A parábola dos ônibus e Sancho Pança

Ultimamente ouço falar muito da parábola dos ônibus, uma história que, segundo dizem, é obra de Jim Collins, e que lhes serve…

Olá Rubi. Entendo sua posição, mas as minhas influências são completamente diferentes. Toda a minha formação vem dos EUA, onde já há alguns anos, eles decidiram colocar uma solução para o problema das “pseudo” cursos e garantir, de alguma forma, a credibilidade aquelas que se valiam a pena. Para isso foi criado um órgão do governo, dependente da secretaria de educação, que chamaram NCCA (National Council for Certifying Agencies). Esta solução me parece muito mais coerente do que a que muito se propõe a lançar de que só se deve permitir exercer a aqueles que tivessem determinadas qualificações “oficiais”, por mais básicas que estas fossem. Acha que, a ser assim, algo assim só acontece neste país.

Falando de titulações oficiais, o equivalente a INEF nos EUA é um Master Degree in Exercise Physhiology. É importante ressaltar que um Master degree é o equivalente a Licenciatura e nada tem que ver com o que aqui conhecemos por Mestrado. Aqui observamos a primeira diferença com INEF. Uma titulação oficial, onde durante toda a duração do DM estuda-se exclusivamente fisiologia do exercício. Você acha que é comparável com a disciplina quadrimestral que tendes no plano de estudos actual? Pois, mesmo neste contexto, com uma titulação, onde a formação final é muito superior à que se obtém neste país, outras titulações como CSCS da NSCA têm o mesmo prestígio e a prova disso é que os clubes das ligas profissionais como NFL, NBA, NHL, MLB ou MLS, há mais treinadores com esta classe de titulações NSCA, NASM e ACSM, que com o Master Degree que te tenho comentado. O mesmo acontece com o staff dos principais centros de alto desempenho do mundo, como são Athletes Performance, MBSC ou o IMG Performance Institute, onde treinam os principais atletas do planeta.

Então, existe uma outra figura dentro da formação de todo profissional que queira dedicar-se a este tipo de actividade que são os Mentorships, onde o treinador literalmente paga para trabalhar nesta classe de centros só porque explicam a maneira de fazer as coisas, fruto de anos de experiência que foram depurando a metodologia e discriminar entre o que realmente produz um resultado e aquilo que, por muito que os pesquisadores e professores destas titulações digam, não. Alucinarías com a quantidade de teoria, sobre tudo testes para a medição do esforço, limiares de intensidade em função de uma determinada adaptação, ou testes para medição do desempenho que são explicados nesta classe de ingresso e que, em seguida, a nível prático, ninguém usa porque, digámoslo claro, nada tem que ver um terreno de jogo com um laboratório e / ou condições específicas que ocorrem em um estudo para que este seja publicável em um journal com um mínimo índice de impacto.

Resumindo, se eu tivesse que contratar um treinador, pretendia que este fosse INEF porque é a única forma de podermos garantir que tem uma mínima, e no mínimo reside a chave, formação. Daí que constitua uma garantia de formação profissional há um bom trecho. Em seguida, compara Medicamento com INEF, quando em medicina, todo médico lhe dirá, onde realmente se aprende não é durante os 5 primeiros anos, mas os 4 seguintes MIR, trabalhando sob as ordens de médicos experientes que lhes abrem os olhos sobre o que serve realmente de tudo o estudado anteriormente durante a corrida. Para finalizar, eu recomendo que estude INEF, mas eu sei perfeitamente o temário aquelas matérias que me interessam e que são uma mínima parte do plano geral. Fisiologia geral, Fisiologia do exercício, teoria do treinamento e biomecânica e eu te direi que são planos básicos. Nada que ver, por exemplo, com a complexidade de uma titulação privada em Biomecânica como ERA de Resistance Institute e dura apenas 6 meses, onde, além disso, aulas teóricas presenciais são apenas 6 fins de semana. Você também pode perguntar aos licenciados que me conhecem pessoalmente, que trabalharam comigo ou que eu mesmo chegou a treinar. Daniel Senent, o desafiado do ano passado, por exemplo. Ou MHJuan, um costume do fórum, Licenciado e Mestrado em Alto Rendimento do COI. Ou até mesmo para os médicos que trabalham comigo, Luis García del Moral e Marcos Sopena, dois dos médicos mais prestigiados na mais alta competição internacional que deu a este país, e para os que não INEF é o de menos, preferindo ter em conta a capacitação comprovada no dia-a-dia. Em breve pendurá-lo um vídeo com uma entrevista a Marcos Sopena, responsável médico do terra i mar, na época de ouro do atletismo do país, com várias medalhas olímpicas, records, da europa e campeonatos do mundo, falando sobre a minha e a empresa que represento.

Ao final, se devo ser sincero, no caso de ter um filho, e que este não pudesse ou quisesse sair deste país, eu recomendo estudar INEF, mas em um ambiente global, com mais possibilidades, talvez preferiria que optasse por outro caminho.

A multitarefa está te matando

Que efeitos tem a multitarefa em sua forma de FAZER? Como posso combatê-la? Um comentário para não dispersarte e concentrar sua energia como um laser

multitareaOKNão se percebe, mas a multitarefa está te matando. Não estamos projetados para trabalhar em várias coisas ao mesmo tempo, nós temos apenas um processador e, se abrimos várias frentes, que se reparte seu foco entre eles. O processador é a nossa mente e, embora acredite capaz de lidar com vários assuntos de uma vez, avisando que, infelizmente, não é assim. Se deixamos algo aberto sempre acabamos voltando a isso, mesmo que dirijamos, de forma explícita, a nossa atenção no que nos ocupa no momento, inconscientemente, voltamos aos assuntos pendentes que necessitam de nossa atenção. Uma situação conhecida como atenção parcial contínua:

Trabalhamos em questão e em nossa mente emerge um detalhe, chamando a nossa atenção. Durante 5-10 minutos paramos para pensar nele negligenciando o que estamos fazendo. Depois voltaremos ao tema atual e voltaremos a atividade. A todos nos acontece várias vezes, mas o que realmente ocorre em cada um destes momentos de desconexão…

Desligamos da atividade atual, perdemos o foco e a atenção acumulada, a descarregar da memória imediata os detalhes lembrados, carregamos na memória os detalhes sobre o novo assunto, dedicamos parte da capacidade de processo para raciocinar sobre o novo assunto, voltamos a descarregar da memória imediata, nos lembramos de onde tínhamos ficado, carregamos os detalhes na memória para voltar a arrancar e iniciamos o processo para se concentrar novamente no assunto anterior e reengancharnos onde tínhamos ficado…

Eu não sei você, mas a mim parece-me um processo cansativo e desnecessário. Caímos várias vezes ao dia na armadilha e cada vez que você executar este processo de forma inconsciente, consumindo a energia que devemos dedicar ao assunto entre mãos. Não quero parecer dramática, mas diariamente tem uma energia finita (sua capacidade de atendimento e execução) e com estas pequenas fugas da produção de forma desnecessária.

O que posso fazer?

Você pode controlar o fato de trabalhar em vários assuntos ao mesmo tempo de forma explícita. Em um desses momentos de tumulto simplesmente dê um passo para trás, criando uma lista de tudo o que você tem em marcha ou distrai a sua atenção e prioriza. Stop and Go, uma forma para seqüenciar a sua atividade com o objetivo de permitir-lhe fazer colocar em espera o que vem a sua mente para fazê-lo depois.

A outra face da moeda são as múltiplas frentes, muitas vezes escapam ao nosso controle: tarefas que dependem de outra pessoa, urgências, que requerem sua atenção imediata, em suma mudanças externas que não dependem de você. Você não pode combater esta situação, mas você pode aprender a conviver com ela. É inevitável que os detalhes de outras questões que lhe sobrevenham quando você se encontra no meio de outro assunto – também vale para as interrupções – nesse caso, a ferramenta mais poderosa em suas mãos é um bloco de notas e uma caneta.

Coletar e processar

Cada vez que surgir algo – ou nos interrompa alguém – e não podemos/devemos cuidar no mesmo instante, anotamos descrevendo corretamente a questão e deixando para mais tarde a sua resolução. Uma vez por dia, você pode dar uma olhada em sua lista e processá-lo, tomándote o tempo necessário para ver que envolve cada assunto, decidindo sobre o que fazer com ele. Parece simples, mas é difícil levá-lo a cabo ao pé da letra, a implementação de um novo habito sempre é, mas a sua eficácia só se consegue através da aplicação diária, desse modo, o integrando em sua atividade e gera a confiança necessária, implicando a recolha e o processamento de todas as questões referidas, a uma forma eficiente de não ignorar ou negligenciar nada.

O primeiro passo para uma atividade sem estresse desnecessário, o gerado por seu modo de agir, é acabar com a multitarefa. É uma melhoria na sua produtividade pessoal evidente e é por esse motivo que nos costuma passar despercebida, como costumam ser todos esses pequenos detalhes a corrigir que impedem o nosso tempo e energia. Continuaremos falando sobre isso 😉

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A motivação do espartano – Até a falha, e mais além

Neste post eu quero falar de team building. Ou seja, de como melhorar nossas habilidades esportivas em grupo. E o farei usando como exemplo o…

Motivação esprtano, neste post quero falar-vos de team building. Ou seja, de como melhorar nossas habilidades esportivas em grupo. E o farei usando como exemplo o computador Men’s Health que vamos compor Jordi Martínez, Júlio César Ortega, Dàlia Rajmil e Fito Florensa, junto a mim, para a próxima edição da Reebok Spartan Race, que terá lugar em Rivas-Vaciamadrid os próximos 30 e 31 de maio.

Se você ainda não conhece esta competição, trata-se de uma corrida extremamente exigente e espetacular, onde o participante deverá superar uma série de obstáculos que vai encontrando entre água e lama. Os obstáculos postos à prova a força e a resistência física e mental, bem como outras capacidades como a técnica, agilidade, precisão e… O objetivo: tirar o espartano que todos temos dentro de nós!

Somos um time empolgado e com a mentalidade de desfrutar de cada um dos emocionantes desafios que nos trará a competição, e com a finalidade de oferecer o máximo individual, sempre com o fim de beneficiar o grupo. Potenciar os nossos recursos psicológicos a nível individual e grupal é fundamental, já que o resultado final depende de uma interação eficaz entre nós. Cada um de nós é uma parte qualitativa muito importante dentro do grupo. Embora as contribuições individuais serão diferentes, o que conta é o resultado final do computador.

Ainda diria mais: embora o resultado final não seja o esperado, uma percepção positiva do grupo, em relação ao esforço e compromisso, pode ser considerado como uma conquista alcançada.

Esta coesão grupal é a máxima local, já que nos fará mais eficazes durante a tarefa, nos proporciona momentos agradáveis de convivência e nos chegará ao sucesso competitivo. Para isso, esta pode ser uma grande estratégia:

  • Do ponto de vista construtivo, é importante saber quem é o componente que tem mais experiência neste tipo de competições, quem é o melhor na corrida, quem é que controla melhor as provas, etc, Isso pode ajudar o desenvolvimento de funções, com a finalidade de motivar o grupo e que haja uma contínua colaboração entre os integrantes.
  • Comunicação. É importante compartilhar pensamentos e emoções relacionados com o treino, a competição e até mesmo preocupações pessoais. Assim podemos resolver possíveis problemas que vão aparecendo e, de passagem, para evitar complicações no futuro. É importante reforçar o feedback positivo: premiar verbalmente ou com gestos as ações corretas do companheiro é uma grande idéia.
  • Ter uma imagem de computador. Por exemplo: se encontrar antes de iniciar a competição usando gestos de cumplicidade, usar um “grito de guerra”, ter um ritual de celebração, quando se consegue superar uma prova, etc…
  • Definir e respeitar as regras. O grupo deve definir as suas próprias regras em diferentes contextos: durante o treinamento, competição e nas situações mais sociais.
  • O desenvolvimento social dentro do grupo é fundamental para saber o companheiro, e que cada vez haja um maior vínculo e entrosamento grupal. Comemorar juntos o aniversário de um componente ou uma bebida depois de um treinamento são estratégias fáceis de realizar.

BIBLIOGRAFIA

Chicau, C., Silva, C. e Palmi,J. (2012). Programa de intervenção psicológica para a otimização do conceito de equipe, 49-58. Extraído em 24 de Abril de 2015. www.rpd-online.com

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A miopia do treinador e como evitá-la

É comum em todo setor que aqueles neófitos que decidem empreender uma carreira profissional cometam o erro de considerar que os seus gostos ou interesses, como…

20100709__web_070910-bil-swings-obese_500É comum em todo setor que aqueles neófitos que decidem empreender uma carreira profissional cometam o erro de considerar que os seus gostos ou interesses do consumidor coincidem com os do público para o que vão oferecer um produto ou serviço.O treinamento de pessoal se comete este erro de forma mais evidente e exagerada que em qualquer outro setor. É o que eu chamo de miopia do treinador.

E é que constantemente vejo treinadores pessoais lendo ou apoia os temas que lhes são mais interessantes para melhorar o seu estado de forma e que não tem por que coincidir com os interesses de seus clientes. Quer isto dizer que o treinador que comete um erro, evidencia um maior interesse por seu estado de forma que o de seus clientes? Não entrarei nesse jardim, mas eu acho que haverá todo o tipo de casos e circunstâncias. Seja como for, a realidade é que não agem corretamente, mostrando assim a miopia do treinador.

Quantos treinadores conhecem com uma grande formação, ou pelo menos é o que garantem, em nutrição e suplementação? Quantos conhecem que tenham formação ou demonstrem, de alguma forma, uma suposta formação nesta matéria? Tendo em conta que a maioria dos clientes de personal training são pessoas a partir de uma certa idade, muitos deles de passado sedentário com algum tipo de constrangimento, como obesidade, hipertensão, osteoporose, gravidez, etc., que os obriga a ter um cuidado especial e a treinar de uma determinada forma Não será mais inteligente que o treinador se forme nesta matéria e deixe a nutrição dos médicos endócrinos e nutricionistas? Por certo, um nutricionista é, segundo a lei, um graduado ou licenciado em nutrição humana e dietética.

Agora plantead as mesmas perguntas que formulei acima: Quantos treinadores conhecem com formação em populações especiais? Evidentemente que a oferta existente de formação, tanto oficial como autônomo, não ajuda. Exceto ACSM e NSCA (Apenas em seus cursos “Certified Special Population Specialist”, não disponível em Portugal) abordam estes temas em profundidade. Não obstante, tendo em conta que o próprio sistema educativo se esquece dessas populações, há um grande número de livros que tratam com rigor cada uma das patologias mais comuns e que exigem um tratamento especial. O próprio ACSM tem publicado no brasil, uma coleção de livros sob o título “Plano de acção contra…”, onde tratam de temas como a hipertensão, obesidade ou diabetes, entre outros. O mesmo organismo foi publicado através de Human Kinetics management Exercise for persons with chronic diseases and disabilities onde são analisadas 49 patologias e situações frequentes que necessitam de um tratamento especial. Em relação à obesidade e a gravidez, o que vos vou dizer… existe uma grande oferta, embora não com tanto rigor em muitas ocasiões, pelo que haverá que ir com cuidado na hora de escolher as nossas fontes de informação.

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