um verdadeiro prazer com uma bicicleta tipo

NOVOS “HASHTAGS”
O #bikepackig #overnight é o mais legal, o mais trendy, o último, o último em matéria de turismo. Para dizer A verdade, e tal como acontece em determinados momentos da vida, tem-se a sensação de que apesar da mudança estética e os avanços em materiais e prestações, em sua essência, o “bikepacking overnight” é mais ou menos o que temos a fazer –e sonhando com fazer– toda a vida. Isso sim, agora pode se tornar realidade com cerca de hashtags mar de molones que certamente foram cunhados em algum remoto caminho, floresta ou deserto de ultramar.

O conceito #overnight refere-se a passar a noite fora, para alongar a excursão durante, pelo menos, um par de dias, com a sua noite ao ar livre, para que a experiência seja ainda mais intensa e enriquecedora, gostando ainda mais do contato com a natureza.

As travessias curtas e com bagagens leves permitem rolar rápido e fazer muitos quilómetros em cada etapa.

O conceito #bikepacking, por sua vez, baseia-se na forma de dispor a bagagem sobre a bicicleta. A ideia é ir o mais leve possível–, mas conservando a capacidade de autonomia para vivaquear–, com tal de que o peso afetar o mínimo possível o comportamento da bicicleta. Para isso, o #bikepacking baseia-se em uma nova tipologia de sacos leves, elásticos e/ou compactables –em função das necessidades de cada momento– que são colocados diretamente após o selim, no buraco do retrato ou suspensão do guiador, através de correias e velcros.

Grande parte da magia –e a graça do espírito “bikepacking overnight” consiste em avançar até que se alcance a noite, e então improvisar um lugar onde deitar-se. É claro que, às vezes, o de “dormir” pode chegar a converter-se em um eufemismo. Para aqueles que não vêem o chão como uma possível cama, está sempre a opção de um alojamento de abrigos, albergues, hotéis, casas de turismo rural, etc.–.

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MINHA PRIMEIRA VEZ
Minha primeira experiência em que digite juntas, as três marcas #só #bikepacking e #overnight foi durante o outubro tropical que tiveram a sorte de viver esse ano. Aproveitei que me davam uns dias uma bicicleta perfeita para o tipo de percurso que queria fazer –uma Surly Straggler que se move tão bem por pistas que por estradas–, preparei o minimalista bagagem e eu disse “até logo” à cidade.

Era uma aventura express: apenas dois dias, cerca de 300 km de itinerário por carreterillas de montanha e trilhas em bom estado, e uma noite fora.

Como eu não tinha sacos de bikepacking, improvisé sobre a marcha com o que tinha em casa. A solução foi colocar o saco de dormir, isolante e a roupa “de noite” na capa de uma velha barraca de camping que tornei uma “handlebar-bag”. Em uma bolsa de selim que tinha em casa arrumei dois sacos zip de jantar e o pequeno-almoço. As barras de energia, kit de cozinha, as ferramentas e as coloquei no Camelbak, cuja bolsa de hidratação –3 litros– só empleé para carregar água, desde o último povo até o refúgio. O resto do dia eu funcionei com os dois barris.

Café da manhã: 200 gramas de aveia misturada com leite em pó, açúcar, passas, café solúvel e água quente. O resto do dia eu funcionei com barras.

O pack completo era abastecido, mas leve. Só usava uma roupa de dia e outro de noite. O outfit do dia foi o mais adequado para andar de bicicleta durante todo o dia, tendo em conta a época do ano e as temperaturas. Para a noite, nada de frescuras: nem camisolas de renda, nem hoje, nem roupão de guatiné, nem chinelos. É vital cumprir à risca a regra da simplificação: nada de peças cujo uso se sobreponha. Menos é mais.

A aventura saiu a pedir de boca, e duas semanas depois, repeti a experiência por outra área muito diferente. O esquema foi o mesmo: estradas secundárias, trilhas florestais e um refúgio livre no equador de um itinerário que entre as duas fases somava cerca de 300 km Em resumo: dois dias de liberdade, fluindo no solo, paisagens, pedalando de sol a sol.

Em ambas as ocasiões, voltei para casa completamente rendido, mas ao mesmo tempo cheio de energia. ¡¡¡Eu já estou preparando a terceira!!!

TRACKS PARA GPS
Aqui deixo as tracks para GPS destas últimas saídas, caso alguém se anima:

Cruzeiro do Empordà, Rosselló e Ripollès (Pirineus Orientais)
Etapa 1: Caldes de Malavella – Col de Banyuls (160 km & 1.882 m+)
Etapa 2: Col de Banyuls – Ripoll (143 km & 2.240 m+)

Cruzeiro do Priorat, Montsant e Portas de Beceite(Tarragona, Espanha e Castellón)
Etapa 1: Montblanc – Beceite (160 km & 2.800 m+)
Etapa 2: Beceite – Tortosa (130 km & 1.550 m+)

O sistema de bolsas de bikepacking funciona sem a necessidade de andar de porta-bagagens na bicicleta.A idéia é ser completamente independente, mas a água o volume das fontes que encontro pelo caminho.Pedalar de sol a sol e dormir onde cair da noite. Porventura, pode haver algo mais fascinante?Comentários Facebook

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