6 dicas para enfrentar a Alta Caminho Pirenaica

Mais de 700 quilômetros, 40.000 metros de ascensão, 38 dias de aventura a pé… e cinco quilos a menos na balança! Este verão, o desafio…

Mais de 700 quilômetros, 40.000 metros de ascensão, 38 dias de aventura a pé… e cinco quilos a menos na balança! Este verão, o desafio para mim e para meus colegas tem sido ir para o Mar Mediterrâneo ao oceano Atlântico, seguindo a conhecida como Alta Caminho Pirenaica (ARP). E o fizemos sem assistências, em completa autonomia, carregando todo o equipamento (saco, loja, crampons, piolet…), comprando a comida quando passamos por um povo –fomos até uma semana sem pisar em uma população onde estocar–, orientándonos cada dia entre picos, névoas e os outeiros…
ARP_transpirenaica_05

Desfrutamos de 37 dias de aventura sem pressa, subindo e descendo montanhas com uma inseparável mochila que não osamos mesmo (a) calculábamos entre 10 e 18 kg de acordo com os dias passados desde o último ponto de abastecimento). Um total de cinco semanas em que temos bebido água dos riachos, nós dormindo sobre solos duros, pequeno-almoço aveia e leite em pó, jantado cuscuz instantâneo com passas e tubulações –duas receitas económicas que implicam pouco peso na mochila e que continuaremos usando no futuro–, por vezes, capeando ventoleras geadas, às vezes suportando calorinas que te prejudicam o cérebro e um longo etc.

E a verdade é que durante estas cinco semanas o nosso corpo mudou, é claro. Dos 84 kg com os que eu comecei a viagem, cinco ficaram pelo caminho. A primeira coisa que notamos foi que o abdômen se ia para dentro; perdendo volume, mas ganhando tom. A mochila me ajudou a reforçar toda essa área tão de moda, o “core”, sem fazer nem um único abdominal. Na verdade, eu usava essa musculatura…. durante todo o dia! Cada vez me notava-se mais ágil, mais leve. E não só fisicamente e também mentalmente.

Paisagens de sonho.

Se você também vai fazer uma viagem de trekking de vários dias, ou semanas, que, na prática, é quase o mesmo–, deverá ter em conta os seguintes detalhes:

1) APOSTA NO CALÇADO DE MONTANHA

Durante a viagem nos alegramos de calçar botas de montanha especialmente pensadas para trekking de altura. Devem ser leves e rápidas, mas com cana apoio para o tornozelo, reforços que protejam o pé, membrana para que sejam impermeáveis e uma sola que se isolar de todas as dificuldades do terreno. Conhecemos os caminhantes que seguiam com sapatilhas de trail-running e nos confessaram que iam sempre com os pés úmidos –este ano, muitos caminhos estavam encharcados e que as solas lhes haviam gasto os 400 km de travessia (pouco mais da metade do caminho Transpirenaica).

Botas durante o dia, mas após a etapa, um sopinstant e cerca de

2) USA BASTÕES DE TREKKING

A verdade é que nunca tínhamos usado de forma sistemática antes, mas foram uns grandíssimos aliados. Em um par de dias para se acostumar a eles e, em seguida, andar como um quadrúpede de forma inconsciente. Os bastões são muito bons, especialmente se você andar com uma mochila pesada. Para mim o uso desde que não me dormem as mãos, algo que me acontecia quando ia de excursão com mochilas carregadas durante mais de duas ou três horas. Além disso, dão estabilidade na planície, em subidas ajudam a propulsarte e em descidas permitem fazer suportes para salvar alguns cortados.

ARP_transpirenaica_10

3) LEVE MAPAS IMPRESSOS

para desfrutar de um serviço “à medida”, em que combinamos trechos dos GR-10 GR-11 com outros setores da ARP ou HRP, nós levamos mapas de papel de escala reduzida –entre 1:25.000 e 1:40.000–, o que, para uma viagem de mais de 700 km que se transforma em uma biblioteca considerável. A opção de levar cartografia digital dentro do GPS pode ser tidos em conta, mas há que pensar que nem sempre encontraremos um lugar onde recarregar aparelhos eletrônicos (conhecemos pessoas que levava carregadores solares, e todos eles nos confessaram que era uma solução “a meias”). Por este motivo, nós optamos por levar os mapas de papel e de nos orientar com eles, em geral, e ligar o GPS apenas quando a névoa nos impedia de decifrar a paisagem e adivinhar de onde estávamos.

Um exemplo de um jantar leve.

4) VOCÊ TENTA SER 100% INDEPENDENTE

Fazer uma viagem a pé, em plena autonomia , sem dúvida, é a aventura final de nosso tempo. Apesar dos Pirinéus, é relativamente fácil encontrar abrigos guardados onde fazem almoços, jantares, etc., nossa intenção era a de ser 100% autônomos e, por isso, carregamos com alimentos que devemos racionar para que durasen até 7 dias. Eu acho que é uma experiência totalmente diferente do que nos tem servido para ganhar confiança de cara a preparar aventuras em outras cadeias montanhosas mais “virgens”, em que é indispensável ser autônomo, mesmo durante períodos mais longos, como a Great Divide Trail, nas Montanhas Rochosas, por exemplo.

ARP_transpirenaica_12

5) CARGA COM CRAMPONS E PIOLET

Nós seguimos a máxima de que”mais vale prevenir” e carregamos com os crampons e piolet durante toda a viagem. Como começamos a jornada para o final de julho, apenas encontramos neve e sim quando a encontramos estava irregular e macia, pelo que não foi necessário o seu uso. No entanto, acreditamos que sempre é recomendável usá-los, sobretudo se queremos ir para a ARP ou HRP.

ARP_transpirenaica_06

6) LEVE LIOFILIZADOS ‘HOME’

Nos últimos anos estão se popularizando os envelopes de comida liofilizada. Sem dúvida são muito práticos: conservam-se muito tempo, são leves, fáceis de preparar, completos em nutrientes e a oferta de receitas é realmente grande. Além disso, o mesmo sobre serve para preparar o prato: basta aquecer água, vertirla dentro do envelope, fechar o envelope, esperar alguns minutos… e comer. Não há falta nem lavar o balde! No entanto, cada sobre custa entre 5 e 12 euros, e não os encontrará em todos os lugares. A falta de envelopes deste tipo, nós inventamos algumas receitas similares/alternativas:

Pequeno-almoço

· Café da manhã “survival”: aveia instantânea + leite em pó + passas sultanas + água muito quente
· Jantar “leve”: cuscuz imediato + passas sultanas + sementes descascadas + água muito quente
· Sopa “survival”: 1 envelope de sopinstant + um punhado de macarrão nº zero + água muito quente

Ao meio-dia, ou como salgadinhos, costumávamos comer barrinhas de granola, frutas secas, nozes, etc.

Feliz caminhos!

Entre banhistas, em Hendaya, pouco antes de dar o segundo mergulho Comentários Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *