De Botsuana Zimbaue – Colorado on the road

Etapas: 13/02/2016 Tsootsha – Sul (129 Km). 14/02/2016 Sul – Kuke (113 Km). 15/02/2016 Kuke – Sehithwa (80 Km). 16/02/2016 Sehithwa – Maun (102 Km)….

Etapas:

13/02/2016 Tsootsha – Sul (129 Km).

14/02/2016 Sul – Kuke (113 Km).

15/02/2016 Kuke – Sehithwa (80 Km).

16/02/2016 Sehithwa – Maun (102 Km).

17-19/02/2016 Descanso em Maun.

20/02/2016 Maun – Makgadikgadi Pans National Park (106 Km).

21/02/2016 Makgadikgadi Pans National Park – Gwetta (115 Km).

22/02/2016 Gwetta – Creme De Leite (100 Km).

23/02/2016 Creme De Leite – Mosetse (78 Km).

24/02/2016 Mosetse – Francistown (110 Km).

25/02/2016 Descanso em Francistown.

26/02/2016 Francistown – Tsamaya (46 Km).

27/02/2016 Tsamaya – Marula (Entrada em Zimbabwe) (91 Km).

Botswana: Em busca da fauna selvagem

A minha entrada no Botswana eu me aproximava, mais do que nunca a savana africana. Ansioso para observar a vida selvagem avancei pela planície para chegar a Maun. Pedalando pelas intermináveis retas de asfalto eu me sentia como um intruso. A estrada é cercada por grama, mas apenas alguns metros, depois começa o domínio da vegetação, árvores e mato baixo que não se permitem ver com profundidade, que é o que de fato ao seu redor.

Dava-Me bastante tranquilidade a presença de vacas, cavalos e burros selvagens na beira da estrada, onde se concentra o capim mais tenro. Digo tranquilidade porque pelo menos eu me sentia como o bocado, menos suculento. Apesar de ser pouco provável topar com um predador por essa área, é impossível não sentir aquele comichão na boca do estômago quando você ouve um som à sua volta.

A primeira noite no meu trigésimo sétimo país de minha volta ao mundo, dormi camuflado junto a uma árvore, a poucos metros da estrada. Foi uma noite inquietante, em que uma terrível pesadelo interrompeu minha agradável sonho. Acordei tão agitado e desorientado, que não sabia que estava em Botswana, só sabia que era noite e que eu estava dentro da loja. Amanecí fatigado e depois do pequeno-almoço, comecei a fazer a profilaxia da malária. Há uma semana comecei a medicarme para combater tão temível doença. Curiosamente durante essa semana, não havia bem descansado nenhuma noite, acordando-me exausto depois de dormir 8 horas e pedalando não me sentia 100%. A inquieta noite que passei foi a última porque decidi parar de tomar Malarone. Os efeitos colaterais estavam me destruindo.

Me pus em marcha, sem desfrutar de um banho matinal e massa no meu suor, como de costume. Coincidência, acaso ou acerto, pedalei com um desempenho melhor do que em qualquer dia da semana anterior. Parece que a profilaxia da malária estava me roubando a energia, e só me resta bater na madeira para não recolhê-la. Mas se esse fatídico mosquito vem a mim, tomarei medidas para superar o obstáculo, como sempre tenho feito. Até então, simplesmente vou aproveitar restringindo as precauções para que não me manter de morder.

Encerrando a jornada em uma pequena aldeia, onde acampo junto às cabanas de barro e palha. Pela manhã me dá os bons dias com um céu claro e azul, mas a época de chuvas está começando e clima na África é difícil de prever. À tarde eu pegar uma tempestade, não chove de forma constante, se ia deslocando para o Sul e o céu descarrega água a cada 5 minutos de forma intermitente. Gloriosa ducha natural que me dá uma pausa e limpa a sujeira da minha roupa.

Diário Botsuana 1

(Acampando em uma pequena aldeia de Botsuana)

No quarto dia, em Botswana alcançou Maun. Na embaixada espanhola de Windhoek deram-me o contacto de João, cônsul honorária. Há 20 anos, criou uma agência de safaris para visitar o Delta do Okavango. João me recebe com os braços abertos e me deixa ocupar a sua casa de hóspedes. Me paquerando durante vários dias dormindo na cama, com uma casa de banho privada, cebándome de boa comida e pela primeira vez desde que deixei para trás Cape Town, lavo a roupa na máquina de lavar.

Seu marido é um guia profissional de safaris e me dá um valioso conselho. Durante suas expedições, sempre leva um punhado de areia fina no bolso, para interromper o ataque de um leão lanzándosela os olhos. Espero nunca ter que colocá-lo em prática.

A segunda noite em Maun, João organiza um jantar para a reduzida comunidade de espanhóis. Foi quando conheci o Marcus, piloto de aviões, que se ofereceu para acompanhá-lo em um voo para pegar a 11 clientes de uma loja dentro do Delta do Okavango. Pela manhã despegamos e do ar, vemos crocodilos e hipopótamos, pousou na pista de terra dentro do Parque Nacional e se sobem todos a bordo. Na decolagem, mais digna de um rali, observamos uma manada de elefantes andando pela imensa planície. Uma experiência única!

Diário Botswana 2

(Com Marcus dentro do Delta do Okavango)

Depois de repor as forças e decidiu continuar a aventura, eu organizo tudo para continuar a marcha, mas pela primeira vez na África não ia a pedalar sozinho. Frank, um dos guias de safaris de João e amante da bicicleta, decide ir até a cidade de Creme de leite, a 300 quilômetros ao Leste.

Diário Botswana 3

(Junto com João, seu marido e Frank)

O primeiro dia voar com o vento a favor, e alcançamos a entrada do Makgadikgadi Pans National Park. Com o pôr-do-sol acima, montamos o acampamento junto a uma árvore, e preparamos a fogueira para manter os predadores afastados durante toda a noite. Ao nosso redor podem-se apreciar as zonas de passagem de animais de um lado para o outro da estrada, como imensos buracos entre os arbustos que só um animal de grande porte podia fazer. Enquanto ela estava recolhendo lenha com os últimos raios de luz, tive a bela oportunidade de ver um elefante passar a 200 metros do acampamento. Foi uma surpresa porque eu não esperava isso, passou andando como se nada, como se não existiéramos. Foi a primeira vez na minha vida que parecia um elefante selvagem de tão perto.

Diário Botswana 4

(Distante foto que eu tirei ao elefante que passou pelo nosso acampamento)

Acendi o fogo com um sorriso estampado no rosto, tudo me parecia tão emocionante. Frank estava como se nada, afinal de contas cresceu rodeado de esta fauna selvagem, mas eu estava entusiasmado.

Antes de dormir Frank me avisa: Nada de comida dentro da barraca. Se você tem qualquer alimento com cheiro a carne, as hienas e os leões hão de por ti, se você tem fruta pode atrair os elefantes. O fogo nos proteger durante toda a noite, mas as hienas não o temem, é provável que venham a cheirar e inspecionar este novo arbusto de seu território, ou seja, a barraca. Você deve estar calmo e não agitarte, elas virão, olerán, inspeccionaran e, finalmente, se alejaran.

Naquela noite, fechei os olhos com a esperança de acordar pela manhã e ver as pegadas, as hienas ao redor do meu acampamento, mas ao sair o sol só tinha um rastro de milhares de insetos que se abrigaram sob a minha loja.

Chegamos ao primeiro povo com o fresco da manhã, onde tomamos café da manhã feijão com Fat Cakes, uns bolinhos carregados de energia. Frank faz de intérprete e simplesmente me deixo levar apegando-te a ter para onde quer que vá.

Atravessamos dois Parques nacionais, que são separados pela estrada. Ao Norte, temos o Nxai Pão National Park com menos concentração de água, e ao Sul o Makgadikgadi Pans National Park com o Rio Boteti e o Lago Nwetwe, em que se concentra a maior parte da vida selvagem do lugar, devido à abundância do precioso elemento.

Enquanto pedaleamos, constantemente contamos com a presença dos Emas. Na estrada Frank reconhece as fezes de uma hiena, são recentes me diz, menos de dois dias. As fezes de lobo começam a blanquearse passadas 24 horas, devido ao excesso de cálcio proveniente dos ossos que comem. Estava ansioso por ver alguma.

Diário Botswana 5

(Fezes de uma hiena)

Durante o caminho, meu guia pessoal me conta como há dois anos, um motociclista alemão, morreu nesta mesma estrada às mãos de um elefante. O animal se lhe atravessou a estrada, o motociclista para espantá-lo revolucionou o motor ao máximo para assustá-lo com o poderoso som, mas a resposta do elefante foi envestirlo até a morte.

Em uma de suas últimas expedições como guia de safáris, Frank levou a um pequeno grupo de turistas a pé. Ele estava a 20 metros à frente, quando um elefante começou a andar em direção a eles, Frank se escondeu atrás de um arbusto à espera da reação do animal, enquanto o grupo se ocultava-se junto a uma árvore. Quando teve de frente para ele, decidiu mostrar-se com os braços levantados para parecer maior e intimidá-lo. O elefante duvido, e perante a dúvida sempre envisten. Frank recebeu um trompazo na virilha e esteve a ponto de perder as jóias da coroa. Finalmente, o grupo espantou o animal gritando e levantando as mãos.

Esses relatos não fazem mais que aumentar a minha curiosidade sobre a atitude de cada animal, e qual seria o correto comportamento diante da situação de tê-los frente a frente. Bombardeio a Frank com milhares de perguntas, eu abro os ouvidos e eu decoro todos e cada um de seus conselhos. É uma mina de informação que, provavelmente, no futuro, ter que colocar em prática.

Com a chegada Gwetta, deixamos para trás os parques nacionais, e onde nos esperava uma recompensa, com a assinatura de João. Antes de sair de Maun nos deixou paga uma noite no parque de campismo de Baobab Planet, com jantar e café da manhã incluído. Nas proximidades do acampamento se concentram os enormes Baobá, majestosas árvores que chegam a medir 30 metros de altura e 11 metros de diâmetro, em seus mais de 1000 anos de vida.

Diário Botswana 6

(Bucéfalo ao lado de um Baobá)

O buffet do café da manhã, nos deixou fora de combate por duas horas enquanto fazíamos a digestão, e nós começamos a pedalar ao meio-dia em nossa última jornada juntos. Antes de chegar a Nata tivemos que procurar abrigo em uma fazenda próxima da estrada, onde passamos a tempestade que tivemos logo acima.

Esperamos uma hora em que a chuva cesara dentro de uma cabana de barro e palha. Aproveitamos para falar do comportamento dos elefantes, unidos que estão com os seus grupos, os sentimentos que se processam, a memória que os caracteriza e um dos comportamentos mais incríveis, como os despedem antes de abandonar o rebanho para fugir e morrer na solidão, para, em seguida, rendirles uma particular homenagem póstuma quando se encontram com os seus restos mortais, tocando com suas trompas e cascos dos enormes ossos.

(Refletindo junto a Frank na cabana de barro e palha)

Creme de leite por último, é o povo que acampo com Frank. Pela manhã, despeço-me do melhor guia de safáris que conheci e continuo minha viagem solo.

Francistown é a última grande cidade que visito em Botswana antes de chegar à fronteira com o Zimbábue. Foi uma parada de um dia para trabalhar com o computador usando o wifi do aeroporto. A primeira noite, quando me preparava para dormir na sala de espera, um dos operários conhecido por seus colegas como Mr T, oferece-me acampar no jardim de sua casa. Os trabalhadores do aeroporto vivem em uma pequena área residencial construída a menos de 500 metros, e era uma área segura para dormir. A segunda noite, um dos companheiros de Mr T diretamente para me oferecer uma cama em sua casa. Em Botsuana há longas extensões de terreno selvagem e não há muita população, mas as poucas pessoas com que me cruzei no caminho, foram simplesmente maravilhosas comigo.

Diário Botswana 8

(Colorado On The Road ao lado de Mr T)

Com 30 dólares em dinheiro no bolso para pagar as taxas de minha próxima fronteira, coloquei rumo ao Zimbábue sob a chuva. Não fiquei muito tempo pedalando e os 50 km, parei em uma pequena cidade, para buscar refúgio em uma área coberta de delegacia de polícia. Pude secar a roupa e os agentes deram-me o jantar. Finalmente fiz a noite lá, porque a tempestade não cessava.

Cruzei o posto de fronteira com o Zimbabué com fome de mais. Eu gostaria de fazer um Safari selvagem para o Delta do Okavango, mas claro está, os elevados preços deixam-me fora de toda a expedição. A bicicleta te limita muito, mas foi a que me deu asas. Se não fosse por ela, nunca havia compartilhado essa experiência ao lado de Frank, e acima de tudo, jamais teria aprendido tanto dele. Há uma frase que me disse que me ficou gravada na memória:

“Se você se sente como um intruso em um ambiente selvagem, é porque você é”

Da Bolívia para o Chile – Colorado on the road

03/04/2015 Copacabana – Huarina (82 Km). 04/04/2015 Huarina – A Paz (78 Km). 05/04/2015 descanse em Paz. 06/04/2015 descanse em Paz. 07/04/2015 Descanso…

04/04/2015 Huarina – A Paz (78 Km).

05/04/2015 descanse em Paz.

06/04/2015 descanse em Paz.

07/04/2015 descanse em Paz.

08/04/2015 descanse em Paz.

09/04/2015 Da Paz – Patacamaya (103 Km).

10/04/2015 Patacamaya – Colpapucho (50 Km).

11/04/2015 Colpapucho – Pazña (165 Km).

12/04/2015 Pazña – Sevaruyo (94 Km).

13/04/2015 Sevaruyo – Keluyo (94 Km).

14/04/2015 Keluyo – Uyuni (70 Km).

15/04/2015 Uyuni – Ilha Inkawasi (95 Km).

16/04/2015 Ilha Inkawasi – San Juan (82 Km).

17/04/2015 San Juan – Ollagüe (Entrada no Chile) (77 Km).

Bolívia

Entrar na Bolívia significava que entrava no meu país, número 31, mas a geografia não deixava marguen de diferença, ainda continuava no Altiplano dos Andes Centrais e não desceria de 3600 metros de altitude até chegar à fronteira chilena.

Onde passar a minha primeira noite foi uma decisão fácil. Pedalei com as últimas horas de luz até a beira do Lago Titicaca, na cidade de Copacabana. Encontrar um lugar tranquilo, onde o acampamento foi algo mais complicado do que imaginava. Devido à proximidade da Semana Santa, as margens do lago estavam cheias de visitantes nacionais, que tinham chegado para passar as festas.

À medida que me afastava da costa da cidade, ia encontrando cada vez menos agitação e era exatamente o que eu precisava, tranquilidade. Finalmente acampé a cerca de 20 metros de um grupo de viajantes.

(Acampando nas margens do Lago Titicaca)

Uma vez eu instalei o meu acampamento às margens do lago, aproximei-me conhecer os meus vizinhos de origem francesa e colombiana, a calentarme com o fogo da fogueira e compartilhar umas cervejas. Não demorou em ir dormir, as duras pedaladas do dia não te deixam marguen para a vida noturna. Mas, aproximando-se o relógio às 23:00 horas, uma patrulha da polícia veio a minha paciência acampamento, despertaram-me a voz para que saísse do meu corpo e saco de dormir e apresentar a minha documentação. Logo que me pus em pé e mostrei meu passaporte me perguntaram: você Cheira a álcool, você Tem que beber? Um par de cervejas, respondi. Você Sabe que é proibido beber na via pública? Fiquei pensando que diabos eu estava olhando no rosto quando estava em uma área arborizada afastada da cidade, enquanto, na verdade, uma via pública estavam dezenas de bolivianos bebendo junto à margem, e eu levava-os dormindo para várias horas.

Foram muito severos com sua decisão, Pega tudo, mande-o para a van que nos vamos para a delegacia, disseram-me. Não dava crédito ao que eu estava passando, mas desde o início eu sabia perfeitamente o que queriam, e suas piadas e risos dos delataron com clareza. Infelizmente para eles eu sou um teimoso cabezón que nem de brincadeira ia ser o trabalho de soltar a imaginação e dar-lhes uma gorjeta que andavam buscando, assim que eu decidi a minha estratégia em questão de segundos e leve a cabo: De acordo senhor policial, não se preocupe que cooperare em tudo o que você precisa, eu preciso de 40 minutos para pegar todo o meu arraial, e enviá-lo para o seu veículo. Mas primeiro notifíqueme a delegacia vão me locomover, já que esta é uma situação nova para mim, e eu gostaria de chamar um amigo da Embaixada Espanhola para informar a este evento.

Enquanto percussão no meu celular números aleatórios, se olharam entre os 6 policiais as caras de idiota que se lhes havia ficado, e rapidamente me disseram que desta vez iam fazer vista grossa. Assim que voltei a entrar na minha querida loja de campanha desfrutando do farol que tinham comido, e continuar passando a orelha no meu mullidito saco de dormir, um tempo pelo menos.

Quando estava imerso em um sono profundo, as 03:00 am o som de vozes e a música me despertaram. Fui descobrir de onde vinha tal escandaloso e, para minha surpresa, de entre todas as áreas livre que estava a dezenas de metros de meu acampamento, três jovens bolivianos haviam decidido instalar uma barraca ao lado da minha, para embriagar-se e ouvir música a todo volume. Aproximei-Me para pedir-lhes que, apesar de ser removidas da música, já que estavam tão bêbados que com certeza não iriam até perder o conhecimento, mas um deles me surpreendeu com uma pergunta: Mas tu de onde és? Eu sou Espanhol eu respondi. Então este pequeno me disse algo que me deixou atônito: Gringo de merda, vai-te para tua porra de país. Eu não podia me mover, não conseguia dizer nada, só consegui ficar de pé em frente a eles durante um par de minutos, enquanto me ferveu o sangue. Os primeiros instantes apenas tentei não dar asas a minha frustração, o que me teria levado a dormir o resto da noite, e acordar-me com a visão de seus corpos ainda flutuando no Lago Titicaca. Eles se olhavam sem entender o que estava me passando pela cabeça. Os últimos segundos, quando entre em razão, eu pensei em uma partida razoável, Mas o que eu iria fazer? Como chamar a polícia, corrupta? Assim que tomei a decisão mais inteligente e menos problemas eu ia dar, pedir-lhes que tentassem fazer o menor ruído possível e voltar a dormir. É claro que a reação deles foi subir ainda mais a música e continuar bebendo a vozes, mas, por sorte, passada meia hora da embriaguez aos silêncio em um sono profundo.

Às 07:00 da manhã meu despertador tocou, encontra passado, o que acha passado a noite, eu me levanto com a luz do amanhecer e continuo minha viagem, não há desculpas para continuar a dormir, mas, sim, razões para seguir em frente.

Antes de sair de Copacabana, fui tomar o pequeno almoço ao mercado com o viajante colombiano que conheci na noite anterior. Eu mostro um pouco da cidade e compartilhamos algumas aventuras. Nos despedimos, eu cruzei o cerro para embarcarme em um pequeno barco que me levaria ao outro lado do estreito de Tiquina, e coloquei rumo à Paz.

Com dois estágios de chegar à capital, e desde o bairro chamado Alto concordei da estrada que desce serpenteando o vale, para me levar ao centro da cidade. Eu tinha certeza de onde ele iria escolher, na Casa de Ciclismo de Cristian. Já havia lhe avisado da minha chegada por e-mail e ele estava me esperando. Já instalado e com o computador ligado, escrevi para a viajante colombiana do projeto, O Sul é o Norte, Andrea, a quem havia conhecido a subir a Machu Picchu. Desde que nos conhecemos não perdemos o contato e nos esforçamos para coordenar nossa chegada a La Paz, para ir juntos para conhecer As Lutas de Cholitas. Também não me esqueci do meu grande amigo Luís Carlos, ciclista colombiano com o que eu compartilhei as pedaladas para chegar a Lima, com quem coincidí em Cusco e também havia planejado corresponder na Paz.

(Chegada a La Paz)

Andrea foi rápido em sua resposta e ficamos de nos ver no dia seguinte na Igreja de São Francisco, para ir conhecer o espetáculo das Cholitas. Mas Luto não deu resposta.

Na manhã seguinte, decidido a domar minha maluquinha juba fui direto para um salão de cabeleireiro do centro. Quando passei em frente da Igreja de San Francisco me deparei com um improvisado posto que Ali havia montado. Estava com sua moto apoiada na parede e sobre uma bandeira da Colômbia que tinha no chão, mostrava os labirintos que o mesmo produzido com fios de metal, em uma tentativa de angariar fundos para sair da dura situação econômica que atravessava.

Nos fundimos em um forte abraço que dura um ano, eu lhe perguntei o que diabos estava fazendo e nos pusemos ao dia. Eu tinha acabado de ganhar um bom dinheiro por um trabalho feito para a Editora Santillana, então, pedi-lhe que recolhesse o seu lugar, porque seus problemas econômicos, já estavam solucionados. Decidiu esperar que voltasse de cortar o cabelo, por isso tente ser o mais rápido possível.

Já de volta, fomos juntos à casa do ciclista e, pelo caminho, compramos comida em abundância em um supermercado. Ninguém melhor do que eu sabe o desgaste acumulado, a que se chega após duras jornadas de pisa, e eu queria cuidar do meu irmão colombiano. Com o estômago cheio de arroz, frango e batatas, eu saí para comprar uma garrafa de rum para brindar com o meu companheiro. De caminho, fiz uma parada no caixa, para dar-lhe uma ajuda do meu querido amigo.

O relógio marcou o início da tarde e era hora de ir para a Igreja de San Francisco para os Andrea, e ir conhecer As Lutas de Cholitas. É claro que convide Luto para que nos acompanhasse, como uma família de viajantes.

A verdade que esperava uma luta chata de Pressing Catch, mas foi um espetáculo ver voar pelos ares as pequenas luchadoras dentro do ringue, além disso, o rum, o incentivou muito mais. Desfrutamos desses momentos juntos, a vida dos passageiros de diferentes nacionalidades, sempre fazem as correspondências mais emocionantes, já que não sabemos quando voltaremos a reencontrar.

(Colorado, On The Road, recebendo uma surra das Cholitas)

Passados alguns dias, a primeira a partir, foi Andrea para o interior da Bolívia. Depois fui eu quem pôs rumo em direção a Uyuni, despidiéndome para sempre nesta aventura de meu irmãozinho pequeno. Lucho havia tomado a decisão de voltar para a Colômbia, o que fazia impossível que nossas pedaladas nos tornassem a unir.

(Colorado On the Road e Luis Carlos, alias Luto, alias Colômbia)

Para sair Da Paz, poderia optar pela auto-estrada de 12 km com uma inclinação muito moderada, ou sair em linha reta pelo lado mais íngreme da montanha e fazer apenas 3 quilômetros para voltar para O Alto. Durante esta viagem eu sempre tive uma preocupação que eu não soube resolver. Cada vez que eu estou triste e retomo a estrada, eu tenho a necessidade de sofrer fazendo marchas de grandes distâncias e até altas horas da noite. É como se quisesse consumir meus lamentos.

Tomei a partida mais difícil da cidade. Encaré diretamente da montanha, perdendo a capacidade de pedalar, a inclinação era tão pronunciada que, enquanto empurrava minha potro tinha que parar para respirar, a cada pouco tempo. A altura para que o oxigênio escaseara e a elevada poluição fez com que o ar que cheirava arder em meus pulmões. Com um grande esforço coroné topo do vale, olhei para trás e me despedi da ultima visão Da Paz.

Minha primeira noite fora da capital boliviana la passei em um hostel económico, gerido por uma senhora encantadora que me deixou o seu melhor quarto, o preço da mais barata. Pela manhã ofereceu-me a bandeira da Bolívia e me acompanhou até a rua junto a seu marido para me despedir e desearme boa sorte, eram simplesmente encantadores.

(Bucéfalo recebendo a bandeira da Bolívia)

À medida que avançava pelo interior do país, o povo se voltou cada vez mais próxima. Quando parava para comer sempre me davam dose dupla, faziam-me perguntas sobre a minha viagem, me hospedaram em umas termas e me deu as obrigado por levar a sua bandeira. Uma classificação que tive há muito, é que a atitude de uns poucos não pode ser a imagem de muitos. Apesar de minha infeliz primeira noite em Copacabana, um jogo é um jogo, e infelizmente existem muitos neste mundo. Mas isso não quer dizer que por cruzarme com um vá para catalogar as pessoas de sua mesma nacionalidade com a mesma sombra. Esses preconceitos só obstruem a verdadeira imagem de uma sociedade.

Os últimos 250 quilômetros até Uyuni a estrada deixou de existir. A pista de terra era a minha nova estrada, lama, buracos e as pedras, meus novos companheiros. Durante o dia o vento bate duro, mas, ao entardecer, relaxa, assim que o problema minhas pedaladas sob a luz de minha lanterna. Na hora de acampar me custa ir dormir, sem nenhum rastro de luz, o céu brilha com milhares de estrelas. As noites são frias, mas os dias quentes. Os operários que constroem a estrada que liga Santiago de Huari, com Uyuni, dormem em grandes acampamentos que cada meio dia visito para saber suas cantinas, e almoçar sob o seu convite.

(Colorado, On The Road, atravessando a Bolívia)

Finalmente, alcançou a cidade de Uyuni, uma das paradas do Dakar. Com apenas uma noite de descanso me preparo para a aventura que você mais queria viver na Bolívia, atravessar o Salar de Uyuni.

Desde o povoado de Colchani coloco rumo à entrada do maior deserto de sal e a maior altitude do mundo. À medida que me aproximou o primeiro acesso, me dou conta de que esta totalmente inundado. Os caminhões que transportam os turistas superar o obstáculo com facilidade, mas eu não posso cometer nenhum erro, ou senão o meu pônei poderia afogar-se nas águas salgadas, e com ele perder todo o meu equipamento eletrônico.

Esperei pacientemente para ver que caminho escogían os experientes guias bolivianos ao volante de seus caminhões, até que encontrei um caminho que não era tão profunda. Peguei ar e comecei a pedalar com firmeza sobre a água à medida que esta ganhava profundidade. Em vários trechos pedalou com água pelas canelas, mas Bucéfalo cumpriu e superamos juntos o obstáculo, já estávamos dentro do salar.

(Colorado, On The Road, depois de atravessar a entrada inundada)

Investiu muitas horas de luz para chegar até esse ponto, e ainda tinha de 75 km até a Ilha de Inkawasi situada no centro do deserto de sal. A planície era eterna, o solo e o sal triturado sob as rodas. O sol se refletia no sal, a mais de 3660 metros de altitude e próximo ao equador, a radiação solar era intenso o que eu cobri cada centímetro da pele de meu corpo, para evitar abrasarme. Mas o meu maior inimigo foi o forte vento contra que soprava constantemente, e arrastava temperatura de 10 ºC.

Com as horas de luz pedalei contente e animado, aproveitando a experiência e, às vezes, fechava os olhos por longos instantes, total, não tinha nada contra o que possa colidir. Mas não presté atenção ao lento que avançava por causa do vento, já que não dispunha de nenhuma referência geográfica à minha volta.

Hipnotizado pelo apaixonante pôr-do-sol, me escudé, na esperança de que o vento pare de soprar com a escuridão e cobrir com rapidez os últimos 20 quilômetros até a rochosa Ilha de Inkawasi. Mas não foi bem assim.

Em poucos minutos, estava rodeado pela mais profunda escuridão, a temperatura caiu drasticamente, o vento soprou com mais força e avançava lento, sob a fraca iluminação da minha lanterna. O verdadeiro desafio havia começado.

Avançando a uma média de 7 Km/h, e precisava de estar a descansar a cada 30 minutos, a esse ritmo, demoraria três horas e meia para chegar até a ilha. Quando estava a menos de 10 quilômetros de chegar ao meu objetivo, eu parei completamente esgotado. Deixe deitado ao Bucéfalo sobre o sal e sentei-me junto a ele, para que me protegera do vento gelado. Abri um de seus alforjes e faça uma lata de cerveja que havia comprado para comemorar uma vitória que ainda não tinha chegado. Eu apaguei a luz do meu farol e deixei que a escuridão me envolver por completo, estava desesperado. Quando dei o primeiro gole de cerveja, levantei a cabeça e fiquei encantado com um espetáculo inesquecível, milhões de estrelas, poeira cósmica e constelações acenando para mim. Então eu vivi uma das mais estranhas emoções que só nessa viagem, eu vivi. Comecei a rir à gargalhada limpa, me levantei animado gritando ao infinito enquanto saboreou a cerveja da vitória. Às vezes esqueço a grande aventura que estou vivendo, devido à responsabilidade que me impondo-de alcançar cada objetivo, mas quando lembro porque estou aqui, porque eu faço isso, a adrenalina explode na minha e não posso deixar de sorrir.

Quando levantei a Bucéfalo do solo, o fiz convencido de minhas duas opções, ir para a Ilha de Inkawasi ou chegar à Ilha de Inkawasi. Apesar do cansaço da dura jornada, pedalei os últimos quilômetros com mais força do que qualquer outro do dia. Uma imensa rocha apareceu na planície salgada, e com ela um refúgio que frenaba o vento e me proporcionou o acampamento perfeito para dormir sem congelarme.

(Claro, na Ilha de Inkawasi)

Na manhã seguinte, olhava para o Salar de Uyuni, a partir de uma outra perspectiva. Bússola na mão tinha que pedalar para o sul para alcançar o povo de Chuvica, já em terra firme, e o vento o que tinha de costas, tornando-se hoje em um aliado.

Com as energias renovadas, invertí parte da experiência em imortalizar o momento com muitas fotos e realizar uma bela tradição do salar, pedalar nu.

(Colorado On The Road e Bucéfalo, no Salar de Uyuni)

Quando abandonei o implacável deserto olhei para trás e dei por encerrado o maior desafio em terras bolivianas. Desde Chuvica até San Juan pedalei duro em pistas de terra, e novamente a noite deu-me caça, mas conclua a etapa com sucesso. Sucesso que merecia a recompensa de dormir sob o teto e sobre um colchão. De todos os hostel que há em San Juan, justo o primeiro em que entrei me trouxe milagre algum uma surpresa.

Enquanto falava com a encarregada e me deu a má notícia de que não havia um lugar livre, Andrea cruzou o quarto para me abraçar com força, tremenda coincidência. O hostel estava dividido em quartos compartilhados, designadas para cada veículo de agências privadas que fazem tours de vários dias pelo salar. Depois de falar com os companheiros de Andrea e com a encarregada, me deixaram dormir no chão de seu quarto com um colchão. As meninas não tinham acabado com a ceia que lhes serviram, assim que dei vazão ao meu apetite, devorando uma salada, uma sopa e 4 peitos de frango.

Quando todos se foram dormir, Andrea e eu estivemos conversando até tarde, estando ao dia de tudo o que vivemos desde A Paz. O que mais me marcou foi quando ela me contou que a Luta lhe roubaram a bicicleta, deixando-a única opção de voltar para a Colômbia no ônibus. Malditos Bastardos!

(Colorado On The Road e Andrea em San Juan)

Pela manhã nos despedimos com a esperança de que ambas as viagens se tornassem a unir em Santiago do Chile. Eu tinha quase 80 quilômetros atravessando o Salar de Chiguana até o passo de Ollagüe, e me despedir bem da Bolívia.

Ele iria para o Chile desde o vulcão Ollagüe e começaria a descer até a costa, deixando para trás o Planalto. Nunca há desculpas para parar, mas razões para seguir em frente.

Acreditando nos sonhos é como os criamos.

Continua a acreditar,

continue sonhando,

continua a criar.

Lutas de Cholitas Cholitas:

Salar de Uyuni:

Da Argentina ao Uruguai – Colorado on the road

Etapas: 11/06/2015 Villa Angostura, San Carlos de Bariloche (90 Km). 12-17/06/2015 Descanso em San Carlos de Bariloche. 18/06/2015 San Carlos de Bariloche – Confluência…

Etapas:

11/06/2015 Villa Angostura, San Carlos de Bariloche (90 Km).

12-17/06/2015 Descanso em San Carlos de Bariloche.

18/06/2015 San Carlos de Bariloche – Confluência (77 Km).

19/06/2015 Confluência – Passo Flores (43 Km).

20/06/2015 Passo Flores – Pedra da Águia (97 Km).

21/06/2015 Pedra da Águia – foi realizado o Leufú (98 Km).

22/06/2015 foi realizado Leufú – Villa el Chocón (57 Km).

23/06/2015 Villa el Chocón – Neuquén (84 Km).

24/06/2015 Neuquén – Allen (26 Km).

25/06/2015 Allen – Forte Lagunita (63 Km).

26/06/2015 Descanso em Forte Lagunita.

27/06/2015 Descanso em Forte Lagunita.

28/06/2015 Forte Lagunita – Ele (110 Km).

29/06/2015 Ele – Choele Choel (56 Km).

30/06/2015 Choele Choel – Rio Colorado (144 Km).

01/07/2015 Rio Colorado – Km 816 (54 Km).

02/07/2015 Km 816 – Medanos (102 Km).

03/07/2015 Medanos – Bahía Blanca (53 Km).

04/07/2015 Descanso em bahia Blanca.

05/07/2015 Bahia Blanca – Geral Dorrege (103 Km).

06/07/2015 Geral Dorrege – Três Rios (113 Km).

07/07/2015 Três Riachos – Necochea (152 Km).

08/07/2015 Niteroi – Mar do Sul (88 Km).

09/07/2015 Mar do Sul) – Mar del Plata (78 Km).

10-15/07/2015 Descanso em Mar del Plata (20 Km).

16/07/2015 Mar del Plata – Piran (95 Km).

17/07/2015 Piran – Maipú (54 Km).

18/07/2015 Maipú – Dores (71 Km).

19/07/2015 Dores – Samborombon (123 Km).

20/07/2015 Samborombon – Buenos Aires (111 Km).

21-26/07/2015 Descanso em Buenos Aires (87 Km).

27/07/2015 Buenos Aires – Carmelo (43 Km).

Argentina

O passo de Samoré que me deixou sem forças, tinha a roupa totalmente tragada pela nevada e eu estava congelando. Há muito tempo, sem sentir calor. Quando desci do Passo e cheguei ao posto de fronteira argentino, o clima melhorou, mas continuou com o frio atravesándome os ossos.

Pedalei até Villa la Angostura, enquanto se fazia de noite e procurei a estação de bombeiros para ver se me podiam hospedar, mas não tive essa sorte. A polícia estava por perto, e que também tentei a sorte. Liguei para a porta da estação de polícia e me recebeu o tenente. Conversamos e ele me pediu que o seguisse até um churrasco, não tinha nem idéia do que era, mas eu continuei. Chegamos a uma casa, na parte de trás da estação, nós entramos e eu senti o aquecimento abrazándome. Perdoe-me, filho, me disse o tenente, estamos de reformas e não há camas, você terá que dormir no chão. Acho que não era consciente do destruído que estava e que naquele caramanchão era para mim um palácio, me deu vontade de beijá-lo com os pés.

Por fim entrei no calor depois de semanas de pedalar debaixo de chuva e uma noite na Etapa de Samoré cercado pela neve. Sequé a roupa em condições e dormi com uma perna fora do saco do calor que passei.

Pela manhã, avancei até San Carlos de Bariloche, onde eu estava esperando para ver Miguel, um ciclista de Warmshower. Estive quase uma semana de descanso, repondo forças e talvez me preparando psicologicamente para cumprir 29 primaveras. Das neves estavam a ponto de chegar ao famoso centro de esqui e queria sair da cidade antes que me complicaran mais a caminho.

Diário Argentina foto 1(Chegada a San Carlos de Bariloche)

Saí na quinta-feira pela manhã a -6ºC, o sol aquecia e brilhava em um céu azul, mas o vento se lembrava de que realmente se estava congelando. Me parou um carro de uma rádio local, que queriam saber de onde vinha e para onde ia, eu concordei prazer para fazer uma entrevista em directo. Chamaram a emissora, responda as perguntas em um lado da estrada e fui educado, como sempre. Mas o jornalista se dava nada de engraçado e reconheço que a terceira vez que disse: “Você está ficando colorado do frio…” me deu vontade de partirle os dentes. Sou uma pessoa divertida, ou isso, quero crer, brincalhão e próximo, mas detesto que alguém que eu não conheço você tome essas confianças para rir-se do meu nome. Mas enfim, despedi-me e comecei o longo percurso de 1000 quilômetros ao norte da patagônia até Bahia Blanca.

A primeira noite acampé às margens do Reservatório Alicura. Fazia muito frio e a fogueira era insuficiente. Ao longo de 150 quilômetros, o lugar estava inhabitado, mas na manhã seguinte, eu topo com o posto de Choripanes e Churrascos do senhor Hugo. Este veterano da Guerra das Ilhas Malvinas havia se tornado seu caminhão em um posto ambulante de alimentos, além de ser o seu abrigo para passar as longas noites perto do Passo Flores.

Diário Argentina foto 2(Colorado On The Road junto ao senhor Hugo)

Depois de uma boa refeição decidi acampar com ele e saber em primeira mão o que significou para o povo argentino o conflito aeronaval. Falei-lhe das experiências mais tensas da minha viagem e o compartilhou comigo vivências de seus anos no activo. Antes de ir dormir, me deu um cobertor que me acompanharia por toda a Patagônia, embora as histórias de Hugo me acompanharão por toda a vida.

Pela manhã nos despedimos com um apapacho (“Abraço Mapuche”), e depois de escalar 18 quilômetros pela encosta de uma montanha, às 19:00 horas, na Argentina, e as 00:00 horas em Portugal, parei na metade da pampa para observar o pôr-do-sol do meu 29º aniversário. Consegui chegar à noite, a Pedra da Águia, não me apetecía acampar assim que eu fui para a estação de ônibus, onde me deixaram dormir protegido por aquecimento.

Com o calor de manhã, pus-me em marcha com um aniversário mais em minhas costas. O dia foi perfeito, o sol brilhava sem uma única nuvem no céu, me cruzei com vários emas correndo pela planície, o vento soprava a favor e avanço 98 km quase sem esforço. Cheguei a foi realizado Leufú duas horas antes do pôr do sol, comprei um par de cervejas, um modesto assado, acampé junto a umas grades e preparei-me para o meu peculiar festa de aniversário.

Fui em busca de lenha por perto e eu cometi o erro de negligenciar o assado. Mas nunca perdi de vista o meu acampamento, um cão de rua viu a oportunidade e me roubou com muito sigilo saco com a comida do aniversário, muitas vezes cabronazo! Não podia deixar a loja sozinha, não podia ir de novo para a carnificina. Por sorte conheci a Jesus, um argentino que veio a conhecer e que quase se parte em dois a rir quando lhe contei como tinha perdido o meu jantar de aniversário. No final, foi outro assado, trouxe mais cerveja e me convidou, um bom final.

Diário Argentina foto 3(Esperando que volte o cão puta, enquanto preparava o modesto assado aniversariante)

A estrada da Rota 22 não foi tão simpática comigo. É muito estressante pedalar por uma estrada tão estreita, sem bermas asfaltada e com intenso trânsito de caminhões. Muitos carros me avançados deixando menos de 20 cm de separação a mais de 120 km/h, e quando se cruzavam dois caminhões tinha que sair demitido da estrada para atirar ao pasto para evitar que me arrollaran.

Os dias eram muito curtas e, chegada a tarde, muito cedo. Pela manhã, saía o sol muito tarde e, além disso, sempre helaba, o que tornava ainda mais difícil entrar em marcha cada jornada. Se tivesse sorte, o vento soprava a favor, mas muda de um dia para o outro, com o que acontecia de fazer um estágio de 140 a 55 quilômetros por parte de vento. Pedalar contra a massa de ar é como se os freios se estivessem ancorados e alguém estivesse empurrando sua cabeça para trás.

Pelo caminho falaram-me do Forte Lagunita como um lugar ideal para descansar, e como estávamos em pleno inverno estaria totalmente vazio. Cheguei com intenções de ser apenas uma noite e, no final, passe três. Era um lugar muito tranquilo, às margens do Rio Negro, rodeado de natureza e longe da estrada. Na Argentina, a carne é tão deliciosa e barata, que a cada dia eu fiz tanto para almoço quanto para o jantar, um bom asadito.

Com o sol passava horas andando e refletindo, e com a lua permanecia junto à fogueira ofuscado pelas chamas. Levava tempo que não usava meu querido chapéu dos desertos, estava cheio de buracos e a tampa da cabeça estava pendurado, já não aguentaria muito mais. A idéia de jogá-la no lixo para acabar num triste lixo, parecia-me indigna para tal guerreiro, assim que decidi dar-lhe uma despedida mais honrosa.

Aproveitando a intimidade do Forte, preparei uma pira funerária e coloquei-o no topo com o companheiro, que me seguiu durante 20.000 quilômetros. Disse algumas palavras, recordando a sua história e, em seguida, vi-o a consumir-se em cinzas em uma breve despedida. Pareceu-Me o melhor de todos os finais para este incansável lutador.

Continuei a viagem, sem a proteção do chapéu dos desertos. A única coisa que me animou naquele momento era chegar à cidade de Rio Colorado. A partir de Choele Choel pedalei 144 quilômetros de pampas, com a ajuda do vento, consegui aterrisar bem entrada a noite em um restaurante de uma via de serviço à entrada da cidade, e um homem se aproximou dizendo: “Ole, ole ole e o que está fazendo, me chamo Martinho Marinho e sou triatleta”. Entramos no restaurante, onde me apresentou ao seu amigo e jornalista, João DiSpagna. Convidaram-Me para jantar, enquanto nos íamos conhecendo. Eles estavam na cidade a negócios e não pensaram nem por um segundo, para também me ao hotel onde eles estavam se alojando. No dia seguinte, voltaram para sua casa em Mar del Plata, onde ficamos em reencontrar e assim poder conhecer, sob a sua hospitalidade, A Pérola do Atlântico.Diário Argentina foto 4

(Jorge DiSpagna, Colorado On The Road e Martin Marinho)

Eu voltei para a minha rotina. Com comida e água suficiente eu mergulhei para dormir em algum local inóspito da Patagônia. Debruçando-me sobre a escuridão e a quietude das planícies desertas, enquanto o calor e a luz da fogueira me lembram que meu lar é apenas um pedaço de pau, coberto por uma tela, e um jardim que se estende até o horizonte.

Com três jornadas consegui alcançar Baía Branca, descansé um dia inteiro para carregar as pilhas e continuei a 500 quilômetros ao Mar do Prata. Esta etapa teve um grande significado para mim, já que depois de mais de um ano viajando para o Sul agora muda de direção para voltar para o Norte. Esta parte me levou a rever o meu itinerário e analisar o atraso considerável, que eu arraste. Em muitos trechos vou mais lento do que o esperado, fiz ampliações da rota e algumas paragens ter durado semanas, quando inicialmente pensava-se que seu tempo dias. Basicamente fui melhorando a viagem sobre a marcha e eu tomei com calma, quando eu encontrei um lugar em que eu me senti confortável. Me deixo levar pela hospitalidade das pessoas que o meu caminho me leva a conhecer, e a Argentina não é a exceção.

A minha chegada a Mar del Plata, na primeira manhã, fiz uma entrevista na rádio Acqua, onde é locutor Julia, filha de Jorge DiSpagna. Eu Me deixei envolver pela doce voz da jovem vocalista, que há pouco tempo mostrou seu talento como cantora ao ser finalista no concurso televisivo Operação Triunfo. Meus gostos musicais foi um tema que saiu durante a entrevista, assim como a minha paixão por Kurt Cobain como uma das maiores influências artísticas que eu já tive.

Diário Argentina foto 5(Colorado On The Road”, na Rádio Acqua junto a Julia e João DiSpagna)

À tarde me recebeu Martin Marinho com sua família, me haviam preparado o seu abrigo para que eu instalasse e você poderá desfrutar de um espaço em que desligar. Durante uma semana repuse forças à base de boa comida e saí para conhecer a cidade. Visitando a reserva de lobos-marinhos do porto, não pude evitar dar uma olha para o Atlântico imaginando minha terra para o outro lado. Um dia Martin preparou Buchada, é um prato típico argentino parecido com os calos em madri, o que me fez voltar a sentir o calor da minha cidade. O apoio de meus novos amigos me forte, uma vez que a melancolia me debilitava.

Diário Argentina foto 6(Colorado, On The Road, Martin Marinho e família)

Um dia saímos para tomar umas cervejas Jorge, Martin e eu. Falando e brincando Jorge me disse algo que me fez pensar muito: “Colorado, tu podes fazer esta viagem em solitário porque você tem muita vida interior…”. Acho que nunca tinha analisado essa característica minha, até esse momento. Senti que uma nova porta se abriu e uma parte de mim brilhar diante dos meus olhos. Deu o prego.

Me fez pensar na cadeia de uma bicicleta. Cada elo é tão importante para seus vizinhos, até que a coroa gira e volta a uma peça, a protagonista do movimento que impulsiona as rodas, a aventura, a paixão, a vida. As qualidades de uma pessoa são elos de uma cadeia de caracteres, cada uma igualmente importante que as outras, até que uma situação, as torna protagonistas do movimento que nos faz avançar no caminho de uma única direção em que todos vivemos. É-Me difícil explicar esse sentimento, mas o resultado dele é que eu sigo em frente.

Diário Argentina foto 7(Colorado On The Road pedalando na Patagônia)

Mais tranquilo e motivado, dedico o último dia em Mar del Plata para arrecadar fundos distribuindo cartões-postais do centro. A primeira hora da tarde, eu rencuentro com Júlia para tomar um café de despedida, e me surpreende com um presente que me encheu de ilusão, uma camiseta do Nirvana. A primeira hora da manhã, antes que o sol tivesse saído, eu me aproxime da Praça de Espanha para fazer uma entrevista em directo para um canal de tv mar platense. Despedi-Me com muito carinho da cidade e de todas as pessoas que me haviam cuidado.

Durante vários dias, pedalei até Buenos Aires, e foi uma entrada tranquila, apesar de ser uma cidade com 15 milhões de habitantes. No centro estava me esperando um cicloviajero belga, Sebastien. Ele havia conhecido através da imprensa e depois de transmitir-lhe o meu apoio para superar a situação difícil que estava passando, me ofereceu hospedagem em sua casa.

Sebastien estava pedalando durante um ano pela américa do Sul decidido a conhecer uma cidade em que se instalar. Desde o primeiro momento Buenos Aires lhe cativou, assim que deu por terminada a sua pesquisa. Passou mais de um ano trabalhando de fotógrafo na capital portenha, utilizando como meio de transporte de sua amada bicicleta, Anai. Mas um dia depois de deixá-la estacionada e ancorada, voltou e já não estava. Sebastien moveu céu e terra em todos os meios de comunicação para recuperar a sua companheira, oferecendo uma saudável e recompensas a quem o restabelecimento, mas não resultou.

Muita gente acha que é um exagero, porque não se compra outra bicicleta e ponto, mas eu o compreendi perfeitamente. Não se trata de um frio pedaço de metal, trata-se de um companheiro, um amigo, e no meu caso até um membro da família.

Durante alguns dias eu cruzei a cidade à medida que fazia recados. Conheci Ramiro, do blog Ciclismo Urbano, e foi de grande ajuda com a mecânica da bicicleta, me deu uns pedais que eu precisava urgentemente e fez de guia por toda a capital. Uma tarde, estávamos tomando uma cerveja e Ramiro se deu conta de que ele estava muito distraído. Quando eu me pergunto o que eu não pude evitar desabafar e reconhecer o arrogante que é, em muitos momentos viajar sem dinheiro, encarar situações que com prata se resolveriam facilmente, mas que sem ela, você tem que se esforçar mais do que nunca para encontrar a solução alternativa e torná-lo uma realidade. Reconheço que é um estilo de vida muito emocionante, mas ocasionalmente saturado. Mas Ramiro me lembrou de algo que parecia ter esquecido: “Da mesma forma que você olhe os bolsos e não encontrar nem um peso, você está dando a volta ao mundo e isso não tem preço amigo, isso é eterno.”

Diário Argentina foto 8(Colorado On The Road e Ramiro, na Praça de Espanha)

Fui ao estudo de Metro de Rádio para fazer uma entrevista ao vivo e foi um sucesso, muitos argentinos me escreveram depois de me ouvir no rádio. Antes do fim-de-semana fiz a mudança para a casa de Franco, um follower dedicado a continuar a minha aventura pelo mundo de minhas primeiras pedaladas.

Sempre me surpreende infinitamente conhecer pessoas que seguem a minha viagem, quase desde os primórdios. Franco e sua família se sabiam todas, faziam perguntas detalhadas que me refrescaban a memória. Geralmente costumo contar uma série de histórias típicas, mas é agradável de falar com pessoas que valorizam todo o esforço que significa documentar a viagem, que seguem ativamente e que se interessam por coisas do meu dia-a-dia que muitas pessoas passam por alto.

Diário Argentina foto 9(Colorado On The Road ao lado de Tiago e Franco)

O fim de semana me aproxima da Praça de Maio para arrecadar fundos distribuindo cartões-postais. De volta para casa, continuei compartilhando relatos da viagem com Franco, e eu me deixei levar por sua paixão futebol para o Vélez. A última noite, desfrute de um tremendo assado como homenagem, mas também foi como uma despedida.

A vida de um viajante é muito movimentada nas paragens. Uma cidade não é um lugar de repouso ou de turismo, mas um centro de abastecimento, trabalho e organização, para poder continuar a viagem. Vivemos e gostamos do caminho, não o que há no final. A semana que passei em Buenos Aires eu passo factura, foi extremamente produtiva e ociosa, mas recorté muitas horas de sono para aproveitar ao máximo cada dia. O cansaço psicológico tinha me levado a um bloqueio no meu canto, em ocasiões gaguejava e não conseguia falar com fluência. Isso me estresaba muito, porque sempre sou uma pessoa muito eloqüente. A solução era muito simples, dormir.

Diário Argentina foto 10(Distribuindo cartões-postais da Praça de Maio)

Me despedi da Argentina pedalando nos últimos 30 quilômetros pela cidade até chegar ao porto de Tigre, e embarcarme em um trajeto de uma hora pelo Mar da Prata ao Carmelo, Uruguai. O controlo fronteiriço me fizeram passar cada saco por Raios-X, então separei os 4 facas que porto sempre comigo, para exibi-los diretamente. A única possibilidade para que pudesse viajar com eles foi que o capitão os transportara na cabine, mas não havia brecha que me permitisse viajar com o tanque de gás com o que cocino os dias de acampamento. Uma perdida que me deixaria sem cozinha até encontrar a peça de substituição.

Já na embarcação olhei para trás alejándome do porto argentino, e com isso a despedida do país em que, entre outras coisas, tinha vivido o meu 29º aniversário. Pode ser que estivesse roçando os dois anos de viagem, mas a percepção do tempo é geralmente muito mais lenta quando se esta de viagem.

A intensidade das experiências diárias, a magnitude dos desafios que enfrento a cada manhã, as variedades culturais que conheço de forma constante, as pessoas que entram em minha vida e que compartilham comigo a dele, provocam um efeito importante na minha percepção do tempo, em que me sinto como as semanas passam como meses e os meses passam como se fossem anos. De acordo com esta progressão eu já ultrapassaram os 50 anos de idade, e os 20 anos de viagem. Por isso que eu acredito firmemente que a vida não se mede em anos, mas em experiências vividas.

Diário Argentina foto 11(Acampando na Patagônia Argentina)

Meu sonho de dar a volta ao mundo é algo evidente. O projecto pessoal de documentarlo para enviar uma mensagem de superação pessoal, e com isso incentivar a tod@s para lutar por seus sonhos é uma realidade há mais de 600 dias. Por isso finalizare mais uma vez um diário de viagem com uma frase para reforçar este propósito:

A vida é aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro.

Vive a aventura.

Aventure-se viver!!!

Diário Argentina foto 12

Facebook Comments

Dani Nafría: A força está na sua cabeça e no seu coração

Entrevista a Dani Nafríal, paratriatleta com o lema A Força esta em sua cabeça e em seu coração.

Dani é uma daquelas pessoas que vale a pena conhecer. Não porque tenha um membro visado e, mesmo assim, siga perseguindo seus sonhos no esporte, mas pela sua maneira de ser e pela força e vitalidade que transmite. Eu tive a oportunidade de conhecê-lo na consulta. Agora eu quero compartilhar com vocês a sua história e a sua forma de pensar. Embora ele não goste que lhe definam assim, para mim, é um claro exemplo a seguir na vida.

O quanto que pratica esporte?

Há mais de 25 anos. Comecei a fazer futebol no colégio e nada de concreto até os 12 ou 13, até que eu comecei com o futebol federado e, em seguida, continuei com o futebol de salão e basquete. Em 2012, começo a correr por minha conta por problemas de horários para ficar com a gente e, conversando com amigos, descubro o triatlo. Ao princípio achava que não podia fazer um triatlo paralímpico porque me custava acabar um 5.000, mas me informá-lo e entrar em contato com pessoas que o pratica e decidi colocar um pouco a sério.

Qual A idade você tem a apuntación da perna?

Pois o caminho aos 12 devido a uma neurofibromatose óssea. Quando me disseram eu peguei um cabreo considerável, e fiquei uma semana sem falar com meus pais. Eles conhecem-me e deixaram-me um tempo para refletir. Eu Me considero um sortudo porque tive tempo de assumir, já que passaram-se cerca de 6 meses desde que me disseram até a apuntación. Existem pessoas que não tem esse tempo.

Você pensou que não poderia praticar esporte?

Eu disse ao médico que me prometiera que poderia voltar a jogar futebol depois da apuntación. Três meses depois, já jogava o primeiro partidillo de pachanga com os amigos no colégio. Com esforço, e, evidentemente, em função de cada caso, é possível.

Você é um exemplo para muitas pessoas, como eu, costumam dizer muito?

Sim, me dizem, mas eu não acho que faça algo extraordinário. Eu gostava de correr e busquei como voltar a correr. Eu gostava de ir de bicicleta e busquei como voltar a andar de bicicleta. Mas eu tenho que ir trabalhar e tenho minha família como todos os outros. Eu nunca quis destacar, apenas quis ser mais um e fazer o mesmo que os outros.Que faça o mesmo que os outros não tendo as mesmas condições, talvez tem um certo mérito, mas eu nunca o procurei.

Quando me dizem: “Parabéns por terminar a corrida!”, eu penso: “Bem, a mesma que você acabamento tu”. Um dia uma pessoa me disse…”você Pode ter muito interiorizado mas, lembro-lhe que te falta uma perna (risos)”. Mas o certo é que se eu faço esporte e eu viajo em redes sociais é, além de divertir-se, porque se lhe posso chegar para alguém e ajudá-lo em alguma coisa, pois, bem-vindo seja.

Ao contrário, também haverá gente que te diz que você passa e faz muito. O que você acha disso?

Um senhor que eu me encontrei em uma pergunta para um dia de verão (eu estava de calça curta) disse-me que o tempo ia passar factura. Eu lhe disse que já tentou poupar a cada mês, mas não sou de ver as coisas a longo prazo, porque não acho que valha a pena. Eu sei que eu tenho que cuidar e sei até onde posso puxar e eu tenho a cabeça muito no chão. Não vou me passar porque, por muito que eu goste do esporte, na segunda-feira eu tenho que ir trabalhar e não vou colocar em risco isso por fazer um melhor tempo. Trata-Se de buscar o equilíbrio. Eu não vou ficar com os braços cruzados se posso fazer alguma coisa. A vida se trata de superar desafios e isso não significa fazer o tolo.

Até agora qual foi o seu maior desafio pessoal e profissional?

11150408_731151656982621_8202650598644941598_nMeu maior desafio pessoal foi conseguir voltar ao normal e, como quase todo atleta, arrumar minha paixão pelo esporte, com o meu sustento económico e o tempo que lhe dedico a minha família.

Nos esportes, o Campeonato do Mundo de 2013. Em menos de um ano eu plantei no Campeonato de Portugal com mais medo do que qualquer outra coisa e consegui colarme, depois de uma corrida dura, em terceiro lugar, o que me permitia ir ao Campeonato do Mundo. Todo atleta sempre sonha, cada um em seu papel, jogar no Barça e fazer coisas deste calibre que você nunca imaginado. Eu tive uma bolsa de estudo em 2007 para salto em altura e, por diversos motivos, a rejeitei. Agora, eu acho que a cagué e o Campeonato do Mundo foi uma segunda oportunidade para fazer algo importante dentro do esporte.

Qual é o seu próximo desafio desportivo?

Terminar a Titan Desert. Tomei como teste da Rioja Bike Race, que tem um pouco mais de área técnica, mas com menos dias e menos percurso, porque, se eu vou para a Titan, tenho que ver como reagirá o meu corpo. Após essa corrida pode ser que descanse em algo, mas em poucos dias eu tenho que voltar a trabalhar.

Como você acha que te ajuda a alimentação em tudo isso?

Pois você me ajudou em vários aspectos. Por um lado, melhorar o desempenho durante o treinamento e as competições. Agora, por fim, sei que é o que eu tenho que tomar quanto à suplementação e hidratação, e isso me permite render mais e durante mais tempo. E, claro, algo muito importante para mim e para todos, que é a recuperação. Se tomas o que você tem que tomar durante o treino e, em seguida, você recupera bem, você é capaz de continuar rendendo no dia seguinte e conhecer mais fresco.

Se, além disso, dentro de meus horários, que são um caos, eu posso conseguir a ordem e comer de forma saudável, tendo em conta as semanas de carga e de descarga do treino, pois perfeito. Isso sim, algum capricho de vez em quando sempre é necessário para que não caia a motivação (risos).

Para acabar o que você diria para as pessoas que vão a passar pela mesma situação?

Dani Nafría Bicicletaeu diria que sim se podem fazer as coisas com trabalho. Simplesmente tem que se adaptar à nova situação. Talvez você não tem tornozelo ou não tem joelho…mas será que Se pode subir sem o joelho? Sim, Você pode esquiar sem joelho? Sim. Simplesmente você tem que mudar a maneira de fazê-lo.

Eu jogo futebol, sou canhoto e minha perna apontada é a esquerda. Disseram-Me que eu passasse para a direita, e não o consegui. Simplesmente há jogadas que não posso fazer o mesmo conforto, mas eu estou jogando com a esquerda e eu também esquiado, tenho ido de bicicleta, corro por asfalto ou pela montanha. Ninguém vai dizer nada, se você quiser ficar no sofá, mas, você pode fazer muito, e agora mesmo com a tecnologia que existe, embora seja um pouco cara, você pode recuperar a vida que você tinha antes da amputação.

Em geral, diria que a vida não acaba aqui e que continuem lutando. Não só isso, mas com tudo na vida, você sempre pode continuar brigando por estar melhor no trabalho, por ser uma pessoa melhor ou ter mais tempo para sua família. A chave é não deixar de querer melhorar ou superar-se.

Você pode saber mais sobre Dani Nafría no seu site ou segui-lo no Twitter, Facebook ou Instagram.

Comentários Facebook