Declaração de intenções – Titãs do Deserto

Começa o ano cheio de boas intenções. As pessoas vão mais ao ginásio que, no bar, comprar fruta e legumes frescos, bebe água… Minhas boas…

Penedos no caminho

Começa o ano cheio de boas intenções. As pessoas vão mais ao ginásio que, no bar, comprar fruta e legumes frescos, bebe água… Minhas boas intenções são pedalar onde puder. É o objetivo e o sonho para o ano: Trilhas do Diable, o Titan Desert, Pedais de Leão, BI6000, Iron Bike… O que quer que seja. E nesta busca de motivações desportivas eu só descobri de que está a ponto de nascer uma nova carreira: é a Transpyr 2010.

Site oficial contém apenas nada, mas você pode se inscrever para receber mais informações à medida que avançar o projeto. De momento, temos isto:

“Para a primeira edição, que será realizada no verão de 2010, a organização estuda diferentes formatos, sempre com a Travessia dos Mares como protagonista: do Mediterrâneo ao Atlântico em 9 etapas, cerca de 1.000 km de percurso e mais de 20.000 metros de desnível acumulado. Contempla-Se a partir de uma edição 0 não competitiva -uma marcha por etapas – a própria competição ou soluções mistas. Também é valorizada a oferecer alternativas complementares à Travessia dos Mares para abrir-se a uma maior participação e possibilitar a experimentar pessoalmente para ousar com o formato longo seguintes edições”.

Sobre as datas, estimam que será no final de junho, quando os dias são mais longos. Na minha humilde opinião, e baseado no tempo que eu tinha na minha primeira transpirenaica, que fiz nas mesmas datas, acho que julho seria melhor época. Apesar disso, eu já apontado em meu recém-lançado livro de endereços. E com caneta.

Comentários FacebookSergio Fernández TolosaEscrito por Sergio Fernández Tolosa

Jornalista, aventureiro, escritor & “bunda de mau lugar”. Barcelona, estabeleceu-se no bairro de Gràcia, mas nômade por natureza. 42 anos. Gosta de ler, correr, pedalar em todos os lugares, subir montanhas, olhar mapas, realizar as viagens que sonha… A aventura que mudou sua vida? Atravessar de bicicleta, e na paciência os sete desertos maiores e mais emblemáticos do mundo: Austrália, Atacama, Mojave, Namibe, Kalahari, Gobi e do Sahara. Pedaleó 30.000 km durante quatro anos e aprendeu que os desertos são mais do que lugares vazios e planícies inertes. Todas as suas peripécias aparecem no livro 7 desertos com um par de rodas, com mais de 200 fotografias que ele mesmo fez durante as sete expedições. Este blog que começou quando ele se preparava para participar da Titan Desert compartilhando tandem com o castelhano. Superado o desafio, surgiu um outro, e depois outro, e mais outro… e aqui ela nos conta. Seu web site pessoal é www.conunparderuedas.com

De Zimbaue a Zâmbia – Colorado on the road

Etapas 28/02/2016 Marula – Bulawayo (88 Km). 29/02/2016 Bulawayo – Shangani (89 Km). 01/03/2016 Shangani – Gweru (80 Km). 02/03/2016 Gweru – Kadoma (118 Km)….

Etapas

28/02/2016 Marula – Bulawayo (88 Km).

29/02/2016 Bulawayo – Shangani (89 Km).

01/03/2016 Shangani – Gweru (80 Km).

02/03/2016 Gweru – Kadoma (118 Km).

03/03/2016 Kadoma – Selous (70 Km).

04/03/2016 Selous – Harare (90 Km).

05-07/03/2016 Descanso em Harare (18 Km).

08/03/2016 Harare – Mpinga (82 Km).

09/03/2016 Mpinga – Madadzi (127 Km).

10/03/2016 Madadzi – Makuti (103 Km).

11/03/2016 Makuti – Kariba (74 Km).

12/03/2016 Descanso Kariba.

13/03/2016 Kariba – Vila Sikoongos Chief

Zimbábue: Conhecendo o desencorajado

Entrei no Zimbábue como uma folha em branco, sem saber o que encontraria. De fato, no Botswana me avisaram que extremara precauções e que desconfiara de todo o mundo.

Depois de pagar 30 dólares pelo visto, só me restavam 4 no bolso. Os invertí em pão de forma, manteiga de amendoim e várias sopas instantâneas de noodles. Ao pôr do sol, cheguei à pequena cidade de Marula, e perguntando por onde você pode acampar de forma segura, todas as pessoas me diziam que fora para a escolinha.

Lá me recebeu da diretora e dezenas de crianças, que apesar de ser fim-de-semana, vivem nas instalações, devido a que não podem pagar o ônibus a partir de suas casas até a escola. A tempestade estava perto e eu esperava uma noite passada por água. Mas me deixaram de ocupar uma das aulas e consegui dormir mais tranquilo.

Pela manhã, preparei a Bucéfalo para fazer uma pequena exposição de minha viagem para os curiosos a. Expliquei que era minha aventura, e como apesar de ter poucos recursos, com trabalho duro, determinação e entusiasmo, podemos chegar muito longe. Foi a experiência mais linda que vivi desde que eu comecei a viagem por África. Parece que o Zimbábue tem uma energia diferente da que eu tinha comentado.

Diário Zimbábue 1

(Na escola de Marula)

Continuei a viagem pedalando por um mar de morros. Constantemente o céu me dizia que ia gozar de uma ducha natural, mas não caiu nem uma gota em todo o dia. Na estrada, vi um pequeno camaleão, estava tentando atravessar para o outro lado, mas se deixou ajudar, ele subiu à minha mão e eu o levei para um lugar seguro.

Diário Zimbábue 2

(Segurando o camaleão)

Com a última hora da tarde, através de Bulawayo e procuro acampamento nos arredores. Perguntei em vários hotéis, postos de gasolina e em delegacias de polícia, mas não me ajudaram em nenhum lugar. Assim que fiz um dos meus clássicos movimentos, bater à porta de uma casa. A resposta foi totalmente diferente, só perguntei por acampar no jardim e, no final, eu dormi na cama, me convidaram para jantar e, pela manhã, ao pequeno-almoço. Sempre que tenho pedido ajuda ao longo do curso houve alguém disposto a ofrecérmela, e o Zimbabué não estava sendo exceção.

Graças ao purê de aveia, ovos fritos e os bananas do pequeno-almoço, pedalei como um animal, as primeiras 3 horas da manhã. Parei em uma pequena ponte para descansar e me preparar um sanduíche da pior manteiga de amendoim que eu já provei.

Aos poucos quilômetros fui a um restaurante para pedir água, e um senhor, que ao passar com o carro me viu comer na ponte, me convidou para comer Sadza. Um prato constituído por um purê feito de farinha de milho, acompanhado de uma porção de carne e uma porção de legumes. É uma das bases da alimentação na maioria dos países africanos.

Com a noite cima chegou a uma pequena cidade, onde pergunto ao trabalhador de um posto de gasolina onde acampar. Como Dormir com a loja? Disse-Me em inglês, dorme melhor, em minha casa, esta a ponto de chover e eu tenho o turno da noite…era meu terceiro dia em Zimbábue e a terceira vez que me hospedados.

Inocent, o meu novo colega, vivia em alguns barracões atrás da estação de serviço. Tinha um quarto com uma cama, luz e fogão elétrico. Pude jantar é uma das últimas sopa de noodles que me restavam, enquanto a chuva batia o ferro de metal que tinha como telhado.

Diário Zimbábue 3

(Ao lado Inocent)

Despeço-Me de Inocent e pisa duro até chegar a Gweru. Faço uma breve paragem para recarregar água, e antes de terminar uma criança me sobre pidiéndome dinheiro. Não é a primeira vez que me acontece em minha volta ao mundo, de verdade, me aconteceu centenas de vezes. Minha resposta sempre foi a mesma: “Dinheiro não amigo, mas se estiver com fome, te convido para comer”. Mas desta vez não tinha nem para comer eu. Só consigo lhe desejar sorte, mas é perfeitamente como funciona isso, se o cara ganha dinheiro nunca é para ele, há sempre alguém por trás que o força. Por isso, quando posso, convido-os a comer algo rico.

Estando a poucos quilômetros de Gweru começa a chover com força, eu paro em um pequeno armazém de madeira onde me deixam resguardarme. Depois de uma hora esperando os empregados se faz tarde e vão jantar. Pedem-Me que lhes acompanhe e compartilham comigo um prato enorme de Sadza.

Antes que a escuridão fora total a tempestade me dá uma breve trégua, o suficiente para avançar 20 quilômetros até um posto de gasolina com uma área coberta. Deixam-Me acampar, ligar o telefone e passar toda a minha roupa. Cené as duas últimas sopas que me restavam, já não tinha mais nada de comida, nem mesmo a rançosa manteiga de amendoim.

Com a saída do sol atingiu o povo de Chegutu. Apenas pude pedalar 40 km, estando em jejum e demorou quase 4 horas. Eu estava descansando no chão da rua, feliz apesar de tudo. Pela primeira vez desde que entrei no Zimbábue, o sol brilhava, e por fim tinha toda a roupa seca.

Qualquer um pensaria que é uma situação impossível de superar. Estar deitada em uma rua no meio da África, com fome e sem dinheiro, sendo um símbolo do dólar neste continente, um branco europeu com uma moderna bicicleta. Mas aos 20 minutos, um senhor parou para falar comigo, me ofereceu me um refresco, mas eu lhe respondi que precisava de algo para comer. Acabamos tendo uma longa conversa enquanto devorava umas peitos de frango com batatas.

Com o estômago cheio, aproveitei as últimas horas de luz para chegar a Selous. Vi muita gente bebendo e penetrá-lo bem no único hotel da região. Me saudaram enquanto diziam-me que me aproximasse. Eu sempre disse que um bom sorriso abre muitas portas, e desta vez funcionou melhor do que nunca.

Conheci o dono do Hotel, Esqueça. Me ofereceu acampar no jardim e eu podia me dar uma ducha fria. Quando terminei de instalar o meu acampamento me convidou para jantar Sadza e várias cervejas. Depois fomos jogar bilhar e todos queriam desafiar o único branco do bar, perdi a primeira partida, mas logo fui imbatível. Deram-Me a provar a cerveja local, o “Skas”, preparada a partir do milho fermentado. É uma bebida muito curiosa, me convidaram para beber até rebentar e eu gostei!

Fui dormir com um sorriso de orelha a orelha, depois de falar com todo o mundo, de transmitir o meu bom rolo e desfrutar dançando meio bêbado.

Diário Zimbábue 4

(De festa no Zimbábue)

Começando o dia com a ressaca matinal e digiriéndola na bicicleta, consigo chegar a capital do zimbabuê ao final da jornada. Depois de se conectar ao wi-fi de um posto de gasolina, vi que um follower me tinha enviado 20€, foi como água vendita. Após o jantar, como uma besta, estava pensando onde iria dormir naquela noite, e eu decidi tentar algo novo. No mapa localicé um Clube de Golfe e me disse: Se não têm gramado de sobra para que possa acampar, me jubilo!

Se estou escrevendo isso do Malawi, claro está que me deixaram dormir com a loja. O guarda noturno foi muito gentil e pela manhã eu pude dar uma ducha quente, a primeira desde que cruzei a fronteira.

Em Harare vive David Martin, um ex-ciclista profissional do zimbabuê. No passado mês de outubro, bateu o recorde mundial, ao pedalar desde O Cairo até a Cidade do Cabo em apenas 38 dias, 12 horas e 16 minutos. Entrei em contato com ele e me recebeu em sua casa, onde podia descansar. Depois de trabalhar duro com o computador, consegui arrecadar dinheiro suficiente para chegar até a fronteira com a Zâmbia, e pagar os 50 dólares do visto. Apanhei o meu novo passaporte na embaixada e repuse forças seguindo a alimentação de um ciclista de elite.

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(Com David Martin, em Harare)

Antes de retomar a marcha, tive que enfrentar uma perda inestimável. Minha querida GoPro, que havia me seguido desde o início, deixou de funcionar. Fiz todo o possível para revivê-la caso, mas, infelizmente, o seu descanso havia chegado. De aqui em diante só me resta a câmera de fotos para gravar vídeos de forma efetiva, mas insuficiente. O importante é continuar tendo a oportunidade de continuar lutando para documentar minha viagem.

Deixei para trás Harare para colocar rumo à fronteira com a Zâmbia. Durante 3 dias só pisa, subindo ou descendo colinas, não há nada de simples. O sol aperta e enquanto meus primeiros dias foram passados por água, os últimos estavam sendo encharcados de suor. A estrada era muito estreita, e o trânsito de caminhões elevado, mas respeitam o ciclista. Reduziu a velocidade e deixando uma distância generosa para ultrapassar-me, atitude que não tenho visto em muitos países.

Em Makuti acampo na delegacia e despeço-me da estrada principal. Queria visitar o Lago Kariba, mas para isso deveria passar de 70 km de um Parque Nacional, em que, entre outros animais, predominavam os leões. Devia começar o dia (após as 10:00 da manhã, quando o sol aperta e a atividade de predadores diminui.

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(Atravessando o Parque Nacional para chegar a Kariba)

Os primeiros instantes em que a solitária estrada eu tive uma descarga de adrenalina incrível, mas também estava bastante assustado. Minhas duas únicas armas eram a minha faca e um potente apito de gás, que lança um sinal sonoro muito forte e aguda. O dia que eu comprei na África do sul, pensei que se a minha quase me deixa surdo, um animal com um ouvido 10 vezes mais potente deve lhe causar pânico.

Eu fui acalmando-se pouco a pouco à medida que pedalou, até que me deparei com 20 operários de estrada cortando a grama de bordas. Eu estava a falar com eles, eu voltaram a alertar sobre a presença de leões, e apresentaram-me ao caçador que lhes protegia em todo momento. Não é normal vê-los perto da estrada, disse-me, mas pode acontecer. São momentos em que é horrível ser um teimoso cabezón, embora se perfeitamente que não posso remediá-lo.

Continuei pedalando e em 70 quilômetros só me cruzei com babuínos, de fato, um quase atropelamento. Cruzou-Se diante de mim enquanto descia de uma colina, a grande velocidade, mas pude esquivarlo.

Finalmente chegou a Kariba sem sofrer acidente algum e com a deusa fortuna lanzándome novamente um piscar de olhos. Poucos minutos depois de chegar ao povo conheci Dick, um escoces que se estabeleceu no Zimbábue desde há um par de décadas. Convidou-Me a sua propriedade situada na margem do lago, e eu podia ocupar o seu quarto de hóspedes.

Enquanto ainda estava organizando tudo, um elefante passou perto de seu jardim. Fiquei petrificada, mas para Dick era o pão de cada dia e nos aproximamos até tê-lo cara a cara. Mais tarde fomos para a praia, onde eu podia ver hipopótamos, crocodilos e mais elefantes, dois deles estavam jogando e ouvia as batidas que se davam, eram uns animais.

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(Elefantes do Lago Kariba)

À noite, enquanto cenábamos, cortou a luz durante 30 segundos. Não demos muita importância e continuamos conversando. Ofereceu-se para acompanhá-lo pela manhã, dentro do Parque Nacional, tinha que deixar a 3 guardas dentro da reserva. Sua missão, localizar e desativar as armadilhas de caçadores. A verdade é que não dava crédito a sorte que eu estava tendo. Em Botsuana, fiquei com uma vontade bárbaras de fazer um safari, e agora eu ia fazer sob convite.

Saímos bem cedo e depois de pegar os guardas entramos dentro da reserva, onde toda a vida selvagem amanhecia junto a nós. Crocodilos, zebras, búfalos, hipopótamos e elefantes, embora nem rastro dos leões.

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(Dick, segurando uma das armadilhas. Laços de arame para prender a perna de qualquer animal)

Ao voltar encontramos a explicação para o corte de luz na noite anterior. As fiações elétricas que transportam a eletricidade produzida na Barragem de Kariba, são muito baixos em uma área próxima ao povo. Um elefante, tocando por acidente ao passar na escuridão da noite, e morreu eletrocutado. Um triste final para o mais grande da savana africana, e tudo por uma negligência da companhia elétrica que não há nada para remediá-lo. A Cada ano morrem 6 elefantes no mesmo ponto.

Antes de abandonar o lugar que eu fiz uma foto denunciando a situação, e a enviei a todas as protetoras de animais. Nela coloco como referência o meu corpo para mostrar a altura do cabo em relação ao solo. Nada mudou, porque nenhuma protetora confirmou-me que se possam tomar medidas legais para resolvê-lo.

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(Foto denúncia colocando meu corpo como referência para a altura de linhas de energia)

Quando nós fomos para o elefante estava de uma única peça, mas a gente estava agolpando para esperar a sua ração de carne. Passada uma hora, voltei e tinha vários homens despellejándolo, estavam distribuindo os primeiros pedaços de carne, enquanto ele continuava chegando mais pessoas. Nunca esquecer o cheiro do interior do elefante, eu fui inserido na memória e nunca poderei deixar de recordá-los. Admito que não sou contra que se explorar a carne do animal, mas me deu a sensação de que a gente esperava a cada semana em que caísse demitido do west ham outro elefante mais, para ter esse dia carne grátis.

Da próxima vez que voltei a imagem que me ficou gravada na retina. Já não havia ordem nem ninguém que organizasse, tudo era um caos. Não se podia apreciar o elefante, todo o mundo estava ao redor e dentro dele, lutando por ser o pedaço maior, limando os ossos e forcejando uns com os outros. Nem eu ousava aproximar-me.

De regresso a casa de Dick, dou-lhe cuidados a Bucéfalo e lhe faço uma boa limpeza. Pela manhã, me despeço do Lago Kariba e cruzou a fronteira com a Zâmbia bastante pensativo.

Zimbabwe já tinha sido uma experiência reveladora. É um país que tem muito má fama, difundida por pessoas que nunca puseram um pé no. Consegui pedalar 600 quilómetros, sem dinheiro, porque toda a gente que conheci, quis ajudar-me, e foram felizes para me apoiar. Em Harare descansé vários dias na casa de um ciclista de elite, pois apesar de ser um novato ao seu lado, une-nos a comunhão. Pude desfrutar do lago dormindo perto da margem, tendo-cama e casa de banho privada, porque um senhor se aproximou de mim e perguntou se eu sabia onde ele iria dormir.

Se nos deixássemos levar por opiniões negativas, viveríamos trancado em casa aterrorizadas por sair à rua, mas em mim quando vos digo que o ser humano é bom por natureza. Apesar de que há pessoas que se torce ao longo do caminho, as pessoas de bom coração predominam neste mundo.

“De onde menos espera, é o lugar onde você acabou recebendo”

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De Veneza Dubrovnik – Colorado on the road

A viagem a caminho do Oriente Médio (Irã e Paquistão, acima de tudo), continua pela estrada SS14 que sai de são Vito, e eu…

colorado-on-the-road-croáciaA viagem a caminho do Oriente Médio (Irã e Paquistão, acima de tudo), continua pela estrada SS14 que sai de são Vito, e leva-me a visitar Trieste, cidade que visitei em uma das minhas viagens de Erasmus. Mesmo assim, eu tomo meu tempo para voltar a visitar esta grande cidade e me encher de velhas lembranças. A partir da fronteira eslovena demorou apenas 2 horas para chegar à Croácia, e de lá sigo até a cidade de Rijeka. Exausto da viagem, acampou-se na periferia da cidade.

Pela manhã, eu me coloquei de novo em marcha e começo a percorrer a costa croata, seguindo a D8. Procurando o mínimo de gasto diário, acabei fazendo uma compra de alimentos insuficiente para as demandas de meu corpo. Como resultado, ao chegar a noite, no meio de uma tremenda subida , minha moral e as minhas energias se afundar por completo. Com as duas rodas pontadas, sem peças de reposição, o camping gás acabamento e quase sem comida, acabei jantando uma lata de feijão frias e durmiéndome esgotado pela fome.

Em jejum e organizadas as rodas da moto com um par de apaños, eu coloquei pela manhã de novo em marcha até encontrar um supermercado onde abastecerme de alimentos. Continuando a rota, acabei chegando a Zadar, uma grande cidade em que aproveito para abastecerme de peças para a bicicleta.

O tempo da costa croata me tratou muito legal, com uma temperatura agradável nos meses de outono. A gente é simplesmente encantadora, nota-se que aqui se dedicam ao turismo. As costas estão cheias de parques de campismo e é muito fácil acampar às margens do mar, os croatas se defendem em vários idiomas e tentam maravilha para os forasteiros. Cada dia eu corro desfrutar deste país, seja dormindo na loja ou ao relento, cada noite, acendo uma fogueira para me fazer o jantar e calentarme.
Na Croácia faço o meu primeiro mês de estadia na cidade de Opuzen. Sabia que o primeiro mês ia ser o mais difícil, e que tenho dificuldade em me acostumar com o meu novo estilo de vida. A verdade é que foi mais fácil do que pensava, e estou cada vez mais mentalizado na viagem. A Cada dia que passa eu gosto mais da estrada e os caminhos que ando. Quando chega o momento de acampar e estou em pé junto ao fogo, com a barriga cheia de um jantar quente, me disponho a escrever no meu diário tudo que aconteceu ao longo do dia. É quando sinto uma grande sensação de satisfação e paz.

Continuando a rota do Opuzen, a estrada leva-me a entrar na Bósnia, onde paro para descansar em um posto de gasolina bastante desastrosa. Em seguida volto a entrar na Croácia para acabar chegando a Dubrovnik, onde passo minha última noite ao relento antes de entrar em Montenegro.

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Do Uruguai para o Brasil – Colorado on the road

Etapas: 27/07/2015 Buenos Aires – Carmelo (Entrada no Uruguai) (43 Km). 28/07/2015 Carmelo – Colonia del Sacramento (86 Km). 29/07/2015 Colônia do Sacramento – Nova…

Etapas:

27/07/2015 Buenos Aires – Carmelo (Entrada no Uruguai) (43 Km).

28/07/2015 Carmelo – Colonia del Sacramento (86 Km).

29/07/2015 Colônia do Sacramento – Nueva Helvecia (73 Km).

30/07/2015 Nova Helvecia – Ecilda Paullier (20 Km).

31/07/2015 Ecilda Paullier – Canelones (92 Km).

01/08/2015 Descanso em Canelones.

02/08/2015 Descanso em Canelones.

03/08/2015 Uruguai – Montevidéu (61 Km).

04/08/2015 Descanso em Montevidéu.

05/08/2015 Descanso em Montevidéu.

06/08/2015 Descanso em Montevidéu.

07/08/2015 Descanso em Montevidéu.

08/08/2015 Descanso em Montevidéu.

09/08/2015 Descanso em Montevidéu (57 Km).

10/08/2015 Montevidéu – As Flores (94 Km).

11/08/2015 Das Flores – São Carlos (83 Km).

12/08/2015 Descanso em San Carlos (10 Km).

13/08/2015 São Carlos – Rocha (71 Km).

14/08/2015 Rocha – Castelos (61 Km).

15/08/2015 Castelos – Barra do Chuí (Entrada no Brasil) (95 Km).

Uruguai

Depois de fazer o terra no porto de Carmelo, todos os passageiros esperamos passar o controle de alfândega e eu me coloquei em último lugar com Bucéfalo.

Pela primeira vez, havia alguém que estava me esperando para me receber, um follower uruguaio com quem mantinha contato desde que estava por Peru. Em Buenos Aires já coordenamos nosso encontro e decidiu venirse pedalando 220 km Canelones, sua cidade natal, até o porto para me dar as boas-vindas a seu país. Antes de passar pela alfândega José Fernando Pou é abalanzo para me abraçar e me entregar uma bandeira do seu querido Uruguai. A polícia aduaneiro é o sumo-a-vindo sellándome o passaporte com um sorriso de orelha a orelha.

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(José Pou recebendo a Colorado, em On The Road, no porto de Carmelo)

Nesse momento estava com um excesso de peso, o tremendo cansaço acumulado e o sono atrasado. Já era noite, e Pou-me guiou para um Hostel que pagamento hospitalidade, feliz que finalmente nos conhecermos. Concordamos em nosso quarto com um viajante alemão, Dennes, que se juntou a um viajecito rápido ao supermercado para comprar algo para o jantar e uma cervejinha de vitória. Apesar do bom ambiente minhas pálpebras não durou muito abertos e fui para o envelope antes de que marcarão as 22:00 pm.

Pela manhã, eu me sentia um pouco mais descansado, mas minhas baterias estavam longe de estar 100%. Depois de me meter entre peito e costas um pequeno-almoço equiparável ao de um elefante, partimos para fazer uma entrevista na Rádio Carmelo.

José Pou estava profundamente motivado a dar presença ao cicloviaje no Uruguai, e já levava mais de 3000 quilômetros rodados em sua terra. Através da difusão midiática juntos lucharíamos por tão positiva a iniciativa.

A entrevista ao vivo durou apenas uma hora, e sem perder tempo partimos para reduzir distâncias até Canelones. Logo me dei conta do ritmo de tirar o fôlego deste atleta de 40 anos, o que praticamente lhe saco uma cabeça de estatura e que viajar sem uma sacola na bicicleta, toda a sua bagagem leva em um reboque, que arrasta como se fosse feito de papel. Em vez de um coração parecia que tinha um motor de 12 válvulas.

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(José Pou e Colorado On The Road pedalando por Uruguai)

A estrada atravessava um mar de morros sem uma única reta em todo o trajeto. O meu ritmo era lento, mas constante, mas o elétrico Pou me adiantava para tirar fotografias em movimento, o rebasaba quando parava, mas logo voltava a sobrepasarme para fazer novas fotos. Viajava com um simpático anfitrião, que também se tornou meu fotógrafo pessoal, deixando algumas imagens que para mim são impossíveis de realizar com o timer da minha câmera.

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(Fotografia de José Pou)

Na primeira parada de descanso nos jogamos repousar as pernas no gramado de um posto de gasolina. Tínhamos o vento a favor, mas o cansaço acumulado e as constantes colinas estavam me destruindo. Parecia que a juventude estava se evaporando do meu corpo. Então vimos ao longe uma solitária ciclista escalando uma colina, ao invés leve a bagagem e o vento lhe vinha de cara. Nos viu e se aproximou para conversar.

Maria, uma jovem uruguaia, de 21 anos, que viajava sozinha em Montevidéu, até a cidade de seus pais. Sentou-Se ao meu lado anonadada com a experiência que estava vivendo há quase dois anos, nas entrelinhas de conhecer um aventureiro. Meu rosto reflectia fadiga, enquanto que o seu brilhava com o sol. Foi-Me impossível não abrir a porta de minhas frustrações, como esta viagem estava me esmagando emocionalmente nesse momento. Nem tudo é alegria e felicidade, rolar na estrada ao ritmo do Reggae e cantar o Cumbayá. É raro acontecer, mas quando você vem para baixo é um presente do céu, e ter alguém que te escute. A proximidade com a minha mãe e minhas três irmãs, que sempre me fez sentir segurança na hora de abrir um livro e voltar visíveis minhas preocupações de uma mulher. Noelia me deu o raio de luz que eu precisava.

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(Noelia e Colorado On The Road)

Depois de despedir-e com a promessa de se reencontrar em Montevidéu, seguimos pedalando cada um com o olhar fixo em seu objetivo. Eu Me sentia muito melhor e isso notou-se na minha forma de andar e brincar com José Pou. Chegamos a bom ritmo até a Colônia do Sacramento, onde Pou havia conseguido uma noite grátis em um hotel do centro da cidade. Compramos uma boa refeição, cozinhe para os dois e depois de estar bem alimentados, desfrutamos da companhia de outros viajantes.

Pela manhã, depois de ter dormido quase 12 de revitalização horas, fizemos uma nota de imprensa para a televisão e nos pusemos em marcha. Ao final da jornada, chegamos em Nova Helvécia, onde nos abrigar um amigo de Pou o que todos conhecem como “O Comba”. Um personagem que nos deliciar com um bom churrasco e umas conversas que nos arrancaram mais de uma gargalhada. Até o momento a minha viagem pelo Uruguai teve um excelente começo, mas o desenvolvimento de cada dia, ele estava voltando perfeito.

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(Curvatura)

Ao amanhecer, o céu acordou-nos com chuva, mas mesmo assim decidimos avançar. A uns escassos 20 km de estágio nos vimos obrigados a parar em uma estação de serviço. A chuva não cessava e a visibilidade na estrada era preocupante. O proprietário do posto de gasolina nos convido a passar a noite em uma área coberta de garagem, ao abrigo da tempestade. Quando uma pessoa ajuda a um viajante, há vezes que embala quando a porta da hospitalidade permanece aberta. Isso eu vivi muitas vezes, e essa foi uma daquelas situações.

O senhor começou com o convite para dormir na garagem, então nos trouxe umas cadeiras para estarmos mais à vontade, até que chegasse a noite, depois veio a senha do wi-fi, seguida de um lanche. A fauna, a produtos com um jantar que te faz dançar os sucos gástricos antes de dar a primeira garfada, acompanhada de uma cervezaza para passar o chouriço. Ao amanhecer, uma xícara de café tão grande que você pode nadar, seguida de alguns doces, e um terno abraço de despedida que lhe aquece um coração. Nunca estive tão grato que chovesse.

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(Dormindo na garagem da via de serviço)

A tempestade nos deu uma trégua e pedaleamos 92 quilômetros que nos separavam de Canelones. À chegada, fizemos uma nota no programa de televisão “O Fornecedor” que chamou muito a atenção para os canários. Já na casa de família de José Pou, seu pai nos preparou um churrasco de boas-vindas, e a secretária me conta as proezas dos uruguaios. O histórico jogo do Maracanã, em que o Uruguai venceu a copa do Mundo de futebol em 1950 ou mais conhecido como Maracanaço, e mostrou-me o autógrafo do autor do gol da vitória Alcides Edgardo Ghiggia. Falou-Me da famosa história do acidente aéreo na cordilheira Dos Andes, em que um time de rúgbi uruguaio junto a família e amigos levaram acabei uma das mais extremas histórias de sobrevivência, e como a cada ano, de um país de 3 milhões de habitantes saem jogadores de futebol de categoria mundial.

A verdade é que já tinha ouvido falar de tudo isso, mas jamais com a paixão com que ele narra um uruguaio. Faz-lhe um pensar o Que terão os uruguaios, para ser tão guerreiros? O mistério continua em aberto.

No sábado, o passamos a visitar a feira de manhã, e tomando matte da tarde, o monumento à bandeira, juntamente com outros ciclistas. No domingo, aproveitei para distribuir postais e arrecadar algo de fundos para continuar a viagem, a resposta foi calorosa e próxima.

Diário Do Uruguai 8

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(Passeando pelo mercado, e no Sábado e distribuindo cartões-postais, o Monumento à Bandeira do Uruguai Domingo)

Segunda-feira, pedalei até Montevidéu com José Pou, onde estava nos esperando Noelia para entrar na casa de seus tios. Passe uma semana tranquila na capital em que houve tempo para tudo. Trabalhar com o computador, sair para caminhar pela cidade, me despedir de Dennes o viajante alemão que conheci no Carmelo, um par de saídas à noite com as amigas de Maria e rematé a visita pedalando com Massa Critica por tudo Montevidéu.

Seguir em frente na viagem deveria voltar a minha rotina de vida nômade, e desta vez eu acordo muitas despedidas. Em pouco tempo, criou um forte laço de amizade com José Pou, Noelia e Dennes, mas a vida do viajante é assim. É sempre melhor não pensar no momento, ser alegre e agradecido com o destino que uniu os caminhos e avançar, olhando para frente.

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(Dennes, José Pou, Colorado On The Road e Noelia em Montevidéu)

Saí de Montevidéu pedalando por da costa e a primeira noite acampé de frente para o mar. O sol não brilhava ao amanhecer, a chuva e o vento fizeram com que mudasse de estratégia e me afastasse da costa à procura de melhores condições para pedalar. Com a noite já acima e a tempestade se aproximando, eu instalei o meu arraial, a um lado da estrada nos arredores de San Carlos. Quando já estava dentro da barraca começou a chover e não parou.

Chovia, chovia e chovia até que se fez dia e ainda continuava chovendo. Pela manhã, espere acordado quatro horas para que o tempo me desse uma trégua, embora só fora para pegar a barraca, mas nada.

Ao final levante o acampamento enquanto tudo se mojaba. Não estava sendo um bom começo, assim que eu decidi dar a batalha para o clima e para trás, até San Carlos, onde busquei a estação de bombeiros, para que me hospedaran uma noite. Depois de um banho quente, uma boa comida e a roupa secando, sentei-me a descansar até o dia seguinte.

Pela manhã, tudo estava mais calmo, embora os acessos da cidade estavam inundadas. O primeiro trecho de estrada que cruzei estava totalmente coberto pela água, mas foi fácil sair e continuar a marcha. Tinha vontade de avançar.

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(Colorado On The Road com os bombeiros de São Carlos)

Cheguei a Rocha em muito boa hora da tarde. Bruno e seu parceiro Yeyo, um dos meus primeiros seguidores do meu canal do YouTube, estavam me esperando para me receber. Convidaram-Me para sua casa, onde preparamos um churrasco para o jantar, tomamos uma cerveja, enquanto falava da viagem e contava histórias, mas a verdade é que ele sabia todas. Pela manhã me encheu os alforjes de sanduíches e frutas para todo o dia, e continuei subtraindo a distância até a fronteira com o Brasil.

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(Na casa de Bruno e Yeyo)

Apenas dura uma hora o bom tempo, até que começou a chover a mares, não estava tendo nem um dia de trégua. Constantemente estas atravessando colinas e nunca vai plano, ou está subindo ou descendo. Chove e faz frio, a bicicleta pesa muito mais, porque tudo está encharcado e o vento se acaba dando a ultima alegria. Nesses momentos, um tenta visualizar como seria o dia perfeito para viajar, que condições se dariam e quando já todos de uma vez. É absurdo esperar que de um dia assim, porque quando estas vivendo um sonho tão grande, todos os dias são perfeitos para pedalar. Esta é uma das razões por que eu sempre fui capaz de encarar tantas situações difíceis.

A tarde seguinte cheguei à fronteira com o Brasil na etapa de Chuy. Já só me restava um país para completar todo o meu percurso pelo continente americano. Me deu folga de falar português e era hora de ver como eu arreglaría com o português. Depois de um ano de viagem pelo Brasil já era o momento de mudar de ares. Muito eu pedaleado em Vancouver e em breve teria que resolver uma situação difícil, como atravessar o Oceano Atlântico para chegar à África. É difícil saber a resposta quando apenas levar dinheiro para comer, embora a opção de viajar de navio parece a mais esperançosa. Aconteça o que acontecer, de uma forma ou de outra, sempre há que seguir em frente e nunca parar de lutar!

“Pergunte a si mesmo se o que você está fazendo hoje,

aproxima-te do lugar em que você quer estar amanhã”

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